segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Percurso pessoal e profissional do barbeiro Sílvio Alípio Pinto*


Da escola para o ofício de barbeiro
Sílvio Alípio Pinto, filho de Américo Pinto e de Angelina Jesus, nasceu em Mirão a 30 de setembro de 1937. É o mais velho de cinco irmãos (quatro rapazes e uma rapariga). Frequentou a antiga escola primária de Resende, cujo edifício já foi sede da Câmara Municipal, da Associação dos Bombeiros Voluntários e da GNR. Terminada a 4.ª classe, deu entrada no Seminário de Resende, do qual teve de desistir no final do 1.º ano, a meio dos exames, por dificuldades económicas. O seu pai não tinha condições de pagar a mensalidade de cem escudos. 
Como bom aluno que foi, se continuasse a estudar, Sílvio Pinto poderia ser hoje um brilhante homem das letras ou das ciências, mas o destino encaminhou-o para outro rumo, para um percurso profissional nas artes de bem escanhoar e bem cortar e pentear cabelos, onde atingiu um patamar que prestigia a classe. Como era costume na altura, como filho mais velho, seguiu as pisadas do pai. Sílvio Pinto tornou-se assim aprendiz de barbeiro, com apenas 11 anos, no Salão Avenida, tendo como mestre o pai. 
Combinando as qualidades de flexibilidade, coordenação, segurança e equilíbrio no manuseio das tesoura e das navalhas com a noção do bom gosto e do sentido da estética e também com a sua proverbial simpatia, Sílvio Alípio Pinto tornou-se um dos mais conceituados barbeiros/cabeleireiros do concelho. Não admira por isso que haja muitos clientes que, forçados a trabalhar e a residir fora, sempre que vão a Resende não deixam de ainda hoje o visitar e pedir os seus préstimos para cortar e pentear o cabelo. Nas suas deslocações às redondezas e ao Porto, é abordado e cumprimentado com carinho por muitas pessoas, que foram seus clientes ou antigos aprendizes da arte.
Vive na vila de Resende. É casado. Tem um filho e duas netas.

Percurso profissional
Sílvio Alípio Pinto é herdeiro de uma nobre linhagem de barbeiros/cabeleireiros, com cerca de 150 anos, que se iniciou com o Sr. Ribeiro. A continuidade foi dada pelo Sr. António Pimenta com quem Arménio Pinto, pai de Sílvio Pinto, aprendeu e trabalhou. A barbearia começou por estar sedeada na garagem da Farmácia Avenida, tendo-se mudado depois para as instalações onde agora funciona a papelaria Lina & Couto e, por fim, para o local atual. Embora seja conhecida por barbearia do Sr. Sílvio, denomina-se “Salão Avenida”, que foi adquirida por trespasse ao Sr. Pimenta por Arménio Pinto, pai do atual proprietário, Sílvio Pinto.
A aprendizagem era feita por observação, sendo a prática efetuada com “a matéria prima” dos profissionais ou aprendizes da casa. Isto é, os futuros barbeiros e cabeleireiros praticavam a arte fazendo a barba e cortando o cabelo aos mestres e colegas de ofício. Foi assim a aprendizagem de Sílvio Pinto, cujo mestre foi o pai, como já foi acima referido.
Ainda muito jovem, com menos de 15 anos, já bastante seguro profissionalmente, começou a atender os primeiros clientes de forma autónoma. O grande tirocínio foi-lhe dado nas andanças pelas muitas localidades do concelho, onde prestava serviço ao domicílio. Sobretudo, no fim de semana, de maleta na mão, deslocava-se à residência dos clientes, onde, num terraço, alpendre, junto à soleira ou no interior das casas, conforme o tempo, fazia as barbas e cortava os cabelos, que poderia abranger, neste caso, toda a família, incluindo os elementos do sexo feminino. Ainda se recorda dos preços então praticados: 15 tostões por barba e cabelo; 7,5 tostões por um corte de barba ou 7,5 tostões por um corte de cabelo. Muitas vezes, o ajuste era feito ao mês, cujo preço variava de acordo com o número de cortes de barba semanais e cortes de cabelo mensais. Os caseiros e pequenos lavradores preferiam pagar normalmente em espécie, designadamente em alqueires de milho.
Um dos maiores clientes era o Seminário de Resende, ao qual destinava todas as quintas-feiras para o corte de cabelo dos seminaristas. Pelo manejo das suas navalhas e tesouras passaram quase todos os padres do concelho, médicos, autoridades concelhias, advogados, grandes e pequenos lavradores, ou seja gente de todas classes, do mais rico e culto ao mais pobre e analfabeto. Uns mais assiduamente; outros só em dias de feira.
Por morte do pai em 1960, por afogamento no rio Douro, quando o mesmo tinha apenas 48 anos, Sílvio Pinto, então com 22 anos, teve de tomar conta da barbearia. Refira-se, a propósito, que este acidente abalou então o concelho, tendo envolvido a morte de mais quatro pessoas. Tudo aconteceu num fim de tarde fatídico em que várias pessoas que regressavam da festa de Santa Eufémia, após a saída no apeadeiro de Mirão, vindas da Régua, apanharam um barco de pesca para a passagem para a outra margem, e que a certa altura começou a meter água. Como o pai do Sr. Sílvio, Américo Pinto, sabia nadar bem, num gesto de grande coragem, deitou-se à água para diminuir o peso. Impensadamente, quatro pessoas seguiram-lhe o exemplo, mas como não sabiam nadar agarraram-se a Américo Pinto, que embora tudo fazendo para os salvar, foi vítima do descontrole então gerado, vindo todos a morrer nesta tragédia. Sílvio Pinto, também regressado de Santa Eufémia, tinha apanhado a barca do serviço de travessia regular, não lhe tendo acontecido nada.
Da sua longa carreira profissional orgulha-se de ter ensinado a arte a cerca de 250 jovens. Como nota curiosa, nas provas do curso para diretor técnico de cabeleireiro, tirado no Porto, em que é diplomado, alguns dos avaliadores tinham sido seus alunos.
Sílvio Pinto, além de fazer barbas e cortar cabelos, juntamente com os seus dois colegas, continua a desempenhar um papel social inestimável. O Salão Avenida é um local onde muitos aproveitam para se encontrar e trocar notícias locais (doenças, acidentes, furtos, regresso de emigrantes, andamento de obras…). É o paradeiro obrigatório para integrar e atualizar resendenses de visita ao concelho. O autor destas linhas é disso testemunha. Após cortar o cabelo, sente-se como se aqui sempre tivesse vivido.
 
