segunda-feira, 15 de abril de 2013

Entrevista com António Fonseca, Juiz da Irmandade de S. Francisco Xavier*


“Ele é integralmente um gentleman
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada. Algumas informações úteis encontram-se no site www.o-gentleman.pt.
É um ótimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com António Fonseca.

Percurso de vida pessoal
António Fonseca nasceu a 18 de fevereiro de 1955, no lugar da Fonte da Portela, em S. Martinho de Mouros, sendo filho de José da Fonseca (conhecido por Zé Vintém) e de Maria José Almeida. É o mais novo de dez irmãos, dos quais restam apenas três vivos. Cinco morreram ainda bebés, um faleceu com 4 anos e um outro morreu de acidente aos 28 anos.
Assume sem complexos as suas origens humildes, referindo que os seus pais eram muito pobres, tendo nascido e vivido até aos 18 anos numa casa que mais parecia uma barraca. O pai granjeava um campo arrendado e ganhava o dia fora. A mãe, além de cuidar dos filhos e da lida da casa, ajudava na lavoura e costurava para os vizinhos, muitas vezes pela noite dentro à luz de uma candeia de petróleo.
Terminada a escola primária, que concluiu em 4 anos no Barracão, face ao seu aspeto franzino não compatível com o trabalho duro dos campos, o seu pai ainda pensou encaminhá-lo para o Seminário, diligenciando para isso junto de um padre amigo, mas tal desiderato não se veio a concretizar. Pensando que a aprendizagem de uma arte se adequava melhor à sua compleição física, a sua mãe pediu a um carpinteiro vizinho que lhe ensinasse a arte, o que aconteceu. A partir dos 18 anos, foi para casa da Sra. Balbina, onde pôde aperfeiçoar a aprendizagem junto do filho, Manuel Esteves, que era um grande mestre na arte da carpintaria.
Cumpriu o serviço militar em Beja, onde fez a recruta; em Elvas, onde tirou a especialidade de clarim; e por fim, em Évora, onde passou à disponibilidade.
Em 1978 emigrou para a Suíça, começando a trabalhar como carpinteiro na construção civil em Genebra. Casou em 28 de fevereiro de 1981, tendo a mulher ido viver com ele nesta cidade. Entretanto, como a casa era pequena, mudaram-se para Lausanne, onde residia o seu grande amigo Padre Murias de Queirós, responsável pela Missão Católica Portuguesa, que lhe arranjou casa e trabalho nesta cidade.
Em 1991, o casal regressou a Portugal com o filho então com 9 anos, fixando-se na vila de S. Martinho de Mouros, onde continua a residir.

Intervenção cultural, musical e política
A música está-lhe no sangue. Desde pequeno que mostrou apetência pela aprendizagem de instrumentos musicais. Em 1976, integrou como fundador/ guitarrista o grupo “Pele e Osso”. Já em Genebra, contactou a missão católica, que o levou a conhecer uma freira Doroteia, a irmã Ana, de nacionalidade suíça, que tinha trabalhado 40 anos em Portugal, e que era responsável pelo grupo coral, a qual o convidou a integrar o mesmo grupo. Afirmou-se, desde a primeira hora, como um dos seus elementos mais dinâmicos na qualidade de guitarrista. Passou também a colaborar na formação musical dos jovens que frequentavam a missão católica, com aulas de viola, cuja experiência e gosto se mantiveram pela vida fora, o que explica que ainda atualmente continue a ensinar os mais novos a tocar instrumentos musicais. Encantada com o seu jeito em lidar com as pessoas, a referida freira achou que tinha competências para ir mais longe, pelo que se ofereceu para lhe ministrar aulas de solfejo e francês, o que aceitou. Mais tarde, tornou-se o responsável pelos grupos corais da igreja em Lausanne, Morges e Yverdon. De regresso a Portugal, tornou-se o dinamizador do grupo coral da Capela do Senhor do Calvário.
No âmbito das atividades da Irmandade de S. Francisco Xavier, criou a escola Musijovem, destinada a estimular e desenvolver a aprendizagem de instrumentos musicais junto das crianças e jovens, beneficiando de uma parceria com a Câmara Municipal. Em 1995, criou o grupo de bombos “BomMouros”, que se mantém. Organizou, durante 10 anos, o Festival da Canção do Concelho de Resende, que foi substituído entretanto pela Grande Noite do Fado. Ainda no âmbito desta instituição, fundou o jornal Ventos da Mogueira de que foi diretor até junho de 2011.
Quando regressou da Suíça, integrou o grupo musical “Banda Douro”. A título gratuito, continua a ensinar a tocar instrumentos musicais, designadamente cavaquinho, viola e órgão. Com alguns destes alunos, criou o grupo de música popular “TomVintém e Amigos”, que continua a animar festas e eventos. É ainda guitarrista/fundador do grupo “Douro Fado”. Integrou como tocador o Rancho Folclórico de Paus.
Foi durante 4 anos, de 1997 a 2001, deputado na Assembleia Municipal de Resende. De 2001 a 2005, no primeiro mandato do Eng. António Borges, foi vereador pela oposição, o que lhe permitiu rechear a sua agenda de contactos, que lhe seriam úteis para a concretização das obras do Lar da Irmandade de S. Francisco Xavier. A propósito, no que se refere à vida política futura, já tomou a decisão de não se candidatar nas próximas eleições autárquicas.

