sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Padre Agostinho Sousa

Quem teve o privilégio de o conhecer nunca mais o esquecerá.
Homem de doce serenidade, de diálogo, de profunda inteligência e profunda Cultura, o nosso querido Padre Agostinho de Sousa adormeceu nos braços do Senhor pelas nove horas do dia 21 de Outubro.
Tinha 80 anos e nascera em Magueija, a pequena aldeia do concelho de Lamego que nunca esqueceu, apesar da dedicação de toda uma vida aos mais abandonados do Marrere e da Paróquia de Santa Rita de Caramaja, a 40 km de Nampula, de difícil acesso sobretudo na época das chuvas.
Após ter frequentado os seminários da Boa Nova em Tomar, Cernache do Bonjardim e Cucujães, foi ordenado sacerdote em 1955. Ocupou os cargos de professor de Português e Matemática, Prefeito e Vice-reitor em Cernache até 1961, ano da partida para Moçambique. Ali foi professor do Colégio diocesano e professor, vice-reitor e reitor do Seminário diocesano de Nossa Senhora de Fátima e Vigário Geral por duas décadas, interrompidas por um intervalo em Portugal, de 1986 a 1991, como Membro do Conselho Geral da Sociedade Missionária e Reitor do Seminário de Cucujães.
Por ele passaram momentos difíceis antes e depois da independência do País, os flagelos da guerra e da fome, que ultrapassou decerto com imenso sacrifício, mas sem um lamento. Aconselhou políticos desavindos que lhe pediam conselhos, missionários e bispos. Trabalhou incansavelmente em prol dos mais necessitados e pelas suas mãos se ergueram uma escola e uma maternidade.
Quando regressou há dois anos a Valadares, ao seminário da Ordem da Boa Nova, vinha muito doente com um grave problema cardíaco. Sofreu uma intervenção cirúrgica mas outra enfermidade, que lhe seria fatal, não lhe permitiu o regresso a Nampula com que tanto sonhara.
Visitámo-lo no Hospital Universitário de Coimbra e encontrámos um homem de sorriso terno, de bom humor inalterável, a brincar com o seu próprio estado de saúde, porque o que verdadeiramente o preocupava eram a reduzida esperança de vida em Moçambique, os inúmeros órfãos vítimas de Sida. Depois, encantado, mirava a flor que lhe tínhamos oferecido e dizia “É nisto que nos transformaremos todos um dia…”
Ainda festejou com o maior entusiasmo os seus 80 anos juntamente com o centenário do tio, na aldeia onde decorrera a sua infância.
Estivemos juntos pela última vez há dois meses, quando apareceu de surpresa em Magueija para mostrar a um casal amigo e ao padre André Marcos, seu velho companheiro de Missão em Nampula, a linda casa de granito onde nascera, magnificamente reparada pela sua irmã Bernardete Sousa Figueiredo.
Distribuiu por todos a água fresquinha que jorra da fonte, “o vinho da minha terra”, como lhe chamou, sempre sorridente, porque guardava com ele o segredo da felicidade das coisas magnificamente simples e belas.
Pelo afilhado que tem o seu nome, mas que todos tratamos ternamente por Tico, soubemos que piorara muito e fora internado no hospital de São João, no Porto.
Os últimos dias de vida passou-os rezando a Avé Maria, num testemunho de Fé inabalável, sempre acompanhado pelo afilhado que lhe dispensou uma profunda e comovedora dedicação.
Depois, a 21 de Outubro a família mais chegada partiu para o seminário de Valadares, a “sua casa”, como lhe chamou o reitor padre Zacarias. Toda a Sociedade Missionária da Boa Nova nos recebeu com um abraço fraterno, que comovidamente agradecemos.
Rezou-se uma missa de corpo presente às 19h30, em que o padre Anselmo Borges recordou com emoção o grande amigo e companheiro. Depois caiu a noite e um imenso temporal varreu a quinta, abalando árvores e descobrindo sombras.
De manhã, pelas 9h30, realizou-se uma missa solene com a presença de 30 padres e o bispo auxiliar de Braga, D. António Couto.
O funeral seguiu então para Magueija, onde se celebraram duas Eucaristias: às 15h30 na capelinha de Santo António, que o padre Agostinho tanto amava, e às 17h na igreja de Santiago, em que participaram o bispo de Lamego, D. Jacinto Botelho, o Vigário Geral da Diocese, o Superior Geral da Ordem dos Missionários da Boa Nova, o padre Hermínio Lopes e muitos colegas de partida para África e Brasil.
A Presidente da Junta de Freguesia de Magueija, Ex.ma Senhora D.ª Liliana Monteiro, esteve sempre presente nas celebrações, em seu nome e do Ex.mo Senhor Presidente da Câmara de Lamego, Engenheiro Francisco Lopes, o que agradecemos.
Já anoitecia quando o corpo foi depositado no pequeno cemitério da aldeia, junto à campa dos pais e do seu querido irmão Aristides, na maior simplicidade, como pedira.
O nosso querido Tico fora incansável a orientar os acontecimentos, proporcionando a todos refeições quentes e o bem-estar possível, cumprindo os desejos do padrinho que tão carinhosamente amparara nos últimos momentos.
E em Valadares, duas rolas que o padre Agostinho acolhera com imenso amor no seu quartinho esperavam, olhando as árvores por entre as grades da gaiola.
Então um padre aproximou-se, abriu-lhes devagarinho a porta e, conforme lhe fora pedido, lançou-as ao céu.
*Texto de Teresa Henrique, sobrinha do P. Agostinho Sousa

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Contos Serranos e Ribeirinhos - Um livro de José Oliveira*

Vai já longe o tempo em que a rádio não se ouvia e a televisão era um sonho imaginário.
As noites na aldeia criavam encanto à volta da lareira e o sabor das conversas vestiam as cores de novelas da vida numa repetição de factos e histórias que deliciavam a juventude e passavam a futuro o passado real ou imaginado. À volta da fogueira que os chamiços acendiam e as tocas de árvores velhas alimentavam, ouviam-se dos pais atentos e avós sabedores as histórias da vida contada e recontada em formas e datas diferentes com um espírito sempre novo e versão sempre actual.
Era a trovoada que zurzia, o lobo que invadia a encosta, ou o lobisomem que atormentava a população ou bruxa que voava.
Enquanto a brasa vivia, as mulheres fiavam e o vento soprava, à volta da fogueira evoluía o serão familiar.
Ocupando o tempo a contar o dia a dia, pais e avós transmitiam o passado, liam a biblioteca do saber utilizando a comunicação oral, transmitindo o passado e dando vida aos feitos e factos.
O novo ritmo de vida, as novelas e telenovelas, o novo modo de ser e saber pela rádio e televisão, alterou o sistema
O mundo mudou e os serões na vida da aldeia também.
Esquecer este passado e deixar no arquivo morto da história esta realidade seria grave prejuízo para a cultura e conhecimento geral dos povos.
De louvar e aplaudir são pois a iniciativas tendentes à recuperação e manutenção em suporte escrito ou visual da vida anterior à tecnologia actual que fez da terra uma normal aldeia sem distâncias onde tudo o que é e há são reais e actuais ao mesmo tempo em todo o lado.
Tão longo intróito só para dizer que os - «Contos Serranos e Ribeirinhos» de José Duarte Oliveira, dispostos em livro, são um precioso repositório dessas recolhas, em terminologia suave e compreensiva, atenta e perspicaz.
Trazendo à memória factos e histórias da vida vivida ou contada nos ambientes familiares de aldeias serranas ou povoados ribeirinhos da mesma serra, o autor recupera dos escaninhos da memória, transcrevendo ou recriando, cenas reais da vida real à maneira de contos, sui generis contados, partindo de uma introdução ambiental à volta dos costumes e do tema, desenvolvendo a seguir o drama em bela forma exposta, para no momento mais alto da curiosidade descrita, encerrar o tema com chave poética em forma de soneto, liberto do rigor belo da métrica e rima.
São 16 descrições em 150 páginas de leitura cativante que nos levam às memórias da vida, desde Castelo de Paiva a Cinfães e de Resende a Lamego terras onde a vida do autor encontrou e deixou rastos de passado e memória de futuro, numa área e circuito impostos pelas águas do Douro e limites do Montemuro.
Com esta obra focalizada essencialmente à volta de Cinfães e cujas receitas de 1ª edição revertem a favor de uma fundação internacional de bem-fazer, o autor leva-nos a viajar pelas realidades da vida que o tempo já levou, deixando na mente a mensagem de um alguém realista mas «crente nos caminhos do progresso da humanidade de cujo projecto quer ser actor…»
São contos e lendas em recolha parcial e possível que a pouco e pouco o tempo destruiria na rapidez da sua passagem e que só deste modo alguma coisa permanecerá para o futuro liberto da inexistência.
Quantas lendas, contos, orações, crenças e crendices continuam ainda com alguma existência, mas à beira do seu fim nas mesmas terras desta terra, desde o Couto a Ervilhais, de Sogueire à Panchorra, de Boassas a Bigorne ou de Samodães a Lalim !
Há ainda por muitos lados em lugares e lugarejos, gigantes a combater, lobos a referir, lobisomens a desvendar, almas penadas a remir, marcos maninhos a repor, bruxas a descobrir ou medos a esconjurar!
Aguardam-se mais livros, destes, como este ou semelhantes, para manter em forma de letra a tradição rica que desaparece por não ser contada nem escrita…e quando morrerem os já poucos que dela falam, não mais dela se falará, porque sem enterro e luto, ficam, sem darmos conta, juntos na mesma sepultura a que na história se chama esquecimento.
E, se já não voltam -( lamento meu que todos perdi e deles nada gravei)- o António de Cristelo para nos falar do lobos , o Manuel de S. Pedro para lembrar os lobisomens, o António de Passos para as histórias dos roubos e assaltos, a Ana da Quintã para dizer do volfrâmio, o Costa de Cimo da Vila para referir partilhas antigas e os marcos desviados, ou meu pai para falar da monarquia e das guerras liberais, outros porém noutras terras viverão ainda e haja quem atento não perca o que eles ainda poderão contar para memória futura como riqueza do passado.
Do muito que já deu à comunidade através da sua vida profissional dedicada ao ensino, de escritos vários em vários jornais, das comunicações na rádio sobre educação e juventude, ou do livro « o Mundo das Crianças», muito a comunidade continua a esperar do José Oliveira que tem para já e agora em parto normal o nascimento da «Universidade Sénior de Cinfães » , desenvolvida a partir da sua actividade como presidente do Rotary Club de Cinfães, no ano rotário 2009-2010.
Como o poeta e com saudade eu sonho:
- «oh pião da minha infância vem de novo à minha mão!»
*Apontamento do Dr. Adão Sequeira, escrito para "A Voz de Lamego" (Outubro de 2009) sobre o livro em epígrafe.