Outras facetas e artes de Sílvio Pinto
As freiras que então prestavam serviço de enfermagem no hospital da Santa Casa da Misericórdia de Resende não podiam de lá sair. Tornava-se necessário encontrar alguém com apetência e que se dispusesse a dar injeções, deslocando-se às respetivas residências. Face à vivência familiar onde se cultivava o espírito de entreajuda e às suas características pessoais de responder a desafios, Sílvio Pinto mostrou-se disponível para fazer face a esta necessidade, que se fazia sentir na vila e nas aldeias vizinhas. A aprendizagem foi feita com o Dr. Eurico Esteves, médico no hospital da Misericórdia e delegado de saúde. Desde a juventude até há relativamente poucos anos, Sílvio Pinto foi o cuidador que respondeu às necessidades de centenas de pessoas em situações de doença e fragilidade, deslocando-se às suas casas para dar injeções e distribuir palavras de conforto e incentivo.
Esta competência na aplicação de injeções estendeu-se ao gado, quando estava com a “malina”. Meio brincar, Sílvio Pinto refere que foi o primeiro enfermeiro ambulante e o primeiro veterinário do concelho.
É um homem multifacetado. Também revelou ter “poderes especiais” na deteção de água. Deveria ter à volta de 20 anos quando, após ver o Sr. Padre Esteves, atual pároco de S. João de Fontoura, a caminhar com uma vara dobrada em forma de V, a qual repentinamente se começou a torcer perante aquilo que dizia ser um veio de água, também quis experimentar. A experiência foi um sucesso. A força na vara, agarrada nas extremidades por cada uma das mãos, foi tanta, que parecia ir desmaiar, segundo as suas palavras. O Padre Alfeu, que lá se encontrava, também experimentou, mas para sua deceção nada aconteceu. Muitas minas se romperam e alguns furos se concretizaram, graças aos seus dotes de vedor. E nunca se enganou. Indicou sempre com precisão a localização e a quantidade da água. Dizia, por exemplo, “há água aqui a 5 metros de profundidade, mas o veio principal passa a 10”.
Convém referir que sempre respondeu a estas solicitações pelo prazer de ajudar e ser útil, nunca tendo havido qualquer contrapartida. O mesmo aconteceu com a sua esposa, a quem inúmeras pessoas também recorreram para aplicação de injeções.
O seu percurso de vida integra ainda o exercício de atividades no âmbito associativo, desportivo e político. Fez parte dos corpos sociais da Casa do Povo, da Associação dos Bombeiros Voluntários e do Grupo Desportivo de Resende. Foi membro, durante cinco mandatos, da Assembleia Municipal de Resende. Foi jogador e treinador de futebol.

Nota: Como é do conhecimento público, foi atribuída recentemente ao Sr. Sílvio Alípio Pinto a Medalha de Ouro de Mérito do Município de Resende, “pelas qualidades humanas, profissionais e intelectuais, e pelo seu contributo para a dignificação de uma das mais tradicionais profissões dos resendenses, por ser dos mais antigos profissionais de barbearia em funções”. A fundamentação desta atribuição realça também o seu papel na formação de jovens barbeiros/cabeleireiros ao longo de décadas e ainda o seu contributo para a divulgação do nosso concelho.
*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, edição de Julho de 2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Perfil do Prof. Aquilino Rocha Pinto*

Ele é integralmente um gentleman
 Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
É um ótimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com o Dr. Aquilino Pinto. A escolha recaiu no “polvo à Gentleman”. Uma delícia.

Dados da vida pessoal
O Prof. Aquilino Rocha Pinto nasceu a 25 de setembro de 1974 no Rio de Janeiro, sendo filho de Aquilino Pinto, já falecido, natural de S. Cipriano/Resende, e de Maria Helena Rocha Pinto, natural do concelho de Vagos/Aveiro. Os pais conheceram-se e casaram no Rio de Janeiro, onde viveram bastantes anos. Devido a problemas de saúde, o pai foi aconselhado a mudar-se para uma região de clima mais temperado. Foi assim que resolveu retornar ao concelho de Resende, onde adquiriu a Quinta do Engenho, em Rendufe, ao Dr. Fernando Sampaio, médico do antigo hospital da Santa Casa da Misericórdia e do seminário de Resende. Tem uma irmã.
Frequentou a antiga escola primária de Rendufe de Cima (escola velha), em Minhães, tendo depois transitado para a então Escola Preparatória de Resende e posteriormente para a Escola Secundária, onde fez o 7.º ano. Terminou o 3.º ciclo no Externato D. Afonso Henriques, tendo aqui prosseguido os estudos, durante o 10.º e 11.º anos. Concluiu o 12.º ano na Escola Secundária.
Desde muito novo manifestou grande apetência pela prática do desporto. Assim, no âmbito do desporto escolar, participou nas modalidades de atletismo (estafeta e salto em comprimento) e foi jogador de futsal e voleibol. No âmbito do desporto federado foi jogador de voleibol no Clube Náutico de Aregos e jogador de futebol de 11 no Juventude de Anreade, no Clube Desportivo de Aregos e no Grupo Desportivo de Cárquere (INATEL).
Foi treinador de futebol de 11, do escalão juvenis, no Clube Desportivo de Aregos. Coordenou, ao serviço do Futebol Clube do Porto na época 2006/2007, um grupo de 14 observadores de jovens talentos na modalidade de futebol.
Tem dado um contributo importante na esfera da intervenção cívica e associativa, sendo de destacar a propósito que é membro do conselho geral da Associação Pró-Ordem dos Professores, foi um dos fundadores do Agrupamento de Escuteiros de Resende e integrou os corpos sociais do Clube Desportivo de S. Martinho de Mouros. É casado e tem um filho. Vive em Rendufe, Resende.

Percurso profissional
A sua apetência pelo desporto fez com que optasse por um curso ligado a esta área. Nessa altura, havia falta de professores de educação física nas escolas, o que também pesou nesta escolha. Tirou o curso no Instituto Piaget de Viseu, sendo licenciado em Motricidade Humana, no ramo de Ciências de Educação Física e do Desporto. Findo o curso, começou a trabalhar no Externato D. Afonso Henrique, iniciando funções docentes no ano letivo de 1999/2000, onde continua a ministrar a disciplina de educação física.
É formador na Escola Profissional de Resende. Ministrou diversos módulos no âmbito de cursos de formação para jovens e adultos, organizados por empresas ligadas a esta área.