Obreiro do Lar da Irmandade de S. Francisco Xavier
Praticamente confinada ao cumprimento de ações do foro espiritual, e às vezes nem isso, a Irmandade de S. Francisco Xavier recebeu uma reviravolta decisiva com a eleição de António Fonseca como Juiz da Mesa Administrativa, em 4 de abril de 1993. Logo após a tomada de posse, procurou fazer com que se cumprissem os estatutos, designadamente no concernente a atos de sufrágio por irmãos falecidos, missas por intenção de irmãos vivos e à assumpção de responsabilidades pelas obras da Capela do Senhor do Calvário e da residência do Capelão. Na altura, com este património em deterioração acelerada e até em ruínas, não havia um cêntimo nos cofres da Irmandade. Imediatamente deitou mãos à obra para angariação de fundos, aproveitando o cantar das Janeiras e lançando outras iniciativas. Com este dinheiro e, posteriormente, com o recurso a fundos comunitários, procedeu a diversas obras de restauro na Capela do Senhor do Calvário e adros e na Casa do Capelão.
António Fonseca nunca pensou nem sonhou em construir um Lar. A ideia só surgiu, porque foi contactado pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Resende a comunicar-lhe a intenção de uma oferta de cem mil contos por parte de um senhor, que se destinaria à construção de uma extensão do Lar em S. Martinho de Mouros. Verificada a impossibilidade de concretização deste projeto, visto que a Santa Casa não era possuidora de quaisquer terrenos para o efeito, dirigiu o convite à Irmandade, aconselhando o dito senhor a falar com António Fonseca, o que nunca aconteceu. Nem a oferta chegou. Mas a ideia nasceu. É de referir também que o incentivo e a disponibilidade manifestada por parte do então pároco de S. Martinho de Mouros, Padre Alberto Ferreira, para contribuir financeiramente para a construção de um lar de idosos também contribuíram para o nascimento do projeto. Mas o dinheiro também nunca apareceu.
Entretanto, para os conformar com a realidade dos tempos atuais, os estatutos foram reformulados, neles se prevendo a criação de um lar de idosos, apoio domiciliário e um centro de dia, entre outras atividades/valências. Com a aprovação dos mesmos em 2000, a Irmandade goza desde então de personalidade jurídica canónica e civil, beneficiando do estatuto de IPSS. Já detentora deste estatuto, foi efetuada uma diligência junto da Segurança Social para uma parceria a contemplar um lar de idosos, tendo a resposta sido positiva. Contudo, a promessa de cem mil contos nunca se concretizou, tendo o sonho sido colocado na gaveta.
Entretanto, António Fonseca foi informado da viabilidade de apresentar uma candidatura à valência de apoio domiciliário, já que podia funcionar na Casa do Senhor do Calvário, bastando equipá-la com uma cozinha e uma lavandaria. A candidatura veio aprovada, mas tornou-se necessário fazer vários peditórios para arranjar dinheiro para estes equipamentos. A 1 de julho de 2002 foi assinado o respetivo contrato para esta valência, que funciona agora noutras instalações.
A oportunidade de construção do tão ansiado Lar chegou com o programa PARES a que se candidatou, tendo sido necessário para isso apresentar um projeto completo, que custou 45 mil euros, que foi totalmente custeado pela Irmandade. Após muitas deslocações e diligências junto da Segurança Social, da Câmara Municipal e da Santa Casa da Misericórdia, chegou finalmente o dia do lançamento da 1.ª pedra, que ocorreu a 19 de outubro de 2008. A inauguração oficial teve lugar no dia 28 de abril de 2012, embora já se encontrasse em funcionamento desde 30 de julho de 2011.
O custo total deste empreendimento atingiu o montante de 1.513.000€, tendo tido a comparticipado da Segurança Social no valor de 656.290€, e a contribuição da Câmara Municipal de Resende no montante de 340.000€, proveniente do somatório de  um subsídio em dinheiro no valor de 150.000€, da assumpção da fiscalização da obra no valor de 80.000€ e despesas dos arranjos exteriores orçamentadas em 110.000€. Como até à altura da inauguração a Irmandade tinha conseguido angariar 100.000€, a dívida junto da Caixa Geral de Depósitos era então de 320.000€.
A instituição criou 33 postos de trabalho, que permitem dar resposta aos 30 utentes do lar de idosos, aos 47 do serviço de apoio domiciliário e aos 10 do centro de dia.

Nota pessoal: Nunca é de mais realçar a vida devotada de António Fonseca às pessoas mais frágeis e desfavorecidas do nosso concelho. Um exemplo de solidariedade e de voluntariado. Lamentavelmente, por falta de espaço, muita coisa ficou por mencionar.
*Artigo da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, edição de Março de 2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Entrevista com o Presidente da Junta de Ovadas, Isidro Pereira*


Quem é o Presidente da Junta de Ovadas
Isidro Pereira nasceu a 3 de outubro de 1945 na Panchorrinha, sendo filho de Manuel Pereira e de Lauriana Pereira, tendo a mãe falecido quando tinha dezoito meses. Tem uma irmã, que vive em Rossas, e quatro meios-irmãos (dois rapazes e duas raparigas) do segundo casamento do pai. Foi criado com uma tia e madrinha, irmã do avô paterno, que residia em Mareares, a quem sempre chamou mãe, e que faleceu em 1976.
Frequentou a escola da Granja, onde terminou a 4.ª classe. Em 2009, no âmbito do programa “Novas Oportunidades”, obteve o diploma do 9.º ano.
Finda a escola primária, a madrinha muito insistiu para que fosse estudar para o seminário de Resende, mas, face às restrições de liberdade e à disciplina própria de um ambiente de internato e à imposição de não poder vir a casar, recusou esta possibilidade. Assim tornou-se o braço direito da sua madrinha, analfabeta, mas senhora de posses em campos e gado, na gestão das lides agrícolas. Este período foi uma espécie de tirocínio para a vida de negociante, que abraçaria alguns anos após a tropa e que se prolongou até à reforma, sempre com sucesso.
Após o casamento, que aconteceu aos dezassete anos, foi viver para casa dos avós, na Panchorrinha, de onde a mulher, sua prima direita, também era natural. Entretanto, em 1966, foi para a tropa; primeiro para a Guarda, onde fez a recruta, e depois para Évora, onde tirou a especialidade de atirador. Em janeiro de 1967 foi mobilizado para o norte de Angola (Tamboco, Santo António do Zaire e Ambrizete), tendo regressado em junho de 1969.
Já em Ovadas, ainda se dedicou, durante uns tempos, à orientação do cultivo de uns terrenos, pertencentes aos sogros, e outros adquiridos a um cunhado, então tenente em Angola, que eram amanhados por um caseiro. Nos inícios dos anos oitenta, fez, durante seis meses, uma experiência como emigrante na Alemanha (Hamburgo), onde se encontrava um seu irmão. Após o regresso, começou a negociar em cereais e depois em madeiras (de castanho e cerejeira), cuja atividade durou cerca de vinte anos. A seguir e até à reforma (que aconteceu há cerca de dois anos), dedicou-se ao negócio de compra e venda de antiguidades, cujo bichinho foi passado por um tal Dr. Miranda, natural de Baião, que possuía uma loja em Lisboa dedicada a este tipo de artigos.
Durante este período, alheou-se do cultivo de terrenos de que é proprietário (cerca de 20 hectares, sendo 12 de regadio e 8 de sequeiro), não retirando deles qualquer rendimento, excetuando produtos para consumo caseiro. Atualmente servem de pasto para um rebanho de que um seu compadre é dono.
Entre outras iniciativas de caráter cívico em prol da comunidade, esteve na génese da criação da Comissão de Melhoramentos de Ovadas e da Associação Desportiva e Recreativa Rodense, integrando atualmente os seus órgãos sociais.
Relativamente à vida política, integrou em 1975 a comissão administrativa da Junta de Freguesia de Ovadas. Desde as primeiras eleições autárquicas, em 1976, à exceção de um mandato, integrou sempre a Assembleia de Freguesia. É Presidente da Junta desde 1997, tendo sido eleito em listas do PSD nos três primeiros mandatos e como independente em lista do PS no atual mandato. Vive na Panchorrinha. Não tem filhos.

