Ao Homem, Padre, músico, historiador e romancista.
Nunca é tarde quando, mesmo já fora de tempo, ainda se chega a tempo. O problema e a dificuldade neste caso são outros: Que falar ou dizer de quem já tantos e tão autorizados disseram e falaram?
Escrever é um dom e publicar é uma coragem a que devem dar resposta e seguimento quem esses predicados possuir e tiver preparação e sabedoria para o fazer, sendo até quase um dever de quem o faz, se aceitarmos como direito da comunidade o partilhar do saber dos outros numa linha de crescimento do bem estar intelectual e progresso da humanidade.
Quem escreve fala para os outros e partilha em permanência futura com a comunidade o seu saber, experiência e sentimento.
Da comunicação escrita à falada, qual delas a mais bela e encantadora, vai no entanto uma diferença entre a eficaz permanência futura da 1ª e a volatilidade da 2ª, a qual subsiste somente enquanto os ouvidos da memória retiverem o que os ouvidos físicos apreenderam.
No direito e dever de comunicar cada um tem na sociedade o seu lugar com o seu papel.
Quem escreve e publica doa à comunidade a riqueza do seu pensamento, o sentir das suas apreensões e o encanto do seu estilo, inconfundível e pessoal.
Vem isto, e não sei porquê, a propósito de Joaquim Correia Duarte, de quem eu hoje queria falar e quase me desviava do tema.
Não gosto e é difícil falar de pessoas, quando a amizade ou a limitação de dados nos rodeia (e pior ainda, quando há junção das duas), porque constrange por defeito a eficaz exposição do pensamento e a merecida adjectivação da forma.
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Nascido em 1940 na freguesia de Paus do concelho de Resende, bebeu não sei em que data nem em que rio o imperativo interior de falar e escrever:- notas e letras, música e palavras, composições e textos.
No meio da encosta entre a serra e o Douro com entremeada oxigenação na quinta da Assoenga, quis em jovempensar em grande e dedicar-se às causasperenes do espírito no meio da sociedade que o mundo lhe dispensou, sobrando-lhe em vontade e riqueza espiritual o que em bens materiais não superabundou na juventude.
Ordenou-se sacerdote em de Agosto de 1963, após 12 anos de intensa preparação nos seminários de Lamego.
O múnus sacerdotal em paróquias da diocese constituiu a sua acção apostólica em simultâneo com a dedicação ao ensino nas escolas públicas para cujo fim se preparou também com uma licenciatura em Ciências Históricas pela Universidade do Porto.
É na gestão qualitativa do tempo dedicado ao apostolado e ensino que o mesmo lhe sobrou ainda para se dedicar também ao estudo aturado do concelho de Resende de que resultou levantamento histórico do mesmo em obras de rara qualidade que lhe valeram em 2007 a rara distinção e honrosa nomeação para membro da «Academia Portuguesa de História» título grande que recompensa interiormente todo o trabalho a esse campo dedicado, perpetua para os anais do conhecimento este filho de Resende e enobrece a Igreja de Lamego.
Para descansar da sua incursão qualificada e laboriosa nos escaninhos da História volta-se para o romance e saem-lhe da gaveta, quase em 3 tempos, três apreciados romances, com sabor a história das encostas do rio Douro, entre o Bestança e o Balsemão, misturando os rodeios e enleios do estilo com personagens de nome composto mas de existência real.
Apraz-me neste campo da literatura comentar, (sem seleccionar ou escolher um melhor que o outro) e revelar que no seu 1º romance foi possível com gosto descobrir na vida e vestes do Pe. Alfredo o verdadeiro Pe. Rosas que na minha paróquia de Santiago de Piães, há anos atrás, 1940 também e um mês após o meu nascimento, me aspergiu com a agua benta do baptismo e que depois de um percurso pela África voltou a Resende, sua terra, para aí morrer à espera de
«Uma Carta que chegou Tarde Demais».
Elencar somente a sua produção literária não é ocupar espaço nem elogio vão e por isso a seguir se indicam as suas obras publicadas, não referindo a sua larga intervenção em conferências, guias turísticos e artigos em vários jornais da região cujo começo fértil e qualificado teve início conhecido em 1958:
-1966- Missa da Família Paroquial - música
- 1994 – Resende e a sua História - 1º volume
- 1996 - Resende e a Sua História - 2º volume
- 2001 - Resende na Idade Média
- 2004 - Resende no séc. XVIII.