Papel no desenvolvimento do ténis de mesa no Distrito de Viseu
O Prof. Aquilino Pinto é, desde os tempos de aluno da Escola Secundária e do Externato D. Afonso Henriques, onde o ténis de mesa era rei, um entusiasta da prática desta modalidade. Ainda como estudante em Viseu, foi convidado por algumas pessoas de Resende a fundar uma Associação Distrital de Ténis de Mesa, pois havia na altura excelentes jogadores na Escola Secundária e no Externato, treinados respetivamente pelo Prof. António Loureiro e pelo Prof. António Correia.
O trabalho não foi fácil, por vários motivos. Na altura, com 24 anos, muitos desconfiavam da concretização do projeto. Criar uma associação distrital parecia um sonho irrealizável. Mobilizar vontades e responder aos obstáculos de natureza administrativa não foram tarefas fáceis. Convicto de que este objetivo não poderia ser concretizado sozinho, rodeou-se de um grupo de trabalho, formado por pessoas de confiança e dispostas a abraçar este desígnio. Assim foi possível conquistar paulatinamente a credibilidade junto dos responsáveis locais e regionais, incluindo autarcas e políticos, já que na altura esta iniciativa não era bem vista em alguns setores, pois havia uma instituição na cidade de Viseu ligada ao ténis de mesa, que “vegetava”, não fomentando a modalidade a nível federado.
A convicção e o trabalho persistente conduzem quase sempre a bom porto. Foi o que aconteceu neste caso. Nasceu assim em 1999, data da respetiva escritura pública, a Associação de Ténis de Mesa do Distrito de Viseu, com sede em S. Martinho de Mouros, onde se mantém.
Graças ao dinamismo do Prof. Aquilino Pinto, que em 2012 foi reeleito presidente da direção para um novo mandato de quatro anos, e das equipas diretivas que tem vindo a liderar, esta associação goza de grande prestígio a nível regional e nacional, o que honra o concelho de Resende. Em 2010, viu coroado este esforço com a obtenção do estatuto de Instituição de Utilidade Pública. Continua a ser a única associação distrital da modalidade, sedeada numa localidade/vila, neste caso, em S. Martinho de Mouros.
Conseguiu ultrapassar pela primeira vez, na presente época desportiva, a barreira dos 120 atletas federados e, consequentemente, o maior número de clubes filiados (13).
A Associação de Ténis de Mesa do Distrito de Viseu (ATDMV), para além dos clubes filiados do Distrito de Viseu, tem um clube federado do Distrito da Guarda e outro do Distrito de Castelo Branco, respetivamente a Associação de Bombeiros Voluntários de Seia e o Clube Desportivo de Alcains. Assim, esta é a única associação distrital da modalidade com clubes filiados de três distritos, afirmando-se desta forma como uma estrutura cada vez mais inter-regional.
Na presente época desportiva, a ATMDV tem um clube (Currelos, em Carregal do Sal) a disputar o Campeonato Nacional da 2.ª divisão em equipas na categoria de seniores masculinos, havendo a possibilidade de mais dois clubes subirem, na próxima época, às competições nacionais.
A título de curiosidade, importa realçar a existência de apenas um clube federado no concelho de Resende, que é a Associação de Pais e Encarregados de Educação do Centro Escolar e Escola Básica do 2.º Ciclo (EB2) de Resende. Está filiado pela primeira vez na presente época e, até ao momento, tem apresentado resultados positivos, que se devem em grande medida à dinâmica dos seus dirigentes, nomeadamente da sua presidente, a Dr.ª Sandra Pinto, e do Prof. Sérgio Sousa, que acumula as funções de Diretor Técnico Distrital da ATM Distrito de Viseu.

Para além dos jogos previstos no calendário a nível federado, o Prof. Aquilino Pinto tem procurado promover o ténis em todo o distrito com várias atividades e torneios. Convém referir que, até há dois anos, todos os torneios anuais de abertura (de arranque da respetiva época desportiva a nível federado) foram realizados no pavilhão gimnodesportivo de S. Martinho de Mouros, constituindo um evento de relevância de divulgação desta vila e do concelho de Resende.
*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, edição de Maio de 2013
Nota: A conversa que lhe deu origem decorreu ao longo de um almoço no restaurante Gentleman

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Projeto Comenius em meeting na Finlândia*



 De 13 a 17 de maio de 2013, um grupo de três professores e três alunos da Escola Secundária Dom Egas Moniz, de Resende, participou no 2.º Encontro do Projeto Comenius Living near the water, aspects of life, realizado na cidade de Lappeenranta, na Finlândia, no âmbito do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida da Agência Nacional PROALV. 

O primeiro dia de meeting iniciou-se com as boas-vindas por parte do diretor anfitrião, com a apresentação do programa para a semana por parte do coordenador local e com visitas às instalações da escola. De seguida, os professores reuniram-se para proceder à avaliação das atividades realizadas com os alunos após o meeting anterior, em Salerno, na Itália, enquanto os alunos faziam uma caminhada pelas redondezas da escola. Ao fim da tarde, foi organizada uma visita guiada, para professores e alunos, ao centro da cidade, seguida de uma atividade de remo. 
No segundo dia, da parte da manhã, ocorreram as apresentações relativas ao ecotour e entrevistas a emigrantes realizados pelos alunos em cada um dos países participantes. A parte de tarde foi dedicada a uma visita guiada à Universidade de Tecnologia de Lappeenranta, onde houve também lugar ao encontro com alguns estudantes universitários de países estrangeiros. Enquanto os alunos retornavam à escola de acolhimento, os professores das diversas delegações tiveram ainda uma reunião para discutir as atividades que deverão ser apresentadas no próximo meeting, em Guadalupe. 
O terceiro dia foi integralmente dedicado a uma excursão ao Castelo de Savonlinna, ao Museu da Floresta – em Lusto – e à maior igreja de madeira do mundo – em Kerimaki. Ao final da tarde, houve ainda oportunidade para os professores experimentarem a sauna finlandesa, seguida de um mergulho num lago, com a água a 8 centigrados. 
No quarto dia, da parte da manhã, ocorreu uma visita à fábrica de papel UPS Kaukas, a que se seguiu nova reunião de professores para acertarem pormenores do 3.º meeting do projeto. Ao mesmo tempo, os alunos realizavam entrevistas a imigrantes. À tarde, as diversas delegações foram brindadas com apresentações musicais de alunos da escola de acolhimento. À noite, os professores puderam assistir a um concerto de jovens solistas do Instituto de Música de Lappeenranta. 
No último dia, durante a manhã, professores e alunos jogaram basebol finlandês. Seguiu-se uma última reunião de professores para avaliação das atividades realizadas durante a semana. Em simultâneo, os alunos preparavam, em trabalho de grupo, as apresentações que lhes haviam sido distribuídas no primeiro dia de meeting, centradas nas atividades realizadas durante a semana. Após o almoço, os professores deslocaram-se ao Media Centre do Departamento de Educação da cidade, onde tiveram algumas horas de formação sobre o uso de tablets a nível escolar. Ao final da tarde, todas as delegações se dirigiram para a ilha Asinsaari, onde os alunos tiveram também oportunidade de experimentar a sauna finlandesa e os mergulhos em água muito fria. Seguiu-se o jantar e momentos de confraternização entre todas a delegações. Ao final do dia, os professores locais convidaram os visitantes a cozerem o seu próprio pão numa fogueira junto à água. Professores e alunos enrolaram então a massa de farinha em estacas e durante dez minutos cozeram cada um o seu alimento. Seguiram-se as despedidas entre as várias delegações, com as habituais lágrimas de saudade entre muitos dos alunos. 
Os próximos meetings irão ser realizados na Alemanha, em Guadalupe e na Suécia.
*Dionísio Ferreira, Coordenador do Projeto Comenius

Notas: 1 – O conteúdo desta notícia compromete apenas o seu autor, não sendo Agência Nacional e a Comissão Europeia responsáveis pela utilização que possa ser feita das informações nela contidas. 
2 – Este projeto da União Europeia, de parcerias Multilaterais Comenius foi financiado pela referida Agência Nacional Proalv com o montante de 22.000 euros.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Perfil do Dr. Adriano Pereira, advogado*


Ele é integralmente um gentleman
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por  Manuel Pedro Gomes, de  decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas,  massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada.
É um óptimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com o Dr. Adriano Pereira

Dados da vida pessoal e familiar
O Dr. Adriano José Fernandes Pereira nasceu a 17 de Maio de 1964 em Sais de Cima, Resende, onde residiu com os pais até 12 de Dezembro de 1992, data em que casou e passou a residir,  até hoje,  em S. Pedro do Sul. É filho de Bento Pereira, ainda vivo, e de Maria de Lurdes, já falecida.
O pai   granjeou ,  como caseiro, durante mais de 60 anos,  a quinta do Sais de Cima, pertencente ao Eng. Vítor Brandão, já falecido, residente na Foz/Porto. A mãe dedicou-se à educação dos 10 filhos e ao trabalho de casa.
É casado com Maria Laura Casais de Almeida, professora de latim, língua e literatura portuguesa, de quem tem três filhos (dois filhos e uma filha), que frequentam,  respectivamente,  o 3.º ciclo, secundário e a universidade.

