segunda-feira, 4 de maio de 2009

Comunicação de António Cândido Teixeira ao I Congresso Nacional de Antigos Alunos dos Seminários*

Sou natural da Cidade de Lamego. Tenho 55 anos e fui aluno do Seminário de Nossa Senhora de Lourdes, Seminário Menor da Diocese que se localiza na Vila de Resende. Ai estudei do 1º ao 5º ano, inclusive, entre 1963 e 1968.

Como qualquer criança, naquele tempo, as distracções resumiam-se a pouco mais que o acompanhar a vida familiar, brincando com objectos alguns dos quais feitos ou inventados no momento. Filho de uma Família de parcos recursos económicos, muito cedo fui chamado a tomar parte nas lides de casa. Embora humildes, dava-se muita atenção aos preceitos religiosos e assim muito cedo comecei a visitar a Sé de Lamego, pois morava aí perto e o exemplo do Pároco da altura levou-me um dia a dizer à minha Mãe: « quando for grande quero ser como aquele homem vestido de preto». Teria eu os meus 4/5 anos e esse homem vestido de preto era Monsenhor Aníbal Rebelo Bastos.

Ainda com os 6 anos por fazer, entrei na Escola Primária e dia a dia ganhava alento essa ideia, agora já também apoiada pelo Pároco que entretanto me havia inscrito na catequese.

Acabaram-se os primeiros 4 anos de escolaridade primária e uma decisão a tomar: Seminário ou Liceu?

Para segurança de um futuro próximo, recordo-me perfeitamente que este período de férias foi bastante trabalhoso: exame de admissão ao Liceu, exame de admissão ao Seminário, a Comunhão Solene e o Crisma. Naquela altura estudava-se o catecismo e havia provas de melhor aluno que seria premiado.

Embora não sendo um aluno muito aplicado, foram positivos todos os resultados e por opção escolhi Resende, vou ser seminarista.

Para todos os que como eu, com apenas 9 anos abandonaram a sua casa, os seus entes queridos e ficaram entregues a uma disciplina rígida e a princípios e costumes deveras diferentes, recordam-se, entre muitas outras coisas, das lágrimas que chorávamos à noite no Seminário, debaixo dos cobertores e do pensamento que nos surgia do «isto não é para mim; quero ir-me embora».

Com o apoio de alguns perfeitos e seminaristas que já tinham passado pelo mesmo e com visitas frequentes de familiares ao Seminário, esta crise passou e uma voz falou mais alto…

É verdade e todos nós sabemos que nem todos os que um dia passamos por um Seminário o referenciamos como marco nas nossas vidas. Estou ciente que serão poucos os que não se sentirão sensibilizados e de certo modo marcados por essa passagem, pois todos gostarão de recordar e se possível, reviver este ou aquele momento, esta ou aquela pessoa que como perfeito o influenciou ou recorda mais em pormenor.

Foram cinco anos consecutivos, com altos e baixos, como em tudo, mas todos eles bem marcantes, inesquecíveis e importantes na minha formação.

Recordo com gratidão tudo o que aprendi e como o aprendi. Nessa altura tudo era feito dentro do Seminário e só no período de ferias saíamos para o exterior. A educação e as instruções recebidas estavam em conformidade com a época que se vivia, estávamos em 1963. Vivíamos uma época de serias restrições e até de pressões. Hoje recordando este ou aquele pormenor, não posso e não devo acusar o Seminário disto ou daquilo.

Hoje seriam impensáveis e impossíveis aplicar esses mesmos métodos, essas mesmas condições, pois não faltariam oposições, criticas, etc, mas… desculpai, hoje com tantas manifestações , não fariam falta às vezes métodos semelhantes?

As aulas eram tidas dentro do Seminário. Saíamos ao exterior muito raras vezes, por isso eram muito escassos os contactos com as pessoas e digamos com o mundo exterior; praticamente apenas nas férias. Mas adaptados a toda essa disciplina, nunca nos deixamos esmorecer; pelo contrário deixamos que esse modus vivendus se transformasse numa formação humana com responsabilidade, num modo muito sério de encarar a vida e os seus problemas, sabendo desde muito jovens, cada um por si próprio enfrentar as dificuldades possíveis e saber algo que hoje muito se descura que é o saber ser homem e depois saber ser cristão.

Não é possível ser-se cristão se não se souber ser Homem.

Em toda aquela formação e ao contrário de tantos outros que, envergonhados, parecem esconder o seu passado, encontro o reconhecimento e o quanto me serviu para o presente.

Caros amigos, penso que por vezes, devamos fazer um exame sobre: o passado - que conhecemos; o presente - que vivemos e o futuro que desconhecemos.