O que tem feito e pretende fazer na Junta de Ovadas
De entre outras obras e iniciativas, destacamos as seguintes, várias das quais tiveram a colaboração da Câmara Municipal: 1. Ligação da estrada de Rossas a Vila Pouca; 2. Estrada do Penedo; 3. Arruamentos (alargamento, calcetamento em pedra e muros) em Ovadas de Cima; 4. Estrada dos Atoleiros, em Rossas; 5. Abertura da estrada de Ovadas de Cima a S. Pedro; 6. Estrada da Senhora da Penha; 7. Calcetamento do caminho na Tulha, em Ovadas de Baixo; 8. Calcetamento e alargamento da estrada do Pinheiro, em Ovadas de Baixo; 9. Ligação à luz elétrica no cemitério de Ovadas de Baixo, calcetamento à volta do mesmo e colocação de água, que foi oferecida por particulares; 10. Aquisição do respetivo terreno com ampliação do cemitério de Vila Pouca, cujas obras estão em curso; 11. Aquisição do terreno onde decorre a feira do Rodo, que tem lugar no primeiro domingo de maio, cuja iniciativa de criação se lhe fica a dever; e 12. Requalificação do edifício da Junta, com revestimento a pedra, restauro do telhado, construção de garagem e pavimentação exterior.
É de referir que, por iniciativa da Comissão de Melhoramentos de Ovadas, já mencionada, foi disponibilizada água a quem a quis adquirir em Rossas, Granja e Ovadas de Cima. Também foi disponibilizada à Panchorrinha na expectativa de que a Câmara Municipal a adquirisse, o que não aconteceu. Por isso, aqui as pessoas têm água, não havendo qualquer contrapartida para a Comissão de Melhoramentos. Nestas localidades, as populações dispõem de fontanário, tanque e lavadouro.
Até final do mandato irá colocar a sinalética dos nomes das ruas da freguesia com placas em granito.

RESPOSTAS BREVES

1. Onde passou as últimas férias?
Em Nazaré.

2. Compra preferencialmente português?
Sim, tenho essa preocupação.

3. Quais os seus passatempos?
Antes de estar reformado não tinha muito tempo livre. Agora já posso passear à vontade, ver os programas da televisão de que mais gosto ou pesquisar na Net.

4. Qual o momento mais feliz da vida?
A minha vida tem corrido bem, mas de entre todos os momentos felizes assinalo o casamento.

5. E o mais triste?
A morte da minha madrinha, que chamava mãe.

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Os ares destas bandas não permitem ter neuras.

7. Qual o seu prato preferido?
Cozido à portuguesa.

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
É levar água potável a todas as povoações de Ovadas, diria mesmo, do concelho.

9. O que mais admira nos outros?
O sentido da solidariedade e da amizade.

10. O que mais detesta nos outros?
A mesquinhez e o dizer mal de tudo.

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
Nossa Senhora dos Remédios, da Granja, de que sou mordomo.

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Gosto muito da serra de Montemuro.

13. Tem algum objeto que guarda com particular predileção?
Um Cristo em marfim, cujo valor afetivo e artístico para mim não tem preço.

14. De que mais se orgulha?
Do meu percurso pessoal e da obra feita como Presidente da Junta.

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
A ponte da Ermida, a oferta das novas valências e serviços da Santa Casa da Misericórdia e o Centro de Saúde.

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Como não se fez em tempos de vacas gordas, teremos de esperar agora muitos anos.

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Tenho a convicção que irá integrar um futuro governo.

18. Associa a palavra Resende a...?
Cerejas e cavacas.

19. Chegou a levar reguadas na escola?
Apanhei algumas, mas não guardo rancor.

20. Já foi multado por infração ao código da estrada?
Uma vez, por estacionamento.

21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não.

22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Concordo, embora não veja o Estado a dar o exemplo.

23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Penso que há atividades ligadas à agricultura que podem ser exploradas com sucesso no nosso concelho.

24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges e Dr. Brito de Matos.

25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Sim, devido à diminuição das populações.

26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de Ovadas?
Sim. Como lhe disse, olho a agricultura e os negócios ligados aos campos com esperança. Há projetos que os jovens podem agarrar nesta área.

27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Da qualidade do serviço e do design.

*Apontamento de autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, n.º de Fevereiro de 2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ao jantar, no restaurante “Gentleman”, com o Presidente da Junta de Paus, Manuel Chaves*


“Ele é integralmente um gentleman
 Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
Manuel Chaves escolheu polvo à lagareiro; eu escolhi o mesmo prato. Ambas as doses estavam uma delícia, tendo contribuído para uma óptima refeição e uma agradável conversa.

Quem é o Presidente da Junta de Paus
Manuel Pinto de Almeida Chaves, filho de Artur de Almeida Chaves e de Maria Adelaide, nasceu a 14 de Novembro de 1957, em Córdova de Paus. Tem quatro irmãos (um rapaz e três raparigas).
Frequentou a escola de Paredinhas, onde terminou a 4.ª classe. O 6.º ano foi feito no seminário dos Salesianos, em Arouca. Seguidamente, transitou para o colégio salesiano de Mogofores (Anadia), que abandonou após o 7.º ano. Com 14 anos, fez uma experiência de trabalho na Biblioteca Nacional, em Lisboa, onde permaneceu três meses. Após este interregno, matriculou-se no Externato D. Afonso Henriques, onde veio a terminar o antigo 5.º ano, actual 9.º ano. Prestou o serviço militar no Regimento de Infantaria n.º 14, em Viseu, durante 18 meses.
Em 1980, com 23 anos, rumou com destino à Alemanha, onde trabalhou até 1999, data em que regressou ao nosso país. Começou por trabalhar na faina da pesca, designadamente do bacalhau, o que fez com que andasse embarcado pelos mares do norte da Europa, até à Gronelândia, e do norte do Canadá. De 1982 a 1987 trabalhou na marinha mercante alemã, tendo efectuado percursos até países do norte de África e do Golfo Pérsico. De 1987 a 1999, trabalhou numa fábrica de componentes para automóveis.
De regresso a Portugal, tem-se dedicado ao comércio (compra e venda de castanhas e nozes, entre outros produtos) e ao amanho de algumas terras de que é proprietário. Casou em 1993. Tem dois filhos (uma rapariga, de 19 anos, a frequentar o 2.º ano do curso de engenharia de energias, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e um rapaz, de 11 anos, a frequentar o 6.º ano na Escola Básica do 2.º Ciclo de Resende).
Ganhou pelo PS a presidência da Junta nas eleições autárquicas de 2009, até aí detida ininterruptamente pelo PSD. Vive em Córdova de Paus.