Percurso escolar e formação complementar
Frequentou a escola primária da vila de Resende, onde concluiu a então 4.ª classe,  em 1975. Nesse mesmo ano,  matriculou-se no Externato D. Afonso Henriques, nas instalações bastante exíguas existentes no lugar de Massas,  tendo por isso  a turma,  onde estava integrado,  passado a ter aulas no seminário de Resende,  para onde se deslocavam   os respectivos professores.  No ano lectivo de 1976/1977, já a frequentar o 6.º ano, transitou para a então Escola Preparatória, cujo edifício tinha sido recentemente inaugurado, e onde viria a concluir o 9.º ano.
No ano lectivo de 1980/1981 matriculou-se no 10.º ano no Externato D. Afonso Henriques, passando a frequentar as  novas instalações junto à igreja paroquial. Convém referir que as aulas  se iniciaram  em regime de grande incerteza, pois não havia   qualquer autorização de funcionamento do Ministério da Educação, o que só veio a acontecer  vários meses mais tarde. O  10.º ano arrancou com duas turmas (uma da área de ciências,  com 4 ou 5 alunos, e outra da área de humanísticos, com cerca de 15 alunos). Veio a terminar o 12.º ano com 14,60.
Concluído o secundário, em 1983, candidatou-se às Faculdades de Direito das Universidades de Coimbra e Clássica de Lisboa, não tendo entrado  por uma questão de uma décima.
Em Outubro de 1983 candidatou-se a uma vaga num concurso para o quadro de pessoal da Câmara Municipal de Resende,  tendo, após realização de prova escrita e entrevista,   sido classificado em primeiro lugar. Começou por exercer funções administrativas relacionadas com processos (petições, contestações e outros requerimentos) que o então Presidente da Câmara, Dr. Albino Brito de Matos, patrocinava,  em representação da Câmara,  junto das auditorias administrativas, hoje tribunais administrativos.
No ano seguinte, ou seja, em 1984, voltou a candidatar-se à universidade, tendo sido colocado no curso de Direito da Universidade de Coimbra. A conselho de várias pessoas, designadamente de três ilustres advogados, Teixeira Pinto, Aires Borges e Brito de Matos,  que o irão influenciar indelevelmente no seu percurso profissional,  optou por conciliar o trabalho na Câmara, em Resende,  e o estudo de direito, na Universidade de Coimbra. Com a colaboração da Sociedade Filantrópica-Académica (instituição que exerce funções de procuradoria junto dos estudantes), onde se inscreveu, que lhe enviava os sumários das aulas e outras informações, e sobretudo com muita persistência e organização, concluiu a licenciatura. Logo após a sua obtenção, pediu licença sem vencimento de longa duração, abandonando o lugar na Câmara Municipal de Resende.
Para além da licenciatura em direito, convém realçar a formação complementar de que é portador.  Em 1997  veio a obter, após a frequência de dois semestres,  a pós-graduação em “Direito do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente” pela Faculdade de Direito da UC. Em 2009, pela mesma Faculdade,  terminou com sucesso o curso de especialização em Contratação Pública.

Percurso profissional
Estagiou em Coimbra e S. Pedro do Sul, estando inscrito na Ordem dos Advogados desde Outubro de 1993, com  escritório em S. Pedro do Sul a partir dessa data. Como era bastante solicitado por amigos e conhecidos de Resende para os patrocinar, decidiu também abrir escritório nesta vila.
Sentindo-se vocacionado para o ramo de Direito Público, começou por se dedicar ao contencioso administrativo, patrocinando causas em que uma das partes é o Estado e/ou as Autarquias Locais. Rapidamente começou a ser conhecido, sendo procurado por clientes de diversos pontos do país.
A sua relação com Resende voltou a intensificar-se, agora como advogado.  O Professor Pinto (Manuel Figueiredo Pinto Pereira), então a substituir o Dr. Albino Brito de Matos, que sofrera um acidente de viação, sentiu necessidade  de o consultar com frequência, na qualidade   de amigo e ex-funcionário, em várias questões jurídicas. De regresso à presidência da Câmara, o Dr. Brito de Matos,  foi confrontado com a recusa do visto do Tribunal de Contas no contrato de empreitada da construção da Ponte da Ermida, cujo concurso fora objecto de publicidade internacional (e,  nesta sequência,  aberto a construtores de qualquer país da União Europeia), com fundamento no não cumprimento do prazo para apresentação das propostas. Como estava em causa a perda dos fundos comunitários aprovados para a execução da obra, o Dr. Brito de Matos pediu ao amigo e advogado,  Dr. Adriano Pereira,  aconselhamento jurídico sobre como reagir à negação do visto do Tribunal de Contas. Minutou então o recurso para o pleno do Tribunal de Contas, que em novo acórdão revogou a anterior decisão e concedeu o visto. A importância desta intervenção foi realçada pelo Dr. Brito de Matos no seu livro “A Ponte da Ermida”.
Entretanto, como a Câmara não tinha no seu quadro de pessoal  nenhum jurista, o Dr. Brito de Matos propôs-lhe,  por essa altura, um contrato de avença anual para prestar consulta jurídica e o patrocínio judiciário, cuja necessidade era sentida,  designadamente no âmbito de questões relacionadas com a aplicação e interpretação das normas do plano director municipal (PDM) e do novíssimo regime jurídico de licenciamento de obras e loteamentos,  que entrou em vigor em 1992. Estas funções voltaram a ser-lhe confiadas pelo actual Presidente da Câmara, Eng. António Borges.
E é durante os três mandatos deste, como presidente,  que o Município de Resende se confronta com um grande aumento de litígios em tribunal e com uma necessidade de aconselhamento jurídico permanente, fruto da nova forma de exercer o poder, dos resultados da inspecção ordinária aos serviços administrativos e de licenciamento de obras e loteamentos, o que dá origem a muitos processos no tribunal administrativo. A acção do Dr. Adriano Pereira também foi imprescindível  no acompanhamento e aconselhamento do município na celebração do contrato e protocolo com a empresa eólica de S. Cristovão, cujas contrapartidas ultrapassaram mais de 3,5 milhões de euros, desde a rectificação e beneficiação da estrada que liga a vila de Resende à Ponte de Cavalar, limite do concelho, à participação no capital social da sociedade proprietária do parque,  e cujo valor viria a ser, mais tarde, destinado ao pagamento da aquisição dos imóveis e da concessão das  Termas de Caldas de Aregos.    
Mas é o conflito entre o Município e a concessionária das Caldas de Aregos, que dá origem a dezenas de processos judiciais, que mais trabalho vai dar ao advogado da Câmara, Dr. Adriano Pereira, desde o embargo das obras de melhoramento e beneficiação da Capela de Aregos, requerido pela concessionária logo no primeiro mês de mandato do Eng. António Borges, até ao processo crime movido por aquela concessionária ao próprio advogado da Câmara, que há-de ser arquivado, no próprio dia do julgamento e antes deste se iniciar, por Despacho do Juiz, tal era a falta de fundamento da acusação particular, só porque teve a ousadia de deduzir um incidente de suspensão contra os peritos do tribunal por uma avaliação escandalosa feita no âmbito da expropriação dos terrenos necessários à marina de Caldas de Aregos e que o juiz viria a anular.
Como advogado, ao patrocinar o Município de Resende, os seus órgãos e os titulares deste, para além do dever de patrocínio, sempre o acompanhou a obrigação de servir todos os resendenses.
Para além de advogado convém referir que, durante 5 anos lectivos consecutivos, foi professor convidado do Instituto Piaget de Viseu, onde leccionou as cadeiras de “Administração Pública” e de “Economia e Política Ambiental”.