Do passado, triste ou alegre, saudoso ou saudável, devem ser sempre tiradas ilações: dar-lhe continuidade ou tentar alterá-lo positivamente. Não nos devemos deixar ultrapassar e quebrar por um passado que gostaríamos ter sido melhor, mas sim aproveitar o pouco de bom se foi o caso e sobre esse pouco começar a construir um novo rumo, uma nova vida. Assim penso dever ser a tomada de posição de todos os que olhando para trás não encontram grandes motivos de recordação.

Fui convidado na primeira pessoa a testemunhar o meu passado no Seminário Menor e o que todo ele influenciou a minha vida.

É indiscutível que a lembrança da minha formação, as primeiras aventuras onde quer que tenham sido e como, as pessoas que se encaixaram e fizeram parte desses momentos, ficaram retidas e jamais esquecidas.

Não é correcto e penso que começa a ser ultrapassado aquele pensamento transmitido por um jovem de 6/7 anos que numa campanha de Promoção Vocacional actualmente em acção pelo Seminário de Resende no Arciprestado de Cinfães perguntou a um dos elementos da Equipa de Formação: « mas ó Senhor Padre, no Seminário só se reza? E aos Sábados e Domingos também? »…. Este é um pensamento já não actual e que nos compete, essencialmente, a nós eliminá-lo totalmente.

Todo o processo de disciplina, as teorias, os métodos, mudaram…. Mas de uma coisa podemos estar cientes: o fim, embora alterados os meios, continua o mesmo: formar homens, formar cristãos e se possível formar Sacerdotes. Esta é a escala que ainda hoje eu concebo e penso que preocupa todas as equipas de formação sejam quais forem e onde os Seminários. Só na total assimilação das duas primeiras, ser homem e ser cristão, se poderá partir para a resposta ao chamamento sacerdotal.

O mundo precisa de testemunhos livres e de orientadores assumidos. Uma das mensagens que eu gostaria de deixar: acompanhai todos os que um dia sintam o chamamento para o Sacerdócio. Que as famílias no seu agregado entusiasmem esses jovens a responder ao chamamento. Quando um dia esse chamamento se esvanecer, deve restar a gratidão para quem os acompanhou e lhes deu a formação humana e cristã, pois que fora do sacerdócio, propriamente dito, também podemos e devemos continuar a servir a Deus e ao próximo: aproveitando essa experiência e formação, saberemos dar e demonstrar quão grandes são os caminhos que nos levam ao Pai.

Nunca nos devemos deixar envolver pela tristeza do não termos conseguido o patamar do sacerdócio, porque Deus sabe o que quer de cada um de nós e onde deva ser a nossa actuação, a nossa missão de acção, o nosso sacerdócio.

Assim meus caros Amigos penso se passou na minha vida.

Nunca e em lugar algum neguei o meu passado.

O ter sido Seminarista e o sempre ter tentado dar continuidade a uma educação de princípios e respeito pelo próximo e por tal a Deus, continua a orientar-me ao longo deste meio século de vida.

Partilho convosco uma primeira experiência ultrapassada com dificuldade e em que os princípios recebidos e assimilados no Seminário falaram bem alto..

Havia feito 18 anos e como tal, o serviço militar esperava-me. Através de um familiar, fui convidado a uma entrevista numa das mais prestigiadas empresas têxteis da altura.

Totalmente inexperiente na vida profissional, este seria o meu primeiro emprego, a minha total mudança de vida. Indubitavelmente para enfrentar esta nova fase, valeu-me a educação recebida, os conhecimentos adquiridos nos tempos do Seminário. Estávamos em 1973. Era necessário acautelar um futuro que seria de imediato preenchido com o serviço militar.

Do resultado da entrevista, foi-me oferecido um lugar de apoio e colaboração na Direcção de uma das unidades fabris.

Recordo que em 1974, o 25 de Abril havia sucedido e embora ainda inexperiente profissionalmente, chefiava um departamento do Serviço de Pessoal onde na altura estavam agregados cerca de 300 trabalhadores. Quem não se recorda de todas as vicissitudes, exigências, alterações forçadas ou não, exigências nascidas de um momento para o outro?.

Não tenho quaisquer duvidas que foi o bom relacionamento e a boa educação, a bandeira ou o estandarte que me levaram a resolver tantas mas tantas exigências, discussões, contendas, etc. etc. Havia-se passado do nada para um quase tudo e poucas seriam as pessoas preparadas para uma completa e total alteração de valores humanos. A juntar a tudo isto, a minha idade de jovem acabado de sair do meio académico e sem experiência e possivelmente um alvo fácil de ultrapassar e até abater….. Foi este o meu primeiro teste, bem difícil e exigente e onde a fonte da solução tinha apenas e, sem dúvida alguma, sido o Seminário Menor de Resende.

A vida em comunidade era-me praticamente desconhecida porque a experiência era apenas académica. O ainda ser solteiro, obrigava-me ao viver só; tratar de mim mesmo; viver numa pensão - sem conhecer ninguém…. tudo de um momento para o outro se havia alterado e se tornara de difícil hábito. Confesso que recordei por vezes aqueles primeiros dias vividos no Seminário de Resende em que a vontade era dizer não e regressar a casa….