O que tem feito e espera fazer na Junta de Paus
 De entre as obras levadas a efeito há a assinalar as seguintes, algumas das quais tiveram a colaboração/parceria da Câmara Municipal: 1) Asfaltagem do caminho de acesso à Cabreira, aonde as viaturas podem agora chegar sem qualquer dificuldade; 2) Fornecimento de água ao domicílio, estabelecimento da rede de saneamento básico e construção de um abrigo na paragem de autocarro, no Vale; 3) Requalificação do caminho de Lura, que liga o Sobrado a Paredinhas, permitindo a circulação de veículos agrícolas; 4) Alargamento do caminho para as Casas Brancas, possibilitando o acesso automóvel a esta localidade; 5) Alargamento do caminho de Pinhel, para a circulação de veículos; 6) Requalificação do salão anexo à sede da Junta, onde em tempos funcionou o Jardim de Infância, que se encontrava muito degradado e em risco de ruir; 7) Requalificação do caminho da Cabreira, que liga esta localidade a Reconcos, para posterior abertura de estrada; note-se que esta obra teve a particularidade de ser feita pelos particulares interessados, tendo a Junta fornecido apenas os materiais; 8) Colocação de um gradeamento no Largo da Senhora do Souto, em S. Pedro do Souto, o que irá permitir evitar possíveis quedas; 9) Alargamento do caminho do Eiró, tendo a Junta fornecido apenas os materiais, ficando o respectivo transporte e mão de obra a cargo dos particulares interessados; 10) Requalificação do caminho do Matinho, onde era impossível circular um tractor, por ter caído um muro de suporte; 11) Construção de degraus com varão de protecção no acesso às Quintães e Eira Velha; 12) Requalificação do caminho da Porteira, no Fornelo, tornando possível a circulação de viaturas ligeiras; 13) E por último, por ser a obra mais prioritária e mais reclamada por toda a população da freguesia, a requalificação em curso do acesso à igreja paroquial, estando prevista nesta infra-estrutura a possibilidade de estacionamento de cerca de 20 viaturas.
A nível de iniciativas, tem organizado os chamados passeios na “Rota das Cerejeira em Flor” em moto 4 e duas rodas, o magusto e a ceia de Natal; aprovou a medida de incentivo à natalidade atribuindo 200 euros por nascimento aos respectivos pais; e procedeu à instalação do sistema Wireless na freguesia para acesso gratuito de todos os interessados à internet. Tem colaborado na festa de S. Pedro e com a paróquia.
A curto prazo, pretende dotar a freguesia de uma casa mortuária. Futuramente, perspectiva, em colaboração com a Câmara Municipal, a construção de um centro comunitário/lar de idosos, cujo terreno já foi adquirido. É também seu propósito requalificar a área adjacente ao moinho junto à ponte de Córdova, construindo aí um parque fluvial e de merendas. E gostaria ainda de equipar a freguesia com um campo/ringue multiusos para a prática de desportos.

Respostas breves
1. Onde passou as últimas férias?
Em Peniche.
2. Compra preferencialmente português?
Sim. Procuro comprar produtos nacionais. Foi uma das coisas que aprendi com os alemães que são muito ciosos nisso.
3. Quais os seus passatempos?
Passear, ler e estar com a família.
4. Qual o momento mais feliz da vida?
O nascimento dos filhos.
5. E o mais triste?
A morte do meu pai.
 6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Vou dar uma volta, passear.
7. Qual o seu prato preferido?
Bacalhau à lagareiro.
8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
As ligações a Bigorne e à A4 (auto-estrada do Porto ao Alto Douro/Trás-os-Montes)
9. O que mais admira nos outros?
A sinceridade.
10. O que mais detesta nos outros?
A cobardia e a intriga.
11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
O Natal, por ser a festa da família.
12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Aregos, Porto de Rei, S. Cristóvão e toda a zona de Montemuro.
13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Não.
14. De que mais se orgulha?
Do meu percurso de vida.
15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
A ponte da Ermida, as piscinas cobertas, o cais de Aregos, o novo Centro de Saúde e, claro, todos os novos centros e equipamentos escolares, entre outras melhorias.
16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Não, mas acredito que ela será feita a médio prazo, pois é essencial para o desenvolvimento do nosso concelho.
17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Seja quais forem as funções que vier a exercer, é minha convicção que irá continuar a lutar e a trabalhar em prol do nosso concelho.
18. Associa a palavra Resende a…?
Cerejas e cavacas.
19. Chegou a levar reguadas na escola?
Levei algumas, mas não guardo rancor aos professores, de quem tenho aliás boas recordações.
20. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Uma vez, por não levar o cinto de segurança.
21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não.
22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Concordo, embora ache que o Estado devia ser o primeiro a dar o exemplo, o que não faz, infelizmente.
23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Acho que a área de turismo e do termalismo tem ainda muitas potencialidades; o interesse dos investidores poderá verificar-se quando passar esta crise.
24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges.
25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Não, pois constituem muitas vezes os únicos elos de ligação e apoio às populações. Admito que a reorganização autárquica possa ocorrer nos centros urbanos, onde esta questão não se coloca.
26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de Paus?
Gostava de ter. No futuro, talvez se consiga trabalho para algumas pessoas no lar para idosos, que se espera venha a ser construído.
27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Da qualidade do serviço, do atendimento personalizado e da decoração.
*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, edição de Janeiro de 2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Artistas nacionais rumam a Miomães*

 Quando há três anos, Rui Carvalho, de 31 anos, natural de S. Cipriano, ficou desempregado da construção civil estava longe de imaginar que do infortúnio ia surgir a felicidade e a realização profissional. Apostado em mudar de vida, rumou à freguesia de Miomães, onde passou a residir, para explorar o “Café Millenium”, no Lugar da Leira Grande, apesar de não ter qualquer tipo de experiência neste ramo de atividade.
Após dois anos de prática, começou a realizar, aos fins de semana, sessões de karaoke, promovido por “Tusa Karaoke”, de forma a atrair pessoas, o que acabou por constituir um sucesso. A rivalidade com o “Café Acha” (entretanto encerrado), a poucos metros de distância, também ajudou na procura de novas iniciativas e de novos entretenimentos. Foi o que aconteceu, em janeiro deste ano, quando surgiu a oportunidade de convidar o António, natural de Baião, da Casa dos Segredos. “Quando aceitou e veio cá foi uma loucura. Juntaram-se aqui mais de um milhar de pessoas para o verem, o que lhe causou admiração por ver tanta gente num café”, recorda Rui Carvalho.
A partir daí, os convites a artistas da TVI nunca mais pararam, o que contribuiu para que nas noites de sábado se assistissem a autênticas romarias a Miomães, de pessoas oriundas do concelho, de Baião e de Cinfães para ver, tocar, ouvir ou dançar com os artistas nacionais da moda. “Os artistas que aqui vêm gostam e dão-nos os contactos dos amigos. O contacto direto com os artistas, sem passar por agências, permite que as condições financeiras sejam para nós acessíveis”, revela Rui Carvalho.
Durante o ano, foram várias as atrações em Miomães: do concurso “Casa dos Segredos” vieram o António, a Susana, a Vera “Veríssima”, o Carlos e a Ana Isabel; da novela “Doce Tentação” a Lara Galvão e da série juvenil “Morangos com Açúcar” a Marta Andrino, o Luís Garcia “Bryan” e a Mafalda Portela “MissyM”. Os seus papéis são simples: sessões fotográficas, autógrafos, cantos e danças. “Alguns perderam-se para chegar cá, mas acabaram sempre por chegar”, graceja Rui Carvalho
O segredo do sucesso destas iniciativas, para além dos próprios artistas, passa por uma boa promoção, através de cartazes espalhados estrategicamente pela região, pela entrada livre, “só paga quem consome”, assim como pela “ajuda dos amigos, quatro ou cinco, que trabalham gratuitamente, possibilitando a realização destes eventos”.
Rui Carvalho promete, apesar da conjuntura económica desfavorável do País, continuar com este tipo de iniciativas, que “dão nome à terra”. “Se não fosse a crise era um bom negócio, assim dá para ir vivendo”, conclui.
*Apontamento da autoria de Paulo Sequeira, publicado no Jornal de Resende, número de Dezembro de 2012