Nota: Como é do conhecimento público, ao Dr. Adriano Pereira foi atribuída recentemente a Medalha de Ouro de Mérito do Município de Resende,  “pelas qualidades humanas, profissionais e intelectuais, bem como o seu contributo para a actividade e afirmação, com assinalável qualidade dos serviços prestados, ao Município de Resende”.
*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, edição de Abril de 2013. 
A partir de uma conversa que decorreu ao longo de um almoço no restaurante Gentleman.

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Dr. Jaime Bernardino Alves apresentou candidatura à Câmara Municipal de Resende

No passado sábado, dia 18 de maio de 2013, pelas 16 horas, decorreu no auditório municipal de Resende a apresentação da candidatura de Jaime Alves às autárquicas de 2013, numa coligação PSD/CDS. Neste evento estiveram presentes Hélder Amaral, deputado e presidente da comissão política distrital do CDS-PP de Viseu, Mota Faria, presidente da comissão política distrital do PSD de Viseu, e o convidado especial da apresentação, António Almeida Henriques, anterior secretário de estado adjunto da economia e do desenvolvimento regional.
Hélder Amaral iniciou a apresentação referindo Resende como “um concelho tão rico, cuja história de Portugal passa aqui pelas ruas, quer no mosteiro de S. Martinho, quer em Cárquere… onde D. Afonso Henriques brincava por aqui. Uma terra que tem uma história tão rica na história da nação… porque é que Resende não marca no contexto nacional mais ainda a sua pujança e a sua dinâmica? Tudo o que precisam está cá. O essencial é que Resende tem gente magnífica, o seu principal ativo, paisagem, património e história magníficos. O futuro de Resende é um futuro risonho, com esperança e que eventualmente não vai deixar ninguém indiferente. E este futuro precisa da liderança, e Resende tem algo que não se encontra em outros concelhos do país, porque não é muito fácil encontrar jovens com qualidade, com vontade, que procurando fazer tudo que fazem por si próprios e o Jaime é um homem ambicioso, não esquece aquilo que pode fazer pelos outros. E por isso feliz é a terra que tem um jovem com esta dimensão, com esta dinâmica e com esta vontade.”
Mota Faria diz que “Jaime é uma pessoa profundamente humanista, uma pessoa discreta. É uma pessoa que tem uma sensibilidade social muito enraizada e é talvez aquilo que consideramos o novo autarca. Um autarca que de certeza tem um projeto agregador. Ele quer fazer um projeto com as pessoas, ele quer fazer um município que seja um município facilitador, e não um município com sentimos muitas vezes em Resende, como um município que tudo quer controlar. Que tudo quer controlar em termos do movimento associativo, em termos das pessoas, muitas vezes ultrapassando aquilo que é a noção de que todos temos de gestão dos dinheiros.” Quanto ao desenvolvimento, o presidente da comissão política distrital do PSD de Viseu refere que “vê-se muito investimento em Resende. Nós vemos que houve aqui obra, não vamos esconder. Nós sentimos que alguns equipamentos podem ser um ou outro questionáveis, mas o que deu isso às pessoas em termos de desenvolvimento? Há aqui qualquer coisa que falha em Resende, falha na fixação de pessoas, falhas muitas vezes respostas a algumas necessidades. Parece que há tudo, mas falta tudo.”
“Porque é que se investe tanto dinheiro, porque é que ao longo dos últimos ciclos comunitários se investiu tanto dinheiro em obra, designadamente neste concelho onde muitas estruturas foram feitas, e porquê as pessoas continuam a sair? A resposta talvez seja simples, é que não houve capacidade para criar valor, não houve capacidade para criar riqueza, não houve capacidade para fixar as pessoas. A generalidade dos autarcas, o autarca de Resende, não sendo exceção, esqueceu-se de uma coisa, é preciso dedicar-se mais tempo ao desenvolvimento da atividade económica. E esta é uma das maiores valias que a candidatura do Jaime Alves pode trazer ao concelho.” – afirma António Almeida Henriques
Jaime Alves responde a quem surpreendeu a sua candidatura “com uma declaração de amor genuíno à minha terra e à minha gente. E respondo ainda com a formação e experiência de trabalho de mais de 20 anos. Ao contrário do que vejo na candidatura socialista não sou nem um estrangeirado, nem um produto importado, imposto de cima para baixo, por alguém  para perpetuar o sistema do poder. E convenhamos a cópia é pior que a original. Respondo ainda com um compromisso de progresso e um programa de desenvolvimento real para o nosso concelho. Um compromisso alicerçado na riqueza da terra e no valor das pessoas. Comigo Resende terá um líder e nunca um xerife.”
A candidatura de Jaime Alves passa por 7 compromissos:
1.         Um programa de fomento e assistência empresarial a que chamaremos de Resende Empreende – será um programa de desenvolvimento económico apostado na assistência às empresas, no apoio e acesso a financiamento comunitário, na atração de pequenos e médios investimentos e no empreendedorismo local.
2.         A certificação da cereja e uma estratégia de valorização de produtos locais.
3.         Um compromisso político nacional para a concretização das estradas nacionais 222-2 e 321-2, absolutamente indispensável ao fim do isolamento territorial de Resende, a norte e a sul.
4.         Um programa de reabilitação urbana e económica de Caldas de Aregos.
5.         Uma política municipal de inclusão social, de promoção de um enriquecimento ativo e apoio escolar.
6.         Uma aposta na revitalização turística e termal do concelho e no desenvolvimento da sua oferta de turismo náutico, histórico e de natureza.
7.         Uma estratégia de captação de fundos comunitários para financiar este programa de desenvolvimento do concelho entre 2014 e 2017.
*Rafael Barbosa