- 2005 - Uma Carta que Chegou Tarde Demais - (romance)
- 2007 - As Meninas da Comenda - (romance)
- 2008 – As Monjas de Portejães - (romance)
- 2008 - Casas e Brasões de Resende
E porque a quem muito trabalha sobra sempre tempo para mais, aceitou, em 2006 e 2007, integrar a equipa coordenadora da Edição da - «Antologia - Estrela Polar» numa responsabilidade a que não poupou o seu melhor esforço e dedicação.
Dr. Correia Duarte não é uma revelação recente, um produto de ocasião ou um meteorito inesperado; basta retroceder aos fins da década de 1950 e princípios de 1960 e vê-lo activo e dinâmico como Director da Estrela Polar ou Presidente da Congregação Mariana.
Dos 19 artigos conhecidos (e publicados no jornal - Estrela Polar) nessa época, os 4 primeiros são do ano de 1958 a que deu os expressivos títulos: «Liberalismo e Igreja», «Caminho de Luta», «Cristo nas Conferências de Alto Nível», «Natureza e Arte» deixavam já antever em potência o que hoje conhecemos do Homem e do Padre, no apostolado e nas Letras.
E agora que do ensino pediu já o retorno do seu trabalho no descanso de uma aposentação merecida, bom tempo lhe vai sobrar para nos surpreender no futuro com mais do melhor que aí virá, saído da pena de Correia Duarte.
*Apontamento escrito pelo Dr. Adão Sequeira, publicado n' "A Voz de Lamego".
Durante 150 anos, a Casa de S. José foi um centro de acolhimento de raparigas órfãs ou pobres e de formação na área de lavores e lides domésticas. Orientada por directoras de grande preparação e sensibilidade e assistida por capelães dedicados, destacou-se por ministrar uma educação sólida, assente nos princípios e valores da época. As ex-alunas recordam ainda hoje com saudade e afecto esses tempos e vivências.
Resenha histórica
A quinta de S. José tem uma longa história de formação, ligada à Igreja. A mesma foi comprada, no século XVI, a Álvaro Coelho pelo Bispo D. Manuel de Noronha, tendo sido anexada à capela de S. Nicolau, em Lamego, cujos rendimentos tinham como objectivo custear as despesas com um colégio de preparação de candidatos ao sacerdócio, precursor do primeiro Seminário da Diocese, que viria a ser institucionalizado na segunda metade do século XVIII. Com a criação do Seminário por D. José Píncio, este Bispo, por decreto de10 de Agosto de 1791, anexou ao mesmo a quinta do Bairro, extinguindo a capela e o colégio de S. Nicolau.
Nesta quinta, veio mais tarde, nos princípios do século dezanove, a ser fundada por Frei António da Santíssima Trindade uma instituição benemérita, que ficou conhecida por Casa de S. José, em virtude de a capela ter como patrono aquele santo. Deve ter sido no segundo decénio desse século que a obra arrancou, tendo aí aplicado os bens herdados de seu pai, Tomás Freire de Andrade, e canalizado empréstimos da Ordem Terceira de S. Francisco de Lamego.
Frei António, falecido em 1876, cujos restos mortais jazem em campa rasa na capela, ingressou na Ordem de S. Francisco de Lamego. A lei de 30 de Maio de 1834, de autoria de Joaquim Augusto de Aguiar (“o mata frades”), que criou um ambiente hostil à Igreja, extinguindo as ordens religiosas, atingiu-o directamente, pois foi perseguido, tendo andado fugido na região. Esta situação contribuiu para que viesse a dedicar-se em exclusivo à obra de beneficência por si fundada, que ainda hoje é uma referência no concelho. Como continuadores e assistentes espirituais marcantes, são de referir os padres Manuel Barbosa, José Pereira Dias , pároco de S. Martinho que faleceu em 1948, e Antonino Pinto Duarte, nascido em 10-10-1910, em S. João de Fontoura, tendo estado à frente da paróquiade 1946 a 1976, e vindo a falecer em 1992.
Para a direcção da casa eram escolhidas senhoras de muita dedicação, experiência e saber. A Superiora que ficou mais recordada foi a D. Prazeres (Maria dos Prazeres Machado), a quem a população chamava “Menina Prazeres” e as meninas que frequentavam a casa tratavam por “madrinha”, e que faleceu nos primeiros anos da década de quarenta do século passado. Veio-lhe a suceder a Sra. D. Piedade (Piedade do Carmo Botelho), natural da Talhada, tendo sido auxiliada por Maria José, de nome completo, a quem as meninas chamavam“Gé”,constituindo também duas figuras de referência.
