terça-feira, 19 de junho de 2012

Ao almoço, no restaurante "Gentleman", com Fernando Manuel, Presidente da Junta de S. João de Fontoura*


Ele é integralmente um gentleman”
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
É um óptimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com Fernando Manuel

Quem é o Presidente da Junta de S. João de Fontoura
Fernando Manuel nasceu em S. João de Fontoura, a 3 de Março de 1941, sendo filho de mãe e pai incógnitos. É uma situação pouco comum, mas que assume sem quaisquer complexos. O marido daquela que viria a ser a sua mãe emigrou para o Brasil de onde nunca mais voltou. Além dos 5 filhos “legítimos”, a mulher que por cá ficou veio a ter mais dois. Como continuava casada, a legislação da altura não permitia o perfilhamento de outros relacionamentos da mãe. Fernando Manuel teve assim de ser registado como filho de pai e mãe incógnitos, tendo sido criado pela a mãe com os meio-irmãos.
Esteve matriculado nas escolas de Alufinha, Ferreira e Corgo, cuja frequência lhe permitiu fazer a 3.ª classe. A 4.ª classe foi efectuada mais tarde, em Tancos, na tropa. Começou a trabalhar com cerca de 13 anos no Douro (na Quinta de Murça/Covelinhas), tendo a seu cargo a responsabilidade de tratar e guardar uma junta de bois, que fazia o transporte das pipas de vinho da quinta, tendo aqui permanecido cerca de dois anos. Longe de casa e farto da vida de criado, voltou para S. João de Fontoura, tendo sido aprendiz de pintor e trolha com os mestres Alfredo e Delfim Borges, de Paus, durante 3 anos. Com 18 anos, foi trabalhar para a Companhia do Cobre, em Contumil/Porto, onde colaborou na produção de fios eléctricos.
Após uma adolescência de trabalho duro, veio o serviço militar, cuja recruta foi feita no Regimento de Infantaria 1, na Amadora, e a especialidade (de atirador), em Tancos. Aqui permaneceu cerca de 21 meses, dezoito dos quais como sacristão da capelania militar. Finda a tropa, com cerca de 23 anos, pediu para ingressar na GNR e na então Guarda Fiscal. Foi admitido na GNR, tendo feito a instrução no Porto. Prestou serviço como militar desta corporação em Lisboa, durante dois anos e meio, e em Arouca, durante cerca de três anos.
Com perto de 30 anos, emigrou para França, onde trabalhou dois anos. Seguidamente, rumou para Genebra (Suíça), onde inicialmente trabalhou na agricultura e depois num hospital psiquiátrico. Após vinte anos no estrangeiro, resolveu retornar a S. João de Fontoura para cuidar das terras que foi adquirindo.
É casado e tem dois filhos, um dos quais vive consigo e o outro vive na Suíça, onde é engenheiro mecânico.
Cumpre o 2.º mandato como presidente da Junta de Freguesia de S. João de Fontoura, tendo encabeçado em ambas as vezes uma lista de independentes. Anteriormente, integrara, como eleito pelo PS, três Assembleias de Freguesia em que o PSD era a força maioritária. A participação numa lista de independentes deveu-se ao facto de ter recusado integrar, como número dois, uma lista do PS, encabeçada por Manuel Pinto Ferro, vindo do PSD. Na primeira experiência, em 2005, bateu-se com mais duas listas (PS e PSD). Nas eleições de 2009, enfrentou apenas a lista do PS, tendo a sua lista de independentes sido apoiada pelo PSD concelhio.

O que fez na Junta de Freguesia de S. João de Fontoura
Para além do atendimento à população, que é efetuado às quartas-feiras, das 18h00 às 20h00, e aos domingos, das 10h00 às 13h00, da limpeza dos caminhos públicos e do cumprimento de outras competências inerentes às juntas de freguesia, como a conservação e gestão do cemitério, a Junta de Freguesia de S. João de Fontoura tem procurado implementar um conjunto de acções, iniciativas e projectos inovadores a nível concelhio.
Preocupada com o decréscimo populacional, tem incentivado a natalidade na freguesia através da concessão de 150 euros ao casal por cada nascimento de uma criança. Tem apoiado anualmente a aquisição de manuais escolares, contribuindo com 25 euros por aluno do 1.º ciclo que resida na freguesia. No âmbito de uma política de proximidade nos cuidados de saúde, tem promovido regularmente rastreios gratuitos à audição e visão, assim como a avaliação, com periocidade mensal, da tensão arterial, da glicemia e do colesterol e ainda a aplicação anual da vacina contra a gripe. Tem disponibilizado os seus meios informáticos e prestado informações aos fontourenses no que toca ao cumprimento das obrigações com os serviços do Estado, designadamente as finanças, apoiando os contribuintes na entrega do IRS via internet. Ainda no que se refere ao apoio na relação com serviços públicos, assinou um protocolo com a Administração da Região Hidrográfica do Norte, permitindo assim apoiar os fontourenses na instrução de processos de pedidos de autorizações, licenças e concessões relativos a recursos hídricos/exploração de águas nos seus terrenos. Com esta iniciativa, tem-se evitado deslocações ao Porto, com os custos e perdas de tempo inerentes.
Anualmente, no dia 10 de Junho, tem prestado uma homenagem aos soldados mortos na guerra do ex-Ultramar, mandando celebrar missa em sua memória, e organizado nesta data um lanche convívio com ex-combatentes e suas famílias. Como oportunidade de dar a conhecer outras regiões do país, tem organizado um passeio anual aberto a todos os fontourenses. No âmbito das comemorações do dia da criança, organizou diversas visitas destinadas às crianças da freguesia, a última das quais foi um passeio até ao Porto, tendo como ponto alto dar a conhecer o estádio do Dragão. Como forma de incentivo ao convívio, tem organizado um magusto comunitário.
Tem colaborado activamente na organização da festa em honra de Nossa Senhora da Guia e no apoio a iniciativas da paróquia, de entre as quais merece realce a levada a efeito para angariação de fundos para o pagamento das obras de requalificação da capela de S. José.
Merece ainda destaque a criação da Rota dos Cerejais, devidamente sinalizada, que foi inaugurada no ano passado, uma mais valia ao dispor das pessoas para desfrutar da beleza das nossas encostas em que as cerejeiras e as cerejas são rainhas.

Respostas breves
1. Onde passou as últimas férias?
Não sei o que é isso; nunca tive férias

2. Compra preferencialmente português?
Sim; faço todos os possíveis

3. Quais os seus passatempos?
Só sei trabalhar; claro que também gosto de falar e conviver

4. Qual o momento mais feliz da vida?
O nascimento dos filhos; também fico feliz por ver a família e os mais próximos com saúde

5. E o mais triste?
Sempre que me deparo com alguém doente fico triste; também sou muito sensível à pouca sorte dos outros e fico desanimado quando nada posso fazer

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Digo tudo o que tenho a dizer, incluindo palavrões

7. Qual o seu prato preferido?
Leitão assado, acompanhado de champanhe

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
A estrada 222-2 de ligação a Bigorne

9. O que mais admira nos outros?
A fidelidade à palavra dada

10. O que mais detesta nos outros?
A falta da qualidade anterior

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
A festa de Nossa Senhora da Guia e a festa de S. José

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Gosto de todo o concelho, mas para passear prefiro a serra de Montemuro

13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Guardo um sachinho da minha sogra que a acompanhava quando foi encontrada morta

14. De que mais se orgulha?
Dos meus filhos e do meu percurso de vida

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
Destaco a ponte da Ermida, as escolas e o centro de saúde

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Infelizmente não

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Talvez se dedique a áreas mais ligadas à sua profissão de engenheiro, embora a política lhe esteja no sangue

18. Associa a palavra Resende a..?
Cereja

19. Chegou a levar reguadas na escola?
Algumas, como quase todos os outros colegas

20. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Sim, uma vez, por ter sido apanhado sem a vistoria da viatura, que pensava ainda estar em dia

21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não

22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Sim; as pessoas têm de se convencer que têm de manter limpas as suas propriedades

23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Acho que só os negócios ligados ao turismo têm hipóteses

24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Dr. Brito de Matos e Eng. António Borges

25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Não. Mesmo as freguesias urbanas devem manter-se

26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de S. João de Fontoura?
Infelizmente não

27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Das novas instalações, da qualidade da comida e do atendimento simpático
*Apontamento de minha autoria, publicado no Jornal de Resende, número de Maio de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Ao almoço, no restaurante "Gentleman", com Arlindo Pinto de Sequeira, Presidente da Junta de Resende*

“Ele é integralmente um gentleman”Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
Arlindo Sequeira escolheu polvo à lagareiro com batatas a murro e grelos salteados; eu escolhi lombo de porco com arroz e batatas fritas. Ambas as doses estavam excelentes, tendo contribuído para uma óptima refeição e uma agradável conversa.

