quarta-feira, 12 de junho de 2013

Projeto Comenius em meeting na Finlândia*



 De 13 a 17 de maio de 2013, um grupo de três professores e três alunos da Escola Secundária Dom Egas Moniz, de Resende, participou no 2.º Encontro do Projeto Comenius Living near the water, aspects of life, realizado na cidade de Lappeenranta, na Finlândia, no âmbito do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida da Agência Nacional PROALV. 

O primeiro dia de meeting iniciou-se com as boas-vindas por parte do diretor anfitrião, com a apresentação do programa para a semana por parte do coordenador local e com visitas às instalações da escola. De seguida, os professores reuniram-se para proceder à avaliação das atividades realizadas com os alunos após o meeting anterior, em Salerno, na Itália, enquanto os alunos faziam uma caminhada pelas redondezas da escola. Ao fim da tarde, foi organizada uma visita guiada, para professores e alunos, ao centro da cidade, seguida de uma atividade de remo. 
No segundo dia, da parte da manhã, ocorreram as apresentações relativas ao ecotour e entrevistas a emigrantes realizados pelos alunos em cada um dos países participantes. A parte de tarde foi dedicada a uma visita guiada à Universidade de Tecnologia de Lappeenranta, onde houve também lugar ao encontro com alguns estudantes universitários de países estrangeiros. Enquanto os alunos retornavam à escola de acolhimento, os professores das diversas delegações tiveram ainda uma reunião para discutir as atividades que deverão ser apresentadas no próximo meeting, em Guadalupe. 
O terceiro dia foi integralmente dedicado a uma excursão ao Castelo de Savonlinna, ao Museu da Floresta – em Lusto – e à maior igreja de madeira do mundo – em Kerimaki. Ao final da tarde, houve ainda oportunidade para os professores experimentarem a sauna finlandesa, seguida de um mergulho num lago, com a água a 8 centigrados. 
No quarto dia, da parte da manhã, ocorreu uma visita à fábrica de papel UPS Kaukas, a que se seguiu nova reunião de professores para acertarem pormenores do 3.º meeting do projeto. Ao mesmo tempo, os alunos realizavam entrevistas a imigrantes. À tarde, as diversas delegações foram brindadas com apresentações musicais de alunos da escola de acolhimento. À noite, os professores puderam assistir a um concerto de jovens solistas do Instituto de Música de Lappeenranta. 
No último dia, durante a manhã, professores e alunos jogaram basebol finlandês. Seguiu-se uma última reunião de professores para avaliação das atividades realizadas durante a semana. Em simultâneo, os alunos preparavam, em trabalho de grupo, as apresentações que lhes haviam sido distribuídas no primeiro dia de meeting, centradas nas atividades realizadas durante a semana. Após o almoço, os professores deslocaram-se ao Media Centre do Departamento de Educação da cidade, onde tiveram algumas horas de formação sobre o uso de tablets a nível escolar. Ao final da tarde, todas as delegações se dirigiram para a ilha Asinsaari, onde os alunos tiveram também oportunidade de experimentar a sauna finlandesa e os mergulhos em água muito fria. Seguiu-se o jantar e momentos de confraternização entre todas a delegações. Ao final do dia, os professores locais convidaram os visitantes a cozerem o seu próprio pão numa fogueira junto à água. Professores e alunos enrolaram então a massa de farinha em estacas e durante dez minutos cozeram cada um o seu alimento. Seguiram-se as despedidas entre as várias delegações, com as habituais lágrimas de saudade entre muitos dos alunos. 
Os próximos meetings irão ser realizados na Alemanha, em Guadalupe e na Suécia.
*Dionísio Ferreira, Coordenador do Projeto Comenius

Notas: 1 – O conteúdo desta notícia compromete apenas o seu autor, não sendo Agência Nacional e a Comissão Europeia responsáveis pela utilização que possa ser feita das informações nela contidas. 
2 – Este projeto da União Europeia, de parcerias Multilaterais Comenius foi financiado pela referida Agência Nacional Proalv com o montante de 22.000 euros.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Perfil do Dr. Adriano Pereira, advogado*


Ele é integralmente um gentleman
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por  Manuel Pedro Gomes, de  decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas,  massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
É um óptimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com o Dr. Adriano Pereira

Dados da vida pessoal e familiar
O Dr. Adriano José Fernandes Pereira nasceu a 17 de Maio de 1964 em Sais de Cima, Resende, onde residiu com os pais até 12 de Dezembro de 1992, data em que casou e passou a residir,  até hoje,  em S. Pedro do Sul. É filho de Bento Pereira, ainda vivo, e de Maria de Lurdes, já falecida.
O pai   granjeou ,  como caseiro, durante mais de 60 anos,  a quinta do Sais de Cima, pertencente ao Eng. Vítor Brandão, já falecido, residente na Foz/Porto. A mãe dedicou-se à educação dos 10 filhos e ao trabalho de casa.
É casado com Maria Laura Casais de Almeida, professora de latim, língua e literatura portuguesa, de quem tem três filhos (dois filhos e uma filha), que frequentam,  respectivamente,  o 3.º ciclo, secundário e a universidade.