Data de 1970 a entrada da última criança na instituição, tendo vindo ao longo desta década a decrescer progressivamente o número de internas. No ano de 1981, saiu a última jovem, tendo a D. Piedade e Maria José permanecido na instituição até 1984, em “apagada e vil tristeza”. Nesse ano, a D. Piedade, já doente, foi para a Talhada, sua aldeia natal, onde pôde beneficiar do apoio de familiares, tendo falecido meses depois. Nesse mesmo ano, Palmira dos Santos Pinto, uma figura de referência pelo seu estatuto e percurso, que não esqueceu o passado, pois foi aqui acolhida com 10 meses por morte da mãe,trouxe a Maria José para a sua casa, em Viseu, estando hoje com 93 anos e com graves problemas de saúde.
Prodígios de Frei António
Tendo em conta a importância que a obra fundada por Frei António da Santíssima Trindade teve na região, ainda hoje correm histórias curiosas a seu respeito. Conta-se que, aquando das perseguições pelos apaniguados do “mata frades”, para poder escaparaos guardas, se refugiou numa casa, tendo sido metido num cesto que foi coberto com roupas, o que foi possível devido à sua baixa estatura. Quando revistavam a casa,um dos guardas, vendo o cesto, ficou desconfiado. Puxou do floreto (meia espada) e enfiou-o por entre as vergas, mas nada aconteceu. Após os guardas terem desaparecido, destapado o cesto, saiu de lá Frei António sem qualquer mazela.
Já em pleno funcionamento da casa, por alturas da festa de S. José, em que se juntaram muitos sacerdotes, a cozinheira verificou que não havia nada para comer, expressando grande inquietação junto de Frei António. Este respondeu calmamente que tivesse fé em Deus. Inesperadamente, no meio de um sermão, bateram à porta. Era um velhinho com um burrito, que disse trazer umas coisinhas para a Casa de S. José, pedindo para descarregar o animal. De facto, trazia mantimentos para uma semana (azeite, sal, pão, batatas, etc.). Descarregado o burro e após terem levado tudo para cozinha, procuraram o velhinho para lhe agradecerem e saberem a proveniência de tamanha dádiva. Mas não viram ninguém. Viram apenas as pegadas do burrito viradas para a entrada, não descortinando as da saída.
A menina de Porto de Rei
Na capela além da sepultura de Frei António, há uma outra: a menina de Porto de Rei. Dizem que, aquando do seu funeral daquela localidade para S. José, foi acompanhada por um bando de pombas brancas, que desapareceram após o cortejo. Há cerca de 70 anos, em obras de soalho, os trabalhadores descobriram três caixões encaixados entre si (um de chumbo, outro de pinho e um outro de cerdeira), que resolveram abrir, tendo sido necessário para tal um ferro de assento. Nesta operação, fizeram um rasgo na face da menina, da qual brotou sangue, segundo se conta, tendo os trabalhadores encontrado o corpo intacto. Nessa altura, fizeram um túmulo em pedra, tendo colocado lá o caixão, onde ainda permanece. Ainda hoje, muitas pessoas que visitam a capela de S. José afirmam que da sepultura sai de vez em quando um cheiro a rosas.
A instituição há 50 anos
Chegou a ter cerca de 40 crianças/jovens internas. Contudo, o seu número nos finais dos anos cinquenta do século passado era de cerca de 12. A maioria eram crianças órfãs e/ou provenientes de famílias muito pobres. Mas também havia algumas originárias de famílias remediadas cujos pais pretendiam dar, para alem da escola primária, uma educação mais esmerada e completa às suas filhas, pois lá aprendia-se costura, meia, bordados, renda e outras formações de vida doméstica. Para comparticipar nas despesas, estes pais pagavam uma mensalidade à volta de 80/100 escudos. Havia também algumas meninas das redondezas que frequentavam a instituição em regime de semi-internato, indo jantar (cear) e dormir a suas casas. O ambiente era acolhedor, onde se procurava promover uma educação integral cristã, em que estavam presentes as orações, a reza diária do terço e o ensino do catecismo.
O dinheiro não abundava. Viviam de algumas ofertas e do cultivo da quinta. Esta chegou a ter dois trabalhadores diários até aos anos sessenta. Seguidamente, foi entregue a um caseiro, José Coelho (conhecido por José Bento), actualmente com 77 anos. Além das batatas, cereais e fruta, a quinta criava porcos, galinhas e coelhos e tinha um rebanho de ovelhas e algumas cabras.