Quem é o Presidente da Junta de ResendeArlindo Pinto de Sequeira nasceu a 5 de Novembro de 1943 em Quintela de Resende, sendo filho de António Pinto de Sequeira e de Maria Adelaide Leitão. Tem quatro irmãos e uma irmã. Teve um outro, por sinal o mais novo, que já faleceu. Todos eles saíram do concelho (um para o Brasil e os restantes para o Grande Porto). Arlindo Sequeira permaneceu sempre aqui.
Fez o antigo ensino primário na escola de Resende. Tinha à volta de 40 anos quando retomou os estudos, fazendo o 6.º ano no âmbito do ensino recorrente para adultos.
Terminada a 4.ª classe, os pais mandaram-no aprender o ofício de alfaiate, em Vinhós, com o falecido Abílio Ferreira, mais conhecido por Abílio da Cruz, com quem trabalhou até à ida para a tropa. Foi mobilizado para Angola, onde prestou serviço de Janeiro de 1965 a Abril de 1967, na polícia militar, tendo estado em Luanda e S. Salvador do Congo. Os conhecimentos de alfaiataria serviram-lhe para conseguir mais algum dinheiro em pequenos biscates enquanto fazia a tropa.
Após o regresso de Angola, estabeleceu-se como alfaiate na vila de Resende. Contudo, devido ao diagnóstico de estigmatismo, e com a generalização da roupa e das confecções pronto-a-vestir, abandonou a profissão em 1969, tendo ido trabalhar para “Os Valentes” (Bárbara Valente & Filhos, Lda.) Aqui fazia um pouco de tudo. Como este estabelecimento comercial era o correspondente de 14 bancos, rapidamente aprendeu as competências e especificidades que era necessário ter em conta nesta área de negócio, acumulando estas actividades, que desenvolvia em regime pós-laboral, com as tarefas de empregado comercial. Muitas vezes o trabalho terminava noite dentro, originando muito cansaço. O aparecimento de uma úlcera duodenal foi o sinal de que tinha de alterar o ritmo de trabalho, tendo sido para tal também aconselhado pelo seu médico. Por isso, deixou “Os Valentes” em 1975, tendo ido trabalhar para o Externato D. Afonso Henriques. A entrada em funcionamento da escola preparatória com a correspondente necessidade de funcionários fez com que fosse, em 1976, para auxiliar de acção educativa deste estabelecimento. Aqui permaneceu até à reforma, em 2004, como auxiliar de acção educativa e, mais tarde, como ecónomo.
Desde muito novo integrou e dinamizou várias iniciativas, sobretudo ligadas ao folclore e música popular, no âmbito de cortejos, vindo a criar o “Grupo de Danças e Cantares de Resende”, que deu origem ao grupo “Resende em Marcha”, formalmente constituído em 25.08.2004, que se mantém sob a sua direcção.
Integrou, no tempo do Dr. Brito de Matos, a Assembleia Municipal, durante vários mandatos. Nas eleições autárquicas de 1993, a convite do então Presidente da Comissão Concelhia do PS, Artur de Almeida Oliveira, foi o 2.º elemento da lista para Assembleia de Freguesia de Resende, cujo partido ganhou a maioria. Passado algum tempo, o então presidente da Junta pediu a exoneração, em virtude de o mesmo ter ido viver com um filho para Viseu após a morte inesperada da mulher. Devido a este facto, Arlindo Sequeira assumiu a presidência. Nas eleições seguintes, apresentou-se ininterruptamente como cabeça de lista pelo PS, tendo ganho sempre.

O que fez na Junta de Freguesia de Resende
O atendimento às populações é feito por Arlindo Sequeira no edifício da Junta, nos dias úteis das 10h00 às 12h00. Como é a freguesia mais populosa do concelho, há sempre questões a resolver e documentação a passar no âmbito das competências desta autarquia. Fora deste horário, incluindo fins de semana, está sempre disponível, para resolver casos inadiáveis, como tem acontecido, por exemplo, com passagem de declarações para transporte de produtos a pessoas não residentes.
Por iniciativa da Junta e, nalgumas situações, com a colaboração da Câmara Municipal, alargou e asfaltou caminhos, tornando possível o acesso de viaturas a todas as aldeias. Actualmente só há uma em que isso não acontece, porque algumas pessoas não cedem terrenos. Também procedeu ao arranjo das ruas e ruelas das aldeias, encontrando-se todas cimentadas ou empedradas. Efectuou obras em muitos lavadouros públicos, dotando-os de cobertura. Devido ao grande estado de deterioração do telhado do edifício da Junta, foi colocado recentemente um novo.
Já se encontram atribuídos os nomes das ruas e vias de acesso das várias localidades, esperando-se para breve a colocação das placas toponímicas.
Tem apoiado iniciativas promovidas por estabelecimentos de ensino, associações e outras entidades.

Respostas breves

1. Onde passou as últimas férias?
Nunca tive férias na vida

2. Compra preferencialmente português?
Sim, faço todos os possíveis

3. Quais os seus passatempos?
Não

4. Qual o momento mais feliz da vida?
Sempre que estou com o meu neto

5. E o mais triste?
Quando eu ou algum familiar está doente

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Raramente isso acontece, pois sou extrovertido e alegre. Se for até ao campo fico logo bem

7. Qual o seu prato preferido?
Cozido à portuguesa

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
Agora o que interessa é não nos levarem o tribunal e não permitir que encerrem serviços que fazem falta às populações

9. O que mais admira nos outros?
Boa educação e humildade

10. O que mais detesta nos outros?
A falta das qualidade anteriores

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
A quadra natalícia

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Gosto da beleza dos contrastes do nosso concelho, embora prefira a serra

13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Um álbum de fotografias

14. De que mais se orgulha?
Da minha filha, genro e neto

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
Todas as que este presidente fez são importantes e contribuíram imenso para a modernização e desenvolvimento do nosso concelho, sendo difícil destacá-las. È justo lembrar a importância da construção da ponte da Ermida e também as novas valências da Santa Casa da Misericórdia

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Com este governo não

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Independentemente daquilo que irá fazer, nunca deixará de lutar em benefício do nosso concelho

18. Associa a palavra Resende a..?
À terra de que mais gosto

19. Chegou a levar reguadas na escola?
Algumas; reconheço que algumas foram justas e úteis

20. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Sim, uma vez.

21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não

22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
O ideal era que todas as pessoas limpassem o que é seu. Reconheço que algumas não o podem fazer. Neste caso, não me parece justo apresentar a conta

23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
O investimento na indústria é que criaria mais emprego. Mas quem vai investir com estes acessos?

24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges

25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Não. Cada uma tem uma história que é necessário continuar e preservar

26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de Resende?
Gostaria de os ter para evitar que os jovens abandonassem a nossa terra

27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Da modernização das instalações e equipamentos, do ambiente e da simpatia
*Apontamento de minha autoria, publicado no Jornal de Resende, número de Abril de 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ao jantar, no restaurante "Gentleman", com Manuel Jorge Cardoso, Presidente da Junta de Freigil*

Ele é integralmente um gentleman”
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
Manuel Jorge Cardoso escolheu polvo à lagareiro com batatas a murro e grelos salteados. Foram pedidas duas doses, que fizeram jus à escolha, e que proporcionaram uma óptima refeição e uma agradável conversa.