sábado, 17 de outubro de 2009

Propaganda eleitoral das "autárquicas 2009"











Para memória futura.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Documentário de 1945 sobre Caldas de Aregos*

Época d’oiro de Caldas de Aregos
Como bem documentam alguns excertos do Primeiro de Janeiro que ilustram e decoram o bar “Aquas Calidas”, as Termas de Caldas de Aregos eram, na década de trinta do século passado, uma referência a nível nacional como centro de repouso, de prevenção e cura de várias doenças e um pólo de grande animação social. Na época de Verão, Caldas de Aregos era uma espécie de Estoril do norte para onde convergiam as elites de então.
Todo este dinamismo se deveu à acção de Manuel Pinto Monteiro, natural de Minhães, que a partir da década de 20 assumiu a exploração do Hotel do Parque e do balneário, tendo tido um papel fundamental no desenvolvimento e reconhecimento da estância termal, pois fundou o Hotel Portugal e a Pensão Palace, conseguiu a paragem dos comboios rápidos na estação de Aregos, esteve na origem da criação da estação de Correios e Telégrafos e preparou o terreno para a construção de um novo balneário.
Substituiu-o Manuel Pinto Espanhol, industrial e grande comerciante de vinhos na Régua e em Vila Nova de Gaia, que entre 1944 e 1945 construiu um novo balneário. Constituía um grande equipamento ao gosto monumental do Estado Novo, que se desenvolvia em forma de L, com dois pisos (no piso térreo, encontrava-se a buvete num átrio amplo, os consultórios médicos e os tratamentos ORL; no piso superior estavam os banhos e duches). As Caldas tinham então uma frequência de 2 000 aquistas/ano e um dos melhores balneários da Península Ibérica, revestido de mármore, com acabamentos de luxo e com toda a aparelhagem indispensável para a completa utilização das águas.

Novo balneário e potencialidades de Caldas de Aregos e da região em documentário cinematográfico
Nunca foi exibido e divulgado no concelho de Resende, mas foi passado inúmeras vezes nas diversas salas do cinema do país, tendo sido estreado no Politeama de Lisboa, em 16 de Janeiro de 1946. Até há pouco tempo não se sabia da sua existência, repousando tranquilamente nos arquivos da Cinemateca Nacional.
Acabado de construir, é natural que a Junta de Turismo das Caldas de Aregos e a Companhia das Águas das Caldas de Aregos não quisessem perder a oportunidade de promover e divulgar um do mais modernos e funcionais balneários da Península Ibérica, tarefa que se justificava numa época de crise, no fim da 2.ª Guerra Mundial, em que importava restabelecer a confiança, dinamizando os projectos existentes.
Além de destacar as virtualidades das “águas milagrosas de Caldas de Aregos” e de descrever a arquitectura, as instalações, os vários equipamentos do balneário e a intensa animação social, o documentário denota a preocupação de potenciar a riqueza das termas no âmbito do contexto da beleza paisagística do concelho e da região e do património cultural envolvente. Destaca, por exemplo, os cenários do Penedo de S. João, das encostas do Douro e do grande escultor que é o rio e as marcas distintivas das igrejas de Cárquere e Barrô, que convida a visitar. A dada altura, é referido que, por estas bandas, os carros andam devagar, não devido à existência das muitas curvas “apertadas” das estradas, mas antes pelo imperativo de se usufruir com “enlevo” as majestosas belezas circundantes. Chama também a atenção para os sortilégios dos ares e dos parques das Caldas de Aregos, pois pares de namorados que por aqui passeiem “nunca deixarão de andar juntos pela vida fora”.

Paulo Sequeira e Pedro Ferreira na origem do achado
Esta preciosidade, que documenta e caracteriza uma época tão relevante das Caldas de Aregos e do concelho de Resende, encontra-se entre nós para ser visto e desfrutado, indo integrar os conteúdos que a Câmara Municipal irá disponibilizar no ecrã colocado no Jardim 25 de Abril. Foram as pesquisas efectuadas por Paulo Sequeira e Pedro Ferreira para o livro “Douro-Memórias das Caldas de Aregos” que levaram ao conhecimento da existência do documentário. E não descansaram enquanto não foram ao seu encalço, encontrando-o à guarda da Cinemateca Nacional, cujos negativos originais, em suporte de nitrato de prata, se achavam em avançado estado de deterioração. A sua preservação e conversão em suporte fílmico contemporâneo, vulgo DVD, implicava custos avultados, apesar de se tratar de um documentário com apenas cerca de 10 minutos (mas só os negativos totalizavam 258 metros!!!). Tendo em conta os objectivos culturais do Clube Náutico das Caldas de Aregos, esta associação chegou a um acordo com a Cinemateca Nacional, através do qual ambas as instituições repartiram os custos da sua recuperação.
Felizmente, o documentário encontra-se entre nós com um pouco de sorte à mistura, diga-se de passagem, uma vez que alguns destes documentários, feitos em grande número na época, foram destruídos de modo a reaproveitar o nitrato de prata, posteriormente vendido a países como a Alemanha para alimentar a sua máquina da guerra.
Refira-se que a primeira legislação para o sector do cinema da Ditadura Nacional foi publicada em Diário de Governo, a 6 de Maio de 1927. O decreto n.º 13564 determinava, no artigo 136º: «Torna-se obrigatória, em todos os espectáculos cinematográficos, a exibição duma película de indústria portuguesa com um mínimo de 100 metros, que deverá ser mudada todas as semanas, e, sempre que seja possível, apresentada alternadamente, de paisagem e de argumento e interpretação portuguesa».
Era a lei dos cem metros, um diploma proteccionista que tinha por objectivo auxiliar e desenvolver a nossa precária indústria fílmica, contribuindo para tornar conhecido o país, através dum sistemático registo de imagens e respectiva projecção.
Armando de Miranda (
Portimão, 16 de Novembro de 1904Brasil, 1971), algarvio de gema, destacado jornalista da época, aproveitaria esta lei para se lançar na realização de documentários, a exibir antes do filme de fundo de cada sessão. Na década de 40, época de ouro do cinema português, é já um dos mais destacados cineastas portugueses, destacando-se na realização de filmes como “José do Telhado” (1945), saga popular e grande êxito de bilheteira, e “Capas Negras” (1947), que lançaria Amália Rodrigues nas lides cinematográficas.