As meninas frequentavam a escola cujas instalações pertenciam à Casa de S. José,em conjunto com as outras crianças das aldeias vizinhas, cuja frequência chegou a atingir 60 alunos. As professoras de longe ficavam hospedadas na instituição. Só uma das alunas, a Palmira Pinto, muito acarinhada pela D. Piedade e Maria José, continuou a estudar, completando o antigo 9.º no Externato de Resende, tendo trabalhado a seguir na antiga biblioteca da Fundação Gulbenkian e na delegação de saúde de Resende. Após ter tirado o curso de técnica de análises clínicas no Porto, deixou a instituição aos 24 anos para ir paraViseu, onde ainda reside e trabalha.
Normalmente, as alunas saiam entre os 15/20 anos, para trabalhar ou para ir viver para junto de familiares.
Papel do CónegoPinto Duarte
Com a saída das últimas utentes, a morte de D. Piedade e a ida de Maria José para Viseu, e na falta de adaptação para responder às novas necessidades e carências sociais,a instituição morreu. A partir de 1990, o Cón. António Pinto Duarte, de Fonseca, então director da Casa do Gaiato de Lamego, decidiu recuperar as casas e a quinta com o objectivo de ali fazer um lar com várias valências (infância, juventude e terceira idade). Incompreensões locais e a não aprovação e financiamento por parte da Segurança Social fizeram com que o projecto não saísse da gaveta. Ainda tentou a sua transformação num centro de recuperação de toxicodependentes, tendo o P. Feitor Pinto mostrado interesse pela iniciativa, mas dissensões várias a nível local vieram inviabilizá-la.
Fica como sua herança a recuperação das casas, onde foram gastos cerca de 500 mil euros, provenientes da generosidade de muitos anónimos, muitos deles sensibilizados a partir de uma campanha feita na Rádio Renascença. Actualmente, as instalações são utilizadas por grupos de jovens, em férias, provenientes de instituições, designadamente do Porto.
Restauro da capela
Uma das primeiras tarefas do Sr. Cón. Manuel Esteves, após tomar conta da paróquia de S. João de Fontoura, foi restaurar a degradada capela de S. José. Com obras orçamentadas em 70.000 euros, elaborou um projecto de candidatura a um programa governamental, tendo sido aprovado no montante de 70% deste valor. Contudo, o montante final das obras subiu para cerca de 100.000 euros. Para fazer face às despesas, a Fábrica da Igreja contou com dádivas de particulares, o contributo da Câmara Municipal de Resende através da comparticipação de10.000 euros e a disponibilização de máquinas e o apoio da Junta de Freguesia de S. João de Fontoura em mão de obra e serviços. Faltam ainda 25.000 euros para liquidação de todas as despesas.
A inauguração decorreu no passado dia 27 de Julho, em cerimónia que contou com a presença do Bispo de Lamego, 12 sacerdotes e 2 diáconos, tendo sido abrilhantada com o Grupo Coral de Resende. A festa registou grande afluênciaà qual compareceu uma expressiva delegação da Câmara Municipal. A terminar o programa, foi oferecido um lanche/convívio a toda a população pela Junta de Freguesia
Após 7 meses de obras, nasce umacapela nova. Exceptuando as pedras das paredes, tudo é novo ou foi restaurado.
Nota: Além da consulta da monografia “Resende e a sua História” do Dr. Joaquim Correia Duarte, este apontamento baseou-se num trabalho de 1998 da escola do Bairro, que integrou o projecto “preservação do património local”, e na recolha de informações junto do Cón. Manuel Esteves Alves e de pessoas que colaboraram e frequentaram a Casa de S. José, designadamente Palmira dos Santos Pinto.