Quem é o Presidente da Junta de Freigil
Manuel Jorge Barbosa Cardoso, filho de Maria do Céu Barbosa e de Américo de Jesus Cardoso, nasceu a 25 de Março de 1965, em Pinouco/Freigil. Tem um irmão, que vive em Freigil, que trabalha consigo na oficina de serralharia de que é proprietário, e duas irmãs, uma das quais vive na região de Sintra e trabalha na Câmara Municipal da Amadora e a outra na zona do Pinhão, onde trabalha na conhecida Quinta de La Rosa. Teve ainda uma outra irmã, que faleceu por volta dos três anos.
Quando tinha cerca de dois anos, rumou com o irmão mais velho e a mãe para Moçambique, reunindo-se ao pai, que lá se encontrava há um ano, onde era encarregado de uma plantação de chá na região do Zambeze. Aqui frequentou a então escola primária, tendo feito a 3.ª classe. Em Agosto de 1974, a família veio de férias a Portugal, mas já não regressou, devido à perspectiva da independência do território. Conserva boas recordações dos cerca de 7 anos que aí viveu, guardando um registo muito positivo do estilo de vida de então, onde o convívio e a entreajuda eram permanentes. Por isso, ele e a família tiveram alguma dificuldade de adaptação.
Regressado a Freigil, matriculou-se na 4.ª classe. De seguida, frequentou a então escola preparatória, tendo como habilitação o 6.º ano.
Após ter deixado a escola, foi trabalhar para os pinhais, ajudando a serrar, limpar e transportar os toros. Simultaneamente ajudava os pais no pastoreio e amanho das terras. Mais tarde, veio trabalhar para uma serralharia na vila, cujo trajecto era feito diariamente a pé. Em 1984, estabeleceu-se por conta própria, criando uma oficina de serralharia em Freigil, que mantém.
Desde muito novo abraçou várias iniciativas em prol da freguesia e da paróquia, a cuja comissão fabriqueira pertence. Por exemplo, ajudou a preparar vários carros alegóricos para a festa da cerejeira em flor, colaborou na modernização da azenha de Freigil, que passou a funcionar à base de energia eléctrica, e foi o mentor da construção do monumento de Nossa Senhora do Socorro. Talvez por isso, foi convidado pelo Eng. António Borges a candidatar-se à Junta de Freguesia nas eleições autárquicas de 1997, que ganhou ao PSD. Apresentou-se às eleições seguintes (de 2001, 2005 e 2009) como cabeça de lista, que ganhou sempre.
É casado. Tem duas filhas (sendo uma delas licenciada em biotecnologia e a outra estudante do ensino superior, ambas a viver em Coimbra) e um filho (estudante do Externato de Resende). Vive em Freigil.


O que fez e o que espera fazer por Freigil
Não tem horário fixo de atendimento, pois está sempre disponível via telemóvel ou pessoalmente na oficina, sita ao lado do edifício da Junta.
Entre outras, executou as seguintes obras, que se descrevem seguidamente. Procedeu à remodelação do adro da igreja. Efectuou a recuperação do jardim românico junto da igreja, resgatando-o do esquecimento e do abandono, retribuindo-lhe a dignidade merecida. Arranjou e alargou os caminhos de ligação a todas as aldeias da freguesia, pavimentando-os ou cimentando-os, alguns com a colaboração da Câmara Municipal, tornando possível o trânsito automóvel. Requalificou as ruas e vielas das várias localidades, cimentando-as, o que possibilitou, com poucas excepções, o acesso de viaturas ao longo das mesmas. Alargou o cemitério, quase duplicando superfície inicial, tendo vindo a requalificar todo o espaço no âmbito de um projecto em vias de conclusão. Arranjou o terreno com vista implementação de um campo polidesportivo, tendo sido mais tarde aí construído um pavilhão gimnodesportivo pela Câmara Municipal. Equipou a escola com um refeitório, em 1999, o que tornou possível que as crianças possam aqui almoçar no período de aulas. A responsabilidade no fornecimento das refeições continua a pertencer à Junta de Freguesia, com o apoio da Câmara Municipal.
Organiza uma sardinhada, pelo S. João, um magusto, uma ceia de Natal com os idosos e, em colaboração com a paróquia, a festa das crianças.
Em relação ao futuro, gostava de requalificar as ruas de algumas localidades, dotando-as de outra apresentação, e de transformar a azenha num museu, fazendo do mesmo um espaço lúdico.

Respostas breves
1. Onde passou as últimas férias?
Nunca tive férias

2. Compra preferencialmente português?
Compro e aconselho. Só não o faço, se não houver.

3. Quais os seus passatempos?
Pescar, embora a minha maior ambição, se tivesse possibilidades, era dedicar-me ao desenho e à escultura. Já tenho algumas peças feitas.

4. Qual o momento mais feliz da vida?
Nascimento dos meus filhos

5. E o mais triste?
Tenho de confessar que foi a primeira vez que deixei a minha filha em Coimbra

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Cantar; gosto muito de cantar

7. Qual o seu prato preferido?
Gosto de todos os pratos, excepto coelho

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
As ligações às auto-estradas A4 e A24

9. O que mais admira nos outros?
A simpatia e a dedicação aos outros

10. O que mais detesta nos outros?
O não reconhecerem o bem que se lhes faz, ou seja, a ingratidão

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
Aniversário dos filhos

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
A zona da beira rio. Sinto-me bem em locais onde haja e corra água

13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Uma imagem de Nossa Senhora em granito esculpida por mim

14. De que mais se orgulha?
Da família que tenho; daquilo que consegui concretizar

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
Todas as que este presidente fez são importantes; é difícil realçar algumas em particular

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Só com o empenhamento do actual presidente

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Independentemente daquilo que irá fazer, nunca deixará de lutar em benefício do nosso concelho

18. Associa a palavra Resende a..?
À terra mais bonita que conheço

19. Chegou a levar reguadas na escola?
Algumas, mas não estou revoltado por isso

20. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Sim, uma vez, por não levar cinto

21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não

22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Ponho algumas reservas. A aposta deve ser em acções preventivas junto das pessoas

23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
O ideal seria criar emprego na área industrial e continuar a apostar no turismo

24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges e Dr. Brito de Matos

25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Não. Sou totalmente contra a que isso aconteça nas áreas rurais

26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de Freigil?

Reconheço que é difícil

27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Do novo visual, da qualidade da comida e da simpatia

*Apontamento de minha autoria, publicado no Jornal de Resende, número de Março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ao almoço, no restaurante "Gentleman", com Sónia Fonseca Pinto, Presidente da Junta de Anreade*

“Ele é integralmente um gentleman”
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada. Algumas informações úteis encontram-se no site
www.o-gentleman.pt
Sónia Pinto escolheu lombo assado com batata assada. Foram pedidas duas doses, que fizeram jus à escolha e que proporcionaram uma óptima refeição e uma agradável conversa.

Quem é a Presidente da Junta de Anreade
Sónia Cândida da Fonseca Pinto nasceu a 27 de Outubro de 1982, no Hospital de Santo António, para onde a mãe foi encaminhada para o parto. Frequentou o Jardim de Infância, sedeado no salão paroquial de Anreade, dos três aos cinco anos. Fez o primeiro ciclo da escolaridade na Escola de Monte Pó. Depois matriculou-se na Escola Preparatória, onde concluiu o segundo ciclo, findo o qual transitou para a Escola Secundária D. Egas Moniz, onde fez o terceiro ciclo e o ensino secundário.
Finda esta etapa, rumou para a Universidade de Évora, onde se licenciou em economia em 2005. Embora longe de Resende, o que a impedia de visitar a família e o concelho todos os fins de semana, gostou do ambiente estudantil e do Alentejo. “Hoje, se tivesse de optar, voltava a escolher a Universidade de Évora”, refere. Entretanto, fez mais três cadeiras para poder ter acesso à Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (TOC), o que lhe permitia ter mais vantagens em termos de saídas profissionais. No final, arranjou um patrono para estagiar, o que aconteceu num gabinete de contabilidade da vila de Resende. Após o estágio, fez um exame de avaliação profissional, o que lhe permitiu a inscrição na Ordem dos TOC.
Depois de obtenção destas certificações, trabalhou durante vários meses na banca na modalidade de prestação de serviços. Após esta experiência, foi contratada pelo BPI. Entretanto, em 2008 recebeu um convite do Sr. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Resende, Dr. José Dias Gabriel, para trabalhar nesta instituição, sendo presentemente a Directora dos Serviços Administrativo-Financeiros.
Pertenceu ao Rancho Folclórico e Etnográfico de S. Miguel de Anreade. É membro do grupo coral desta paróquia. É sócia e colaboradora da Associação Paroquial “Miguel Anjo” de Anreade.
Casou em Julho de 2011. Vive em Caldas de Aregos.