Não foram anos fáceis, mas foram ultrapassados.

Paralelamente a todas estas alterações , a continuidade da prática religiosa essa também tornara-se também difícil, pois em locais completamente desconhecidos, apenas se resumia à assistência da Eucaristia Dominical.

Num vai e vem de viagens entre o local de trabalho, nas redondezas de Guimarães, visita à família ora no Porto ora em Lamego, os anos corriam e, por ironia do destino, numa viagem de comboio de regresso da Régua para o Porto, apercebi-me da presença de uma cara de certo modo conhecida que viajava na mesma carruagem. Numa simples troca de olhares, cumprimentamo-nos e certificamo-nos que havíamos sido colegas e de imediato recuamos no tempo e em conjunto recordamos os cerca de 5 anos vividos em conjunto, no Seminário de Resende. Quase chegados ao destino, no cumprimento de despedida, questionou-me: não queres jantar no dia X com mais alguns que também estiveram no Seminário? Logicamente que a minha resposta foi de imediato positiva. E logo combinámos os dois tentar saber e contactar outros possíveis ex-seminaristas e convidá-los a estarem também presentes nesse jantar. Recordo-me que nos juntamos 18 à volta da mesa de jantar. Recomeçara aqui aquela etapa que havia sido interrompida pelas voltas que a vida dá.

A este encontro outros vieram a suceder e a Associação dos Antigos Alunos dos Seminários de Lamego que havia sido criado há dois/três anos atrás e da qual eu nunca tinha ouvido falar, ganhara novo animo, novos rumos, nova actividade e novas adesões.

Na altura já casado, foram muitos os encontros em casa de A ou de B, em simples restaurantes ou mesmo neste ou naquele local. Numa procura organizada e profunda, começou a ter corpo uma vasta lista de contactos telefónicos. O passo seguinte surgiu: propor, cumprindo os estatutos, à Direcção da Associação a criação do Núcleo do Porto, local onde habitavam muitos dos antigos alunos.

Como é agradável recordar esses momentos em que nossos filhos, ainda pequenos se entretinham a brincar e hoje estão aí, adultos, alguns casados e com filhos!!!

Era já impossível parar esse entusiasmo e a grande vontade de união, de confraternização e fraternidade: unia-nos o Seminário. Sempre em ligação com a Direcção Nacional criamos o Núcleo do Porto e iniciamos uma forte campanha nacional de associados. Passaram-se os anos. Legalizamos a Associação. A Associação dos Antigos Alunos abrangia e movimentava o Continente Nacional. Criámos o nosso lema : RECORDAR É VIVER.

Éramos já uma grande família. Visitamos os nossos seminários, onde a maioria nunca mais regressara.

As actividades desta nossa Associação nunca mais pararam.

De hoje a oito dias, teremos o nosso Encontro Nacional 2009 no Seminário de Lamego pois, sendo ano de eleições que se realizam de 3 em três anos, terá de ser realizado num dos nossos seminários.

Passamos já por diversos locais. E, como não poderia deixar de acontecer, um dos que nos tocou profundamente, foi realizado neste local , neste Santuário de Fátima que nos recebeu há 4 anos atrás. Seria totalmente impossível destacarmos este ou aquele pormenor dessa nossa estadia. Todos os que cá estivemos jamais esqueceremos os momentos e foram muitos em que nos envolvemos. Ao partimos fizemo-lo com saudade e com a certeza de um dia cá voltarmos. Assim esperamos.

O ano passado, o Seminário Menor, denominado como Seminário de Nossa Senhora de Lourdes, a todos nos recebeu, comemorando os 150 anos das Aparições de Lourdes e os 80 anos de existência do próprio Seminário. Com a presença de um convidado especial, Monsenhor Luciano Guerra, festejamos os 25 anos da nossa Associação – as nossas Bodas de Prata. Foi mais, entre outros, um dos grandes momentos desta associação que jamais sairá da memória de quem nele participou. Foram 3 dias de Amizade sincera, pura fraternidade e convívio espiritual e uma viagem a um passado já distante, mas tão perto e presente ainda. Entre alguns dos pontos altos destas comemorações, destaco o lançamento do livro; Antologia - ESTRELA POLAR onde na primeira pessoa encontramos a história dos nossos seminários, narrada pelos seus próprios alunos, hoje sacerdotes ou não. A Associação assumiu toda a responsabilidade do lançamento. Embora á venda em diversos locais; aquando do seu lançamento, enviamos, graciosamente, a todas as bibliotecas dos nossos Seminários Diocesanos e Paços Episcopais e a várias bibliotecas publicas e privadas. Nesse mesmo Encontro, oferecemos à Diocese, colocando nessa que foi a nossa primeira casa vocacional, um monumento alusivo aos 25 anos da Associação que a todos recordará a grande importância e amizade que une ao espírito de um dia termos sido SEMINARISTAS.