Apresentação do documentário no Pavilhão Multiusos de Caldas de Aregos
A sessão de apresentação e visionamento do documentário teve lugar no passado dia 7 de Agosto. Pessoas de várias gerações, incluindo várias contemporâneas à época e algumas aquistas/frequentadoras das termas actuais, acorreram em grande número a este evento tão relevante para a história de Resende.
O presidente do Clube Náutico das Caldas de Aregos, Jorge Cardoso, congratulou-se pelo papel que a associação que dirige teve na recuperação do documentário. O presidente da Câmara Municipal, António Borges, relatou algumas vivências de infância relacionadas com as Termas de Caldas de Aregos, referindo transportar memórias de um escorrega aí existente, do hotel com muita música e de uma grande animação social. “À época, conseguiu-se fazer um grande projecto e elevar as termas a um nível de grande ambição, como tereis ocasião de ver a seguir. A nós pertence-nos honrar esse caminho e esse passado e mostrar a mesma ambição. Aqui está um dos grandes pilares de desenvolvimento e de esperança para o concelho de Resende”, referiu no seu breve improviso.
Paulo Sequeira, um dos heróis deste achado (em conjunto com Pedro Ferreira, que não pôde estar presente na sessão), deu a conhecer as diligências para resgatar o documentário dos arquivos da Cinemateca Nacional e levar a cabo a respectiva recuperação e fez o enquadramento histórico do mesmo, conforme descrição feita ao longo deste apontamento, que seguiu de perto a sua prelecção. Terminou, agradecendo o apoio recebido da actual e da anterior direcção do Clube Náutico das Caldas de Aregos, nas pessoas de Jorge Cardoso e Fernando Almeida, respectivamente.
Ao longo do visionamento, a emoção apoderou-se de muitos dos presentes, ao evocarem pessoas, locais e situações com as quais conviveram e se estavam de novo a confrontar. A satisfação que expressavam realçou quão verdadeiro é o ditado “Recordar é viver”.
*Apontamento de autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende (número de Agosto de 2009)

Discurso de apresentação do documentário de 1945 sobre Caldas de Aregos*

Há 64 anos um dos maiores realizadores portugueses de então produziu um documentário sobre as Caldas de Aregos. Estávamos em 1945, no final da 2.ª Guerra Mundial, e, apesar da crise mundial, nas Caldas de Aregos acabara de se construir um moderno e funcional balneário termal, um dos melhores da Península Ibérica. Este documentário acabaria por nunca ser exibido e divulgado no concelho de Resende. E porquê? Porque a sua função era promover e divulgar as Caldas de Aregos, o concelho de Resende e o próprio Douro, noutras regiões do País, nomeadamente na capital.
Hoje regressa ao local de origem para ser visto e para documentar uma época importante da história do nosso concelho, na qual as Caldas de Aregos e as suas Termas eram uma referência, um local de excelência, no Douro, no país e por que não dizê-lo a nível internacional.
No âmbito das pesquisas efectuadas para o livro “Douro – Memórias das Caldas de Aregos” eu e o Pedro Ferreira tivemos conhecimento da existência deste documentário. De imediato, procurámos o seu rasto e encontrámo-lo na Cinemateca Nacional onde os negativos originais, em suporte de nitrato de prata, se encontravam em avançado estado de deterioração. A sua preservação e conversão em suporte fílmico contemporâneo, vulgo DVD, implicava custos avultados, apesar de se tratar de um documentário com apenas cerca de 10 minutos (só os negativos totalizavam 258 metros!!!). Chegámos a um acordo com a Cinemateca Nacional através do qual o Clube Náutico das Caldas de Aregos e aquela Instituição repartiam os custos da sua recuperação.
(Não quero deixar passar esta oportunidade para, num momento como este, referir que na ocasião a Câmara Municipal de Resende, através do Senhor Presidente António Borges, o Padre Joaquim Correia Duarte, o Sr. Jorge Saraiva e o Dr.º Marinho Borges disponibilizaram-se para o comparticipar financeiramente. Não o aceitamos. Não por uma razão de sobranceria mas porque entendemos que as colectividades devem, sempre que possível, financiar as suas próprias actividades e deixar de recorrer ao subsídio para tudo e mais alguma coisa. O Clube Náutico das Caldas de Aregos, com o apoio da Câmara Municipal de Resende ao livro “Douro Memórias das Caldas de Aregos”, encontrou essa disponibilidade financeira, mas agradece a todos aqueles que se mostraram disponíveis em ajudar-nos.)
O documentário encontra-se entre nós. Com um pouco de sorte à mistura, diga-se de passagem, uma vez que alguns destes documentários, feitos em grande número na época, foram destruídos de modo a aproveitar o nitrato de prata, posteriormente vendido a países como a Alemanha para alimentar a sua máquina da guerra.
A primeira legislação para o sector do cinema da Ditadura Nacional foi publicada em Diário de Governo, a 6 de Maio de 1927. O decreto n.º 13564 determinava, no artigo 136º: «Torna-se obrigatória, em todos os espectáculos cinematográficos, a exibição duma película de indústria portuguesa com um mínimo de 100 metros, que deverá ser mudada todas as semanas, e, sempre que seja possível, apresentada alternadamente, de paisagem e de argumento e interpretação portuguesa».
Era a lei dos cem metros, um diploma proteccionista que tinha por objectivo auxiliar e desenvolver a nossa precária indústria fílmica; tornar conhecido o país, através dum sistemático registo de imagens e respectiva projecção.
Armando de Miranda (Portimão, 16 de Novembro de 1904Brasil, 1971), algarvio de gema, destacado jornalista da época, aproveitaria esta lei para se lançar na realização de documentários, a exibir antes do filme de fundo de cada sessão. Na década de 40, época de ouro do cinema português, é já um dos mais destacados cineastas portugueses, destacando-se na realização de filmes como “José do Telhado” (1945), saga popular e grande êxito de bilheteira, e “Capas Negras” (1947), que lançaria Amália Rodrigues nas lides cinematográficas.
E é precisamente nesta época que é estreado no Politeama, em Lisboa, em 16 de Janeiro de 1946 o documentário “Caldas de Aregos – 1945”, de Armando de Miranda, um exclusivo Triunfo para Produtores Associados, antecedendo o filme “José do Telhado” do mesmo realizador.
Não será de estranhar que a Junta de Turismo das Caldas de Aregos e a Companhia das Águas das Caldas de Aregos quisessem promover e divulgar o novo balneário termal, com o projecto de construção aprovado em 1944 e concluído e equipado em 1946. Era uma construção ao gosto monumental do Estado Novo, que se desenvolvia em forma de L, com dois piso – no piso térreo encontrava-se a buvete num átrio amplo, os consultórios médicos e as instalações para os tratamentos otorrinolarinológicos, inalações individuais e colectivas e irrigações nasais com as respectivas salas de abafo e aplicações de lamas, no piso superior estavam os banhos de imersão e duches. As Caldas tinham então uma frequência de 2000 aquistas/ano.
É isto que o documentário reproduz, mas não só… outros locais do concelho, como o Penedo de S. João, Cárquere, Barrô, e da região são retratados como iremos ter oportunidade de ver e ouvir.
Para concluir um agradecimento especial, meu e do Pedro Ferreira, às direcções do Clube Náutico das Caldas de Aregos: à anterior, dirigida por Fernando Almeida, e a actual, dirigida por Jorge Cardoso.
*Proferido pelo Dr. Paulo Sequeira, em 07-08-2009, no Pavilhão Multiusos de Caldas de Aregos

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vitalidade da Paróquia de Resende*

Vivência da Páscoa
A Páscoa, que comemora a ressurreição de Cristo, é a festa maior da cristandade. A paróquia de Resende dá especial relevância a esta época, cujas iniciativas revestem uma dimensão exclusivamente religiosa. A precedência recaiu sobre os doentes, para os quais foram agendados dias específicos, com alguma antecedência, para se confessarem e receberem a comunhão pascal. Uma atenção particular é dada aos estudantes do ensino básico e secundário, que frequentam escolas da vila. Preparados pelos docentes de moral, foi-lhes disponibilizado um dia, durante a última semana de aulas, para a preparação (confissão) e realização da comunhão pascal, a qual decorreu, no dia 26 de Março, no Centro Paroquial (para os alunos do 1.º ciclo) e, no dia seguinte, no Externato (para os alunos dos 2.º e 3.º ciclos e do secundário das escolas públicas e dos alunos do Externato e da Escola Profissional). Para a restante população que desejou confessar-se estiveram disponíveis 12 padres na quarta-feira da Semana Santa.
De acordo como o previsto no ritual da Igreja, decorreram as cerimónias de Quinta-Feira Santa (celebração da Última Ceia e evocação do lava-pés), Sexta-Feira Santa (leitura da Paixão de Cristo e adoração da Cruz), Sábado Santo (cerimonial da vigília pascal) e Domingo de Páscoa (com missas na igreja paroquial, centro paroquial e capelas do Enxertado e Loureiro).
Como já vem sendo hábito, realizou-se na Sexta-Feira Santa à noite, no Largo da Feira, a dramatização da Paixão em que participaram escuteiros, elementos do grupo de jovens e alguns adultos, num total de cerca de 30 pessoas.
A visita pascal continua a ser o momento mais aguardado, pelo seu significado religioso, pelo gesto de proximidade e pela memória que encerra. Muitos resendenses a residir noutras paragens continuam a deslocar-se propositadamente à vila ou aldeia de origem para aí beijarem a cruz como o faziam outrora. No domingo de manhã, saíram cinco cruzes com os seguintes percursos/localidades: Paredes; Enxertado; estrada da igreja aos bombeiros e Mirão; zona de Sais, Vista Alegre, Paço Velho até às bombas de gasolina; e Cotelo, Figueira Velha; Pene Loureiro e Riboura. De tarde, saíram sete cruzes: continuação no Enxertado; três na vila; Rendufe (vinda de Loureiro); Minhães, vinda de Paredes; e Portela, Granja. Na segunda-feira , uma cruz visitou Vinhós, da parte da manhã e Cimo de Resende, da parte da tarde.