O que fez e o que espera fazer por Anreade
É este o seu primeiro mandato como Presidente da Junta da Freguesia de Anreade, que conquistou integrada em lista do PS, cuja maioria já pertencia a este mesmo partido no anterior mandato. A actual Assembleia de Freguesia tem a seguinte composição: 4 elementos PS, 2 PSD e 1 CDU. Esta aventura na vida autárquica não foi programada e deu-se por um acaso. Como o anterior presidente da Junta mostrou vontade de não se recandidatar, um tio seu, antigo Presidente da Junta, e outros elementos ligados à vida autárquica local acharam que era chegada a altura de uma equipa jovem tomar em mãos os destinos da Junta de Anreade. Para o efeito, numa reunião lançaram o desafio à Dra. Sónia Pinto e Sérgio Monteiro, aos quais se veio a juntar o Marco Moura. Apresentada a proposta ao Eng. António Borges, a mesma obteve total concordância.
É com entusiasmo que a actual equipa tem enfrentado o desafio e deitado mãos à obra, tendo-se deparado com um bom clima por parte da oposição no seio das reuniões da Assembleia Municipal.
Além das tarefas que fazem parte das competências específicas da Junta, como a limpeza dos caminhos e espaços públicos da freguesia, há um conjunto de acções já executadas ou em execução e que passaremos a resumir. Foi concluído o processo toponímico dos arruamentos, tendo já sido colocadas as respectivas placas de identificação. Foi adquirida uma carrinha que permite uma resposta mais rápida a pedidos vindos de vários pontos da freguesia, o que tem facilitado algumas tarefas como a limpeza de arruamentos. A responsabilidade pela carrinha tem sido entregue a pessoas recrutadas na base da medida do Instituto de Emprego e Formação Profissional “contrato emprego -inserção”. Fez obras na sede da Junta de Freguesia, tendo remodelado o telhado e pintado as paredes. Promoveu diversos cursos de dupla certificação (escolar e profissional), o que fez com que diversas pessoas obtivessem os diplomas dos 6.º e 9.º anos.
Relativamente ao futuro, continuará a apostar na qualificação profissional com a oferta de cursos no âmbito da internet, inglês e higiene e segurança no trabalho. E irá tentar resolver a questão espinhosa da regularização e actualização dos proprietários dos alvarás das campas e jazigos do cemitério, perspectivando o alargamento do actual ou a construção de um novo. Em parceria com a Câmara Municipal, irá envidar esforços no sentido de se proceder ao alcatroamento de alguns caminhos e de dotar toda a freguesia da rede de água ao domicílio e de esgotos.

Respostas breves

1. Onde passou as últimas férias?
Madeira

2. Compra preferencialmente português?
Sim; tento

3. Quais os seus passatempos?
Ir ao cinema e fazer compras

4. Qual o momento mais feliz da vida?
O casamento

5. E o mais triste?
Felizmente não encontro um acontecimento triste que até agora abalasse a minha vida

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Respiro fundo e espero que passe

7. Qual o seu prato preferido?
Sou um bom garfo; tenho dificuldade em referir um em especial

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
A ligação de Resende a Bigorne (A24)

9. O que mais admira nos outros?
A boa disposição e simpatia

10. O que mais detesta nos outros?
A mentira e hipocrisia

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
A festa da Labareda e de S. Miguel de Anreade

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Penedo de S. João, Monte de S. Cristóvão, Penedo de S. João e Aregos

13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Não

14. De que mais se orgulha?
Da educação recebida e de ter chegado até onde me encontro

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
A ponte da Ermida, Auditório, Centro de Saúde, entre outras

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?


Se dependesse exclusivamente da Câmara Municipal, sim. Tendo em conta a crise actual, não será tão cedo

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Irá continuar a abraçar o projecto político que desenhou para o concelho

18. Associa a palavra Resende a..?
Cerejas e cavacas

19. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Não

20. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não


21. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Sim, mas só depois das pessoas serem devidamente informadas e até eventualmente multadas

22. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Apostar ainda mais no turismo

23. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges e Dr. Brito de Matos

24. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Em zonas urbanas poderá ter algum sentido; nas zonas rurais são essenciais na ligação às populações

25. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de Anreade?
Acho que devem ser mobilizados para apresentação de projectos criativos de forma a aproveitar as infra-estruturas do Parque Industrial de Anreade

26. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Do estilo, acolhimento e ambiente

*Apontamento de minha autoria, publicado no Jornal de Resende, n.º de Fevereiro de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

SECUNDINO CUNHA APRESENTOU O LIVRO ‘CASAS DE ESCRITORES NO DOURO’ NO MUSEU MUNICIPAL DE RESENDE*

No passado dia 17 de Março, foi apresentado no Museu Municipal o livro ‘Casas de Escritores no Douro’, um livro da autoria de Secundino Cunha com fotografias de Sérgio Freitas. Na apresentação, marcaram presença António Borges (presidente da Câmara Municipal de Resende), Dulce Pereira (vereadora da cultura do município), José Manuel Cunha (editor do livro) e claro, os autores – Secundino Cunha e Sérgio Freitas.
O livro faz uma viagem textual e fotográfica pelas casas onde viveram doze ilustres nomes da literatura portuguesa: Eça de Queirós, Teixeira de Pascoaes, Miguel Torga, Guerra Junqueiro, Trindade Coelho, João Araújo Correia, Fausto José, João Campos, Visconde de Vila Moura, Domingos Monteiro, Fausto Guedes Teixeira e António Cabral. Esta obra permite que o leitor faça uma viagem pelo íntimo de cada escritor e faz com que o mesmo vá de encontro ao espaço onde se construíram as vidas dos autores mencionados na obra. Dá a conhecer algo que é restrito em grande parte das vezes e tem como um dos objectivos avivar a memória das pessoas acerca destes nomes ligados à literatura e que têm sido esquecidos.
Dulce Pereira explica-nos o porquê do livro ser apresentado em Resende. ‘’O título do livro chama muito a atenção. Sendo Resende uma terra do Douro, faria todo o sentido que a obra fosse cá apresentada. Um livro que fala de escritores nascidos no Douro, um livro que nos dá uma perspectiva dos homens literários, da experiência e que passam muitas vezes para o papel de uma forma tão transcendente aquilo que nós muitas vezes não conseguimos escrever. São pessoas que nunca morrem. Conseguem pegar numa apara de um lápis e escrever de forma magistral aquilo que lhes vai na alma. É sempre uma forma de cultura um trabalho destes.’’ Acrescenta ainda que ‘’este livro é capaz de dar às novas gerações a possibilidade de conhecerem escritores que foram muito importantes na divulgação do nosso Douro.’’
António Borges vai no sentido da opinião anterior e diz-nos que ‘’esta é uma obra que contextualiza um conjunto de informação, quer escrita quer fotográfica, que de alguma forma vai sobretudo direcionada ao espaço onde nos encontramos e aquilo que são elementos de construção das próprias vidas dos autores, que aqui estão identificados. É evidente que, para o presidente da câmara de Resende, o primeiro impulso foi estar nesta apresentação porque este livro de alguma forma permite-nos a todos perceber que de facto há, sobretudo num momento como aquele em que atravessamos, um conjunto de realizações ou de realidades que nós achávamos que poderiam e que seriam as prioridades até das próprias políticas públicas, e até daquilo que está subjacente às próprias lógicas de desenvolvimento.’’
Tendo em conta que a fotografia é parte relevante nesta obra, falamos também com Sérgio Freitas, fotojornalista. Diz que ‘’uma coisa não fazia sentido sem outra. Mas continuo a dizer que o livro vale o que vale por causa da escrita, se bem que uma imagem valha mais que mil palavras. Sem dúvida que este livro é um grande enriquecimento cultural e não só para o Douro porque nos dá a conhecer a outra parte do escritor.’’
Secundino Cunha, jornalista e escritor do livro entende-o sobretudo como um trabalho jornalístico, um conjunto de reportagens que não foi fácil de concretizar: devo dizer que demoramos cerca de dois anos desde o levantamento à concretização do trabalho, escrita e paginação. O drama maior é o levantamento porque não há nada em Portugal sobre o tema. Estamos na fase em que o Douro fez 10 de Património da Humanidade e por cimo consideramos o trabalho sobre a região oportuno.’’ Adianta ainda que ‘’o principal objectivo é recuperar a memória dos autores aqui retratados, muitos deles completamente desaparecidos. O país não pode deixar-se ir em correntes modernistas que fazem esquecer o essencial. Fotografamos casas onde ninguém vai e certamente há curiosidade das pessoas para com isso.
Eu espero que este livro seja um enriquecimento cultural pelo levantamento que faz, pelo facto de dar a conhecer nomes grandes da literatura, acaba para contribuir para tal.’’
*José António Pereira e Rafael Barbosa
Os autores da notícia escrevem ao abrigo do novo acordo ortográfico

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Ao jantar, no restaurante "Gentleman", com Fernando Pereira, Presidente da Junta de S. Martinho de Mouros*

“Ele é integralmente um gentleman”
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
É um óptimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com Fernando da Fonseca Pereira.