*Apontamento de minha autoria escrito para o Jornal de Resende (número de Outubro de 2008)
A criação dos seminários como escola de preparação e formação sacerdotal pelo Concílio de Trento (1545-1563) veio trazer à igreja um instrumento de selecção qualificado para encontrar em cada época e conforme as suas necessidades os elementos mais adequados e em dedicação exclusiva ao serviço de Deus, dispondo também e ao mesmo tempo dos meios actualizados para sensibilizar nas comunidades os filhos que deveriam seguir o caminho do sacerdócio como suporte da hierarquia eclesiástica, mensageiros da palavra e ministros do Sacrifício. A esta preocupação tridentina veio o Vaticano II (1962-1965) proclamar «a grandíssima importância da formação sacerdotal», definir os seminários menores como essenciais «para cultivar os germes da vocação», afirmar que «o dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã» e que a sua formação específica evoluirá «sob a direcção paternal dos superiores, com a cooperação oportuna dos pais». Sugere ainda este Concílio que se «promova com zelo e descrição uma geral acção pastoral para fomentar as vocações» utilizando as vias «tradicionais de cooperação» nomeadamente os «vários meios de comunicação social pelos quais se faça conhecer a necessidade, a natureza e a excelência da vocação sacerdotal». Sabedor profundo desta realidade, possuidor de princípios e estratégias aplicadoras desta doutrina e conhecedor atento dos meios a seguir ou passos a dar, o Sr. Vice-reitor do Seminário de Resende Pe. Paulo Alves, dinamizou no arciprestado de Cinfães, um programa promocional de vocações de modo a manter na actualidade e garantir no futuro a ocupação dos bancos do seminário e a ordenação necessária de sacerdotes para a igreja diocesana. Com início em Setembro, semana a semana, aí vai ele à frente dos seus alunos e equipa formadora, de terra em terra, de povo em povo, como o «semeador a semear a sua semente» qual Paulo de Tarso, (o Paulo do mundo), na igreja nascente há 2000 anos. Nalgumas paróquias já esteve e outras se seguirão. Hoje é a vez da freguesia de Cinfães, sede do concelho e centro aglutinador de todo o arciprestado, receber o seminário de Resende e a sua mensagem. Não obstante a chuva intensa e frio persistente, a paróquia de Cinfães recebeu entusiasticamente os jovens alunos e a equipa formadora do seminário. No sábado, dia 6 o Pe. José Fernando e Pe Marcos Alvim com mais 12 seminaristas estiveram em convívio fraterno e troca de experiências com as equipas de catequese e acólitos num diálogo de aprendizagem mútua que dá vida e coragem aos cristãos na sua cooperação de leigos e entusiasmo à juventude para o lugar que o futuro lhe reserva. O dia por excelência deste encontro foi a 7 de Dezembro, 2º domingo do advento e véspera da imaculada Conceição. O Pe Marcos Alvim e o diácono Ponciano mais 12 outros seminaristas, logo pela manhã e após a celebração eucarística fizeram um encontro no Casal com jovens e pais dessa povoação. Pelas 10 horas, com o salão paroquial cheio e sob a orientação do Sr. Vice-reitor realizou-se um encontro especial de jovens, catequistas e pais onde foi dada uma visão da vida no seminário e feita a apresentação de um pequeno filme. O Sr. Pe Francisco, pároco da freguesia, apoiado também pelo Sr. Cónego Acácio Soares, foi incansável na preparação ambiental deste acto que até o mau tempo teve dificuldade em ofuscar. A chave da verdade, e o epílogo da mensagem centrou-se à volta do altar no momento da celebração da eucaristia.A concelebração presidida pelo Sr. Vice-reitor teve no mesmo altar o Sr. Pe Francisco, o Sr. Cónego Soares e o Pe Marcos Alvim, à responsabilidade de quem esteve também o muito bem organizado grupo coral. No momento da palavra o presidente da celebração realçou valor da oração, importância do contacto e os efeitos da mensagem, como suporte e caminho do futuro cristão numa preparação de vida interior para o nascimento de Cristo no seu Natal, deixando ao seminarista Carlos, natural de Fornelos, o espaço e tempo necessários para o seu testemunho vocacional, também ele ouvido atentamente por uma comunidade de fiéis atentos e disponíveis numa igreja repleta onde o peso do silêncio evidenciou a recepção da mensagem e mostrou a disponibilidade do terreno para a semente lançada. Antes da bênção e mensagem final, a Raquel, com voz timbrada e em nome de toda a paróquia saudou e agradeceu ao seminário com vida e alegria nos seguintes termos: « - A nossa comunidade sente-se particularmente feliz, por ter vivido este fim de semana mais próxima do nosso seminário. Ficamos enriquecidos com a alegria que nos foi transmitida pelos seminaristas e superiores (…). Que o Natal que se aproxima permita que todos possamos voar bem mais alto no caminho de servir (…). Vamos pedir a Deus para que também da nossa comunidade haja vocações sacerdotais. Agradecemos, do fundo do coração a vossa visita e aguardamos pela próxima. Até sempre.» Após a celebração seguiu-se a refeição convívio para repor as energias dispendidas. Assim culminou esta deslocação do seminário à vila de Cinfães, terreno fértil para o despertar de novas vocações que vão manter a vida no seminário e garantir o sacerdócio na diocese nos próximos 20 anos, sendo que os primeiros 10 já estão assegurados pelos jovens actuais em formação vocacional, fruto já de um caminho descrito e visível nos planos de actividades anuais consistentemente pensado e seguido nos últimos anos pelo seminário de Resende, numa estratégia de « comprometimento do povo de Deus na vocação dos futuros servidores», em resposta positiva ao «autor do chamamento»,num contributo para «a edificação dos homens e sacerdotes de amanhã», semente e fruto vivo de um «processo de crescimento e discernimento vocacional». Na qualidade de ex-aluno do seminário, vizinho próximo da freguesia de Piães, representante da ASEL e residente no Porto, estive presente neste encontro que me deixou encantado e maravilhado com as maravilhas que neste campo também vai ser o futuro. Ao completar esta reportagem fiquei a discutir comigo e a perguntar-me porquê e para que tantas palavras, quando eu somente queria dizer: continua Seminário de Resende porque estás no caminho certo e parabéns Cinfães porque sabes tão bem receber, absorver e responder. *Nota: Apontamento da autoria do Dr. Adão Sequeira, escrito para a "Voz de Lamego".