Catequese
Presentemente, frequentam a catequese cerca de 280 crianças/adolescentes, dos 5 aos 15 anos, o que representa um número assinalável para a dimensão do concelho. Os dois primeiros anos destinam-se à preparação da primeira comunhão. Os quatro seguintes têm como objectivo fazer a profissão de fé. E os últimos quatro têm como finalidade o estudo e a preparação para o crisma/confirmação, cuja cerimónia, presidida normalmente pelo bispo, se realiza de dois em dois anos. Para orientar as várias sessões e grupos, que têm lugar na igreja paroquial (sábados e domingos), no centro paroquial (domingos) e Enxertado (domingos), a paróquia conta com 29 catequistas, de entre os quais vários jovens, designadamente seis estudantes do ensino superior.
Mais do que simples ensino, transmissão e memorização de verdades, códigos e fórmulas, a catequese actual procura fazer um percurso de reflexão em torno de múltiplos temas à luz da Escritura, da Liturgia e dos ensinamentos da Igreja, levando à formação de uma consciência cristã das crianças/jovens. O que está em causa é a preocupação com a pedagogia da fé, ou seja, uma construção alicerçada na dimensão cristã, o que pressupõe muita preparação, sensibilidade e motivação por parte dos catequistas. Por isso, os candidatos a este múnus frequentam previamente um curso aprofundado de formação. Posteriormente, são convidados a frequentar acções de actualização, levadas a cabo pelas várias estruturas da diocese. Têm ainda, ao longo do ano, reuniões de acompanhamento.

Grupos de jovens
O Agrupamento de Escuteiros (1096) integra crianças/jovens entre os 6 e 22 anos, divididos, de acordo com faixas etárias, por quatro secções (lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros). Actualmente, conta com 49 elementos.
Bem organizado e orientado e com um minucioso plano de actividades, procura marcar presença em iniciativas nacionais, regionais e locais. Como movimento da Igreja Católica, a sua ligação à paróquia é muito forte. Todos frequentam a catequese até receberem o crisma, sendo convidados, após o mesmo, à prática religiosa e a participarem em actividades da paróquia. O P. José Augusto é desde o início o seu assistente religioso, sendo também actualmente chefe de agrupamento.
Além dos escuteiros, existe um grupo de jovens (Gotas d’Orvalho), cujo objectivo é a reflexão, debate de ideias, partilha solidária e participação em iniciativas da paróquia. Têm uma reunião semanal, às sextas-feiras, pelas 21h00. Promovem e marcam presença em intercâmbios com grupos congéneres da diocese e de outras dioceses. Participam em acções de formação, retiros, convívios fraternos e outras iniciativas como passeios e férias conjuntas. No âmbito da paróquia, animam eucaristias, integram procissões, fazem um magusto, ajudam na organização da festa do Natal e participam na dramatização da Paixão, entre outras iniciativas.
Há ainda jovens, inseridos ou não nas estruturas anteriores, que integram o grupo coral, o grupo de catequistas e o grupo de acólitos. Convém referir que na festa do Crisma, que ocorre normalmente após os 15/16 anos, os jovens são convidados a assinar um compromisso no sentido de integrarem um grupo ou estrutura juvenil.

“Sê…”
É um jornal mensal, de 8 páginas, com 13 anos de existência e 151 números publicados, cuja edição é da responsabilidade do Agrupamento de Escuteiros de Resende. Tem sempre um editorial, em primeira página, escrito pelo P. José Augusto, onde é tratado um tema específico. O de Abril faz uma reflexão sobre o significado da Páscoa, cujo tema volta a ser tratado pelo mesmo autor e pelo P. Martins Teixeira, respectivamente nas páginas dois e quatro. Embora voltado para as actividades dos escuteiros, com rubricas lúdico-didácticas, integra também outros temas de interesse para a paróquia como movimento paroquial ( encontros, cursos de formação, baptizados, casamentos e funerais), agenda mensal das várias actividades (missas, dia de confissões, reuniões e festas litúrgicas) e reflexões gerais. Pelo seu carácter formativo e informativo, pela diversidade e interesse temático e pelo design gráfico, é um jornal que ultrapassa as fronteiras dos escuteiros, sendo distribuído mensalmente no primeiro domingo de cada mês, na chamada missa dos escuteiros.

Movimentos e grupos de adultos
Além dos ministros da comunhão, que integra seis pessoas, e dos catequistas, há dois grupos/movimentos na paróquia: Movimento dos Cursos de Cristandade, ao qual pertencem 30 elementos, e a Conferência de S. Vicente de Paulo, que integra 12 voluntários.
Refira-se que o movimento dos cursos de cristandade teve a sua origem na ilha de Maiorca, em Espanha, no ano de 1944, tendo como grande objectivo proporcionar a vivência cristã junto dos outros nos vários contextos de vida (familiar, profissional, social e político), através de pessoas previamente seleccionadas pela sua influência, as quais servirão de veículos de divulgação, consciencialização e de testemunho. Esta metodologia, com efeitos bastante eficazes, encontra-se actualmente espalhada por todo o mundo, tendo tido início em Portugal em 1960. Localmente, pressupõe um enquadramento adequado e muito acompanhamento.
As Conferências de S. Vicente de Paulo desenvolvem actividades destinadas a minorar as carências das pessoas social e economicamente mais desfavorecidas. Esta organização foi fundada, em Paris, em 1833, por sete jovens universitários, liderados por Frédéric Antoine Ozanam, na altura com 20 anos. Em Resende, faz o levantamento das necessidades, respondendo às mesmas através de alimentos, vestuário ou fazendo o encaminhamento para quem de direito. Disponibiliza também três casas, de que é proprietária, a pessoas carenciadas.

O quotidiano da paróquia
Os seus responsáveis procuram que as pessoas vivam o ano litúrgico, os respectivos ciclos, festividades e devoções de forma esclarecida. Por isso, há um grande investimento na animação e formação de jovens, sem descurar os adultos. Ainda recentemente, decorreu, ao longo de seis dias, com início às 21h, um curso bíblico sobre S. Paulo.
Para se ter uma ideia do movimento religioso de acordo com as grandes etapas da vida, é de referir que, em 2008, se realizaram 37 baptizados, 8 casamentos e 20 funerais. A realização do crisma ocorre de dois em dois anos, abrangendo cerca de 40 candidatos.
Devido à extensão da paróquia, estão previstas missas/celebrações eucarísticas por diversos locais ao longo da semana. Assim, na igreja paroquial, é celebrada missa às segundas, quartas, sextas, sábados e domingos, decorrendo duas celebrações neste último dia. No centro paroquial, é celebrada às segundas, terças, quintas, sextas e domingos. No Enxertado, é celebrada às terças, quinta e domingos. Há ainda missa no lar da Santa Casa da Misericórdia aos sábados.
O trabalho é repartido entre o P. António Martins Teixeira, que se dedica preferencialmente à pastoral dos adultos, e o P. José Augusto Marques, que tem a seu cargo a animação e formação de jovens. Ambos têm também a seu cargo a paróquia de Felgueiras. O P. Martins, carinhosamente tratado por “Senhor Abade”, personalidade marcante pelo seu espírito empreendedor e optimista, veio para Resende há 41 anos, tendo dedicado também muito do seu esforço em prol do Externato. O P. José Augusto, que colabora na paróquia há 14 anos, é conhecido pelas suas capacidades de trabalho, competência e dedicação nas múltiplas actividades que desenvolve (paróquias de Resende e Felgueiras, director do Externato, director espiritual do seminário, chefe do agrupamento de escuteiros…).

Papel da paróquia na criação e desenvolvimento do Externato
A paróquia de Resende esteve na origem da criação do Externato D. Afonso Henriques em 1963, em Massas. E voltou a ter um papel imprescindível na sua reabertura em 1978. Foi o P. António Martins Teixeira quem adquiriu a casa junto à igreja paroquial, para nela instalar o Externato, tendo sido o responsável pelas obras de readaptação Foi seu director durante 21 anos, até 1991, tendo continuado como professor até 1998.
Após a saída do Cón. Manuel Esteves Alves em 2007, reatando uma tradição anterior, a direcção deste estabelecimento é assumida actualmente por um pároco de Resende, o P. José Augusto Marques.
Refira-se que o Externato, que é detido pela Fábrica da Igreja Paroquial (sendo caso único no país), constituiu, durante as décadas de sessenta e setenta do século passado, uma oportunidade para as crianças e jovens mais desfavorecidos do concelho de Resende prosseguirem estudos após a primária. Enquanto no resto do país este tipo de estabelecimentos foi desaparecendo face à implementação de escolas públicas, o Externato D. Afonso Henriques foi dos poucos a resistir, contribuindo actualmente para a diversificação de ofertas educativas no concelho.
*Texto de autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, número de Abril de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