Quem é o Presidente da Junta de S. Martinho de Mouros
Fernando da Fonseca Pereira nasceu a 30 de Dezembro de 1959, na Quintã, S. Martinho de Mouros. Os pais já faleceram; a mãe há oito anos e o pai há dois. Frequentou a então escola primária do Barracão, desta freguesia. Ainda hoje recorda o quanto lhe custava, sobretudo por alturas de Inverno, a longa caminhada que tinha de efectuar diariamente. Se tudo corresse bem, no trajecto de ida e volta demorava cerca de duas horas. Tal como muitos dos seus colegas da altura, concluiu a 4.ª classe em condições de adversidade inimagináveis para as crianças e jovens de hoje.
Embora já o fizesse ao longo da escolaridade, quando terminou a 4.ª classe, foi trabalhar para o restaurante Bengalas e para a frutaria, negócios explorados pelo pai. Em 1976, com apenas 16 anos, emigrou para a Alemanha onde permaneceu durante 16 anos, fazendo um pouco de tudo, designadamente sendo motorista e trabalhando numa empresa de pneus. Casou-se em 1978. Com o objectivo de arranjar trabalho para a sua esposa, montou na zona para onde foram viver um super-mercado, respondendo aos gostos da comunidade portuguesa, mas sendo também procurado pelos alemães. Entretanto, Fernando Pereira continuou a trabalhar por contra de outrem.
Voltou para Portugal em 1991, por causa da educação dos seus três filhos. Tal como foi verificando no historial de outras famílias emigrantes, caso os seus filhos fizessem a escolaridade na Alemanha, a possibilidade de os mesmos se fixarem definitivamente naquele país era grande. Deste modo, quando Fernando Pereira e a esposa pretendessem regressar a Portugal, deparar-se-iam com uma família dividida entre Portugal e a Alemanha. Quando voltou, montou a “Auto-Pneus Resendense”, negócio que mantém até hoje.
Foi convidado pelo Eng. António Borges para liderar a lista do PS para as eleições autárquicas de 2005 para a Junta/Assembleia de Freguesia de S. Martinho de Mouros, que conquistou ao PSD. Na altura, o PS obteve cinco mandatos e o PSD quatro. Nas eleições de 2009, voltou a ganhar, tendo o PS aumentado o número de mandatos de cinco para seis.
Vive na vila de Resende.

O que fez e o que espera fazer por S. Martinho de Mouros
Orgulha-se de ter procedido à ampliação do cemitério, uma necessidade há muito sentida, pois a capacidade de inumação encontrava-se praticamente esgotada, situação agravada pela existência de uma numerosa população idosa na freguesia e pela ocorrência de muitos enterros de pessoas ou familiares de naturais da freguesia e aqui não residentes. As obras respectivas rondaram os cento e dez mil euros. Relacionadas com estas, alargou a estrada que passa junto ao cemitério, a qual faz a ligação à estrada que segue para Vila Verde/Paus e à estrada da Calçada/Feira Nova. Neste perímetro, construiu um estaleiro para acondicionar materiais de construção ligados à Junta de Freguesia.
Foi parceiro nas importantes obras de requalificação do centro histórico da vila de S. Martinho de Mouros, da responsabilidade da Câmara Municipal, e comparticipadas por fundos europeus. É de referir que, de entre outras beneficiações, teve lugar a remodelação dos pavimentos, a colocação de linhas arbóreas novas e o reforço da arborização existente, a implantação de sinalética, a remodelação da iluminação pública, a remodelação integral da rede de drenagem de águas pluviais, a submersão da rede eléctrica e telefónica e a recolocação dos pontos de recolha de lixo. Foi também parceiro na requalificação do edifício da antiga Casa da Câmara, que foi adaptado para um centro cívico, destinado a responder às necessidades culturais e formativas da população.
Subscreveu o documento da transferência dos serviços prestados pela estação local dos CTT, que foram assumidos pela Junta de Freguesia, a qual disponibiliza um funcionário que atende os interessados nos dias úteis das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.
Procedeu à abertura de várias caminhos/estradas que permitiu a ligação a povoações e propriedades. Também fez o levantamento do processo toponímico, faltando apenas a colocação das respectivas placas de identificação. Tem prestado especial atenção à resolução de todas as questões relacionadas com as competências da Junta, designadamente o arranjo e limpeza das vias públicas e a reposição de muros.
No primeiro mandato colaborou nas festividades do Senhor do Calvário e organizou o passeio sénior. Continua a apoiar o agrupamento de escuteiros de S. Martinho de Mouros e o jornal “Ventos da Mogueira” e a organizar o magusto no dia S. Martinho.

Respostas breves
1. Onde passou as últimas férias?
Cabo Verde
2. Compra preferencialmente português?
Sim
3. Quais os seus passatempos?
Gosto de passear
4. Qual o momento mais feliz da vida?
Para além das datas inesquecíveis do casamento e dos nascimentos dos meus filhos, acho que cada dia é sempre especial
5. E o mais triste?
O falecimento dos pais
6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Espero que passem com um bocadinho de conversa
7. Qual o seu prato preferido?
Cabrito assado
8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
As ligações à A4 e A24
9. O que mais admira nos outros?
A sabedoria de cada um; a forma de ser cada um
10. O que mais detesta nos outros?
Detesto a arrogância das pessoas, sobretudo quando afirmam que sabem e se conclui que não sabem nada
11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
A festa de aniversário
12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Todo o concelho é bonito para passear
13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Não
14. De que mais se orgulha?
A obra que fui fazendo; o que tenho
15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
A requalificação da vila, os centros escolares, o centro de saúde e as novas valências da Santa Casa da Misericórdia, ente outras obras
16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Enquanto esta crise durar, não acredito que isso venha a ser possível
17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Talvez se reforme, embora continue a lutar por Resende
18. Associa a palavra Resende a..?
Cerejas e cavacas
19. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Sim
20. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não
21. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Sim, caso as pessoas não as limpem
22. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Acho que são as empresas industriais que oferecem mais perspectivas de emprego
23. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges
24. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Não
25. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de S. Martinho de Mouros?
Para viver não falta nada; o pior é arranjar trabalho
26. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Acho que é um espaço com muito bom gosto
*Da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, número de Janeiro de 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ao almoço, no restaurante "Gentleman" com Luís Pinto, maestro do Grupo Coral de Resende*

“Ele é integralmente um gentleman”
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada. Algumas informações úteis encontram-se no site www.o-gentleman.pt
Luís Pinto, seguindo a sugestão do chefe, escolheu polvo à lagareiro. Foram assim pedidas duas doses. O polvo foi acompanhado de batatas a murro e grelos, uma delícia para desencadear uma boa conversa, em noite amena de Outono.