Por razões diversas e compreensíveis, são os antigos alunos leigos que movimentam esta associação. E deste modo, penso que cada um com a sua colaboração e disponibilidade damos continuidade ao chamamento do sacerdócio, mas de um outro lado da vida, como leigos. Assim constatamos que o sacerdócio não é apenas tarefa dos sacerdotes, mas sim de todos os que acreditam que Deus existe e que a Sua Mensagem deve ser constantemente assumida e levada aos menos crentes e muito essencialmente aos que n’ Ele ainda não encontraram o caminho da paz e da felicidade.

Seremos milhões os que nos apelidamos de cristãos, mas quantos seremos os que interpretamos esta Missão de a todos levar a Boa Nova, a Verdade da Mensagem? Por essas searas fora levaremos nós a semente que cresça e frutifique e traga novos trabalhadores para a grande messe do Salvador? A seara continua a ser grande, mas os trabalhadores ainda serão muito poucos.

Quando tivemos conhecimento da iniciativa deste Congresso através de Monsenhor Luciano Guerra, foi grande e imediata a nossa adesão e disponibilidade. Manifestei-o pessoalmente, não só como Presidente da Associação, como e essencialmente como ex-seminarista.

Penso que tal como eu, muitos foram os que deram um sim de acordo a toda esta iniciativa. A comprová-lo, a presença de toda esta assembleia e muitos outros ausentes no momento ou que virão mais tarde…..

Hoje reparto a minha vida como director técnico de uma empresa de trabalho temporário onde me prezo por um bom relacionamento entre os que comigo colaboram e todos os que, de todas as camadas sócio/profissionais me solicitam um ganha pão a exercer no estrangeiro e, com muito gosto e honra mantenho-me ligado ao passado fazendo demasiadas vezes visitas aos nossos Seminários, mais ao Menor onde me prendem laços de grande amizade e disponibilizo-me sempre que necessário, como Presidente da Associação e como Amigo para poder colaborar em algumas das suas necessidades e manter laços com aqueles jovens que, em resposta, nos oferecem sempre simpatia e uma alegria de poderem connosco conviver.

Continuo a pensar que deve sentir-se prestigiado e honrado todo aquele que um dia foi seminarista; não o deve acompanhar a tristeza de não ter chegado ao altar do sacerdócio, porque o campo, a seara tem lugar para todos nas mais diversas funções.

Assim tento fazer no meu quotidiano; assim espero poder continuar a faze-lo.

Penso que este Congresso poderia e deveria ser mais um marco nas nossas vidas: não continuemos a participar só e apenas quando são os outros a ter iniciativas; espalhemos as sementes, sejamos semeadores da Mensagem recebida. Levemos o nosso testemunho, levemos Deus aos que ainda não acreditam que ELE é o centro de toda a humanidade.

Se daqui partirmos e levarmos a mensagem de Deus a outro irmão tresmalhado, amanha seremos o dobro: Deus vai connosco e ilumina o nosso trabalho e com Ele venceremos.

Que o Seminário onde passámos muito ou pouco do nosso passado sirva de apoio e nos remeta ao encontro de tantos que não só não tiveram essa felicidade como também ainda não conseguiram ouvir ou entender quem os interpela e chama.

Vamos tentar levar às mais diversas famílias onde os jovens ainda não descobriram o seu futuro e a realização de um sonho, a ideia do porque não entrar num Seminário?

Só assim Deus nos agradecerá e cada um dará valor total à sua passagem pelo Seminário.

Antes de terminar, gostaria de agradecer em primeiro e mais uma vez a toda a Organização deste Congresso, à presença de todos os que disseram não a tantas outras coisas e aqui estão presentes nestes três dias e um obrigado de reconhecimento ao Pai e a Sua Bendita Mãe pela experiência vivida ao longo destes meus cerca de 22 anos, como elemento de uma Associação de Antigos Alunos. E, um apelo, se na vossa diocese não existe uma Associação de Antigos Alunos, porque esperam? Mãos à obra…. Se já existe, revitalizem-na se necessário e partilhem com muitos outros um passado, longínquo ou não, mas que traz saudades e vida espiritual diferentes.

Que em cada encontro de confraternização de antigos alunos, todos saíamos diferentes e repletos de satisfação pelos momentos passados em comunhão de ideias, recordações e memórias. Saibamos todos dar um pouco de nós e construir aquele grupo ou associação que recordará um passado e testemunhará a tantos outros que vivem à nossa volta o quanto é bom responder e um dia ter sido seminarista.

Obrigado a todos e que o Espírito Santo ilumine todas as equipas de formação dos nossos Seminários de modo a que transformem os nossos jovens em grandes obreiros da mensagem do BOM SEMEADOR.