«-Não devia nem podia a Associação dos Antigos Alunos do Seminário -(ASEL)- alhear-se deste evento, e sobretudo desta obra de grande alcance para o futuro social, cultural e histórico da diocese de Lamego. O novo Arquivo e Museu hoje inaugurados, centro aglutinador de toda a história da diocese, ficam instalados no local certo e de qualidade rara; as suas paredes guardam ainda o segredo de tantos alunos e vocações que cresceram na sabedoria e santidade e hoje são leigos empenhados ou notáveis padres da igreja viva espalhados na diocese e no mundo. Aqui se burilou, durante tantos anos, a qualidade sacerdotal, humana e científica que tanto enobreceu a nossa diocese; e aqui nasceram e desenvolveram projectos que não mais desapareceram da memória citadina e da história diocesana o mais humilde dos quais terá sido o nascimento da Estrela Polar que sonhado em 1905,concretizado em 1951 não mais desapareceu nem deixou de pertencer aos segredos destes corredores, hoje transformados em museu vivo de coisas que nunca deixaram nem vão deixar de existir e viver. Fica com esta obra garantida o futuro histórico do passado realizado. Como todas as grandes decisões e obras de grande dimensão haverá aplausos e discordâncias, uns e outros salutares à dinâmica da vida e das instituições. A 1ª grande obra que obteve a unanimidade e concordância absoluta da comunidade ainda se não fez e (utopicamente) vai realizar-se somente quando os homens forem perfeitos ou quando a perfeição for comandada por um só homem que centralize a perfeição de todos numa só vontade. A singeleza da nossa oferta - (da oferta da ASEL)- é o símbolo da nossa vontade e o indicativo da nossa presença ao lado de quem está, vai à frente e tem aos seus ombros o peso e a responsabilidade do presente expresso nos actos do passado e a garantir a eficiência do futuro. Sou leigo e desconhecedor, mas sei que a diocese de Lamego tem o melhor arquivo diocesano a nível nacional. Deverá ser uma honra e uma glória para Lamego. Urge mantê-la, guardá-la, aperfeiçoá-la, para bem dos povos, da Igreja e da História. A ASEL ao associar-se a este evento com a singela oferta através do cheque de valor simbólico que agora ofereço, tem a esperança e a certeza que este novo espaço e o destino que lhe foi votado é um centro agregador de toda a documentação diocesana, garantindo assim para a história que tudo se guarda e conserva no local devido, mantendo deste modo também os factos da história na história dos factos. Sem interesse, mas com valor ou sem valor mas com interesse, em nome da ASEL, documentalmente deixo ao museu uma cópia completa do Jornal Estrela Polar, bem como um exemplar em capa especial da Antologia desse mesmo jornal. Este pequeno envelope, Snr. D. Jacinto, é portador de muita alma e pouco dinheiro e mesmo que me diga que almas já tem muitas e dinheiro continua com pouco, esta é porém a dura realidade e a pura verdade à qual certamente só a muita oração dos mais santos poderá dar a volta. Snr. D. Jacinto, envolvidos na crise que a todos avassala e descapitalizados pela nossa incapacidade de gerar fundos, é esta e nesta data a presença e oferta possíveis da Direcção daASEL, sempre irmanada nas grandes causas do apostolado diocesano e no palpitar vivo dos nossos seminários em cujos bancos recebemos o gosto forte pelo saber humano e o paladar espiritual do sabor divino.» *Nota: Apontamento de autoria do Dr. Adão Sequeira, escrito originariamente para a "Voz de Lamego"
Filho de Manuel Coelho e de Maria Elisa Ferreira, nasceu em 1981 na vila de Resende, integrando uma família numerosa. Tem mais dois irmãos e três irmãs, uma delas sua irmã gémea. O pai, conhecido por Sr. Coelho, reformado da Câmara Municipal, é uma figura popular, sobretudo nos meios ligados ao Grupo Desportivo local. A mãe é funcionária no Externato D. Afonso Henriques. À excepção de um irmão, oficial de justiça do Tribunal de Baião, que vive em Resende, os restantes quatro (dois médicos, uma enfermeira e uma jornalista) vivem actualmente no Porto.