Percurso escolar e formação complementar
Frequentou a escola primária da vila de Resende, onde concluiu a então 4.ª classe,  em 1975. Nesse mesmo ano,  matriculou-se no Externato D. Afonso Henriques, nas instalações bastante exíguas existentes no lugar de Massas,  tendo por isso  a turma,  onde estava integrado,  passado a ter aulas no seminário de Resende,  para onde se deslocavam   os respectivos professores.  No ano lectivo de 1976/1977, já a frequentar o 6.º ano, transitou para a então Escola Preparatória, cujo edifício tinha sido recentemente inaugurado, e onde viria a concluir o 9.º ano.
No ano lectivo de 1980/1981 matriculou-se no 10.º ano no Externato D. Afonso Henriques, passando a frequentar as  novas instalações junto à igreja paroquial. Convém referir que as aulas  se iniciaram  em regime de grande incerteza, pois não havia   qualquer autorização de funcionamento do Ministério da Educação, o que só veio a acontecer  vários meses mais tarde. O  10.º ano arrancou com duas turmas (uma da área de ciências,  com 4 ou 5 alunos, e outra da área de humanísticos, com cerca de 15 alunos). Veio a terminar o 12.º ano com 14,60.
Concluído o secundário, em 1983, candidatou-se às Faculdades de Direito das Universidades de Coimbra e Clássica de Lisboa, não tendo entrado  por uma questão de uma décima.
Em Outubro de 1983 candidatou-se a uma vaga num concurso para o quadro de pessoal da Câmara Municipal de Resende,  tendo, após realização de prova escrita e entrevista,   sido classificado em primeiro lugar. Começou por exercer funções administrativas relacionadas com processos (petições, contestações e outros requerimentos) que o então Presidente da Câmara, Dr. Albino Brito de Matos, patrocinava,  em representação da Câmara,  junto das auditorias administrativas, hoje tribunais administrativos.
No ano seguinte, ou seja, em 1984, voltou a candidatar-se à universidade, tendo sido colocado no curso de Direito da Universidade de Coimbra. A conselho de várias pessoas, designadamente de três ilustres advogados, Teixeira Pinto, Aires Borges e Brito de Matos,  que o irão influenciar indelevelmente no seu percurso profissional,  optou por conciliar o trabalho na Câmara, em Resende,  e o estudo de direito, na Universidade de Coimbra. Com a colaboração da Sociedade Filantrópica-Académica (instituição que exerce funções de procuradoria junto dos estudantes), onde se inscreveu, que lhe enviava os sumários das aulas e outras informações, e sobretudo com muita persistência e organização, concluiu a licenciatura. Logo após a sua obtenção, pediu licença sem vencimento de longa duração, abandonando o lugar na Câmara Municipal de Resende.
Para além da licenciatura em direito, convém realçar a formação complementar de que é portador.  Em 1997  veio a obter, após a frequência de dois semestres,  a pós-graduação em “Direito do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente” pela Faculdade de Direito da UC. Em 2009, pela mesma Faculdade,  terminou com sucesso o curso de especialização em Contratação Pública.

Percurso profissional
Estagiou em Coimbra e S. Pedro do Sul, estando inscrito na Ordem dos Advogados desde Outubro de 1993, com  escritório em S. Pedro do Sul a partir dessa data. Como era bastante solicitado por amigos e conhecidos de Resende para os patrocinar, decidiu também abrir escritório nesta vila.
Sentindo-se vocacionado para o ramo de Direito Público, começou por se dedicar ao contencioso administrativo, patrocinando causas em que uma das partes é o Estado e/ou as Autarquias Locais. Rapidamente começou a ser conhecido, sendo procurado por clientes de diversos pontos do país.
A sua relação com Resende voltou a intensificar-se, agora como advogado.  O Professor Pinto (Manuel Figueiredo Pinto Pereira), então a substituir o Dr. Albino Brito de Matos, que sofrera um acidente de viação, sentiu necessidade  de o consultar com frequência, na qualidade   de amigo e ex-funcionário, em várias questões jurídicas. De regresso à presidência da Câmara, o Dr. Brito de Matos,  foi confrontado com a recusa do visto do Tribunal de Contas no contrato de empreitada da construção da Ponte da Ermida, cujo concurso fora objecto de publicidade internacional (e,  nesta sequência,  aberto a construtores de qualquer país da União Europeia), com fundamento no não cumprimento do prazo para apresentação das propostas. Como estava em causa a perda dos fundos comunitários aprovados para a execução da obra, o Dr. Brito de Matos pediu ao amigo e advogado,  Dr. Adriano Pereira,  aconselhamento jurídico sobre como reagir à negação do visto do Tribunal de Contas. Minutou então o recurso para o pleno do Tribunal de Contas, que em novo acórdão revogou a anterior decisão e concedeu o visto. A importância desta intervenção foi realçada pelo Dr. Brito de Matos no seu livro “A Ponte da Ermida”.
Entretanto, como a Câmara não tinha no seu quadro de pessoal  nenhum jurista, o Dr. Brito de Matos propôs-lhe,  por essa altura, um contrato de avença anual para prestar consulta jurídica e o patrocínio judiciário, cuja necessidade era sentida,  designadamente no âmbito de questões relacionadas com a aplicação e interpretação das normas do plano director municipal (PDM) e do novíssimo regime jurídico de licenciamento de obras e loteamentos,  que entrou em vigor em 1992. Estas funções voltaram a ser-lhe confiadas pelo actual Presidente da Câmara, Eng. António Borges.
E é durante os três mandatos deste, como presidente,  que o Município de Resende se confronta com um grande aumento de litígios em tribunal e com uma necessidade de aconselhamento jurídico permanente, fruto da nova forma de exercer o poder, dos resultados da inspecção ordinária aos serviços administrativos e de licenciamento de obras e loteamentos, o que dá origem a muitos processos no tribunal administrativo. A acção do Dr. Adriano Pereira também foi imprescindível  no acompanhamento e aconselhamento do município na celebração do contrato e protocolo com a empresa eólica de S. Cristovão, cujas contrapartidas ultrapassaram mais de 3,5 milhões de euros, desde a rectificação e beneficiação da estrada que liga a vila de Resende à Ponte de Cavalar, limite do concelho, à participação no capital social da sociedade proprietária do parque,  e cujo valor viria a ser, mais tarde, destinado ao pagamento da aquisição dos imóveis e da concessão das  Termas de Caldas de Aregos.    
Mas é o conflito entre o Município e a concessionária das Caldas de Aregos, que dá origem a dezenas de processos judiciais, que mais trabalho vai dar ao advogado da Câmara, Dr. Adriano Pereira, desde o embargo das obras de melhoramento e beneficiação da Capela de Aregos, requerido pela concessionária logo no primeiro mês de mandato do Eng. António Borges, até ao processo crime movido por aquela concessionária ao próprio advogado da Câmara, que há-de ser arquivado, no próprio dia do julgamento e antes deste se iniciar, por Despacho do Juiz, tal era a falta de fundamento da acusação particular, só porque teve a ousadia de deduzir um incidente de suspensão contra os peritos do tribunal por uma avaliação escandalosa feita no âmbito da expropriação dos terrenos necessários à marina de Caldas de Aregos e que o juiz viria a anular.
Como advogado, ao patrocinar o Município de Resende, os seus órgãos e os titulares deste, para além do dever de patrocínio, sempre o acompanhou a obrigação de servir todos os resendenses.
Para além de advogado convém referir que, durante 5 anos lectivos consecutivos, foi professor convidado do Instituto Piaget de Viseu, onde leccionou as cadeiras de “Administração Pública” e de “Economia e Política Ambiental”.