Cárquere acolheu 1 500 jovens na Jornada Diocesana da Juventude*

XXIV Jornada Diocesana da Juventude
Na esteira das Jornadas Mundiais da Juventude promovidas pelo Papa, é realizado anualmente, a nível da Diocese de Lamego, um evento da mesma natureza. Cárquere teve a honra de acolher, em 16 de Maio, a Jornada deste ano, que reuniu cerca de 1 500 jovens. Muitos participantes, já repetentes neste tipo de eventos, incluíram a deste ano, que já vai na 24.ª edição, entre as melhores até agora realizadas. O Padre Bráulio Carvalho, Director do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ), agradeceu o suporte dado pela Câmara Municipal de Resende e da Junta de Freguesia de Cárquere à iniciativa.
Este encontro foi devidamente preparado em toda a Diocese, tendo sido inclusivamente editado um livro com catequeses e trabalhos de grupo, em que colaboraram os Padres José Augusto Marques e Marcos Alvim, que são também, respectivamente, os autores da letra e música do hino.
Houve grupos, como o de Ferreirim, que vieram de véspera, tendo participado numa Vigília de Oração com jovens do concelho de Resende e acampado em Cárquere.
Por volta das 10h00 de 16 de Maio, teve início a caminhada até ao Carvalhal ao longo da qual foram dramatizadas algumas cenas bíblicas: i) primeiro milagre de Jesus no casamento/bodas de Caná em que houve a transformação da água em vinho, tendo servido para reflectir sobre a importância do matrimónio; ii) chamamento dos Apóstolos e cura do cego de nascença, cuja encenação foi pretexto para repensar a importância do sacramento da ordem e dos padres nos dias de hoje; e iii) conversão de S. Paulo, em que se reflectiu sobre a mudança e radicalidade de projectos de vida.
Chegados ao Carvalhal, os jovens puderam confessar-se a sacerdotes discretamente posicionados no recinto, rezar e meditar na tenda do Encontro (com o Santíssimo exposto), contactar com a realidade das Missões (em tenda da responsabilidade de um Missionário Comboniano) e saber mais acerca das actividades dos escuteiros (em tenda do Agrupamento dos Escuteiros de Resende e da Associação das Guias e Escuteiros da Europa).
Por volta das 12h30, teve início a missa festiva presidida por D. Jacinto, concelebrada por 28 sacerdotes, que foi entrecortada por muitas canções, preces e a vivacidade de várias encenações, em que Cristo foi apresentado como o “amigo de todas as horas de quem não podeis prescindir”, como referiu o Bispo de Lamego na exortação da homilia.
Após a missa, que terminou por volta das 14h00, seguiu-se o almoço partilhado, seguindo-se uma tarde recreativa com actuações de vários grupos. Os seminaristas foram os primeiros a entrar em palco, tendo apresentado várias canções e testemunhado a convicção das suas opções. Seguiram-se os jovens de Castro Daire, Almacave, Poço do Canto (Mêda), Cinfães, Sernancelhe, Ferreirim, Soutelo do Douro (S. João da Pesqueira), Sé e grupos de animadores e de convivas. Canções, testemunhos, sketchs sobre dependências e outros temas, danças e cenas de humor percorreram o palco e animaram a tarde.
Após a oração do envio, foi anunciado que Penedono organizará a jornada do próximo ano, tendo sido entregue aos sacerdotes e jovens presentes deste arciprestado uma grande cruz de madeira (que a comissão organizadora de Resende mandou fazer), como sinal da passagem de testemunho, que doravante marcará presença nos futuros eventos.

Igreja e formação da juventude
Até aos anos 70 do século passado, a Acção Católica foi o grande instrumento de formação ao serviço da Igreja Católica Portuguesa, cujas bases orgânicas foram aprovadas pelos bispos em 16 de Novembro de 1933. Este movimento, enquanto organização nacional que cobria todos os sectores da sociedade, combinando um apostolado total, tinha como desígnio a revitalização da presença da Igreja, face ao sentimento de fragilidade e ao processo de secularização até então vivido. Correspondia a uma visão militante do catolicismo e ao ideal de instalação de uma “nova cristandade”. Capaz de responder e integrar todos os sectores da sociedade, o movimento apresentava-se duplamente especializado segundo o sexo e a idade e organizado de acordo com os chamados “meios sociais” (agrário, escolar, independente, operário e universitário). Juventude Agrária e Rural Católica, Juventude Escolar Católica, Juventude Universitária Católica, Juventude Operária Católica e Juventude Independente Católica são as estruturas organizativas da juventude.
Este movimento teve um papel importante, sobretudo entre os anos 50 e 70 do século passado, na formação humana, cívica e religiosa de várias gerações de portugueses, tendo estado na origem de novas elites católicas nos mais diversos sectores da sociedade, em particular universitário, intelectual e cultural, mas também operário. Vários militantes vieram a ter uma influência marcante na chamada “primavera marcelista” e após o 25 de Abril. A partir dos anos 70, deu-se o esgotamento do paradigma de movimento católico que a Acção Católica Portuguesa (ACP) corporizou, tendo a mesma sido desmembrada como corpo orgânico em 1974. A realização do Concílio Vaticano II constituiu um importante ponto de viragem neste processo. Este desmembramento da ACP como corpo orgânico não significou o fim daquela experiência. Nalguns casos, traduziu-se no relançamento de parte dos movimentos, alguns dos quais continuam o seu trabalho nos dias de hoje, embora em contextos e modalidades bem diversos dos iniciais e sem a força e a presença de outrora, dependendo de voluntarismos e contextos específicos locais. No que respeito à intervenção no meio estudantil, a JEC e a JUC fundiram-se em 1980, dando origem ao MCE (Movimento Católico de Estudantes), embora respeitando a existência dos dois sectores de ensino: básico e secundário e superior. A sua cobertura e influência são infelizmente diminutas a nível nacional.
Assente na centralização e hierarquização e numa estruturação organizativa bem definida a nível local, diocesano e nacional, a Igreja Portuguesa perdeu assim um instrumento eficaz de formação de um “escol” (os militantes e dirigentes) e poder de influência na sociedade. A partir dos anos 80, a formação e a intervenção junto das camadas jovens ficaram, em grande medida, dependentes da capacidade e da vontade dos párocos para organizar e acompanhar “Grupos de Jovens” e aproveitar o potencial de organizações juvenis ligadas à Igreja, como o Escutismo Católico.

Pastoral juvenil na diocese de Lamego
Em cada um dos 14 arciprestados da diocese, há (ou pretende-se que haja) um responsável pela pastoral juvenil, que, em Resende, é o Padre José Augusto Marques. Cabe-lhe, no âmbito de uma equipa/conselho local para a juventude, apresentar iniciativas e sugestões aos outros párocos e grupos de jovens e articular com o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil. Os grupos de jovens de cada paróquia reúnem normalmente uma vez por semana, possuindo cada um a sua dinâmica própria e actividades específicas.
A nível diocesano, há um Secretariado para a Pastoral Juvenil (http://sdpjlamego.no.sapo.pt/), que desenvolve um programa anual de actividades de carácter religioso, formativo, lúdico e musical, e de intercâmbio com outras dioceses ou inseridas em iniciativas nacionais, abertas aos diversos grupos de jovens. Participação em lausperenes, catequeses, peregrinação nacional de jovens a Fátima, torneios de futsal e festivais da canção são algumas das actividades. Particular importância é dada a cursos para animadores e de formação para os responsáveis de grupos de jovens. A Jornada Diocesana da Juventude, como assembleia que convoca anualmente todos os jovens, é o culminar festivo de todo o programa.

*Apontamento de autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende (número de Junho de 2009)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Discurso do Dr. António Carvalho na tomada de posse como Director da Escola Secundária de Resende

As minhas primeiras palavras são de agradecimento, por estarem presentes, e testemunharem este momento de júbilo para mim e espero, para a Escola de que sou membro.

Na vida todos temos oportunidades e esta foi-me concedida pela possibilidade que tive, no início da minha carreira, de integrar o Conselho Directivo da Escola Secundária de Valadares, Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves. Aí com a minha Juventude e com o entusiasmo de quem pela primeira vez dirige, tivemos o desafio da ampliação da Escola.

Como ontem, hoje, graças ao empenho e visão do Sr. Presidente da Câmara, Eng. António Borges e a prestimosa intervenção da Sr.ª Directora Regional da Educação, Dr.ª Margarida Moreira, aqui presentes, vamos vivenciar uma situação análoga, pela integração da Escola na 3ª fase do programa de requalificação das Escolas Secundárias.

Esse facto determina por si, não só o concretizar das expectativas desta comunidade educativa, mas também, uma grande responsabilização de todos os agentes educativos, em se preparar para estar à altura, duma Escola que ambicionamos, seja a nossa Escola do futuro.

Os professores enquanto modelos de aprendentes que orientam e apontam caminhos no processo contínuo de aprendizagem ao longo da vida, devem, conforme previsto no nosso projecto educativo, investir para construir o futuro.

Essa mudança deve orientar-se pelos modelos de boas práticas dos serviços públicos de Educação e ir no sentido da prossecução do perfil de desempenho dos docentes do 3º Ciclo e do Ensino Secundário.

Pede-se a todos os agentes educativos que invistam muito da sua inteligência e saber em projectos angariadores de recursos e consequentemente da melhoria das condições do processo de ensino - aprendizagem;

Que invistam em cooperação para que juntos possamos melhorar a nossa Escola que ambicionamos seja referência de que querer é poder;

Que potencie formas empreendedoras de estar na vida;

Que seja referência fundamental na credenciação académica e profissional da população do Concelho de Resende.

O envolvimento de todos os agentes educativos, da comunidade educativa aqui representada pelo C. G. Transitório, das forças vivas do Concelho e da Região, são fundamentais para que as parcerias necessariamente se possam estabelecer sejam profícuas e melhorem a eficácia da organização Escola, na prestação dum serviço educativo de qualidade.

Nesse serviço, os percursos educativos são estabelecidos em função dos interesses e capacidades da cada um dos nossos alunos, e são apoiados de forma a que haja igualdade de oportunidades entre todos, independentemente do contexto sócio - económico de origem.