Guarda óptimas recordações da meninice e adolescência. Enquanto os pais trabalhavam, ficava em casa dos avós paternos. O avô era detentor de uma pedagogia especial no tocante ao acompanhamento dos trabalhos escolares, o que lhe permitiu consolidar bem as aprendizagens do 1.º ciclo. Só guarda uma mágoa dos primeiros anos da escolaridade: a pouca importância dada ao desenho, de que tanto gostava.
Frequentou a então chamada Escola Preparatória, onde fez o 5.º e 6.º ano, mudando-se a seguir para o Externato, onde frequentou o 3.º ciclo e o ensino secundário. Em todas as turmas ao longo da escolaridade, teve sempre por colega a sua irmã gémea.
Embora muito bom aluno em todas as disciplinas, nunca foi considerado um “marrão”. Sempre fez questão em participar, desde o 5.º ano, em jogos florais, saraus, festas de escola, concursos e outras iniciativas lúdicas e culturais. Pintava cartazes, fazia cenários, escolhia poemas e músicas e até escrevia peças de teatro. Gostava de inventar jogos. Contudo, a representação em palco nunca foi o seu forte, preferindo escolher os colegas certos para o efeito.
Prémios escolares
Além dos estudos que não descurava, sempre cultivou um interesse especial pelo desenho, fotografia, escrita e música, embora reconheça não ter dotes vocais. A participação em concursos nacionais valeu-lhe ter ganho vários primeiros lugares. Assim, aos 13 anos, consegue arrebatar o 1.º prémio num concurso de banda desenhada, aos 14 anos, vence um concurso literário em língua inglesa e, aos 16 anos, fica em primeiro lugar num concurso de fotografia para jovens.
Hesitações e opção por psicologia
Como tinha boas notas a todas as disciplinas, a escolha do curso superior tornou-se difícil. Como possibilidades, foi colocando arquitectura, psicologia, biologia e física. A inscrição em arquitectura na Universidade do Porto exigia a disciplina de geometria descritiva, que não integrava a oferta disponibilizada pelo Externato na área de estudos científico-naturais. Por isso, na falta de certezas, e para não perder oportunidades, fez esta disciplina de forma autodidacta no 12.º ano. No fim desse ano, talvez para justificar o esforço dispendido, candidatou-se ao curso de arquitectura, tendo feito o 1.º ano. Após esta experiência, devido à natureza muito solitária da profissão de arquitecto (não se imaginava uma vida inteira num gabinete a fazer projectos), resolveu abraçar o curso de psicologia, cuja opção também sempre o acompanhou. Em 2005, termina o respectivo curso na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. O estágio curricular e profissional na Junta de Freguesia de Baguim do Monte (Gondomar) permitiu-lhe a articulação de saberes e o contacto com problemas sociais, tendo a sua intervenção passado por problemas de aprendizagem e de comportamento de crianças, abandono escolar e educação familiar. Esta experiência foi decisiva na opção profissional pela intervenção nesta área sob a perspectiva clínica, tendo para isso aberto um gabinete de psicologia no Porto há cerca de um ano.
Cursos de língua gestual e psicologia do amor
Sempre a fervilhar de ideias, dedica também algum do seu tempo a organizar cursos que respondam às necessidades das pessoas, dotando-as de determinadas ferramentas, como a aprendizagem da língua gestual, ou às exigências culturais de alguns estratos profissionais e sociais da população, através da oferta do aprofundamento de temas como psicofarmacologia, psicologia da timidez, psicologia do dinheiro, psicologia do amor, psicologia da religião, psicologia da morte…O seu objectivo é pegar em muitos dos assuntos de “café”, muito apelativos, mas debatidos na base de evidências, lugares comuns e palpites, apresentando-os sob a perspectiva do registo e do discurso científico.