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Entrevista com a Presidente da Assembleia Municipal de Resende, Dra. Teresa Pais Duarte dos Santos*

 “Ele é integralmente um gentleman
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada. Algumas informações úteis encontram-se no site www.o-gentleman
 É um óptimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com a Dra. Maria Teresa Pais Duarte dos Santos.

Percurso de vida pessoal, escolar e profissional
Maria Teresa Pais Duarte dos Santos nasceu a 19 de Março de 1965 em Vildemoinhos, freguesia de S. Salvador, na cidade de Viseu, sendo filha de José Fernando Duarte e de Maria da Conceição Pais Alexandre. Tem dois irmãos.
Com quatro anos, foi com os pais para Moçambique, para região de João Belo, actualmente designada de Xai-Xai, tendo regressado em 1975. Em Viseu, cumpriu a escolaridade do 5.º ao 12.º ano. Seguidamente, veio para Coimbra, onde frequentou o Instituto Superior de Serviço Social, terminando a licenciatura de serviço social em 1988.
Em Março de 1989, ingressou no Centro Distrital da Segurança Social de Viseu, tendo sido colocada em Resende para trabalhar no programa PIPSE (programa interministerial de promoção do sucesso educativo), que localmente envolvia as autarquias e os serviços de vários ministérios.
Em Maio de 1993, transitou para o Instituto de Reinserção Social, Ministério da Justiça, tendo sido colocada no Círculo Judicial de Mirandela. Em Outubro deste mesmo ano, conseguiu transferência para a Equipa Judicial de Lamego, onde desempenhou funções de coordenadora, em regime de substituição, até 30 de Setembro de 2004, e de coordenadora efectiva a partir desta data até Setembro de 2007.
Nesta mesma data, no âmbito da mobilidade interministerial, foi transferida para o Ministério da Segurança Social, para o Centro Distrital da Segurança Social de Viseu, onde desempenhou funções de assessoria aos tribunais em Processos Tutelares Cíveis. Finalmente, em Maio de 2008, foi colocada na Equipa Local da Segurança Social de Resende, onde desempenha funções como Coordenadora do Núcleo Local de Inserção (NLI). Integra a comissão de protecção de crianças e jovens (CPCJ) de Resende
Ao Núcleo Local de Inserção (NLI) de que é coordenadora, e que integra representantes locais dos serviços de Saúde, Segurança Social, Educação, Câmara Municipal e Santa Casa da Misericórdia, compete fazer a gestão processual dos casos de inserção relativos aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção, sendo da sua responsabilidade a elaboração, aprovação e acompanhamento do programa de inserção que cada beneficiário se compromete a cumprir. No apoio à implementação deste programa com cada pessoa ou família existe uma equipa multidisciplinar, constituída por um psicólogo, um assistente social, um educador social e três ajudantes familiares, cujos serviços se encontram contratualizados pela Segurança Social à Santa Casa da Misericórdia de Resende.
Como representante dos serviços da Segurança Social, contacta com as situações de maior vulnerabilidade social (crianças em risco, idosos sozinhos, pessoas com deficiência, desempregados…), procurando intervir através de respostas integradas, envolvendo a autarquia e os serviços da comunidade
Casou em 1993. Tem dois filhos (um rapaz, de 18 anos, que estuda na Academia Militar, e uma rapariga, de 12 anos, que estuda no Externato D. Afonso Henriques). Reside na vila de Resende.

Actividade política
É militante do Partido Socialista. Em 12 de Dezembro de 1993, foi eleita membro da Assembleia Municipal de Resende, órgão que tem integrado desde então, à excepção de um mandato. Nas reuniões deste órgão, assumiu desde o início o papel de líder do grupo socialista. Nas últimas eleições autárquicas foi eleita Presidente da Assembleia Municipal, cujas funções tem exercido com equilíbrio e competência.
Integrou a lista do PS pelo Círculo Eleitoral de Viseu como candidata à Assembleia da República nas eleições legislativas de Outubro de 1995.

Respostas breves
1. Onde passou as últimas férias?
Em Lisboa

2. Compra preferencialmente português?
Faço questão de os produtos alimentares serem portugueses

3. Quais os seus passatempos?
Ler, ver filmes e conversar

4. Qual o momento mais feliz da vida?
A minha vida tem sido uma sequência de acontecimentos felizes tanto a nível pessoal como profissional

5. E o mais triste?
A perda de familiares e amigos

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Procuro a paz de espírito através da oração e da meditação

7. Qual o seu prato preferido?
Cabrito assado

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
Ligação às auto-estradas

9. O que mais admira nos outros?
A expressão/vivência da fé e a dimensão altruísta

10. O que mais detesta nos outros?
O importante é que cada um tenha consciência das suas falhas e as consiga ultrapassar

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
O Natal

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Depende das estações do ano, mas tanto gosto da parte serrana como do vale do Douro

13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Um crucifixo que me foi oferecido pelo Sr. Bispo de Lamego

14. De que mais se orgulha?
Dos filhos, do marido e de toda a família

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
As escolas, o que tem permitido a generalização da qualificação das pessoas, e os equipamentos sociais e culturais

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Não, com esta conjuntura política e económica

17. Já teve alguma vez de interromper uma reunião da Assembleia Municipal para o restabelecimento da ordem na sala?
Não

18. Associa a palavra Resende a..?
Família e casa

19. Já foi multada por infracção ao código da estrada?
Sim, uma vez, por mau estacionamento

20. Guarda boas recordações da escola primária?
Guardo muito boas recordações, tanto dos colegas como dos professores

21. Acha que já foi discriminada negativamente por ser mulher?
Não

22. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Ainda irá haver mais emprego na área do apoio social e há que apostar nas potencialidades da agricultura e no sector do turismo, designadamente nas Caldas de Aregos

23. Na sua opinião, quem mais contribuiu para o desenvolvimento de Resende?
O Eng. António Borges e todos os resendenses que procuraram e procuram dar o seu melhor em prol de Resende

24. Lembra-se de algum membro da Assembleia Municipal ter pedido para usar da palavra em defesa da honra, presumivelmente posta em causa no calor das intervenções?
Não

25. É favorável à imposição de cotas para as mulheres nas listas à Assembleia da República e órgãos autárquicos?
Sim

26. De que mais gostou deste novo Gentleman?
Do atendimento, design e qualidade da comida

*Apontamento de minha autoria, publicado no Jornal de Resende, n.º de Dezembro de 2012

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ao jantar, no restaurante “Gentleman”, com o Presidente da Junta de S. Cipriano, Orlando Sequeira*


Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
Orlando Sequeira escolheu polvo à lagareiro; eu escolhi o mesmo prato. Ambas as doses estavam uma delícia, tendo contribuído para uma ótima refeição e uma agradável conversa.