Nota: Como é do conhecimento público, ao Dr. Adriano Pereira foi atribuída recentemente a Medalha de Ouro de Mérito do Município de Resende,  “pelas qualidades humanas, profissionais e intelectuais, bem como o seu contributo para a actividade e afirmação, com assinalável qualidade dos serviços prestados, ao Município de Resende”.
*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, edição de Abril de 2013. 
A partir de uma conversa que decorreu ao longo de um almoço no restaurante Gentleman.

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Dr. Jaime Bernardino Alves apresentou candidatura à Câmara Municipal de Resende

No passado sábado, dia 18 de maio de 2013, pelas 16 horas, decorreu no auditório municipal de Resende a apresentação da candidatura de Jaime Alves às autárquicas de 2013, numa coligação PSD/CDS. Neste evento estiveram presentes Hélder Amaral, deputado e presidente da comissão política distrital do CDS-PP de Viseu, Mota Faria, presidente da comissão política distrital do PSD de Viseu, e o convidado especial da apresentação, António Almeida Henriques, anterior secretário de estado adjunto da economia e do desenvolvimento regional.
Hélder Amaral iniciou a apresentação referindo Resende como “um concelho tão rico, cuja história de Portugal passa aqui pelas ruas, quer no mosteiro de S. Martinho, quer em Cárquere… onde D. Afonso Henriques brincava por aqui. Uma terra que tem uma história tão rica na história da nação… porque é que Resende não marca no contexto nacional mais ainda a sua pujança e a sua dinâmica? Tudo o que precisam está cá. O essencial é que Resende tem gente magnífica, o seu principal ativo, paisagem, património e história magníficos. O futuro de Resende é um futuro risonho, com esperança e que eventualmente não vai deixar ninguém indiferente. E este futuro precisa da liderança, e Resende tem algo que não se encontra em outros concelhos do país, porque não é muito fácil encontrar jovens com qualidade, com vontade, que procurando fazer tudo que fazem por si próprios e o Jaime é um homem ambicioso, não esquece aquilo que pode fazer pelos outros. E por isso feliz é a terra que tem um jovem com esta dimensão, com esta dinâmica e com esta vontade.”
Mota Faria diz que “Jaime é uma pessoa profundamente humanista, uma pessoa discreta. É uma pessoa que tem uma sensibilidade social muito enraizada e é talvez aquilo que consideramos o novo autarca. Um autarca que de certeza tem um projeto agregador. Ele quer fazer um projeto com as pessoas, ele quer fazer um município que seja um município facilitador, e não um município com sentimos muitas vezes em Resende, como um município que tudo quer controlar. Que tudo quer controlar em termos do movimento associativo, em termos das pessoas, muitas vezes ultrapassando aquilo que é a noção de que todos temos de gestão dos dinheiros.” Quanto ao desenvolvimento, o presidente da comissão política distrital do PSD de Viseu refere que “vê-se muito investimento em Resende. Nós vemos que houve aqui obra, não vamos esconder. Nós sentimos que alguns equipamentos podem ser um ou outro questionáveis, mas o que deu isso às pessoas em termos de desenvolvimento? Há aqui qualquer coisa que falha em Resende, falha na fixação de pessoas, falhas muitas vezes respostas a algumas necessidades. Parece que há tudo, mas falta tudo.”
“Porque é que se investe tanto dinheiro, porque é que ao longo dos últimos ciclos comunitários se investiu tanto dinheiro em obra, designadamente neste concelho onde muitas estruturas foram feitas, e porquê as pessoas continuam a sair? A resposta talvez seja simples, é que não houve capacidade para criar valor, não houve capacidade para criar riqueza, não houve capacidade para fixar as pessoas. A generalidade dos autarcas, o autarca de Resende, não sendo exceção, esqueceu-se de uma coisa, é preciso dedicar-se mais tempo ao desenvolvimento da atividade económica. E esta é uma das maiores valias que a candidatura do Jaime Alves pode trazer ao concelho.” – afirma António Almeida Henriques
Jaime Alves responde a quem surpreendeu a sua candidatura “com uma declaração de amor genuíno à minha terra e à minha gente. E respondo ainda com a formação e experiência de trabalho de mais de 20 anos. Ao contrário do que vejo na candidatura socialista não sou nem um estrangeirado, nem um produto importado, imposto de cima para baixo, por alguém  para perpetuar o sistema do poder. E convenhamos a cópia é pior que a original. Respondo ainda com um compromisso de progresso e um programa de desenvolvimento real para o nosso concelho. Um compromisso alicerçado na riqueza da terra e no valor das pessoas. Comigo Resende terá um líder e nunca um xerife.”
A candidatura de Jaime Alves passa por 7 compromissos:
1.         Um programa de fomento e assistência empresarial a que chamaremos de Resende Empreende – será um programa de desenvolvimento económico apostado na assistência às empresas, no apoio e acesso a financiamento comunitário, na atração de pequenos e médios investimentos e no empreendedorismo local.
2.         A certificação da cereja e uma estratégia de valorização de produtos locais.
3.         Um compromisso político nacional para a concretização das estradas nacionais 222-2 e 321-2, absolutamente indispensável ao fim do isolamento territorial de Resende, a norte e a sul.
4.         Um programa de reabilitação urbana e económica de Caldas de Aregos.
5.         Uma política municipal de inclusão social, de promoção de um enriquecimento ativo e apoio escolar.
6.         Uma aposta na revitalização turística e termal do concelho e no desenvolvimento da sua oferta de turismo náutico, histórico e de natureza.
7.         Uma estratégia de captação de fundos comunitários para financiar este programa de desenvolvimento do concelho entre 2014 e 2017.
*Rafael Barbosa

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Moleiros recuperam tradição do jogo do pião*