Quem é Luís Pinto
Luís Manuel Almeida Matos Ferreira Pinto nasceu no Enxertado, a 28 de Agosto de 1960. Frequentou a escola primária desta povoação. Ainda hoje conserva boas recordações deste período, ressaltando o convívio e as brincadeiras com os colegas. Por influência dos pais, de fé convicta e católicos praticantes, ingressou no Seminário de Resende, que frequentou até perfazer o antigo 5.º ano (actual 9.º ano). Aqui foi seu professor de música o Cónego Manuel Esteves Alves, guardando dele a imagem de um formador de competências multifacetadas e exigente. De Resende transitou para o Seminário Maior de Lamego, de onde saiu no fim do antigo 7.º ano (actual 11.º ano). Como os estudos do seminário só davam equivalência à secção de letras do antigo 5.º ano, teve de frequentar o Externato D. Afonso Henriques, onde fez exame às disciplinas da secção de ciências. Terminado o 5.º ano (actual 9.º), ingressou no Liceu Latino Coelho, de Lamego, onde concluiu o 12.º ano, na área de científico-naturais.
Após terminar o ensino secundário, pensou seriamente em prosseguir estudos universitários, mas um amigo de Resende informou-o de um concurso para a Caixa Geral de Depósitos que estava a decorrer. Mandou um postal, manifestando interesse e referindo os dados das habilitações académicas. Passado algum tempo, foi convocado para fazer testes psicotécnicos, cujos resultados positivos levaram à sua admissão nos quadros desta instituição bancária. Assim, em 1982 entrou para a Agência de Resende, onde se manteve 22 anos. Em 2004, foi transferido para a Agência da Lixa, onde permaneceu dois anos. Em 2006, foi trabalhar para a Agência da Régua como sub-gerente. Por fim, em 2008 voltou para a Agência de Resende como sub-gerente, onde permanece actualmente.
Para além da suas actividades profissionais (onde teve cinco promoções por mérito) e musicais, cultivou ou cultiva outros interesses. Foi presidente da juventude social democrata, a nível concelhio, durante vários anos. Foi deputado na Assembleia Municipal de Resende durante 22 anos, tendo sido condecorado com a medalha de ouro do município. Fez parte da mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Resende durante dois mandatos. Foi presidente do Grupo Desportivo de Resende durante vários mandatos, designadamente entre 1989 e 1991, que foram as melhores épocas de sempre do Grupo. Foi presidente da Associação Social Desportiva Recreativa e Cultural Pró-Resende de 1999 a 2004. É membro do Rotary Clube de Resende desde 2007.
Tem uma irmã. É casado. Tem duas filhas e vive em Anreade.

Ligação à música
Luís Manuel Almeida Matos Ferreira Pinto vive e respira música desde que nasceu. Além do bandolim, que aprendeu com o pai e executa desde os 6 anos, toca também piano, viola, guitarra, acordeão, trompete, cavaquinho e flauta. Aprofundou os seus dotes musicais nos seminários de Resende e Lamego, que frequentou durante sete anos, onde teve grandes mestres, tendo pertencido à banda do seminário maior, onde tocava trompete.
Foi professor de música na então escola preparatória de Resende, onde ensinou piano e viola. Ministrou cinco cursos de iniciação musical no âmbito do ensino extra-escolar. Fundou e dirigiu o Grupo Cénico e Folclórico do Enxertado, entretanto extinto. Dirigiu também os coros litúrgicos do Enxertado e da igreja matriz de Resende.

20 anos à frente do Grupo Coral de Resende
Luís Pinto está na origem da criação do Grupo Coral de Resende, que dirige desde o seu início. Importa referir que foi a partir de um curso de iniciação musical lançado no âmbito da então coordenação concelhia da extensão educativa, que arrancou em Fevereiro de 1991, que o Grupo Coral foi constituído. A primeira actuação teve lugar a 21 de Setembro 1991 no salão dos bombeiros.
Em Resende, o Grupo Coral tem marcado presença nas comemorações do 25 de Abril e nas festas da Labareda, feiras e lançamento de livros, efemérides e eventos culturais. Tem sido ainda muito solicitado para actuações por parte de câmaras municipais, paróquias e outras instituições. A sua presença em casamentos é cada vez mais requisitada. Por sua vez, Os Encontros de Coros de Resende, por si organizados anualmente, têm trazido ao nosso concelho muitos grupos de grande qualidade.
Merecem realce especial as deslocações à Suíça e Canadá a convite das nossas comunidades de emigrantes, onde efectuou diversas actuações, com destaque neste último país, onde o Grupo não teve descanso durante uma semana. O mesmo aconteceu numa recente deslocação à Madeira, onde foi muito acarinhado.
É de referir ainda que este grupo coral efectuou uma gravação para a RDP e participou no CD da colectânea “Os melhores coros da região norte”. Espera lançar brevemente um CD.
A boa notícia no âmbito do seu 20.º aniversário está relacionada com a atribuição de sede própria, no r/c do edifício da antiga Delegação Escolar, mercê de um acordo de cedência por parte da Câmara Municipal.

Respostas breves

1. Onde passou as últimas férias?
Em Palma de Maiorca

2. Compra preferencialmente português?
Depende

3. Quais os seus passatempos?
Actividades ligadas à música e à realização em vídeo

4. Qual o momento mais feliz da vida?
O casamento e nascimento das filhas

5. E o mais triste?

A morte do meu pai

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Toco viola ou dedico-me ao restauro de mobílias

7. Qual o seu prato preferido?
Parrilhada de marisco

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
As ligações à A4 e A24

9. O que mais admira nos outros?
Espírito de iniciativa e lealdade

10. O que mais detesta nos outros?
Cobardia e falsidade

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
Natal e fim de ano por serem festas de família

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Caldas de Aregos e Porto de Rei

13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Alfinete de gravata, por ter sido oferecido por uma pessoa muito especial

14. De que mais se orgulha?
De ter contribuído para o êxito do Grupo Coral de Resende

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
Ponte da Ermida, requalificação da vila, piscina coberta e auditório municipal, entre outras obras

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Tenho muitas dúvidas

17. Os resendenses têm acarinhado devidamente o Grupo Coral de Resende?
Têm. Nas actuações está sempre muita gente, que nos acompanha e acarinha

18. Associa a palavra Resende a..?
Cerejas, cavacas e Grupo Coral de Resende

19. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Sim

20. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não

21. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Acho que numa primeira fase as pessoas devem ser devidamente informadas e avisadas para limpar as matas de que são proprietárias. Caso não o façam, então sim.

22. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Deve-se apostar no turismo e na criação de empresas, ocupando os lotes disponíveis na área empresarial de Anreade

23. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges e Dr. Albino Brito de Matos

24. Acha que a Câmara Municipal de Resende tem apoiado devidamente o Grupo Coral de Resende
Sim, na vertente logística e financeira

25. Costuma cantar músicas quando está sozinho?
Sim. Até já toquei violino na casa de banho

26. De que mais gostou deste novo Gentleman?

É um espaço de excelência, com um serviço muito esmerado


*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, número de Dezembro de 2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Revista do Agrupamento de Escolas de Resende

Saiu o 1.º número desta interessante revista, que tem ao leme Paulo Sequeira, Fernando Vieira e Sérgio Matos, estando aberta à colaboração de todos os elementos da comunidade educativa.
Pode ser lida a partir daqui.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ao almoço, no restaurante "Gentleman", com Horácio Saraiva, presidente da Junta da Panchorra*

“Ele é integralmente um gentleman”
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada. Algumas informações úteis encontram-se no site www.o-gentleman.pt
É um óptimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com Horácio Saraiva.


Quem é o Presidente da Junta da Freguesia da Panchorra
Horácio Saraiva nasceu a 31 de Janeiro de 1971, na Panchorra. Frequentou a antiga escola primária da Panchorra, tendo aqui feito também o 5.º e 6.º anos no âmbito da telescola. Após ter terminado o 7.º ano na Escola Secundária D. Egas Moniz, transferiu-se para o Externato D. Afonso Henriques, que frequentou do 7.º ao 11.º ano. O 12.º ano foi feito na Escola Secundária D. Egas Moniz. Cumpriu o serviço militar no Porto e em Santa Margarida.
O pai faleceu em Setembro do ano passado. A mãe vive na Panchorra. Tem uma irmã mais nova que vive em Lisboa
Trabalha nos serviços administrativos da Santa Casa da Misericórdia de Resende, onde também trabalha a esposa, e vive na vila. Tem um filho de 4 anos.
Pertence à comissão fabriqueira da paróquia da Panchorra, onde tem colaborado com o pároco na administração das situações correntes e na angariação de fundos para reparações da igreja e outras despesas do âmbito das actividades religiosas.
É o presidente da AFOPADIS (Associação para a Formação Profissional e Desenvolvimento de Resende), que é a entidade detentora da Escola Profissional de Resende.
É o presidente do Conselho de Compartes dos Baldios dos Povos da Talhada e da Panchorra, entidade responsável pela representação e gestão destes terrenos.
Gosta de futebol, tendo jogado durante vários anos pelo S. Martinho de Mouros, e ainda se reúne habitualmente com amigos para jogar umas partidas de futebol de cinco.
Actualmente, frequenta, à noite, o curso de Secretariado de Administração na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego.
É Presidente da Junta de Freguesia desde 2009, em lista apoiada pelo PS, não tendo qualquer experiência autárquica anterior. A lista do PS obteve cinco mandatos para a Assembleia de Freguesia, tendo uma lista de independentes obtido dois. Anteriormente, a maioria na autarquia da Panchorra era afecta ao PSD.