Quem é o Presidente da Junta de S. Cipriano
Orlando Aires Sequeira nasceu a 11 de dezembro de 1954, em Nogueira, S. Cipriano, sendo filho de Vitorino Sequeira e de Ernestina da Conceição. Tem três irmãos (dois rapazes e uma rapariga), que residem no concelho, à exceção da irmã, que vive em Gaia.
Teve uma infância difícil em que o dinheiro não abundava. Começou a ajudar nos campos e a tomar conta do gado desde tenra idade, pois os pais (felizmente ainda vivos) eram caseiros. Continuou com estas tarefas durante os quatro anos em que frequentou a escola primária, trabalhando antes de ir para as aulas e após o regresso das mesmas. Quanto à alimentação, era muito frugal, baseada fundamentalmente no que a terra dava. Como era o mais velho, muitas vezes teve de dividir com a irmã uma única sardinha. Tendo em conta as dificuldades por que passou, é com orgulho que avalia o seu percurso de vida.
Com treze anos começou a trabalhar na construção civil, cujo patrão era um familiar. Quando perfez dezoito anos, achou que já tinha adquirido conhecimentos suficientes e abalançou-se a trabalhar por conta própria, tornando-se um pequeno empreiteiro. Aos vinte e dois anos, foi para França, onde trabalhou como operário da construção civil durante um ano, na situação de “clandestino”. Algum tempo após o regresso, foi para Gaia, onde ingressou na empresa “Agripan”, na qual esteve cerca de dois anos. Depois, foi para motorista de uma empresa que fazia o transporte de frutas do Algarve para o Porto, tendo nela permanecido um ano. Com vinte e seis anos, mudou-se para a firma distribuidora de bebidas “Costa Pina & Vilaverde”, ficando com a responsabilidade da área de Gaia e Porto.
Entretanto, durante ano e meio, perspetivando o casamento, foi aproveitando os fins de semana que vinha passar a S. Cipriano para aqui fazer uma habitação. Veio a casar em julho de 1982, tinha então vinte e oito anos. Em março desse mesmo ano, tinha conseguido entrar na empresa de transporte de passageiros “Soares & Oliveira”, integrada atualmente na holding “Joalto Transdev”, onde ainda continua como motorista. A mulher ficou à frente do café, que montou no rés do chão da casa, situação que se mantém.
Na senda do pai, que foi músico d’ “A Velha” durante mais de cinquenta anos, entrou para esta banda aos onze anos, que teve de abandonar definitivamente quando ingressou na empresa “Soares & Oliveira”, por incompatibilidade de horários.
Cumpre o segundo mandato como presidente da junta. Anteriormente tinha integrado a assembleia de freguesia durante três mandatos, sempre em listas do PS. Tem dois filhos (uma rapariga e um rapaz).

O que tem feito e espera fazer na Junta de S. Cipriano
Para além do atendimento à população, que é efetuado às quartas-feiras, das 14h00 às 16h00, e do acompanhamento diário ao expediente, tem procurado manter a limpeza dos caminhos públicos, alguns dos quais foram arranjados e alargados, e dado cumprimento a outras competências inerentes às juntas de freguesia, como a conservação e gestão do cemitério.
Relativamente ao edifício da junta, procedeu à pintura dos espaços interiores e dotou-a dos seguintes equipamentos: três computadores, uma fotocopiadora, duas impressoras, disponibilizando serviço Net a quem o desejar.
Foi um dos grandes dinamizadores do conceito e do projeto relativo ao centro cultural, que veio a ser concretizado pela Câmara Municipal, tendo a inauguração tido lugar em 11 de dezembro de 2011.
Contribuiu para a concretização do projeto do centro escolar, pois os terrenos para a respetiva implementação pertenciam à junta de freguesia.
Colaborou na construção da sede da banda de música “A Nova” através da oferta de materiais.
Tem subsidiado as duas bandas de música e os dois grupos de cantares e de folclore da freguesia.
Adquiriu terrenos do monte do Senhor dos Aflitos, com um programa de pagamentos faseado, cuja escritura está prevista para breve, onde com o apoio da Câmara Municipal projeta construir um espaço de estacionamento e um outro de lazer, incluindo um parque de merendas.
Pretende instituir um fim de semana (em princípio, o primeiro fim de semana de dezembro) dedicado à herança cultural das duas bandas de música, ao seu percurso e à memória dos seus antigos músicos, maestros e colaboradores, com a participação ativa de jovens músicos e professores de música, através de um programa que integrará concertos e a exposição de fotografias e de objetos ligados às bandas.

Respostas breves

1. Onde passou as últimas férias?
Nunca tive férias.

2. Compra preferencialmente português?
Sim. E se puder comprar em Resende, não compro em Lamego.

3. Quais os seus passatempos?
São passados a ajudar no café.

4. Qual o momento mais feliz da vida?
O casamento e o nascimento dos filhos.

5. E o mais triste?
Felizmente é-me difícil referir um acontecimento particularmente triste.

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Resguardo-me.

7. Qual o seu prato preferido?
De bacalhau (seja qual for a receita).

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
A estrada 222-2, ligando Resende a Bigorne.

9. O que mais admira nos outros?
A honestidade e a sinceridade.

10. O que mais detesta nos outros?
A falsidade e a hipocrisia.

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
O Natal, por ser a festa da família.

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Não tenho muito tempo para passear.

13. Tem algum objeto que guarda com particular predileção?
Não.

14. De que mais se orgulha?
Dos filhos.

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
A ponte da Ermida, o centro de saúde, os centros comunitários e os centros escolares.

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Não, mas tenho fé que um dia seja concretizada.

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
O que lhe posso dizer é que continuará a ter um papel importante no desenvolvimento do nosso concelho, lutando pelo bem da nossa terra.

18. Associa a palavra Resende a...?
Cerejas, cavacas.

19. Chegou a levar reguadas na escola?
Levei algumas, mas não guardo qualquer rancor aos professores.

20. Já foi multado por infração ao código da estrada?
Sim.

21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não.