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Moleiros recuperam tradição do jogo do pião*


O Grupo de Danças e Cantares “Os Moleiros” de Cárquere realizou um “Convívio”, pelo terceiro ano consecutivo, no passado dia 17 de março, com o objetivo de recuperar e reativar os jogos tradicionais da cavilha e, sobretudo, do pião.
Compareceram à iniciativa, que decorreu na antiga escola primária de Passos, sede da Associação, cerca de duas centenas de pessoas, provenientes da região, que não quiseram perder a oportunidade de recordar memórias e tradições de um tempo não muito distante. Uma oportunidade, também, de convívio social, numa época em que os brinquedos tecnológicos substituíram os jogos tradicionais. “Muita da gente que saiu da escola a jogar o pião só agora, com estas iniciativas, o volta a fazer, regressando às suas origens”, refere Alberto Pinto, Presidente da Direção dos Moleiros.
Se a maioria das pessoas veio para assistir à iniciativa, outros prepararam-se para uma competição saudável, que estimula o desenvolvimento de habilidades variadas, como a capacidade de concentração, a coordenação motora, a agilidade dos reflexos e a criatividade.
O torneio oficial, à volta da escola, com prémios simbólicos, começou. Compreende-se, desde logo, porque este é um jogo de rapazes. Para além da habilidade e perícia, é necessário muita pontaria e, sobretudo, força… “– É à malhão!”, ouve-se repetidamente, em contraponto com o “saca baraça”, de quem prefere lançar o pião de uma forma mais lúdica.
Os participantes envolvem o pião a partir do ferrão com uma baraça apertada, metida no dedo médio, seguram-no na mão, com o bico voltado para cima, e lançam-no ao chão com um forte impulso, tentando acertar e fazer mossa nos que já lá estão. Depois é pegar o pião de “funil”, de “tesoura” ou à “machado”, pondo-o a girar na palma da mão, recordando um gesto simples que animou e entreteve gerações.
Os grandes vencedores deste ano foram Arnaldo José Pinto Portela e José Pinto Lourenço, que conseguiram uma volta à escola sem irem à forca, acertando consecutivamente nos piões adversários, sem que os seus deixassem de girar.
O jogo terminou, depois de uma tarde de convívio são e da partilha de muitas histórias divertidas. Os piões são religiosamente guardados para novas contendas, fazendo jus à letra da música tradicional: “Eu tenho um pião, um pião que dança / Eu tenho um pião, bem na minha mão / Gira que gira o meu pião / Mas não to dou, nem por um tostão”.
Para combater o cansaço que começa a invadir participantes e espetadores, a organização ofereceu uma refastelada feijoada, ficando no ar a promessa de um novo convívio, para o próximo ano.

O artista dos piões
Jorge Costa, de 50 anos, residente no lugar de Tulhas, é o artista dos piões. Das suas mãos surgem todo o tipo de miniaturas em madeira, como moinhos, canastros e, claro, os famosos piões, feitos nos tempos livres, uma vez que é funcionário na Câmara Municipal de Resende.
Desde a infância que dar vida aos piões não tem segredos para Jorge Costa. “Na escola, já fazia piões. No monte da P’reira, aqui perto, desprendia as trepas dos pinheiros, de preferência com nós, para que o pião fosse mais resistente às canicadas. Depois, em casa, com a ajuda de uma foicinha, pois as facas eram escassas, modelava-os. Metia-se um prego e já estava”, descreve.
Hoje, as condições de “fabrico” são outras. Construído num torno, o pião é de madeira rija, de lodo ou cerejeira, redondo na parte superior, afunilado para baixo, terminando no “ferrão”, de ferro, preparado antecipadamente. “O segredo está na forma como se mete o ferrão, o mais direito possível, para o pião andar bianço, direitinho… Os piões escravinhotos e chincharos, que saltam muito, são mal feitos…”, relata à medida que gira a madeira, no torno, dando-lhe vida e forma. Para fazer girar o pião é indispensável o seu acessório, a baraça de lã, de várias cores, que se enrola à sua volta.
A construção de um pião, com o material já devidamente preparado, pode durar cerca de uma hora. No final, surgem pequenos objetos a rondar os 10 cm por 6,5 cm de diâmetro.
“Ainda há pouco tempo, vendi 25 para França”, conclui o artesão.

Memórias perdidas no tempo
Manuel Lourenço, de 77 anos, residente na Arrifana, é o decano da companhia e um dos mais ativo e participativos no jogo e nas memórias de um passado que lhe deixou saudades.
“Cada jogo tinha a sua época: o do pião era na Quaresma”, recorda. Os rapazes reuniam-se nos intervalos das aulas ou aos domingos à tarde para jogar ao canico, à forca ou ao sovelo”, recorda. Um dos jogos mais conhecidos consistia em traçar no chão um círculo, para dentro do qual os jogadores lançavam os piões. Quando um não saísse do traçado, ficava prisioneiro, suportando os efeitos dos golpes desferidos pelos piões dos outros jogadores até que, obrigado pelas pancadas, acabava por sair do círculo.
Quando se conseguia, de um golpe, rachar ao meio o pião do adversário era uma “algazarra” que, não raras vezes, era seguida de uma “cena de pancadaria” entre os intervenientes.
Outras vezes, dada a violência do arremesso, aconteciam os acidentes: uma “cabeça partida, um sobrolho aberto”… Algumas das maleitas eram feitas pelos piões mais pequenos, as piascas ou bilrinhas, pequenos em dimensão mas muito “perigosos e certeiros”, diz Manuel Loureiro. Qualquer um deles eram muito estimados, porque “quem ficasse sem pião teria muita dificuldade em arranjar outro…”, lembra.
Outros tempos em que se desmanchavam as velhas camisolas para fazer as baraças. “Uma vez, por volta dos 10 anos de idade, roubei um casaco à minha mãe para fazer uma. O pior foi quando ela descobriu que já não tinha casaco…”, conta.
*Texto da autoria de Paulo Sequeira, publicado no Jornal de Resende, edição de Abril de 2013. Foto da Foto Ideal 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Entrevista com António Fonseca, Juiz da Irmandade de S. Francisco Xavier*


“Ele é integralmente um gentleman
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada. Algumas informações úteis encontram-se no site www.o-gentleman.pt.
É um ótimo espaço para quem quiser fazer da refeição um agradável encontro de conversa, como aconteceu com António Fonseca.