O Grupo de Danças e Cantares “Os Moleiros” de Cárquere realizou um “Convívio”, pelo terceiro ano consecutivo, no passado dia 17 de março, com o objetivo de recuperar e reativar os jogos tradicionais da cavilha e, sobretudo, do pião.
Compareceram à iniciativa, que decorreu na antiga escola primária de Passos, sede da Associação, cerca de duas centenas de pessoas, provenientes da região, que não quiseram perder a oportunidade de recordar memórias e tradições de um tempo não muito distante. Uma oportunidade, também, de convívio social, numa época em que os brinquedos tecnológicos substituíram os jogos tradicionais. “Muita da gente que saiu da escola a jogar o pião só agora, com estas iniciativas, o volta a fazer, regressando às suas origens”, refere Alberto Pinto, Presidente da Direção dos Moleiros.
Se a maioria das pessoas veio para assistir à iniciativa, outros prepararam-se para uma competição saudável, que estimula o desenvolvimento de habilidades variadas, como a capacidade de concentração, a coordenação motora, a agilidade dos reflexos e a criatividade.
O torneio oficial, à volta da escola, com prémios simbólicos, começou. Compreende-se, desde logo, porque este é um jogo de rapazes. Para além da habilidade e perícia, é necessário muita pontaria e, sobretudo, força… “– É à malhão!”, ouve-se repetidamente, em contraponto com o “saca baraça”, de quem prefere lançar o pião de uma forma mais lúdica.
Os participantes envolvem o pião a partir do ferrão com uma baraça apertada, metida no dedo médio, seguram-no na mão, com o bico voltado para cima, e lançam-no ao chão com um forte impulso, tentando acertar e fazer mossa nos que já lá estão. Depois é pegar o pião de “funil”, de “tesoura” ou à “machado”, pondo-o a girar na palma da mão, recordando um gesto simples que animou e entreteve gerações.
Os grandes vencedores deste ano foram Arnaldo José Pinto Portela e José Pinto Lourenço, que conseguiram uma volta à escola sem irem à forca, acertando consecutivamente nos piões adversários, sem que os seus deixassem de girar.
O jogo terminou, depois de uma tarde de convívio são e da partilha de muitas histórias divertidas. Os piões são religiosamente guardados para novas contendas, fazendo jus à letra da música tradicional: “Eu tenho um pião, um pião que dança / Eu tenho um pião, bem na minha mão / Gira que gira o meu pião / Mas não to dou, nem por um tostão”.
Para combater o cansaço que começa a invadir participantes e espetadores, a organização ofereceu uma refastelada feijoada, ficando no ar a promessa de um novo convívio, para o próximo ano.

O artista dos piões
Jorge Costa, de 50 anos, residente no lugar de Tulhas, é o artista dos piões. Das suas mãos surgem todo o tipo de miniaturas em madeira, como moinhos, canastros e, claro, os famosos piões, feitos nos tempos livres, uma vez que é funcionário na Câmara Municipal de Resende.
Desde a infância que dar vida aos piões não tem segredos para Jorge Costa. “Na escola, já fazia piões. No monte da P’reira, aqui perto, desprendia as trepas dos pinheiros, de preferência com nós, para que o pião fosse mais resistente às canicadas. Depois, em casa, com a ajuda de uma foicinha, pois as facas eram escassas, modelava-os. Metia-se um prego e já estava”, descreve.
Hoje, as condições de “fabrico” são outras. Construído num torno, o pião é de madeira rija, de lodo ou cerejeira, redondo na parte superior, afunilado para baixo, terminando no “ferrão”, de ferro, preparado antecipadamente. “O segredo está na forma como se mete o ferrão, o mais direito possível, para o pião andar bianço, direitinho… Os piões escravinhotos e chincharos, que saltam muito, são mal feitos…”, relata à medida que gira a madeira, no torno, dando-lhe vida e forma. Para fazer girar o pião é indispensável o seu acessório, a baraça de lã, de várias cores, que se enrola à sua volta.
A construção de um pião, com o material já devidamente preparado, pode durar cerca de uma hora. No final, surgem pequenos objetos a rondar os 10 cm por 6,5 cm de diâmetro.
“Ainda há pouco tempo, vendi 25 para França”, conclui o artesão.

Memórias perdidas no tempo
Manuel Lourenço, de 77 anos, residente na Arrifana, é o decano da companhia e um dos mais ativo e participativos no jogo e nas memórias de um passado que lhe deixou saudades.
“Cada jogo tinha a sua época: o do pião era na Quaresma”, recorda. Os rapazes reuniam-se nos intervalos das aulas ou aos domingos à tarde para jogar ao canico, à forca ou ao sovelo”, recorda. Um dos jogos mais conhecidos consistia em traçar no chão um círculo, para dentro do qual os jogadores lançavam os piões. Quando um não saísse do traçado, ficava prisioneiro, suportando os efeitos dos golpes desferidos pelos piões dos outros jogadores até que, obrigado pelas pancadas, acabava por sair do círculo.
Quando se conseguia, de um golpe, rachar ao meio o pião do adversário era uma “algazarra” que, não raras vezes, era seguida de uma “cena de pancadaria” entre os intervenientes.
Outras vezes, dada a violência do arremesso, aconteciam os acidentes: uma “cabeça partida, um sobrolho aberto”… Algumas das maleitas eram feitas pelos piões mais pequenos, as piascas ou bilrinhas, pequenos em dimensão mas muito “perigosos e certeiros”, diz Manuel Loureiro. Qualquer um deles eram muito estimados, porque “quem ficasse sem pião teria muita dificuldade em arranjar outro…”, lembra.
Outros tempos em que se desmanchavam as velhas camisolas para fazer as baraças. “Uma vez, por volta dos 10 anos de idade, roubei um casaco à minha mãe para fazer uma. O pior foi quando ela descobriu que já não tinha casaco…”, conta.
*Texto da autoria de Paulo Sequeira, publicado no Jornal de Resende, edição de Abril de 2013. Foto da Foto Ideal 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Entrevista com António Fonseca, Juiz da Irmandade de S. Francisco Xavier*


“Ele é integralmente um gentleman
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada. Algumas informações úteis encontram-se no site www.o-gentleman.pt.
É um ótimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com António Fonseca.