Um bom dia para todos debaixo do manto Santo da Virgem, Nossa Senhora de Fátima.

Bem digamos ao Senhor.

*Apresentada em Fátima, em 25-04-2009, em representação e como experiência dos antigos alunos dos seminários menores.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cernache do Bonjardim-Terra do Santo Condestável*

Saúdo, em primeiro lugar, as entidades às quais se deve esta iniciativa e, em particular ao meu Presidente, Santos Ponciano.

É para mim uma honra e um privilégio poder intervir nesta sessão de apresentação do livro “Cernache do Bonjardim – Terra do Santo Contestável” da autoria do Professor Doutor Aires Nascimento em boa hora promovido pela ARM.

Apresentar o Professor Aires Nascimento não é tarefa fácil, dado o seu extensíssimo e qualificadíssimo currículum.

Peço-lhe que me perdoe a ousadia, devida à enorme admiração que por ele tenho há quase 50 anos.

Recordo que o seu rigor terminológico já vem de há tanto tempo que já naqueles primeiros anos recorria ao dicionário para perceber os artigos que então escrevia nas revistas “Volumus” e a então “Missionário Católico”.

Esta admiração é porém justificada.

Cito o Professor Aires Nascimento:

“Lemos em Platão, no diálogo de Teeteto, que Sócrates surpreendeu um dia os seus ouvintes ao dizer: “quem afirmou que Taumas é filha de Íris disse uma bela palavra”. Em registo transposto e racionalizado, o mestre ateniense queria significar que só é válida a admiração que nasce de um juízo esclarecido e que este é tanto mais integrador quando predispõe para a admiração e a ela conduz”.

É o meu caso.

O Professor Aires Nascimento é uma personalidade tão eminente como discreta da nossa Cultura, que muitas vezes se apaga na apresentação dos seus trabalhos de paciência beneditina.

Graças ao seu empenho e saber foi possível recuperar na actualidade verdadeiros tesouros da nossa cultura.

Tem sido ele quem tem publicado em versão portuguesa numerosas obras escritas inicialmente em latim, fazendo com que tivessem saído do círculo restrito daqueles que ainda conhecem essa língua.

O Professor Aires Nascimento (estejam descansados que não vos vou ler as duas dezenas de páginas do seu curriculum !), além das referências que já lhe fez o Senhor Presidente da ARM, licenciou-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1970 e foi Professor Catedrático da mesma desde 1985.

Ao longo da sua carreira desempenhou várias funções universitárias, desde Coordenador do Departamento de Estudos Clássicos daquela Faculdade, Vice-Presidente do seu Conselho Científico, e Pró-Reitor da Univerdidade de Lisboa.

Foi Director de diversos projectos científicos na área de Estudos Clássicos, sendo unanimemente considerado o maior Codicologista Português e um dos maiores da Europa.

Foi Presidente do Instituto Português de Arquivos e Membro do seu Conselho Superior.

Académico exímio, pertence às mais conceituadas Associações e Academias nacionais e internacionais e tem uma extensíssima obra publicada quer para especialistas quer para outros públicos.

De recordar ainda que, além de outras prémios, recebeu o prémio PEN CLUB PORTUGUÊS pela sua tradução da obra “Utopia” de Thomas Morus, editada em 2006, pela Fundação Calouste Gulbenkian.

No meio da mediocridade a que desceu a Universidade Portuguesa, o Professor Aires Nascimento honra-a pelo rigor da investigação e pela sua honestidade intelectual.

É este o autor do livro apresentado nesta sessão.

O livro é constituído por dois textos diferentes que li com o maior agrado e prazer intelectual, e que não vou resumir para não vos retirar o mesmo prazer aquando da sua leitura.

Não quero cair na tentação a que se refere o autor no segundo texto, citando o gramático latino Terenciano Mauro, em frase que ficou para a posteridade, pro captu lectoris habent sua fata libelli, ou seja, pela maneira de ler, fica traçado o destino de qualquer livro.

O primeiro texto, conforme aqui já se referiu, foi escrito para a Revista Boa Nova e destina-se a realçar a proclamação de Santidade de São Nuno de Santa Maria que irá ser feita no próximo dia 26 de Abril, na Praça de S. Pedro, pelo Papa Bento XVI.

Realça a fundamentação desta proclamação, aliás tardia, e as peripécias que levaram a que só acontecesse agora.