Percurso de vida pessoal
António Fonseca nasceu a 18 de fevereiro de 1955, no lugar da Fonte da Portela, em S. Martinho de Mouros, sendo filho de José da Fonseca (conhecido por Zé Vintém) e de Maria José Almeida. É o mais novo de dez irmãos, dos quais restam apenas três vivos. Cinco morreram ainda bebés, um faleceu com 4 anos e um outro morreu de acidente aos 28 anos.
Assume sem complexos as suas origens humildes, referindo que os seus pais eram muito pobres, tendo nascido e vivido até aos 18 anos numa casa que mais parecia uma barraca. O pai granjeava um campo arrendado e ganhava o dia fora. A mãe, além de cuidar dos filhos e da lida da casa, ajudava na lavoura e costurava para os vizinhos, muitas vezes pela noite dentro à luz de uma candeia de petróleo.
Terminada a escola primária, que concluiu em 4 anos no Barracão, face ao seu aspeto franzino não compatível com o trabalho duro dos campos, o seu pai ainda pensou encaminhá-lo para o Seminário, diligenciando para isso junto de um padre amigo, mas tal desiderato não se veio a concretizar. Pensando que a aprendizagem de uma arte se adequava melhor à sua compleição física, a sua mãe pediu a um carpinteiro vizinho que lhe ensinasse a arte, o que aconteceu. A partir dos 18 anos, foi para casa da Sra. Balbina, onde pôde aperfeiçoar a aprendizagem junto do filho, Manuel Esteves, que era um grande mestre na arte da carpintaria.
Cumpriu o serviço militar em Beja, onde fez a recruta; em Elvas, onde tirou a especialidade de clarim; e por fim, em Évora, onde passou à disponibilidade.
Em 1978 emigrou para a Suíça, começando a trabalhar como carpinteiro na construção civil em Genebra. Casou em 28 de fevereiro de 1981, tendo a mulher ido viver com ele nesta cidade. Entretanto, como a casa era pequena, mudaram-se para Lausanne, onde residia o seu grande amigo Padre Murias de Queirós, responsável pela Missão Católica Portuguesa, que lhe arranjou casa e trabalho nesta cidade.
Em 1991, o casal regressou a Portugal com o filho então com 9 anos, fixando-se na vila de S. Martinho de Mouros, onde continua a residir.

Intervenção cultural, musical e política
A música está-lhe no sangue. Desde pequeno que mostrou apetência pela aprendizagem de instrumentos musicais. Em 1976, integrou como fundador/ guitarrista o grupo “Pele e Osso”. Já em Genebra, contactou a missão católica, que o levou a conhecer uma freira Doroteia, a irmã Ana, de nacionalidade suíça, que tinha trabalhado 40 anos em Portugal, e que era responsável pelo grupo coral, a qual o convidou a integrar o mesmo grupo. Afirmou-se, desde a primeira hora, como um dos seus elementos mais dinâmicos na qualidade de guitarrista. Passou também a colaborar na formação musical dos jovens que frequentavam a missão católica, com aulas de viola, cuja experiência e gosto se mantiveram pela vida fora, o que explica que ainda atualmente continue a ensinar os mais novos a tocar instrumentos musicais. Encantada com o seu jeito em lidar com as pessoas, a referida freira achou que tinha competências para ir mais longe, pelo que se ofereceu para lhe ministrar aulas de solfejo e francês, o que aceitou. Mais tarde, tornou-se o responsável pelos grupos corais da igreja em Lausanne, Morges e Yverdon. De regresso a Portugal, tornou-se o dinamizador do grupo coral da Capela do Senhor do Calvário.
No âmbito das atividades da Irmandade de S. Francisco Xavier, criou a escola Musijovem, destinada a estimular e desenvolver a aprendizagem de instrumentos musicais junto das crianças e jovens, beneficiando de uma parceria com a Câmara Municipal. Em 1995, criou o grupo de bombos “BomMouros”, que se mantém. Organizou, durante 10 anos, o Festival da Canção do Concelho de Resende, que foi substituído entretanto pela Grande Noite do Fado. Ainda no âmbito desta instituição, fundou o jornal Ventos da Mogueira de que foi diretor até junho de 2011.
Quando regressou da Suíça, integrou o grupo musical “Banda Douro”. A título gratuito, continua a ensinar a tocar instrumentos musicais, designadamente cavaquinho, viola e órgão. Com alguns destes alunos, criou o grupo de música popular “TomVintém e Amigos”, que continua a animar festas e eventos. É ainda guitarrista/fundador do grupo “Douro Fado”. Integrou como tocador o Rancho Folclórico de Paus.
Foi durante 4 anos, de 1997 a 2001, deputado na Assembleia Municipal de Resende. De 2001 a 2005, no primeiro mandato do Eng. António Borges, foi vereador pela oposição, o que lhe permitiu rechear a sua agenda de contactos, que lhe seriam úteis para a concretização das obras do Lar da Irmandade de S. Francisco Xavier. A propósito, no que se refere à vida política futura, já tomou a decisão de não se candidatar nas próximas eleições autárquicas.

Obreiro do Lar da Irmandade de S. Francisco Xavier
Praticamente confinada ao cumprimento de ações do foro espiritual, e às vezes nem isso, a Irmandade de S. Francisco Xavier recebeu uma reviravolta decisiva com a eleição de António Fonseca como Juiz da Mesa Administrativa, em 4 de abril de 1993. Logo após a tomada de posse, procurou fazer com que se cumprissem os estatutos, designadamente no concernente a atos de sufrágio por irmãos falecidos, missas por intenção de irmãos vivos e à assumpção de responsabilidades pelas obras da Capela do Senhor do Calvário e da residência do Capelão. Na altura, com este património em deterioração acelerada e até em ruínas, não havia um cêntimo nos cofres da Irmandade. Imediatamente deitou mãos à obra para angariação de fundos, aproveitando o cantar das Janeiras e lançando outras iniciativas. Com este dinheiro e, posteriormente, com o recurso a fundos comunitários, procedeu a diversas obras de restauro na Capela do Senhor do Calvário e adros e na Casa do Capelão.
António Fonseca nunca pensou nem sonhou em construir um Lar. A ideia só surgiu, porque foi contactado pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Resende a comunicar-lhe a intenção de uma oferta de cem mil contos por parte de um senhor, que se destinaria à construção de uma extensão do Lar em S. Martinho de Mouros. Verificada a impossibilidade de concretização deste projeto, visto que a Santa Casa não era possuidora de quaisquer terrenos para o efeito, dirigiu o convite à Irmandade, aconselhando o dito senhor a falar com António Fonseca, o que nunca aconteceu. Nem a oferta chegou. Mas a ideia nasceu. É de referir também que o incentivo e a disponibilidade manifestada por parte do então pároco de S. Martinho de Mouros, Padre Alberto Ferreira, para contribuir financeiramente para a construção de um lar de idosos também contribuíram para o nascimento do projeto. Mas o dinheiro também nunca apareceu.
Entretanto, para os conformar com a realidade dos tempos atuais, os estatutos foram reformulados, neles se prevendo a criação de um lar de idosos, apoio domiciliário e um centro de dia, entre outras atividades/valências. Com a aprovação dos mesmos em 2000, a Irmandade goza desde então de personalidade jurídica canónica e civil, beneficiando do estatuto de IPSS. Já detentora deste estatuto, foi efetuada uma diligência junto da Segurança Social para uma parceria a contemplar um lar de idosos, tendo a resposta sido positiva. Contudo, a promessa de cem mil contos nunca se concretizou, tendo o sonho sido colocado na gaveta.
Entretanto, António Fonseca foi informado da viabilidade de apresentar uma candidatura à valência de apoio domiciliário, já que podia funcionar na Casa do Senhor do Calvário, bastando equipá-la com uma cozinha e uma lavandaria. A candidatura veio aprovada, mas tornou-se necessário fazer vários peditórios para arranjar dinheiro para estes equipamentos. A 1 de julho de 2002 foi assinado o respetivo contrato para esta valência, que funciona agora noutras instalações.
A oportunidade de construção do tão ansiado Lar chegou com o programa PARES a que se candidatou, tendo sido necessário para isso apresentar um projeto completo, que custou 45 mil euros, que foi totalmente custeado pela Irmandade. Após muitas deslocações e diligências junto da Segurança Social, da Câmara Municipal e da Santa Casa da Misericórdia, chegou finalmente o dia do lançamento da 1.ª pedra, que ocorreu a 19 de outubro de 2008. A inauguração oficial teve lugar no dia 28 de abril de 2012, embora já se encontrasse em funcionamento desde 30 de julho de 2011.
O custo total deste empreendimento atingiu o montante de 1.513.000€, tendo tido a comparticipado da Segurança Social no valor de 656.290€, e a contribuição da Câmara Municipal de Resende no montante de 340.000€, proveniente do somatório de  um subsídio em dinheiro no valor de 150.000€, da assumpção da fiscalização da obra no valor de 80.000€ e despesas dos arranjos exteriores orçamentadas em 110.000€. Como até à altura da inauguração a Irmandade tinha conseguido angariar 100.000€, a dívida junto da Caixa Geral de Depósitos era então de 320.000€.
A instituição criou 33 postos de trabalho, que permitem dar resposta aos 30 utentes do lar de idosos, aos 47 do serviço de apoio domiciliário e aos 10 do centro de dia.