Percurso de vida pessoal
António Fonseca nasceu a 18 de fevereiro de 1955, no lugar da Fonte da Portela, em S. Martinho de Mouros, sendo filho de José da Fonseca (conhecido por Zé Vintém) e de Maria José Almeida. É o mais novo de dez irmãos, dos quais restam apenas três vivos. Cinco morreram ainda bebés, um faleceu com 4 anos e um outro morreu de acidente aos 28 anos.
Assume sem complexos as suas origens humildes, referindo que os seus pais eram muito pobres, tendo nascido e vivido até aos 18 anos numa casa que mais parecia uma barraca. O pai granjeava um campo arrendado e ganhava o dia fora. A mãe, além de cuidar dos filhos e da lida da casa, ajudava na lavoura e costurava para os vizinhos, muitas vezes pela noite dentro à luz de uma candeia de petróleo.
Terminada a escola primária, que concluiu em 4 anos no Barracão, face ao seu aspeto franzino não compatível com o trabalho duro dos campos, o seu pai ainda pensou encaminhá-lo para o Seminário, diligenciando para isso junto de um padre amigo, mas tal desiderato não se veio a concretizar. Pensando que a aprendizagem de uma arte se adequava melhor à sua compleição física, a sua mãe pediu a um carpinteiro vizinho que lhe ensinasse a arte, o que aconteceu. A partir dos 18 anos, foi para casa da Sra. Balbina, onde pôde aperfeiçoar a aprendizagem junto do filho, Manuel Esteves, que era um grande mestre na arte da carpintaria.
Cumpriu o serviço militar em Beja, onde fez a recruta; em Elvas, onde tirou a especialidade de clarim; e por fim, em Évora, onde passou à disponibilidade.
Em 1978 emigrou para a Suíça, começando a trabalhar como carpinteiro na construção civil em Genebra. Casou em 28 de fevereiro de 1981, tendo a mulher ido viver com ele nesta cidade. Entretanto, como a casa era pequena, mudaram-se para Lausanne, onde residia o seu grande amigo Padre Murias de Queirós, responsável pela Missão Católica Portuguesa, que lhe arranjou casa e trabalho nesta cidade.
Em 1991, o casal regressou a Portugal com o filho então com 9 anos, fixando-se na vila de S. Martinho de Mouros, onde continua a residir.

Intervenção cultural, musical e política
A música está-lhe no sangue. Desde pequeno que mostrou apetência pela aprendizagem de instrumentos musicais. Em 1976, integrou como fundador/ guitarrista o grupo “Pele e Osso”. Já em Genebra, contactou a missão católica, que o levou a conhecer uma freira Doroteia, a irmã Ana, de nacionalidade suíça, que tinha trabalhado 40 anos em Portugal, e que era responsável pelo grupo coral, a qual o convidou a integrar o mesmo grupo. Afirmou-se, desde a primeira hora, como um dos seus elementos mais dinâmicos na qualidade de guitarrista. Passou também a colaborar na formação musical dos jovens que frequentavam a missão católica, com aulas de viola, cuja experiência e gosto se mantiveram pela vida fora, o que explica que ainda atualmente continue a ensinar os mais novos a tocar instrumentos musicais. Encantada com o seu jeito em lidar com as pessoas, a referida freira achou que tinha competências para ir mais longe, pelo que se ofereceu para lhe ministrar aulas de solfejo e francês, o que aceitou. Mais tarde, tornou-se o responsável pelos grupos corais da igreja em Lausanne, Morges e Yverdon. De regresso a Portugal, tornou-se o dinamizador do grupo coral da Capela do Senhor do Calvário.
No âmbito das atividades da Irmandade de S. Francisco Xavier, criou a escola Musijovem, destinada a estimular e desenvolver a aprendizagem de instrumentos musicais junto das crianças e jovens, beneficiando de uma parceria com a Câmara Municipal. Em 1995, criou o grupo de bombos “BomMouros”, que se mantém. Organizou, durante 10 anos, o Festival da Canção do Concelho de Resende, que foi substituído entretanto pela Grande Noite do Fado. Ainda no âmbito desta instituição, fundou o jornal Ventos da Mogueira de que foi diretor até junho de 2011.
Quando regressou da Suíça, integrou o grupo musical “Banda Douro”. A título gratuito, continua a ensinar a tocar instrumentos musicais, designadamente cavaquinho, viola e órgão. Com alguns destes alunos, criou o grupo de música popular “TomVintém e Amigos”, que continua a animar festas e eventos. É ainda guitarrista/fundador do grupo “Douro Fado”. Integrou como tocador o Rancho Folclórico de Paus.
Foi durante 4 anos, de 1997 a 2001, deputado na Assembleia Municipal de Resende. De 2001 a 2005, no primeiro mandato do Eng. António Borges, foi vereador pela oposição, o que lhe permitiu rechear a sua agenda de contactos, que lhe seriam úteis para a concretização das obras do Lar da Irmandade de S. Francisco Xavier. A propósito, no que se refere à vida política futura, já tomou a decisão de não se candidatar nas próximas eleições autárquicas.