As qualidades / virtudes do Santo Contestável são aí referidas baseando-se, entre outros, no “Sumário que o Infante deu a Mestre Francisco pera pregar do Condestabre Dom Nuno Alvarez Pereyra”, atribuído a Dom Duarte (Bons tempos em que se preparavam convenientemente os sermões e se eu o fizesse também seria mais breve!) e que me permito ler (páginas 8 e 9):

1)ter interpretado como dom de Deus quando Ele lhe concedeu ao longo da vida e ter cultivado as virtudes qualquer que fosse a sua categoria – teologais, intelectuais e naturais; 2) ter mantido dotes de corpo e de alma próprios da sua condição; 3) ter usufruído de longa vida com boa saúde; 4) ter sido por todos louvado e amado por causa dos seus bons feitos e merecimentos; 5) ter sido muitas vezes vencedor de seus inimigos e nunca vencido nem passar por ele míngua; 6) ter tido linhagem nobre, continuada nos descendentes; 7) ter sabido lograr e possuir nobremente todos os bens; 8) ter feito magníficas obras em que resplandece e se prolonga o seu bom-nome. Consumado em virtudes, por último (interpretava D. Duarte) cumprira soberanamente o Evangelho quando, para o claustro, seguiu “o conselho do Senhor que disse: se queres ser perfeito, vende tudo o que possuis e segue-me”. Por isso, rematava-se, “é assim de concluir que Nosso Senhor Deus o coroou de coroa d’honra em esta vida e segundo seus feitos e sua fim assim cremos que o é e sempre o será na outra”.

Como não podia deixar de ser, convida-nos a festejarmos a glorificação solene do Santo Condestável e, em contraponto, às vozes que se levantaram no Parlamento contra este gesto cita Aquilino Ribeiro que não hesitou em escrever que ele “é uma das figuras mais integras da Humanidade portuguesa” e Luís de Camões que se lhe refere em muitos versos, entre os quais “Ditosa Pátria que tal filho teve”.

O segundo texto, mais extenso, faz jus ao rigor e às qualidades do investigador e académico Professor Aires Nascimento.

Aí faz-se a resenha das diversas fontes que são analisadas criticamente para se concluir que Nuno Álvares Pereira nasceu em Cernache do Bonjardim e que faleceu não a 1 ou 6 de Novembro mas a 1 de Abril de 1431.

Elvas (Flor da Rosa) ou Santarém são afastados como locais de nascimento com argumentos sólidos que, até a um leigo como eu, não custou a compreender.

Porém, o rigor do Professor Aires Nascimento não lhe permite afirmar com toda a segurança que o lugar de nascimento foi de certeza Cernache de Bonjardim, mas eu fiquei convencido.

Quanto à data do falecimento, com a mesma análise critica das fontes e com os conhecimentos que lhe dá o contínuo estudo dos códices, conclui contra o que é vulgar e generalizado, mesmo entre os Carmelitas em que professou, que D. Nuno Álvares Pereira, conforme testemunho de D. Duarte, faleceu no dia de Páscoa de 1431, que nesse ano aconteceu a 1 de Abril.

Aproveita o autor para nesse texto minimizar a importância do polémico milagre que permitiu a canonização do Santo Condestável, para se referir aos milagres que a tradição popular lhe atribuía e que foi passada a escrito em documentos aí citados.

O Santo Condestável já foi canonizado pelo povo há muitos séculos.

E para aqueles que, como hoje vinha no Diário de Notícias, não dão importância ao acto que vai acontecer no próximo dia 26 de Abril, ou até se lhe opõem, cita mais uma vez Aquilino Ribeiro (personalidade pouco dada a devoções) que, referindo-se a D. Nuno Álvares Pereira, escreveu: “Não se topa exemplo mais acabado de lealdade, rectidão, espírito esclarecido e ânimo cheio de clemência para com os vencidos do que o beato Nuno de Santa Maria (...) Amassado desta greda, rara, superfina, nada mais legítimo que oferecer-lhe a Igreja Católica um supedâneo nos altares”.

No livro, como já disse, é citado Luís de Camões.


Eu, para terminar, recordo o poema de Fernando Pessoa na Mensagem:

Que auréola te cerca?

É a espada que, volteando,

Faz que o ar alto perca

Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,

Faz esse halo no céu?

É Excalibur, a ungida,

Que o Rei Artur te deu.

‘Sperança consumada,

S. Portugal em ser,

Ergue a luz da tua espada

Para a estrada se ver!


*Texto de Vítor Borges, que apresentou o livro em epígrafe.

sábado, 18 de abril de 2009

História das Termas das Caldas de Aregos (As Termas de D. Mafalda)

Por Paulo Sequeira*

Toma-se os banhos em uma casa onde sai o manancial mais copioso, e junto a ela está uma Ermida da invocação de Santa Maria Madalena, cujo administrador tem obrigação de fazer prontas certas camas para comodidade dos enfermos” (Aquilégio Medicinal, 1726). A ermida e a obrigação aqui descritas foram instituídas por D. Mafalda, esposa de D. Afonso Henriques, que aqui edificou uma gafaria/albergaria, com duas camas para os pobres, instituído também uma barca de passagem do Douro. O porto fluvial de Aregos e a proximidade de Cárquere fazem supor o conhecimento destas nascentes desde a época romana, período de difusão dos banhos públicos.