Autor de letras e produtor musical para festivais da canção
O seu gosto por festivas da canção vem de longe. A capacidade para a escrita foi desde os primeiros anos de escola um dado adquirido. Foi, por isso, alimentando o sonho de escrever poemas para canções. Ainda estudante de psicologia, em 2004, achou que era tempo de concretizar esta ideia. Foi compondo canções para as quais ia concebendo a respectiva música que cantarolava para amigos, que procuravam fazer a respectiva tradução e composição no plano musical. Nesse mesmo ano, procurou concorrer ao Festival RTP da Canção, mas o prazo tinha terminado. Como na Lituânia as candidaturas ainda estavam abertas, apresentou uma canção em inglês, tendo ganho o Prémio do Olympic Casino de Vilnius para a melhor canção.
A partir daí, nunca mais parou, escrevendo e traduzindo canções em inglês, castelhano, francês e português. Ainda em 2004, é convidado pela banda letã Fomins & Kleins para escrever a versão portuguesa da sua canção “Dziesma par laimi”, que seria a representante da Letónia no Festival da Eurovisão desse ano. Em 2005, volta a participar como autor e produtor no Festival da Canção da Lituânia, ganhando o Prémio da Rádio Nacional deste país para a melhor canção a concurso. Em 2006, começa a trabalhar com Andrej Babic (compositor croata que já viu 3 temas seus no Festival da Eurovisão) e a produzir para vários intérpretes de vários países. Em 2007, produz e assina com Andrej Babic o tema que ficaria em 2.º lugar na selecção da canção de Andorra para a Eurovisão. Ainda em 2007, faz parte da equipa que produziu a canção da Eslovénia na Eurovisão, assinando também a versão castelhana da canção. Além das parcerias mencionadas, já trabalhou com mais artistas desses e de outros países, como a Finlândia, Moldávia e Itália.
Convite da RTP e percurso para o êxito
Sabedor das regras do jogo, isto é, que as dez canções a concurso ao Festival da Canção decorriam mediante convite, apresentou previamente o seu currículo à RTP. Insistindo e realçando os seus pergaminhos junto da equipa responsável, o convite chegou. Depois foi o que se sabe. Com a canção “Senhora do Mar”, com música de Andrej Babic e interpretação de Vânia Fernandes, vence de forma confortável a 44.ª edição do certame de entre um conjunto de dez canções, através do processo de tele-voto. Em Belgrado, ficou em 2.º lugar na 2.ª semi-final (em concurso estavam 43 países) e na final, na qual Portugal estivera pela última vez em 2003, ficou em 13.º lugar no conjunto de 25 países. Foi a canção favorita da imprensa, tendo obtido o 1.º lugar na votação dos cerca de 3.000 jornalistas presentes. Venceu, pois, uma canção com um tema estruturalmente português e lastro de evocação épica, que evoca o mar, a saudade e o fado.
Perguntas e Respostas
Foi objecto de alguma homenagem em Resende?
Recentemente, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade um voto de louvor pelos sucessos alcançados por este nosso conterrâneo.
Que se entende por produtor musical?
No caso vertente do Festival da Canção, é o responsável pela apresentação da letra e música (inéditas) e pela escolha do respectivo intérprete. Carlos Coelho indicou também o tipo e cor do vestido de Vânia Fernandes ( vestido preto evocando o fado e com brincos em filigrana em estilo bem português) e a roupa dos elementos do coro (vestes brancas a fazer lembrar a bruma e espuma das ondas do mar) e outros adereços, fazendoquestão de a canção integrar instrumentos e sons portugueses. No fundo, o produtor funciona como o arquitecto do espectáculo.
Qual é o projecto/sonho de Carlos Coelho?
Sem prejuízo da dedicação à psicologia (que pretende repartir com um outro colega), pretende abrir uma casa criativa de canções, oferecendo “fatos por medida” aos clientes. Serão disponibilizados aos cantores as letras e músicas que mais se adaptem aos respectivos estilos, responsabilizando-se também pela produção de CD’s, espectáculos e gestão de carreiras.
Contacto:
Telefone: 222 012 572 (Centro de Psicologia do Norte)
E-mail: carlos_alberto_coelho@hotmail.com
Nota: Este apontamento, de minha autoria, foi escrito para o Jornal de Resende (Julho de 2008)