Merece por isso a chamada de atenção para o alargamento dos apoios da ASE com o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano e para as inegáveis mudanças que essa medida vai determinar na vida escolar de todos.

À Escola pede-se ainda que melhore os seus pontos fortes e transforme os fracos em fortes.

As respostas encontradas têm que ser ajustadas a um tempo da fibra óptica, a que vamos ter acesso, e vivenciadas no âmbito da blogosfera e integradas nas redes sociais da Web, práticas do dia-a-dia dos nossos alunos e que temos que aproveitar como ferramentas a utilizar no acto pedagógico. O programa e -Escolas possibilita nesse âmbito o adoptar de novas práticas estimuladoras do sucesso.

Sucesso na sua vida pessoal é o que desejo ao Sr. Presidente do Conselho executivo cessante, Dr. José Dias Gabriel e a todos vós que neste já longo percurso em comum demonstraram que são um exemplo na defesa da vossa Escola, por ser vossa, por ser de cada um e cada um sentir-se engrandecido com os seus êxitos e triste com os seus fracassos.

Termino esperando que satisfaça as expectativas postas na minha pessoa, certo de que estou disponível para com todos trabalhar e de alguma maneira partilhar a liderança dos destinos desta Escola.

Aos nossos convidados, a certeza de que podem contar com a nossa cooperação.

À minha família, à minha esposa e filhas, à minha Mãe, ao meu sogro e restantes familiares, o agradecimento pelo apoio demonstrado e os votos que o meu desejo de bem servir também os abranja, tornando-nos numa célula indivisível e cada vez mais forte.

A todos, e principalmente aqueles que se voluntariaram para hoje duma maneira especial colaborar na festa, o nosso MUITO OBRIGADO

terça-feira, 30 de junho de 2009

Casa do Povo de Resende*

História das Casas do Povo - Antes do 25 de Abril
A Casa do Povo de Resende é herdeira do sistema corporativo do chamado Estado Novo que, em 1933, pelo Decreto-Lei n.º 23 051, instituiu as Casas do Povo com objectivos de cooperação social, visando associar os proprietários e trabalhadores rurais, fortalecendo os laços de afinidade entre todos fosse qual fosse o título jurídico ou a razão do interesse que à terra os unia e preservando “os traços particularistas e as reservas nacionais e espirituais do mundo rural”. A partir de 1940, passaram também a funcionar como instituições de previdência social, englobando a acção médico-social, assistência materno-infantil e protecção na invalidez, tornando obrigatória a quotização dos proprietários para os fundos de assistência. Contudo, os resultados mostraram-se escassos nesta área em contraste com as acções de cariz predominantemente político, sendo quase inexistentes no norte do país. Como o título de proprietário dizia respeito a parcelas de dimensões reduzidas e a aplicação do imperativo estatutário que os tornava contribuintes não correspondia a qualquer estatuto de privilégio económico, esta situação resultou na exclusão da quase totalidade dos potenciais beneficiários. Em 1969, com a Lei n.º 2144 de 29 de Maio, já no consulado de Marcelo Caetano, as Casas do Povo passam a assegurar de forma mais efectiva a previdência social e a dar continuidade à representação profissional dos trabalhadores agrícolas. É criado um fundo de previdência destinado a assegurar a assistência médica e medicamentosa na doença e na maternidade (para sócios efectivos e seus familiares), subsídio de doença, de casamento, de nascimento de filhos e de invalidez e doença (para sócios efectivos) e subsídio por morte do “chefe de família” (para familiares dos sócios efectivos), prevendo também que todos os trabalhadores que não reunissem condições para serem classificados como sócios efectivos viessem a beneficiar destas medidas, o que passou a acontecer no ano seguinte, com a publicação do Decreto n.º 445/70. É também instituída a prestação do abono de família. É devido ao cariz inovadoramente universalista destas medidas, para cuja satisfação o Estado assume a responsabilidade pelas transferências das verbas necessárias, que justifica a boa recordação que os idosos rurais ainda hoje conservam do último dirigente do corporativismo português.

Após o 25 de Abril
Com o novo ordenamento político, o regime jurídico a que se achavam submetidas as Casas do Povo veio a ser profundamente alterado através de normas de vários diplomas legais, tendo o Decreto-Lei n.º 4/82 redefinido um novo estatuto para estas instituições, que passaram a revestir a natureza de pessoas colectivas de utilidade pública de base associativa, com o objectivo de promover o desenvolvimento e o bem estar das comunidades, especialmente no meio rural. Entretanto, o Decreto-Lei n.º 185/85 extinguiu a Junta Central das Casas do Povo, transferindo as suas competências no que respeita ao apoio, fiscalização, exercício de tutela e gestão das Casas do Povo para os Centros Regionais de Segurança Social. Como estas relações de dependência e subordinação tutelar eram incompatíveis com o estatuto das Casas do Povo como pessoas colectivas autónomas, o legislador promoveu em 1990 uma alteração desta filosofia, passando as mesmas, através do Decreto-Lei n.º 246/90, a reger-se pelos preceitos do Código Civil aplicáveis às associações. Por último, o Decreto-Lei n.º 171/98, de 25 de Junho, veio a permitir que as Casas do Povo, desde que prossigam os objectivos previstos no Estatuto das Instituições Particulares de Solidariedade Social, sejam equiparadas às mesmas, aplicando-se-lhes o mesmo estatuto, deveres e benefícios, designadamente fiscais.

Resenha histórica da Casa do Povo de Resende
A Casa do Povo de Resende foi criada em 1942, sendo os serviços prestados no edifício do então Grémio da Lavoura e assegurados pelo Sr. Albino Diogo, que trabalhava para as duas instituições. O actual edifício data de 1956. Foi por essa altura que a Casa do Povo adquiriu uma máquina de projecção de filmes, possibilitando que houvesse em Resende uma sessão de cinema quinzenal. Em 1972, começou a funcionar aqui o Posto Médico da Caixa de Previdência, tendo o mesmo sido transferido, após o 25 de Abril, para o Centro de Saúde, ficando a Casa do Povo, a partir dessa altura, apenas com a gestão dos serviços do regime especial de previdência dos trabalhadores rurais. Em 1992, foi aqui criada uma Delegação do Centro Regional de Segurança Social de Viseu, o que esvaziou a Casa do Povo de todas as actividades ligadas a esta área (Cf. Resende e sua história, vol. 1, de Joaquim Correia Duarte). A direcção de então reorientou a sua acção para o desenvolvimento de actividades de carácter social e cultural. Na sequência do pedido formulado, a Casa do Povo goza desde 13 de Fevereiro de 2001 do estatuto de IPSS.
O edifício sofreu grandes obras de recuperação em 2001, graças a donativos da população. No hall do 1.º piso encontra-se uma placa alusiva com os nomes de empresas e pessoas do concelho que contribuíram com 50 contos.
Refira-se que no rés-do-chão, em instalações alugadas, funciona o serviço local da Segurança Social, prestando serviços a beneficiários e contribuintes e acompanhando as situações de carência sócio-económica.
A Casa do Povo tem cerca de 200 sócios, que pagam uma quota anual de 5 euros.

Actividades de promoção sócio-cultural
De acordo com os seus estatutos, a Casa do Povo tem por finalidade desenvolver actividades de carácter social, cultural, desportivo, recreativo, solidariedade social e outras. Assim, durante muitos anos, esta instituição foi praticamente a única entidade do concelho de Resende a disponibilizar espectáculos de cinema e teatro, organizando também múltiplas exposições de pintura, conferências, colóquios, sessões de convívio e outras actividades de cariz cultural. Actualmente, estas ofertas de natureza cultural são menores, pois têm de ser conjugadas com o programa e a agenda dos novos equipamentos da Câmara Municipal (Auditório, Celeiro das Caldas de Aregos e Museu Municipal). Na sequência de uma longa tradição, a Casa do Povo continua a organizar os bailes de fim de ano e de carnaval, uma sardinhada pelo S. João e o magusto de S. Martinho. Todas estas iniciativas estão abertas a sócios e não sócios.
Tem ainda protocolos de cedência de espaços para a realização dos ensaios do grupo de danças e cantares “Resende em Marcha” e do “Grupo Coral de Resende”. E sempre que é solicitada a disponibilizar o anfiteatro para a realização de iniciativas por parte de entidades e instituições do concelho, o pedido é satisfeito, desde que não haja sobreposição de datas.