A gafaria instituída por D. Mafalda parece não ter sofrido grandes alterações até aos finais do século XVI, época em que a ermida deu lugar a uma capela com a mesma invocação, o que corresponderá possivelmente a uma reforma também do tanque de banhos. O mesmo aparece assim descrito nas Inquirições Paroquiais de 1758 por João de Paiva, abade de Anreade: “O tanque está no meio e dentro duma casa térrea, chamada Hospital, a qual, além de ser muito pequena, acha-se bastante destruída e destituída dos preparos necessários para a assistência dos doentes”. Após esta data deve ter sofrido alguns melhoramentos, pois Frei Cristóvão dos Reis (1779) descreve-os como sendo dois os tanques “de águas sulfúreas muito quentes, divididos com tabuado e em quartos separados, para tomarem banhos e suores, homens e mulheres”.

Curiosa era a descrição da utilização das “aquas calidas” para outros fins. “De tal sorte ferventes, que aos moradores daquele lugar evita o gastar lenha em tudo o que não é cozinhar. E foi providência, por ser muito falto dela o sítio, do qual as lavadeiras, e são muitas, nem para todo o seu ministério recorrem ao fogo, nem temem o frio do Inverno. Porque com o cálido vapor, que resulta daquelas águas, e que em tempo de serenidade se vê como densa névoa cobrindo ao mesmo vale, o rigor daquele em muito modera”, documentava em 1733 Frei Teodoro de Melo. O Padre Luís Cardoso, no Dicionário Geográfico (1747), referia ainda que “os moradores das Caldas empregam-na no uso da cozinha, amassando igualmente com elas o pão, e nem este nem as iguarias cozidas nelas dão o mais remoto indício do seu sabor e cheiro”.

Estas “águas milagrosas” foram, pela primeira vez, analisadas por Lourenço Azevedo em 1866. No ano seguinte, o engenheiro Schiappa de Azevedo, no seu relatório de visita às termas do Norte, escreve sobre estas Caldas: “Estes banhos, que parecem ter gozado de alto favor em tempos passados, hoje são apenas albergue que convém não descrever. Pertencem aos povos do Concelho, e esta circunstância, junta com a falta de comunicações e proximidade das Caldas de Moledo, explicam os poucos cuidados que esta estação termal tem merecido”.

Em 1892, o albergue achava-se em ruínas, como se depreende da descrição de Alfredo Luís Lopes: “O antigo estabelecimento termal, hoje propriedade particular, é modesto e administrado sem direcção médica. Parte dele, o banho da Albergaria, o mais antigo de todos, construído no séc. XII pela rainha portuguesa D. Mafalda para uso exclusivo dos pobres que ali encontravam hospitalidade e tratamento balnear, está hoje em ruínas. O restante apesar da celebridade que antigamente gozavam estas termas, e da fama que ainda hoje têm, é bastante defeituoso desde a captagem das águas até às casas baixas e pouco abrigadas, dentro dos quais são tomados os banhos. É porém muito frequentada nos meses de Junho a Outubro.”

Dada tal grande frequência de aquistas, começaram a surgir, no início do século XX, vários casas para banhos, aproveitando as várias nascentes. No relatório de reconhecimento elaborado pelo engenheiro Melo (1909) para o pedido de concessão são enumeradas as seguintes: “Banhos da Figueira, explorados por António Joaquim Correia; Banhos do Ribeiro, explorados pela viúva de José Pedro do Cabo; Banhos de Santa Luzia, Albergaria e D. Ana, explorados pela Sr.ª D. Maria José Pinto. Todas estas instalações são muito deficientes para tão numerosa clientela e a maior parte delas são muito acanhadas, sem luz e com pouco ar, o que as torna verdadeiramente infectas, devendo, por isso, ser demolidas para darem lugar a uma instalação conveniente”.

Em 26 de Junho de 1909, a exploração das águas minerais de Aregos passou a ter um alvará de concessão, e, na véspera do Natal desse ano, as águas das cheias do Douro cobriram as Caldas de Aregos com cerca de três metros de água.

Em 1913/1914, construiu-se o balneário e Hotel do Parque, que o Eng. Alcorofado descreve como “o estabelecimento de maiores proporções e importância destas Termas (…). As secções de banhos de imersão para cada um dos sexos são analogamente constituídas, cada uma, por 6 cabines, bastante espaçosas, bem iluminadas e ventiladas, dotadas de banheiras de mármore e ferro esmaltado, de muito boa aparência e em confortáveis condições. As duas secções de duches para cada um dos sexos, também convenientemente instaladas, em salas espaçosas e higiénicas”.

O lamecense José Mendes Guerra, responsável por estes equipamentos, constituiu, em 1915, a Companhia das Água das Caldas de Aregos da qual ficou a ser o sócio maioritário.