Obreiro do Lar da Irmandade de S. Francisco Xavier
Praticamente confinada ao cumprimento de ações do foro espiritual, e às vezes nem isso, a Irmandade de S. Francisco Xavier recebeu uma reviravolta decisiva com a eleição de António Fonseca como Juiz da Mesa Administrativa, em 4 de abril de 1993. Logo após a tomada de posse, procurou fazer com que se cumprissem os estatutos, designadamente no concernente a atos de sufrágio por irmãos falecidos, missas por intenção de irmãos vivos e à assumpção de responsabilidades pelas obras da Capela do Senhor do Calvário e da residência do Capelão. Na altura, com este património em deterioração acelerada e até em ruínas, não havia um cêntimo nos cofres da Irmandade. Imediatamente deitou mãos à obra para angariação de fundos, aproveitando o cantar das Janeiras e lançando outras iniciativas. Com este dinheiro e, posteriormente, com o recurso a fundos comunitários, procedeu a diversas obras de restauro na Capela do Senhor do Calvário e adros e na Casa do Capelão.
António Fonseca nunca pensou nem sonhou em construir um Lar. A ideia só surgiu, porque foi contactado pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Resende a comunicar-lhe a intenção de uma oferta de cem mil contos por parte de um senhor, que se destinaria à construção de uma extensão do Lar em S. Martinho de Mouros. Verificada a impossibilidade de concretização deste projeto, visto que a Santa Casa não era possuidora de quaisquer terrenos para o efeito, dirigiu o convite à Irmandade, aconselhando o dito senhor a falar com António Fonseca, o que nunca aconteceu. Nem a oferta chegou. Mas a ideia nasceu. É de referir também que o incentivo e a disponibilidade manifestada por parte do então pároco de S. Martinho de Mouros, Padre Alberto Ferreira, para contribuir financeiramente para a construção de um lar de idosos também contribuíram para o nascimento do projeto. Mas o dinheiro também nunca apareceu.
Entretanto, para os conformar com a realidade dos tempos atuais, os estatutos foram reformulados, neles se prevendo a criação de um lar de idosos, apoio domiciliário e um centro de dia, entre outras atividades/valências. Com a aprovação dos mesmos em 2000, a Irmandade goza desde então de personalidade jurídica canónica e civil, beneficiando do estatuto de IPSS. Já detentora deste estatuto, foi efetuada uma diligência junto da Segurança Social para uma parceria a contemplar um lar de idosos, tendo a resposta sido positiva. Contudo, a promessa de cem mil contos nunca se concretizou, tendo o sonho sido colocado na gaveta.
Entretanto, António Fonseca foi informado da viabilidade de apresentar uma candidatura à valência de apoio domiciliário, já que podia funcionar na Casa do Senhor do Calvário, bastando equipá-la com uma cozinha e uma lavandaria. A candidatura veio aprovada, mas tornou-se necessário fazer vários peditórios para arranjar dinheiro para estes equipamentos. A 1 de julho de 2002 foi assinado o respetivo contrato para esta valência, que funciona agora noutras instalações.
A oportunidade de construção do tão ansiado Lar chegou com o programa PARES a que se candidatou, tendo sido necessário para isso apresentar um projeto completo, que custou 45 mil euros, que foi totalmente custeado pela Irmandade. Após muitas deslocações e diligências junto da Segurança Social, da Câmara Municipal e da Santa Casa da Misericórdia, chegou finalmente o dia do lançamento da 1.ª pedra, que ocorreu a 19 de outubro de 2008. A inauguração oficial teve lugar no dia 28 de abril de 2012, embora já se encontrasse em funcionamento desde 30 de julho de 2011.
O custo total deste empreendimento atingiu o montante de 1.513.000€, tendo tido a comparticipado da Segurança Social no valor de 656.290€, e a contribuição da Câmara Municipal de Resende no montante de 340.000€, proveniente do somatório de  um subsídio em dinheiro no valor de 150.000€, da assumpção da fiscalização da obra no valor de 80.000€ e despesas dos arranjos exteriores orçamentadas em 110.000€. Como até à altura da inauguração a Irmandade tinha conseguido angariar 100.000€, a dívida junto da Caixa Geral de Depósitos era então de 320.000€.
A instituição criou 33 postos de trabalho, que permitem dar resposta aos 30 utentes do lar de idosos, aos 47 do serviço de apoio domiciliário e aos 10 do centro de dia.

Nota pessoal: Nunca é de mais realçar a vida devotada de António Fonseca às pessoas mais frágeis e desfavorecidas do nosso concelho. Um exemplo de solidariedade e de voluntariado. Lamentavelmente, por falta de espaço, muita coisa ficou por mencionar.
*Artigo da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, edição de Março de 2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Entrevista com o Presidente da Junta de Ovadas, Isidro Pereira*


Quem é o Presidente da Junta de Ovadas
Isidro Pereira nasceu a 3 de outubro de 1945 na Panchorrinha, sendo filho de Manuel Pereira e de Lauriana Pereira, tendo a mãe falecido quando tinha dezoito meses. Tem uma irmã, que vive em Rossas, e quatro meios-irmãos (dois rapazes e duas raparigas) do segundo casamento do pai. Foi criado com uma tia e madrinha, irmã do avô paterno, que residia em Mareares, a quem sempre chamou mãe, e que faleceu em 1976.
Frequentou a escola da Granja, onde terminou a 4.ª classe. Em 2009, no âmbito do programa “Novas Oportunidades”, obteve o diploma do 9.º ano.
Finda a escola primária, a madrinha muito insistiu para que fosse estudar para o seminário de Resende, mas, face às restrições de liberdade e à disciplina própria de um ambiente de internato e à imposição de não poder vir a casar, recusou esta possibilidade. Assim tornou-se o braço direito da sua madrinha, analfabeta, mas senhora de posses em campos e gado, na gestão das lides agrícolas. Este período foi uma espécie de tirocínio para a vida de negociante, que abraçaria alguns anos após a tropa e que se prolongou até à reforma, sempre com sucesso.
Após o casamento, que aconteceu aos dezassete anos, foi viver para casa dos avós, na Panchorrinha, de onde a mulher, sua prima direita, também era natural. Entretanto, em 1966, foi para a tropa; primeiro para a Guarda, onde fez a recruta, e depois para Évora, onde tirou a especialidade de atirador. Em janeiro de 1967 foi mobilizado para o norte de Angola (Tamboco, Santo António do Zaire e Ambrizete), tendo regressado em junho de 1969.
Já em Ovadas, ainda se dedicou, durante uns tempos, à orientação do cultivo de uns terrenos, pertencentes aos sogros, e outros adquiridos a um cunhado, então tenente em Angola, que eram amanhados por um caseiro. Nos inícios dos anos oitenta, fez, durante seis meses, uma experiência como emigrante na Alemanha (Hamburgo), onde se encontrava um seu irmão. Após o regresso, começou a negociar em cereais e depois em madeiras (de castanho e cerejeira), cuja atividade durou cerca de vinte anos. A seguir e até à reforma (que aconteceu há cerca de dois anos), dedicou-se ao negócio de compra e venda de antiguidades, cujo bichinho foi passado por um tal Dr. Miranda, natural de Baião, que possuía uma loja em Lisboa dedicada a este tipo de artigos.
Durante este período, alheou-se do cultivo de terrenos de que é proprietário (cerca de 20 hectares, sendo 12 de regadio e 8 de sequeiro), não retirando deles qualquer rendimento, excetuando produtos para consumo caseiro. Atualmente servem de pasto para um rebanho de que um seu compadre é dono.
Entre outras iniciativas de caráter cívico em prol da comunidade, esteve na génese da criação da Comissão de Melhoramentos de Ovadas e da Associação Desportiva e Recreativa Rodense, integrando atualmente os seus órgãos sociais.
Relativamente à vida política, integrou em 1975 a comissão administrativa da Junta de Freguesia de Ovadas. Desde as primeiras eleições autárquicas, em 1976, à exceção de um mandato, integrou sempre a Assembleia de Freguesia. É Presidente da Junta desde 1997, tendo sido eleito em listas do PSD nos três primeiros mandatos e como independente em lista do PS no atual mandato. Vive na Panchorrinha. Não tem filhos.