Gestão de projectos e de equipamentos sociais
A Casa do Povo de Resende é a entidade gestora dos seguintes projectos na área da educação: i) uma turma do programa PETI (programa para a prevenção e eliminação da exploração do trabalho infantil), destinado a jovens a partir de 15 anos em abandono escolar, tendo como objectivo o cumprimento da escolaridade obrigatória dos mesmos e a sua certificação escolar e profissional, em que são parceiros a Escola Secundária/3.º Ciclo, a Câmara Municipal e a CPCJ (Comissão de Protecção de Crianças e Jovens); ii) projecto Educar e Qualificar, que tem como objectivo intervir junto de crianças e jovens com dificuldades económicas, não tendo por isso acesso a serviços e recursos indispensáveis ao seu desenvolvimento, em que são parceiros a Câmara Municipal, a Escola Profissional e a CPCJ; e iii) programa EPIS (empresários pela inclusão social), cujo objectivo é a promoção do sucesso escolar junto de alunos do 3.º ciclo, em que são parceiros a Associação EPIS, a Câmara Municipal e a Escola Secundária/3.º Ciclo.
Na sequência de protocolos assinados com a Câmara Municipal, a Casa do Povo de Resende assumiu há um ano a gestão da Creche e Jardim de Infância “O Miminho” e, mais recentemente, dos Centros Comunitários de S. Romão e de Felgueiras, tendo já celebrado para o efeito acordos com a Segurança Social. Relativamente aos Centros Comunitários, já foram assinados acordos prevendo apoio domiciliário a 12 utentes para cada um dos equipamentos, esperando-se para breve o acordo para 15 utentes da valência lar, ficando para resolução posterior o acordo para a valência centro de dia. Refira-se que o apoio domiciliário em S. Romão já se encontra a ser implementado, esperando-se que em Felgueiras tenha início em Abril.

Perguntas e respostas

Quem é o presidente da direcção da Casa do Povo?
É Albano António Alves Santos, que integra os órgãos sociais desde 1999, sendo presidente da direcção desde 2002. Actualmente tem bastante disponibilidade para o efeito, já que se encontra na situação de pré-reforma. Nascido em Angola, donde regressou em 1976, veio a integrar os quadros da EDP na qualidade de técnico de instalações eléctricas.

Quais os símbolos desta instituição?
Os símbolos heráldicos (brasão, bandeira e selo), devidamente aprovados pela Academia Lusíada de Heráldica em 2004, contêm um livro, que pretende realçar a defesa e promoção da cultura, um ramo de cerejeira, como sinal da sua ligação ao concelho através deste fruto emblemático, e a lira, que significa o cultivo da música e actividades de lazer. Estes símbolos consubstanciam o seu bilhete de identidade e os grandes objectivos que a norteiam.

Tem sala de convívio?
Desde há muitos anos que a Casa do Povo de Resende é o local preferido por várias pessoas (sobretudo reformadas) para aí passarem a tarde, jogando e conversando numa sala a isso destinada, estando disponível um pequeno bar.

Há no concelho alguma instituição que ajude a preencher impressos de IRS e outros documentos?
Sim. A Casa do Povo de Resende continua a prestar este serviço a quem não saiba ler ou tenha dificuldades no seu preenchimento.

Onde poderão dirigir-se as pessoas para fazer prova quinzenal da sua situação para efeitos de continuação do subsídio de desemprego?
Na sequência de uma parceria com o Centro de Emprego de Lamego, as pessoas desempregadas do concelho poderão dirigir-se à Casa do Povo de Resende e aí fazer prova da continuação da respectiva situação para efeitos de recebimento do subsídio de desemprego.

Endereço
Av. D. Afonso Henriques, 180
4660-211 Resende
Telefone e fax 254 877 400 E-mail: casa_povo_resende@clix.pt
*Apontamento da autoria de Marinho Borges, escrito para o Jornal de Resende (n.º de Fevereiro de 2009)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sessão de apresentação d' "A Viúva de Goujoim" em Resende*

Sessão de apresentação
Muita gente (entre familiares, amigos, párocos, docentes, presidentes de Junta de Freguesia, presidentes/directores de instituições concelhias, vereadores e presidente da Câmara Municipal), acorreu ao Auditório Municipal para a sessão de apresentação do último romance de J. Correia Duarte, A Viúva de Goujoim, que teve lugar no passado dia 25 de Abril, pelas 21h30.
Foi uma sessão com momentos variados e criativos, que incluiu interpretações musicais por um dueto (viola e violino) da banda de S. Cipriano "A Velha", leitura de pequenos excertos retirados do romance, a apresentação pelo Cónego João António Pinheiro Teixeira, a saudação do autor, Dr. Joaquim Correia Duarte, e a intervenção do presidente da Câmara Municipal, Eng. António Borges.
A vereadora da cultura, Prof. Dulce Pereira, deu vida a três pequenos textos do livro, imitando nos respectivos diálogos o linguajar e a pronúncia característica das gentes das nossas aldeias e o linguajar e o sotaque brasileiro. Foi uma forma diferente de apresentar o livro, que encantou os presentes, motivando-os para a sua leitura.
O Doutor João António Teixeira, Reitor do Seminário de Lamego, introduziu magnificamente a obra, realçando-lhe a policromia e versatilidade, e apresentou o autor, sublinhando que é um homem de muitos recursos e que nunca se esquece do pé que pisa. "Respira Resende e sabe de Resende, cujos textos têm ressonâncias telúricas", afirmou. Definiu ainda o autor do romance como um homem de escola e de escol.
O Dr. Joaquim Correia Duarte abriu um pouco o véu sobre a origem/inspiração do romance, cujo ponto de partida foi uma história contada recentemente por um colega sacerdote de Armamar. Situou a narração no contexto da época da emigração para o Brasil, agradecendo, de forma emotiva, o apoio da família (e de um modo particular das irmãs), o interesse dos leitores, a colaboração de amigos e o contributo da Câmara Municipal.
O Eng. António Borges encerrou a sessão, referindo que a afirmação de Resende na sua marca identitária muito deve ao Sr. P. Joaquim Correia Duarte. Enalteceu a importância da postura humana e da dimensão cultural do autor e respectivo contributo para o enriquecimento da comunidade em que nos inserimos. Citou, a propósito, Fernando Pessoa, que escreveu: "há duas espécies de poetas/(escritores)-os que pensam o que sentem e o que sentem o que pensam", dizendo a terminar que o Sr. P. Joaquim faz parte desta estirpe de escritores.

Amor e saga dos “brasileiros”
Como se pode ler na contra-capa, o livro relata os tempos em que os portugueses sonhavam com o Brasil como se do Éden se tratasse e, em verdadeiras multidões, entravam nos grandes vapores que cruzavam o Atlântico, lançando-se no desconhecido à procura da fortuna. Alguns, bafejados pela sorte, voltaram emproados e ricos, tendo erguido palacetes e chalés nas terras de origem. Outros, a maioria, menos afortunados, por lá ficaram sem darem mais notícias. Os dramas e a solidão de quem foi obrigado a emigrar e a viver longe da pátria e da família encontram-se bem retratados neste livro. O maior diz respeito a um jovem que deixou o rincão natal para esquecer uma paixão que só muito mais tarde foi correspondida e que, por um infortúnio trágico, não logrou alcançar e concretizar.
Mas o melhor é ler o romance para seguir a trama e o desenrolar das várias histórias por Sangens, Aregos, Moumiz, Felgueiras e outras localidades do nosso concelho, de Armamar e do Brasil.
Refira-se que o autor teve a preocupação de verter para os diálogos o linguajar das gentes das nossas aldeias e do Brasil, dando assim mais realismo e vivacidade às várias histórias e personagens, “de ficção, sem dúvida, mas que configuram pessoas reais e ocorrências documentadas”, como refere o Doutor João António Pinheiro Teixeira no prólogo do livro. Uma outra característica desta obra é o rigor posto na geografia física e humana das localidades onde se desenvolve a acção, na denominação fiel das ruas, bairros e outros agregados populacionais do Brasil de então, na descrição do contexto social da época e em outros pormenores, o que revela uma grande investigação prévia,

Aquisição do romance
O romance encontra-se à venda nos Postos de Turismo de Resende e das Caldas de Aregos, no Museu Municipal, na Papelaria Lina e Couto (Resende), Livraria Gráfica (Lamego), Livraria Latina e Livraria Educação Nacional (Porto), Livraria 115 (Coimbra) e Livraria Ferin (Rua Nova de Almada/Lisboa). Pode ainda ser pedido directamente ao autor através do telef. 254 877 687, tlm. 912 886 413 e 966 415 180 e e-mail: correia-duarte@sapo.
*Apontamento escrito por Marinho Borges para o Jornal de Resende, número de Maio de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

CLUBE DESPORTIVO DE S. MARTINHO DE MOUROS APOSTA NO FUTSAL*

Origem do Clube Desportivo, Recreativo e Cultural

As gentes de S. Martinho de Mouros sempre tiveram grande apetência e paixão pelo futebol. Foi nesta vila que nasceu a primeira equipa estruturada do concelho, denominada “Football Club de S. Martinho de Mouros”, cuja apresentação ocorreu em 7 de Janeiro de 1923 em jogo disputado com o “ Lamego Football Club”. Faz parte da memória dos mais velhos o ambiente de grande animação que rodeava as tardes de domingo, durante os jogos de futebol, disputados pelos mais jovens no recinto defronte da escadaria da igreja do Senhor do Calvário e, mais tarde, no largo da Feira Nova. Antigos jogadores relatam com orgulho a forma como conseguiam apresentar o piso com condições mínimas para jogar em dias de chuva, revestindo-o de terra seca ou areia. Nos anos sessenta e setenta do século passado, S. Martinho de Mouros chegou a integrar os torneios organizados pela então FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho), afirmando-se como um dos melhores clubes da região. No início da década de oitenta, por falta de um campo de futebol com condições mínimas exigidas, não foi possível prosseguir os torneios nem sequer efectuar jogos com equipas das freguesias vizinhas.