22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Concordo, mas o Estado devia primeiro dar o exemplo, zelando melhor pelo que é seu, ou seja, de todos nós.

23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
O ideal seria apostar na indústria, mas é complicado. No entanto, acho que as potencialidades das Caldas de Aregos ainda não se encontram devidamente exploradas.

24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges.

25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Sou contra, sobretudo nos meios rurais, pois a sua concretização compromete seriamente a ligação às populações e conduz à diluição das identidades territoriais e das especificidades culturais.

26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de S. Cipriano?
Mesmo assim admira-me como ainda há tanta gente na freguesia. Os mais novos bem querem cá ficar, mas reconheço que as coisas estão complicadas.

27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Da simpatia, do atendimento, da qualidade da comida e da decoração.

*Apontamento de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, número de Novembro de 2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Ao jantar, no restaurante “Gentleman”, com o Presidente da Junta de Barrô, Francisco Tuna*

 Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
Francisco Tuna escolheu polvo à lagareiro; eu escolhi o mesmo prato. Ambas as doses estavam uma delícia, tendo contribuído para uma ótima refeição e uma agradável conversa.

Quem é o Presidente da Junta de Barrô
Francisco da Silva Pereira Tuna nasceu a 19 de junho de 1954, em Valonguinho, Barrô, sendo filho de António Pereira Tuna e de Berta da Silva Almeida. Tem cinco irmãos (dois rapazes e três raparigas), dos quais quatro residem no concelho.
Frequentou a escola de Vilar, numa sala com poucas condições por cima de uma adega, onde completou a 4.ª classe. Após o respetivo exame de admissão, deu entrada no Seminário de Godim/Régua, da Congregação dos Missionários Espiritanos, onde fez o antigo 2.º ano. Transitou seguidamente para o Seminário de Fraião/Braga, que abandonou no fim do ano letivo, por não ter vocação para o sacerdócio. A fim de poder continuar os estudos, rumou para casa de uma tia a residir no Porto, o que lhe permitiu frequentar o Colégio de Gaia, onde fez os antigos 5.º e 7.º anos, correspondentes aos atuais 9.º e 12.º anos.
Com o diploma do ensino secundário, mas sem perspetivas de trabalho, retornou a Barrô, para casa dos pais, onde permaneceu três anos. Refira-se que, devido ao fim das guerras coloniais, não cumpriu serviço militar.
Após este período, encontrou trabalho no Porto, tendo entrado para os escritórios da empresa “JJ Gonçalves”, concessionária da Austin, onde permaneceu quatro anos.
Seguidamente, e com vinte e sete anos, ingressou nos quadros da dependência de Resende do Banco Fonsecas & Burnay, onde trabalhou dezasseis anos. A sua saída deveu-se à diminuição dos recursos humanos, motivada pela informatização da banca. Foi então convidado para prestar serviço noutras dependências, bastante distantes de Resende, o que não lhe agradou. Pediu por isso a passagem à reforma, o que foi aceite pelo banco.
Desde então, ou seja desde 1997, dedica-se à agricultura em terras que herdou e em outras que comprou. Nunca se arrependeu de ter tomado esta opção, pela liberdade e independência que o campo dá, cuja vivência experimentou desde pequeno, já que os seus pais foram caseiros e pequenos proprietários agrícolas.
Desde há muitos anos que mantém uma atividade cívica, acompanhando iniciativas de cariz comunitário, designadamente as corporizadas pela Associação Recreativa e Cultural de Barrô, cujos corpos sociais integrou durante cerca de trinta anos, e pelo Rancho Folclórico de Santa Maria de Barrô, de cuja direção fez parte durante três mandatos.
Integrou a Assembleia de Freguesia durante vários anos. Como Presidente da Junta cumpre atualmente o terceiro mandato.
É casado, tem dois filhos e vive na freguesia de Barrô.

O que tem feito na Junta de Barrô
Do que mais se orgulha é da cobertura da rede de abastecimento de água e de saneamento, que beneficia mais de 80% da população residente em Barrô, o que só foi possível com o grande empenhamento do atual Presidente da Câmara.
Arranjou diversos caminhos públicos e vicinais, alguns dos quais alcatroou ou revestiu com betonilha. Tem procedido à limpeza dos mesmos. À exceção de Coroinha, todas as aldeias têm acesso a viaturas.
Fez obras na zona envolvente da sede da Junta. Procedeu à pintura do interior do edifício e adquiriu diverso mobiliário, um computador, um aparelho de fax e uma fotocopiadora.
Colocou água no cemitério, ampliou a rede elétrica do mesmo e arranjou o acesso às campas.
Apoiou várias obras da responsabilidade da paróquia, designadamente levadas a efeito na igreja, capelas e salão. Tem promovido uma semana cultural por altura das festas de Santa Maria de Barrô, constituindo uma oportunidade para dar a conhecer a cultura local e valorizar a criatividade das suas gentes. Em parceria com a paróquia, tem apoiado a ceia de Natal e o passeio anual dos idosos.
À exceção do ano passado, tem organizado um magusto para a população.
O atendimento é feito às segundas-feiras, quintas-feiras e sábados Para quem o deseje, a junta disponibiliza serviço de internet.

Respostas breves

1. Onde passou as últimas férias?
No ano passado não tirei férias.

2. Compra preferencialmente português?
Sim; faço questão nisso.

3. Quais os seus passatempos?
Passear, ler e pescar.

4. Qual o momento mais feliz da vida?
O casamento e o nascimento dos filhos.

5. E o mais triste?
A morte dos pais.

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Tento esquecer, indo até ao campo ou à pesca.

7. Qual o seu prato preferido?
Embora seja um bom garfo e goste de muitos pratos, elejo o cozido à portuguesa e a feijoada.

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
A ligação à variante de acesso à A4 e a estrada de Resende a Bigorne.

9. O que mais admira nos outros?
A honestidade e a sinceridade.

10. O que mais detesta nos outros?
A falsidade.

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
O Natal.

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Não me canso de passear por terras de Barrô.

13. Tem algum objeto que guarda com particular predileção?
Um relógio do meu pai.

14. De que mais se orgulha?
Dos filhos e da forma como procurei educá-los.

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
A ponte da Ermida, os Centros Escolares e a realização da festa da cereja, que deu a conhecer o nome de Resende. Esta foi uma aposta do atual Presidente da Câmara que merece aplausos.

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Não será seguramente para breve.

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Provavelmente irá dedicar-se ao exercício profissional como engenheiro.

18. Associa a palavra Resende a...?
Cerejas e cavacas.

19. Chegou a levar reguadas na escola?
Sim. Levei algumas. Na altura, ficava um pouco revoltado. Hoje até reconheço que algumas eram merecidas.

20. Já foi multado por infração ao código da estrada?
Sim; fui multado duas ou três vezes.

21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não.

22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Custa-me a concordar, pois o Estado é o primeiro a prevaricar.