Em 1923, Charles Le Pierre procedeu in loco às análises químicas das águas, comentando o estado precário das instalações encontradas: “(…) tudo se encontra no mesmo estado de atraso nas Caldas de Aregos (…) falta absoluta de captagem condigna; instalações balneo-terapêuticas das mais rudimentares; a maior falta de higiene; o riacho, a dois passos das nascentes, porquíssimo; as edificações a caírem de sujíssimas. Em nome da higiene mais elementar, não se deve permitir que o estabelecimento continue aberto ao público, sem ser completamente reformado, sem que haja uma conveniente captação e protecção das nascentes. E note-se bem, que as águas são maravilhosas, notáveis pela sua termalidade e pela sua composição química”.

Em virtude destas precariedades, o engenheiro Freire de Andrade, em 1926, elaborou um anteprojecto de captagem que, embora aprovado de imediato, só veria as obras iniciadas em 1937, finalizando-se em 1941 com a construção do túnel e chaminé de arrefecimento das águas.

No relatório de 1938 da Inspecção de Águas, Luís Acciaiuoli menciona: “Foi visitada várias vezes, durante os trabalhos complementares de captagem. Porque havia muitos abusos da parte dos habitantes de Aregos e das vizinhanças, empregando para banho as águas minerais que caem no lavadouro público, foi, por despacho ministerial determinado que esta Inspecção mandasse fechar durante a noite a água mineral que corre para o lavadouro. Não foi possível, apesar desta determinação, conseguir que este abuso acabe de vez”.

O principal responsável por estas infra-estruturas foi Manuel Pinto Monteiro, natural de Minhães, que a partir da década de 20, quando assume a exploração do Hotel do Parque e do balneário, teve um papel fundamental para o desenvolvimento e reconhecimento da estância termal: fundou o Hotel Portugal, a Pensão Palace, conseguiu a paragem dos comboios rápidos na estação de Aregos e a criação da estação de Correios e Telégrafos, preparando o terreno para a construção de um novo balneário.

Substituí-o Manuel Pinto Espanhol, industrial e grande comerciante de vinhos na Régua e em Vila nova de Gaia, que entre 1944 e 1945 construiu um novo balneário, que em 1946 já se encontrava concluído e equipado. Era uma construção ao gosto monumental do Estado Novo, que se desenvolvia em forma de L, com dois pisos (no piso térreo, encontrava-se a buvete num átrio amplo, os consultórios médicos e os tratamentos ORL; no piso superior estavam os banhos e duches). As Caldas tinham então uma frequência de 2000 aquistas/ano e um dos melhores balneários da Península Ibérica, revestido de mármore, com acabamentos de luxo e com toda a aparelhagem indispensável para a completa utilização das águas.

As cheias de 1962 e de 1966 inundaram o balneário. Com a construção da Barragem do Carrapatelo, cujas comportas fecharam em 1972, a subida das águas provocou um aluimento de terras que entulhou a Ribeira da Cesta, inundando os balneários. Apesar desta sucessão de catástrofes, a exploração termal, embora deficitária continuou ainda por alguns anos, mas em meados da década de 1970 encerrava.

Em 1984, a concessão foi dada à empresa Famisa, sedeada em Leça da Palmeira, com a obrigação de construir um novo balneário e hotel, o que se concretizou apenas e só com o balneário, em 1992, que iniciou a sua actividade, mas sempre de forma precária.

Em 1997, por alvará de transmissão a concessionária passou a ser a empresa Sotermal – Sociedade Turística e Termal SA, mais tarde denominada “Companhia das Águas de Caldas de Aregos, SA”.

Em 2007, as Termas das Caldas de Aregos, que se situavam, entre as suas congéneres nacionais, em vigésimo terceiro lugar, apresentaram apenas 1% do volume de aquistas em Portugal, com um número de inscrições a rondar os 810 (em 2008 diminui para 604), com um valor de facturação por aquista avaliado em 210 euros, muito abaixo quer da média nacional, quer da capacidade do balneário termal.

Indicações:

Prevenção e cura de doenças ortopédicas, doenças de reumatismo, doenças das vias respiratórias, sinusites e doenças da pele.

Natureza:

Sulfúreas, bicarbonatadas, sódicas e fluoretadas (62.º).

Tratamentos:

Balneoterapia: banhos de imersão simples, aerobanho, subaquático e hidromassagem computorizada; duches de jacto, lombar, de coluna, filiforme, manupediduche e com massagem de Vichy.

Vapor: Banhos de vapor aos membros e integral. Aplicações de lamas. ORL: Nebulização individual em bancada e colectiva em câmara, irrigações nasais e retro nasais, aerossóis, duche faríngeo-filiforme, gargarejos e pulverizações”.

*Professor de História e Chefe de Redacção do Jornal de Resende. Artigo publicado no número de Março do JR.
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