O que tem feito e pretende fazer na Junta de Ovadas
De entre outras obras e iniciativas, destacamos as seguintes, várias das quais tiveram a colaboração da Câmara Municipal: 1. Ligação da estrada de Rossas a Vila Pouca; 2. Estrada do Penedo; 3. Arruamentos (alargamento, calcetamento em pedra e muros) em Ovadas de Cima; 4. Estrada dos Atoleiros, em Rossas; 5. Abertura da estrada de Ovadas de Cima a S. Pedro; 6. Estrada da Senhora da Penha; 7. Calcetamento do caminho na Tulha, em Ovadas de Baixo; 8. Calcetamento e alargamento da estrada do Pinheiro, em Ovadas de Baixo; 9. Ligação à luz elétrica no cemitério de Ovadas de Baixo, calcetamento à volta do mesmo e colocação de água, que foi oferecida por particulares; 10. Aquisição do respetivo terreno com ampliação do cemitério de Vila Pouca, cujas obras estão em curso; 11. Aquisição do terreno onde decorre a feira do Rodo, que tem lugar no primeiro domingo de maio, cuja iniciativa de criação se lhe fica a dever; e 12. Requalificação do edifício da Junta, com revestimento a pedra, restauro do telhado, construção de garagem e pavimentação exterior.
É de referir que, por iniciativa da Comissão de Melhoramentos de Ovadas, já mencionada, foi disponibilizada água a quem a quis adquirir em Rossas, Granja e Ovadas de Cima. Também foi disponibilizada à Panchorrinha na expectativa de que a Câmara Municipal a adquirisse, o que não aconteceu. Por isso, aqui as pessoas têm água, não havendo qualquer contrapartida para a Comissão de Melhoramentos. Nestas localidades, as populações dispõem de fontanário, tanque e lavadouro.
Até final do mandato irá colocar a sinalética dos nomes das ruas da freguesia com placas em granito.

RESPOSTAS BREVES

1. Onde passou as últimas férias?
Em Nazaré.

2. Compra preferencialmente português?
Sim, tenho essa preocupação.

3. Quais os seus passatempos?
Antes de estar reformado não tinha muito tempo livre. Agora já posso passear à vontade, ver os programas da televisão de que mais gosto ou pesquisar na Net.

4. Qual o momento mais feliz da vida?
A minha vida tem corrido bem, mas de entre todos os momentos felizes assinalo o casamento.

5. E o mais triste?
A morte da minha madrinha, que chamava mãe.

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Os ares destas bandas não permitem ter neuras.

7. Qual o seu prato preferido?
Cozido à portuguesa.

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
É levar água potável a todas as povoações de Ovadas, diria mesmo, do concelho.

9. O que mais admira nos outros?
O sentido da solidariedade e da amizade.

10. O que mais detesta nos outros?
A mesquinhez e o dizer mal de tudo.

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
Nossa Senhora dos Remédios, da Granja, de que sou mordomo.

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Gosto muito da serra de Montemuro.

13. Tem algum objeto que guarda com particular predileção?
Um Cristo em marfim, cujo valor afetivo e artístico para mim não tem preço.

14. De que mais se orgulha?
Do meu percurso pessoal e da obra feita como Presidente da Junta.

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
A ponte da Ermida, a oferta das novas valências e serviços da Santa Casa da Misericórdia e o Centro de Saúde.

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Como não se fez em tempos de vacas gordas, teremos de esperar agora muitos anos.

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Tenho a convicção que irá integrar um futuro governo.

18. Associa a palavra Resende a...?
Cerejas e cavacas.

19. Chegou a levar reguadas na escola?
Apanhei algumas, mas não guardo rancor.

20. Já foi multado por infração ao código da estrada?
Uma vez, por estacionamento.

21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não.

22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Concordo, embora não veja o Estado a dar o exemplo.

23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Penso que há atividades ligadas à agricultura que podem ser exploradas com sucesso no nosso concelho.

24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges e Dr. Brito de Matos.

25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Sim, devido à diminuição das populações.

26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de Ovadas?
Sim. Como lhe disse, olho a agricultura e os negócios ligados aos campos com esperança. Há projetos que os jovens podem agarrar nesta área.

27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Da qualidade do serviço e do design.

*Apontamento de autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, n.º de Fevereiro de 2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ao jantar, no restaurante “Gentleman”, com o Presidente da Junta de Paus, Manuel Chaves*


“Ele é integralmente um gentleman
 Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
Manuel Chaves escolheu polvo à lagareiro; eu escolhi o mesmo prato. Ambas as doses estavam uma delícia, tendo contribuído para uma óptima refeição e uma agradável conversa.

Quem é o Presidente da Junta de Paus
Manuel Pinto de Almeida Chaves, filho de Artur de Almeida Chaves e de Maria Adelaide, nasceu a 14 de Novembro de 1957, em Córdova de Paus. Tem quatro irmãos (um rapaz e três raparigas).
Frequentou a escola de Paredinhas, onde terminou a 4.ª classe. O 6.º ano foi feito no seminário dos Salesianos, em Arouca. Seguidamente, transitou para o colégio salesiano de Mogofores (Anadia), que abandonou após o 7.º ano. Com 14 anos, fez uma experiência de trabalho na Biblioteca Nacional, em Lisboa, onde permaneceu três meses. Após este interregno, matriculou-se no Externato D. Afonso Henriques, onde veio a terminar o antigo 5.º ano, actual 9.º ano. Prestou o serviço militar no Regimento de Infantaria n.º 14, em Viseu, durante 18 meses.
Em 1980, com 23 anos, rumou com destino à Alemanha, onde trabalhou até 1999, data em que regressou ao nosso país. Começou por trabalhar na faina da pesca, designadamente do bacalhau, o que fez com que andasse embarcado pelos mares do norte da Europa, até à Gronelândia, e do norte do Canadá. De 1982 a 1987 trabalhou na marinha mercante alemã, tendo efectuado percursos até países do norte de África e do Golfo Pérsico. De 1987 a 1999, trabalhou numa fábrica de componentes para automóveis.
De regresso a Portugal, tem-se dedicado ao comércio (compra e venda de castanhas e nozes, entre outros produtos) e ao amanho de algumas terras de que é proprietário. Casou em 1993. Tem dois filhos (uma rapariga, de 19 anos, a frequentar o 2.º ano do curso de engenharia de energias, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e um rapaz, de 11 anos, a frequentar o 6.º ano na Escola Básica do 2.º Ciclo de Resende).
Ganhou pelo PS a presidência da Junta nas eleições autárquicas de 2009, até aí detida ininterruptamente pelo PSD. Vive em Córdova de Paus.