23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Acho que se devem explorar as potencialidades de Caldas de Aregos. Também me parece que, com planeamento e organização, há setores da agricultura que podem ser rentabilizados.

24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges.

25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Não. As freguesias comportam uma identidade que tem de ser preservada. A poupança com o encerramento não compensa, pois é uma gota no oceano.

26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de Barrô?
Como já disse, as possibilidades relacionadas com o campo e a agricultura não se encontram esgotadas.

27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Do ambiente, da comida e da decoração.

*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, número de Outubro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Dois investidores estrangeiros dão novo fôlego à histórica Quinta de Covela/Baião


 VINHOS QUE DEIXARAM SAUDADES ENTRE OS ENÓFILOS RENASCEM ESTE ANO

O sonho e a paixão voltaram à Quinta de Covela. Acreditando na qualidade e potencial dos vinhos portugueses, dois investidores estrangeiros deixaram-se render pela beleza da propriedade - e pela qualidade dos vinhos Covela.
A Quinta de Covela, debruçada sobre o rio Douro nas terras graníticas do Entre-Douro-e-Minho, está a viver um novo fôlego, alimentado pela paixão de dois investidores estrangeiros: o brasileiro Marcelo Lima e o inglês Tony Smith. Em Julho de 2011, os dois amigos compraram a quinta por cerca de 3 milhões de euros. Agora, um ano mais tarde, e depois de uma série de investimentos, os novos proprietários já fizeram a primeira vindima. E a expectativa em relação à qualidade dos vinhos é elevada.
É o renascimento de uma das mais bonitas quintas de Entre-Douro-e-Minho. Voltada para o rio Douro, Covela situa-se na transição entre o granito minhoto e o xisto do território duriense. Localizada num anfiteatro exposto a sul, na margem direita do rio, a propriedade estende-se ao longo de 34 hectares, povoados de vinhas (14 hectares), bosques mediterrânicos, hortas e pomares murados. Dispõe também de três modernas moradias, adega, duas casas de quinta e diversas ruínas, nas quais se incluem a fachada da antiga casa solarenga da propriedade, do século XVI, e uma capela dedicada a Santa Quitéria. Os novos proprietários pretendem estudar o legado histórico existente e transformar as velhas ruínas num centro de receção e visitas.
A atual Quinta de Covela resultou da junção de duas propriedades: a original, que pertenceu à família da mulher do cineasta Manoel de Oliveira, e a Quinta dos Casaínhos, adquirida pelo realizador no final dos anos 30 para juntar ao dote da futura esposa, Maria Isabel Brandão Carvalhais. A casa onde o casal Oliveira passava temporadas tem uma das mais formidáveis vistas sobre toda a quinta. Com um jardim romântico contíguo, todo o sítio vai agora ser objeto de uma intervenção que lhe devolverá o caráter e beleza originais. Nos anos 50 do século passado, Manoel de Oliveira redesenhou e mandou reabilitar o edifício onde hoje funciona a adega e também as duas casas da propriedade que lhe são contíguas.
No final dos anos 80, a quinta foi vendida ao empresário Nuno Araújo. Em 2006, após uma aposta inicial na vinha e nos vinhos - que foram ganhando uma crescente notoriedade nacional e internacional -, o empresário avançou com um grande investimento imobiliário na quinta, aproveitando a sua fantástica localização. O projeto previa a construção de 12 moradias de luxo destinadas ao mercado britânico. Nuno Araújo ainda conseguiu construir três moradias, mas o eclodir da crise financeira ditou o fim do projeto.
Em 2010, quando passava um fim de semana no hotel Fasano, no Rio de Janeiro, Marcelo Lima conheceu por acaso dois empresários portugueses que o informaram que a Covela iria a leilão. Esse encontro acabou por mudar o rumo desta quinta e juntar Lima e Smith numa grande aventura.
Lima é economista e acionista do grupo brasileiro Artesia, com interesses em várias áreas, desde a refrigeração comercial (possui a Metalfrio, a segunda maior empresa do mundo no ramo), ao vestuário (marcas Le Lis Blanc, Bo-Bô e Johnjohn) e à banca (C1 Bank na Florida, EUA), faturando anualmente cerca de 2,2 mil milhões de reais. Lima é também fazendeiro, com propriedades no Estado de Minas Gerais. Smith é jornalista, com ligações a Portugal desde 1988. Trabalhou vários anos em Portugal como correspondente e editor e depois seguiu para o Brasil. Conheceu Lima em 2000, quando era correspondente do New York Times, em São Paulo.
Os dois eram enófilos e gostavam muito de Portugal. “Quando bebíamos um copo juntos, na brincadeira sempre dizíamos: um dia havemos de fazer vinho juntos”, recorda Tony Smith. Entre 2006 e 2010, os dois amigos visitaram várias propriedades à venda em Portugal, desde o Alentejo ao Douro, em busca de uma onde pudessem concretizar esse sonho. Até que surgiu a hipótese da Covela. Smith, representante da editora Condé Nast no Brasil, regressou a Portugal e gere in loco a quinta.

Covela reforça aposta na qualidade dos vinhos

No último ano, os novos proprietários readmitiram a antiga equipa de colaboradores e as obras de recuperação têm dinamizado o mercado local de serviços. Entregaram novamente a responsabilidade pelos vinhos ao enólogo Rui Cunha, que estava envolvido no projeto Covela desde o início, renovaram a adega, recuperaram vinhas, muros e armazéns. A recuperação das vinhas está a ser feita de acordo com os princípios da agricultura orgânica. A revolução em curso na Covela não fica por aqui: os novos proprietários plantaram também hortas e mais árvores de fruto, reconstruíram um antigo moinho de água e estão a recuperar represas e aquedutos de pedra concebidos por Manoel de Oliveira.
Nos vinhos, os planos passam por reforçar a presença das castas nacionais como o Avesso e o Arinto. A produção dos tintos e dos rosés que a quinta já comercializava irá manter-se, mas a ideia é ir aumentando a quota de brancos, respeitando o estilo e o caráter que tornaram famosos os vinhos de Covela. Vinhos secos de forte personalidade e cheios de frescura. Em 2008, o jornalista e crítico britânico Jamie Goode, autor do conceituado blogue de vinhos Wineanorak, elegeu o Covela Grande Escolha tinto 2005 como um dos 50 melhores vinhos portugueses. “Para nós, este é um ano piloto, mas toda a equipa esta trabalhando para produzir os vinhos de elevada qualidade de sempre”, conclui Smith. O sonho e paixão voltaram à Quinta de Covela.

Mais informações:

Celeste Pereira – celestepereira@greengrape.pt - Tlm. 939312449

Carina Silva – carinasilva@greengrape.pt - Tlm. 936825649

Greengrape – Rua Fundo do Povo, n.º 6 – 5000-051 Vila Real

www.greengrape.pt
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