Face a esta carência, o presidente da antiga Casa do Povo, Alípio Pereira de Faria, tomou a iniciativa de mandar fazer um campo de futebol em Vila Verde, cuja construção se iniciou em 1982, tendo ficado com condições mínimas para aí se jogar à bola um ano depois. Os balneários foram feitos a seguir com o contributo dos jogadores e adeptos do futebol local da altura. A fim de preencher os requisitos mínimos para a integração em torneios, outras obras tiveram de ser feitas, as quais só terminaram em 1988. Por isso, só nesse ano se procedeu à respectiva inauguração, tendo sido convidada uma equipa de prestígio, o Boavista Futebol Clube, patrocinada pelo Sr. Manuel Pereira, das Caves Cristal da Suíça, cujo resultado foi favorável à equipa visitante por 5-1. Este acontecimento despertou um enorme entusiasmo e teve grandes repercussões na freguesia, tendo despoletado a necessidade da formação de uma associação desportiva. E assim nasceu o Clube Desportivo, Recreativo e Cultural (CDRC) de S. Martinho de Mouros, cuja escritura foi efectuada em 26 de Outubro de 1989.

Victor Joaquim Cardoso Baptista encarregou-se da concepção e desenho do emblema identificativo do clube, tendo a respectiva bandeira sido paga pelos doze membros fundadores do mesmo. Os primeiros órgãos sociais da recém-formada associação foram constituídos a partir do núcleo fundador, tendo a direcção sido formada pelos seguintes elementos: António Pereira Lopes de Azevedo (presidente), Manuel da Silva (tesoureiro), Mário João Rebelo Osório de Faria (1.º secretário), Manuel Rodrigues Lourenço (2.º secretário) e José Pinto (3.º secretário).

O clube começou por participar no campeonato do Inatel na época desportiva de 1990/91, tendo ficado no 2.º lugar. Em 1991/92, entrou para a 3.ª divisão distrital e, no ano seguinte, ascendeu à 2.ª divisão distrital, onde militaram várias anos, tendo constituído um clube de referência do concelho e onde se formaram e passaram muitos atletas. Nesta década, foram realizados vários melhoramentos no campo de futebol, tendo o mesmo sido alargado e efectuadas obras de requalificação nas bancadas e nos balneários.


Equipa de futsal

Tendo em conta as exigências e os custos associados à manutenção do futebol federado para uma equipa inserida em meio rural, o CDRC de S. Martinho de Mouros desistiu desta modalidade, preferindo apostar na formação de uma equipa de futsal, o que aconteceu em 2004. E foi uma opção acertada, pois os bons resultados obtidos são disso uma demonstração. Na época de 2004/05, disputou o campeonato distrital da 1.º divisão (série única) de Futsal da Associação de Futebol de Viseu, integrando 16 clubes, tendo ficado em 3.º lugar. Na época seguinte 2005/06, obteve o 7.º lugar do mesmo campeonato da Série Norte, que integrou 11 clubes, tendo a Série Sul sido constituída por 12 equipas. Nesse ano, veio a obter o 1.º lugar na Liguilha, disputada por 4 clubes. Em 2006/07, o CDRC ascendeu à divisão de honra de Futsal da AF de Viseu, tendo obtido o 5.º lugar, de entre 12 equipas. Na época transacta (2007/08), ficou na 5.ª posição da mesma divisão, de entre 12 equipas. Na presente época, com 9 jogos disputados por igual número de equipas da época passada, o clube de S. Martinho de Mouros encontra-se a meio da tabela. Em juniores, participou no respectivo campeonato nas épocas de 2005/06 e 2006/07, tendo obtido, respectivamente o 2.º e 3.º lugares.


Dinâmica e festa do jogo

As dimensões do campo (40m de comprimento por 20m de largura), o menor peso e tamanho da bola, o reduzido número de jogadores por equipa (cinco, incluindo o guarda redes), o número livre de substituições e a ausência de foras de jogo, entre outras características, transformam esta modalidade num espectáculo de emoções fortes. Concretizando melhor algumas destas especificidades em relação ao futebol, importa salientar as seguintes: um jogador substituído pode voltar ao campo para substituir qualquer outro jogador; uma substituição pode efectuar-se sempre, esteja ou não a bola em jogo, devendo apenas o atleta que entra ou sai fazê-lo pelo sector especifico; a partida compreende dois períodos de 20 (vinte) minutos cada um, sendo o jogo cronometrado, de forma a contabilizar o tempo da bola em jogo; o intervalo tem a duração de 10 minutos; e cada equipa pode pedir um minuto de “tempo morto” em cada um dos intervalos para descansar ou receber instruções.

A elevada velocidade e agilidade de movimentos, a rápida aceleração e mudança de direcção em espaço reduzido, compartilhado por adversários e colegas de equipa, a capacidade de concentração, a rapidez de percepção das movimentações em campo e o talento de previsão para a adequada decisão constituem factores mais que suficientes para levar as pessoas ao Pavilhão de S. Martinho de Mouros, sábados à tarde.

Logo que o actual treinador, Prof. José Fernando de Almeida, me informou que o lema do futsal era “ataque e contra-ataque” resolvi fazer-me sócio do clube, prometendo reservar muitos sábados para assistir a este espectáculo recheado de imprevisibilidade, dinamismo e alegria, desenvolvido por uma equipa jovem e empenhada.


Intendência do clube

A “mística” da equipa, baseada no desportivismo, amizade e combatividade, é o combustível que a todos move. Ninguém ganha dinheiro nem há quaisquer gratificações. O clube apenas paga as refeições e lanches aquando dos jogos, ajuda os atletas na aquisição das sapatilhas e concede um subsídio para as deslocações para os treinos e jogos em S. Martinho de Mouros. Em jogos fora de casa, o transporte é efectuado numa carrinha do clube, cuja aquisição foi possível graças à comparticipação da Câmara Municipal de Resende e da Junta de Freguesia de S. Martinho de Mouros.

A gestão tem de ser rigorosa, pois, apesar de tudo, as despesas são muitas (filiação do clube e inscrição dos jogadores na AF de Viseu, exames médicos, policiamento, taxas de jogo…).

A Câmara Municipal tem concedido anualmente um subsídio de 6.000 euros e a Junta de Freguesia um outro no valor de 1.000 euros. O resto das receitas advém das quotas dos sócios (10 euros anuais), da exploração do bar da sede no pavilhão municipal, das angariações no cantar dos Reis/Janeiras, da venda de galhardetes, bonés e cachecóis, de fundos obtidos com um stand de comes e bebes montado na festa do Senhor do Calvário e de patrocínios de algumas empresas locais, designadamente a de Emídio Horácio que fornece gratuitamente os kispos, fatos de treino e equipamentos dos jogos.


Perguntas e respostas


Por quem é constituída a direcção do CDRC?

A direcção é constituída pelos seguintes elementos: José Manuel Xavier (presidente), Jorge Manuel Almeida Fonseca (vice-presidente), Manuel Fernando Rodrigues Xavier (secretário), José Manuel Castro António (tesoureiro) e Pedro Miguel Rodrigues Carvalho (vogal), que é o capitão da equipa.

O grande objectivo desta direcção é lutar pela classificação da equipa em lugar acima do meio da tabela e conseguir que a associação atinja cem sócios com as quotas em dia.


Quantos elementos integram o plantel e a equipa técnica?

O plantel é actualmente constituído por quinze jogadores, dos quais quatro vieram dos juniores, integrando a equipa principal pela primeira vez na presente época.

São provenientes de diferentes freguesias do concelho, com predominância de S. Martinho de Mouros e de Resende, havendo dois que vivem no concelho de Baião e um no concelho de Mesão Frio.

Treinam duas vezes por semana (às terças e quintas feiras) das 20 às 22 horas, sob o comando do Prof. José Fernando Rodrigues de Almeida, coadjuvado pelos treinadores adjuntos Nelson Almeida e Vitorino Ferro (antigo jogador).

O Enf. Ricardo Quintino dá o apoio possível, garantindo a boa forma física dos jogadores.


Tem havido transferências?

A equipa tem vivido sempre com a prata da casa, investindo na formação dos mais novos. Devido ao seu valor, tem havido jogadores aliciados por outros clubes O caso mais conhecido foi a transferência do guarda redes Ronaldo para a equipa de Futsal do Boavista. Desde o final da época passada, são quatro os jogadores da equipa de futsal de S. Martinho de Mouros que se encontram actualmente noutros clubes. Assim, o Marcos, o Samuel e o Prof. Rui Rebelo (ex-treinador e jogador) foram para o Grupo Desportivo de Resende. Por sua vez, o Serginho integra actualmente a equipa de Futsal de Balsa-Nova, que disputa a 3.º divisão nacional.


O que fazer para assistir aos jogos?

Os jogos em casa (Pavilhão Municipal de S. Martinho de Mouros) do campeonato e da taça disputam-se aos sábados com início às 16h. Os interessados apenas têm de desembolsar a módica quantia de um euro, o que constitui um valor simbólico. Costumam assistir à volta de oitenta pessoas. O clube tem uma página na internet sempre actualizada, com a história e dados relevantes, onde os interessados poderão consultar o calendário e os resultados dos jogos (http://smmfutsal.com.sapo.pt)

*Texto de autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, no número de Janeiro de 2009

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