O que tem feito e espera fazer na Junta de Paus
 De entre as obras levadas a efeito há a assinalar as seguintes, algumas das quais tiveram a colaboração/parceria da Câmara Municipal: 1) Asfaltagem do caminho de acesso à Cabreira, aonde as viaturas podem agora chegar sem qualquer dificuldade; 2) Fornecimento de água ao domicílio, estabelecimento da rede de saneamento básico e construção de um abrigo na paragem de autocarro, no Vale; 3) Requalificação do caminho de Lura, que liga o Sobrado a Paredinhas, permitindo a circulação de veículos agrícolas; 4) Alargamento do caminho para as Casas Brancas, possibilitando o acesso automóvel a esta localidade; 5) Alargamento do caminho de Pinhel, para a circulação de veículos; 6) Requalificação do salão anexo à sede da Junta, onde em tempos funcionou o Jardim de Infância, que se encontrava muito degradado e em risco de ruir; 7) Requalificação do caminho da Cabreira, que liga esta localidade a Reconcos, para posterior abertura de estrada; note-se que esta obra teve a particularidade de ser feita pelos particulares interessados, tendo a Junta fornecido apenas os materiais; 8) Colocação de um gradeamento no Largo da Senhora do Souto, em S. Pedro do Souto, o que irá permitir evitar possíveis quedas; 9) Alargamento do caminho do Eiró, tendo a Junta fornecido apenas os materiais, ficando o respectivo transporte e mão de obra a cargo dos particulares interessados; 10) Requalificação do caminho do Matinho, onde era impossível circular um tractor, por ter caído um muro de suporte; 11) Construção de degraus com varão de protecção no acesso às Quintães e Eira Velha; 12) Requalificação do caminho da Porteira, no Fornelo, tornando possível a circulação de viaturas ligeiras; 13) E por último, por ser a obra mais prioritária e mais reclamada por toda a população da freguesia, a requalificação em curso do acesso à igreja paroquial, estando prevista nesta infra-estrutura a possibilidade de estacionamento de cerca de 20 viaturas.
A nível de iniciativas, tem organizado os chamados passeios na “Rota das Cerejeira em Flor” em moto 4 e duas rodas, o magusto e a ceia de Natal; aprovou a medida de incentivo à natalidade atribuindo 200 euros por nascimento aos respectivos pais; e procedeu à instalação do sistema Wireless na freguesia para acesso gratuito de todos os interessados à internet. Tem colaborado na festa de S. Pedro e com a paróquia.
A curto prazo, pretende dotar a freguesia de uma casa mortuária. Futuramente, perspectiva, em colaboração com a Câmara Municipal, a construção de um centro comunitário/lar de idosos, cujo terreno já foi adquirido. É também seu propósito requalificar a área adjacente ao moinho junto à ponte de Córdova, construindo aí um parque fluvial e de merendas. E gostaria ainda de equipar a freguesia com um campo/ringue multiusos para a prática de desportos.

Respostas breves
1. Onde passou as últimas férias?
Em Peniche.
2. Compra preferencialmente português?
Sim. Procuro comprar produtos nacionais. Foi uma das coisas que aprendi com os alemães que são muito ciosos nisso.
3. Quais os seus passatempos?
Passear, ler e estar com a família.
4. Qual o momento mais feliz da vida?
O nascimento dos filhos.
5. E o mais triste?
A morte do meu pai.
 6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Vou dar uma volta, passear.
7. Qual o seu prato preferido?
Bacalhau à lagareiro.
8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
As ligações a Bigorne e à A4 (auto-estrada do Porto ao Alto Douro/Trás-os-Montes)
9. O que mais admira nos outros?
A sinceridade.
10. O que mais detesta nos outros?
A cobardia e a intriga.
11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
O Natal, por ser a festa da família.
12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Aregos, Porto de Rei, S. Cristóvão e toda a zona de Montemuro.
13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Não.
14. De que mais se orgulha?
Do meu percurso de vida.
15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
A ponte da Ermida, as piscinas cobertas, o cais de Aregos, o novo Centro de Saúde e, claro, todos os novos centros e equipamentos escolares, entre outras melhorias.
16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Não, mas acredito que ela será feita a médio prazo, pois é essencial para o desenvolvimento do nosso concelho.
17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Seja quais forem as funções que vier a exercer, é minha convicção que irá continuar a lutar e a trabalhar em prol do nosso concelho.
18. Associa a palavra Resende a…?
Cerejas e cavacas.
19. Chegou a levar reguadas na escola?
Levei algumas, mas não guardo rancor aos professores, de quem tenho aliás boas recordações.
20. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Uma vez, por não levar o cinto de segurança.
21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não.
22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Concordo, embora ache que o Estado devia ser o primeiro a dar o exemplo, o que não faz, infelizmente.
23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Acho que a área de turismo e do termalismo tem ainda muitas potencialidades; o interesse dos investidores poderá verificar-se quando passar esta crise.
24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges.
25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Não, pois constituem muitas vezes os únicos elos de ligação e apoio às populações. Admito que a reorganização autárquica possa ocorrer nos centros urbanos, onde esta questão não se coloca.
26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de Paus?
Gostava de ter. No futuro, talvez se consiga trabalho para algumas pessoas no lar para idosos, que se espera venha a ser construído.
27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Da qualidade do serviço, do atendimento personalizado e da decoração.
*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, edição de Janeiro de 2013
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