O que fez e o que espera fazer pela Panchorra
Fez o levantamento do processo toponímico, dotando as ruas e caminhos da Panchorra e Talhada das respectivas placas de identificação.
Requalificou vários caminhos de acesso a terrenos agrícolas e a matos, possibilitando a circulação de tractores e de viaturas de bombeiros.
Calcetou várias ruas e caminhos da freguesia, tornando mais seguros e agradáveis os respectivos acessos.
Colaborou, através de uma parceria da Junta de Freguesia com uma entidade formadora, em acções de dupla certificação (profissional e escolar), o que permitiu que cerca de quinze pessoas obtivessem o 6.º ou o 9.º ano.
Tem organizado um passeio anual para toda a população da freguesia.
Como realização a curto prazo, tem projectada a construção de uma casa funerária, junto à igreja, estando esperançado que as obras comecem brevemente. É sua intenção também efectuar obras de requalificação no edifício da sede da Junta de Freguesia, de forma a criar aí uma valência de centro de dia para apoio aos mais idosos.
Convém referir que a sede da Junta tem um espaço internet, acessível através de dois computadores, que pode ser utilizado por todos os residentes. Estes têm também ao seu serviço uma impressora, um fax e uma fotocopiadora.

Respostas breves

1. Onde passou as últimas férias?
Em Nazaré

2. Compra preferencialmente português?
Não tenho preferência

3. Quais os seus passatempos?
Distraio-me com a prática de futebol e vejo televisão

4. Qual o momento mais feliz da vida?
O casamento e o nascimento do meu filho

5. E o mais triste?
O falecimento do meu pai

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Procuro afastar-me do problema

7. Qual o seu prato preferido?
Arroz de cabidela

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
A ligação à A24 (Bigorne)

9. O que mais admira nos outros?
A sinceridade, acima de tudo

10. O que mais detesta nos outros?
A falsidade e a hipocrisia

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
Até há poucos anos era a festa de S. Lourenço, o padroeiro da paróquia, que infelizmente se deixou de fazer. Agora é a festa da Labareda.


12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Caldas de Aregos e a serra de Montemuro

13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Não

14. De que mais se orgulha?
De fazer bem aos outros

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
Ponte da Ermida, a requalificação da vila de Resende e as piscinas cobertas

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Se dependesse exclusivamente da Câmara Municipal de Resende, sim. Mas não é este o caso e a situação não é favorável

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Irá continuar a apoiar o desenvolvimento de Resende

18. Associa a palavra Resende a..?
Cerejas e cavacas

19. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Não

20. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Sim, já que as pessoas, ao não cuidarem daquilo que é seu, estão a prejudicar os bens dos outros

21. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Dever-se-á investir sobretudo no turismo, em todas as áreas respeitantes a Caldas de Aregos, e no aproveitamento das potencialidades das cerejas, que não estão devidamente exploradas

22. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges e Dr. Albino Brito de Matos

23. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Concordo com a redução, mas tem de ir mais no sentido de isso ser feito nos centros urbanos. No interior é necessário ter em conta a proximidade às populações

24. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia da Panchorra?
Não. Infelizmente não encontram lá trabalho

25. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Fiquei agradavelmente surpreendido com tudo
*Apontamento de autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, Novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ao jantar, no restaurante "Gentleman", com Rui Rebelo, treinador do GD Resende*

“Ele é integralmente um gentleman”
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada. Algumas informações úteis encontram-se no site http://www.o-gentleman.pt/
Rui Rebelo, seguindo a sugestão do chefe, escolheu “bacalhau com broa”. Foram assim pedidas duas doses. O bacalhau, coberto de miolo de broa, foi acompanhado de batatas a murro e grelos, uma delícia para iniciar uma boa conversa, num gosto partilhado pelo “fiel amigo” e por Resende.


Quem é Rui Rebelo
Rui Miguel Rebelo nasceu em Lamego a 11 de Fevereiro de 1977. Os pais são naturais de Vinhós e encontravam-se à época a trabalhar em Lamego, tendo-se mudado para Resende em 1978, onde se estabeleceram por conta própria, fundando a “Ourivesaria Rebelo”, que ainda detêm. Rui Rebelo veio assim com um ano de idade para o nosso concelho, que só largou para estudar. Tem uma irmã mais nova, professora, que se encontra este ano a dar aulas na zona de Lisboa.
Todo o percurso escolar foi feito em Resende. Andou no jardim de infância na vila. Fez o 1.º e o 2.º anos na então escola primária de Vinhós e o 3.º e 4.º anos em Resende. Transitou para a então escola preparatória, onde concluiu o 2.º ciclo. Do 7.º ao 12.º anos frequentou a escola secundária Dom Egas Moniz.
Ingressou no Instituto Piaget de Viseu, onde concluiu, em 2001, a licenciatura em educação básica, variante de educação física. Em 2006, matriculou-se no mestrado “Desporto para crianças e jovens”, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, que terminou em 2009.
É detentor dos seguintes cursos de treinadores: i) treinador Futsal, nível II (Basic-UEFA); e ii) treinador Futebol, nível II (Basic-UEFA), ambos promovidos pela Associação de Futebol de Viseu, organismo credenciado para o efeito.
Como professor, já passou por escolas de Alijó (um ano), Resende (três anos), Cinfães (um ano), novamente Resende (um ano) e Amarante (três anos). No ano lectivo transacto, ficou afecto ao Agrupamento de Escolas de Marco de Canavezes, o mesmo acontecendo este ano.
Vive na vila de Resende, é casado e tem uma filha.

Percurso como jogador e treinador
O seu gosto pela bola adveio-lho do pai, que chegou a ser jogador do Grupo Desportivo de Resende, com quem muito aprendeu. O treinador que mais o marcou foi Joaquim Alves, quando era jogador dos juvenis do Grupo Desportivo de Resende. Tinha espírito de liderança, sabia motivar e incutir um espírito de vencedor e preocupava-se em criar grupos coesos.
Começou por integrar as competições de desporto escolar desde muito novo. Jogou nos juvenis, juniores e seniores do Grupo Desportivo de Resende. Jogou também nos seniores do Sport Clube de Aregos e dos Unidos de Resende.
A sua primeira experiência como treinador ocorreu na época de 2001/2002, em que treinou os juvenis de Futsal do Sport Clube de Aregos e os juniores de futebol deste mesmo Clube. De 2004 a 2006, foi treinador dos seniores de Futsal de S. Martinho de Mouros. No ano seguinte, treinou os juniores da mesma modalidade neste clube. Em 2007/2008, jogou Futsal pelo S. Martinho de Mouros e foi co-responsável pela selecção distrital de Viseu de Futsal, o mesmo acontecendo até Novembro do ano seguinte.
A partir desta data, Novembro de 2008, começar a treinar a equipa sénior do Grupo Desportivo de Resende, funções de que viria a demitir-se em Fevereiro de 2010. Na época de 2010/2011, jogou Futsal pelo S. Martinho de Mouros e veio a fundar a Academia Futsal de Resende. Presentemente, é de novo o treinador dos seniores do Grupo Desportivo de Resende.


À frente do Grupo Desportivo de Resende
Rui Rebelo acabou de pegar numa equipa, que na época passada, em 26 jogos, sofreu 21 derrotas, empatou 4 vezes e só conseguiu uma vitória. O grande capital deste grupo de trabalho é a paixão por Resende, pois a maioria dos jogadores é natural do concelho e tudo fazem pelo seu engrandecimento. Sabem que o futebol pode ser um eficaz embaixador do nome de Resende. Embora com escassez de meios, tem a confiança e a disponibilidade da actual direcção do Grupo Desportivo de Resende . Todos os jogadores trabalham ou estudam, alguns bem longe do concelho, e por isso só treinam duas vezes por semana. Mas Rui Rebelo tem a capacidade de criar grande empatia e cumplicidade entre todos, transmitir confiança e cimentar elos de coesão, o que permite dar corpo a um projecto sustentado a médio prazo. É uma ambição que, de acordo com as suas palavras, só é possível alcançar com o trabalho e apoio de todos.


Respostas breves
1. Onde passou as últimas férias?
Em Albufeira

2. Compra preferencialmente português?
Tento fazê-lo

3. Quais os seus passatempos?
Prática de desporto e leituras técnicas ligadas ao futebol

4. Qual o momento mais feliz da vida?
O nascimento da minha filha

5. E o mais triste?
A morte de familiares

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Com um jogo ou treino de futebol ou uma corrida, passa tudo

7. Qual o seu prato preferido?
Frango estufado

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
Circuito de manutenção, que está a ser construído, segundo penso

9. O que mais admira nos outros?
A sinceridade

10. O que mais detesta nos outros?
A falsidade

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
A festa de aniversário da minha filha

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Porto de Rei, Caldas de Aregos e monte de S. Cristóvão

13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Não

14. De que mais se orgulha?
Da empatia e do bom clima que consigo criar entre os meus alunos e jogadores

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?


Ponte da Ermida, a construção da escola secundária e todas as importantes obras que se fizeram nos últimos anos

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Não, devido à grande crise financeira em que o país se encontra

17. Os resendenses têm acarinhado devidamente o Grupo Desportivo de Resende?
Não. Acho que podiam fazer mais para ter um clube de outra dimensão; o nosso concelho merecia mais

18. Associa a palavra Resende a..?
Paixão, família e amigos

19. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Já, por não ter o colete reflector

20. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
As matas devem estar limpas; os militares podiam ajudar. Agora mandar a conta parece-me demais

21. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
As empresas industriais é que poderão criar muitos postos de trabalho, mas não estou a ver como em Resende. Deve-se apostar nas potencialidades turísticas

22. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges e Dr. Albino Brito de Matos

23. Acha que a Câmara Municipal de Resende tem apoiado devidamente o desporto no concelho?
Sim, embora nalguns aspectos preferisse que fosse dada uma outra orientação a alguns apoios

24. Da sua experiência, nota diferenças nos alunos que praticam desporto?
Sim. São geralmente mais autónomos, disciplinados, aproveitam melhor o tempo e têm objectivos de vida

25. De que mais gostou deste novo Gentleman?
Da decoração, que acho original



*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, número de Novembro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Aventura da entrada no Seminário de Tomar (Convento de Cristo) há 50 anos*

Tenho imenso prazer em fazer um relato da entrada no Seminário de Tomar, pela alegria que isso me trouxe. Eram tempos inimagináveis.

A vinda para o Seminário, com tudo o que isso representou, constituiu a maior aventura da minha vida. Foi algo que desejei e que até aos sete anos ocupou muito do meu imaginário. Os horizontes das maiores distâncias percorridas ficavam-se por Lamego, onde ia frequentemente, a pé, acompanhando o meu pai nas visitas a familiares, nas deslocações às feiras e nas idas à festa da Senhora dos Remédios, e por Sernancelhe, onde fui uma vez numa excursão do grupo da catequese em romaria à Senhora da Lapa, nunca tendo, pois, excedido os setenta quilómetros para além de Paus, a freguesia de Resende, onde nasci. O mundo para além desta distância era criado pela imaginação. E o que me cativava era a África e o mar desconhecidos. O mar era uma imensidão de água sem fim; a África era uma floresta contínua, habitada por animais selvagens, de grande porte, semeada de pequenas aldeias, de casas de colmo, junto a lagos e grandes rios. Foi por isso com emoção que, num dia de Julho de 1961, subi com o meu pai a serra das Meadas para ir ter com o então Padre Carlos, o chamado tio missionário, a Magueija, próximo de Lamego, onde me esperava para fazer o exame de admissão, o qual foi feito com um outro candidato. Efectuei a prova dando o meu melhor, pois era a chave da mudança de rumo da minha vida. Tive dúvidas acerca de um problema. Por isso, saí da prova adensado em dúvidas e interrogações sobre o meu futuro. Enquanto o meu pai falava com o Sr. Padre Carlos, dizia para comigo: “Será que vou passar? Terei hipóteses de entrar? E eu que podia ir para o Seminário de Resende, que o pároco da freguesia até tratava de ajudar a pagar as despesas...”. E depois culpava-me: “Quiseste ir para longe, para os Seminários onde já andam o Tomás, o Anselmo e o Vítor e às tantas não entras”. Estes pensamentos também me atormentavam, pelos efeitos devastadores na minha auto-imagem. Os meus irmãos eram considerados por toda a gente da freguesia alunos brilhantes “Os filhos do Alfredo Borges é que são espertos”, dizia-se. Se eu chumbasse, era o mundo que desabava. Mas num dia de Agosto, chegou a tão desejada e temida carta a Vinha Velha de Paus, que foi entregue pelo carteiro, o Sr. Miranda. Foi a medo que a abri. Mas era portadora de boas novas. Anunciava que tinha sido aprovada a minha entrada no Seminário de Tomar, indicando o dia em que nele deveria dar entrada.

Ficou combinado que iria com um soldado de Paus, que cumpria o serviço militar em Tomar. No dia aprazado, ou seja no dia 1 de Outubro, lá fui com alguns apetrechos enfiados numa bolsa de pano para a estação de Porto de Rei, na linha do Douro, acompanhado da minha mãe, do dito soldado e de uma senhora, que transportava uma mala (mais propriamente, uma caixa tosca de madeira) à cabeça, contendo a roupa, lençóis, cobertores e toalhas, que deveria ser despachada. A despedida não me custou. Afinal estava a realizar um sonho. Já não me recordo das emoções da viagem. Do que senti na mudança de comboio em Campanhã, no Entroncamento…., como me desenrasquei nas idas à casa de banho…, que conversas tive com o meu acompanhante militar (as indispensáveis, com certeza , que eu sempre fui de poucas palavras)...Tudo se apagou.

Cheguei a Tomar, era já tarde. O militar indicou-me a direcção do Convento e eu lá fui sozinho por aí acima. Chegado lá, fiquei todo baralhado, pois encontrei todas as portas fechadas. Olhei para todos os lados, mas não aparecia ninguém. E pensei: “é estranho, ao menos na minha terra está sempre gente a passar nos caminhos”. E avancei até encontrar gente. Na primeira casa que me apareceu, chamei a medo por alguém. Apareceu-me um senhor de meia idade que me informou como deveria fazer. Pelo modo como me falou fiquei sempre com a ideia de que não deveria simpatizar muito com padres, pois foi seco nas palavras, parecendo querer ver-se livre de mim. Na porta da entrada do Seminário, seguindo as instruções recebidas, toquei à sineta. Apareceu-me um padre a quem expliquei ao que vinha. Tudo isto aconteceu, porque cheguei um dia antes da data aprazada. Pouco depois, apareceu o meu primo, o Irmão José Ribeiro, que nunca mais me largou e me foi mostrando os cantos do grande casarão. Uma das primeiras coisas que lhe disse foi mais ou menos isto: “nestes corredores era capaz de passar uma “carreira”; e isto é tão grande que dava para todas as pessoas da nossa terra virem para cá morar”. Passado algum tempo, disse-me: “tu deves vir larado de fome”. E foi-me fazer umas sandes de queijo.

Vir de um meio pequeno e ser “despejado” de repente num convento gigantesco é obra. Ainda hoje me admiro da forma rápida como decorreu a minha adaptação. Como dormi sempre serenamente numa grande camarata, como me habituei a estudar numa grande sala, como me esforcei por cumprir regras exigentes e horários… Tudo num ambiente bem estruturado e previsível, mas sob o peso e a dimensão de corredores, claustros, escadas, janelas, abóbadas, naves…pouco consentâneos com o acolhimento e a vida quotidiana de crianças. E assim se passou o ano lectivo de 1961/62.

Já de novo em Tomar, gozadas as férias em Paus, e preparado para iniciar o segundo ano no Convento de Cristo, foi com enorme satisfação que recebi a notícia de que tinha sido um dos seleccionados para fazer esse ano em Valadares, mais propriamente em Vilar do Paraíso, com a missão de ocupar e dar vida às duas quintas, ligadas entre si, recentemente adquiridas pela Sociedade Missionária.

*Retirado do livro "Valadares-Seminário da Boa Nova: 50 anos/Lembranças dos primeiros tempos", coord. de Aires de Nascimento e editado pela ARM (Associação dos Antigos Alunos da Sociedade Missionária da Boa Nova)

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