Nota pessoal: Nunca é de mais realçar a vida devotada de António Fonseca às pessoas mais frágeis e desfavorecidas do nosso concelho. Um exemplo de solidariedade e de voluntariado. Lamentavelmente, por falta de espaço, muita coisa ficou por mencionar.
*Artigo da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, edição de Março de 2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Entrevista com o Presidente da Junta de Ovadas, Isidro Pereira*


Quem é o Presidente da Junta de Ovadas
Isidro Pereira nasceu a 3 de outubro de 1945 na Panchorrinha, sendo filho de Manuel Pereira e de Lauriana Pereira, tendo a mãe falecido quando tinha dezoito meses. Tem uma irmã, que vive em Rossas, e quatro meios-irmãos (dois rapazes e duas raparigas) do segundo casamento do pai. Foi criado com uma tia e madrinha, irmã do avô paterno, que residia em Mareares, a quem sempre chamou mãe, e que faleceu em 1976.
Frequentou a escola da Granja, onde terminou a 4.ª classe. Em 2009, no âmbito do programa “Novas Oportunidades”, obteve o diploma do 9.º ano.
Finda a escola primária, a madrinha muito insistiu para que fosse estudar para o seminário de Resende, mas, face às restrições de liberdade e à disciplina própria de um ambiente de internato e à imposição de não poder vir a casar, recusou esta possibilidade. Assim tornou-se o braço direito da sua madrinha, analfabeta, mas senhora de posses em campos e gado, na gestão das lides agrícolas. Este período foi uma espécie de tirocínio para a vida de negociante, que abraçaria alguns anos após a tropa e que se prolongou até à reforma, sempre com sucesso.
Após o casamento, que aconteceu aos dezassete anos, foi viver para casa dos avós, na Panchorrinha, de onde a mulher, sua prima direita, também era natural. Entretanto, em 1966, foi para a tropa; primeiro para a Guarda, onde fez a recruta, e depois para Évora, onde tirou a especialidade de atirador. Em janeiro de 1967 foi mobilizado para o norte de Angola (Tamboco, Santo António do Zaire e Ambrizete), tendo regressado em junho de 1969.
Já em Ovadas, ainda se dedicou, durante uns tempos, à orientação do cultivo de uns terrenos, pertencentes aos sogros, e outros adquiridos a um cunhado, então tenente em Angola, que eram amanhados por um caseiro. Nos inícios dos anos oitenta, fez, durante seis meses, uma experiência como emigrante na Alemanha (Hamburgo), onde se encontrava um seu irmão. Após o regresso, começou a negociar em cereais e depois em madeiras (de castanho e cerejeira), cuja atividade durou cerca de vinte anos. A seguir e até à reforma (que aconteceu há cerca de dois anos), dedicou-se ao negócio de compra e venda de antiguidades, cujo bichinho foi passado por um tal Dr. Miranda, natural de Baião, que possuía uma loja em Lisboa dedicada a este tipo de artigos.
Durante este período, alheou-se do cultivo de terrenos de que é proprietário (cerca de 20 hectares, sendo 12 de regadio e 8 de sequeiro), não retirando deles qualquer rendimento, excetuando produtos para consumo caseiro. Atualmente servem de pasto para um rebanho de que um seu compadre é dono.
Entre outras iniciativas de caráter cívico em prol da comunidade, esteve na génese da criação da Comissão de Melhoramentos de Ovadas e da Associação Desportiva e Recreativa Rodense, integrando atualmente os seus órgãos sociais.
Relativamente à vida política, integrou em 1975 a comissão administrativa da Junta de Freguesia de Ovadas. Desde as primeiras eleições autárquicas, em 1976, à exceção de um mandato, integrou sempre a Assembleia de Freguesia. É Presidente da Junta desde 1997, tendo sido eleito em listas do PSD nos três primeiros mandatos e como independente em lista do PS no atual mandato. Vive na Panchorrinha. Não tem filhos.

O que tem feito e pretende fazer na Junta de Ovadas
De entre outras obras e iniciativas, destacamos as seguintes, várias das quais tiveram a colaboração da Câmara Municipal: 1. Ligação da estrada de Rossas a Vila Pouca; 2. Estrada do Penedo; 3. Arruamentos (alargamento, calcetamento em pedra e muros) em Ovadas de Cima; 4. Estrada dos Atoleiros, em Rossas; 5. Abertura da estrada de Ovadas de Cima a S. Pedro; 6. Estrada da Senhora da Penha; 7. Calcetamento do caminho na Tulha, em Ovadas de Baixo; 8. Calcetamento e alargamento da estrada do Pinheiro, em Ovadas de Baixo; 9. Ligação à luz elétrica no cemitério de Ovadas de Baixo, calcetamento à volta do mesmo e colocação de água, que foi oferecida por particulares; 10. Aquisição do respetivo terreno com ampliação do cemitério de Vila Pouca, cujas obras estão em curso; 11. Aquisição do terreno onde decorre a feira do Rodo, que tem lugar no primeiro domingo de maio, cuja iniciativa de criação se lhe fica a dever; e 12. Requalificação do edifício da Junta, com revestimento a pedra, restauro do telhado, construção de garagem e pavimentação exterior.
É de referir que, por iniciativa da Comissão de Melhoramentos de Ovadas, já mencionada, foi disponibilizada água a quem a quis adquirir em Rossas, Granja e Ovadas de Cima. Também foi disponibilizada à Panchorrinha na expectativa de que a Câmara Municipal a adquirisse, o que não aconteceu. Por isso, aqui as pessoas têm água, não havendo qualquer contrapartida para a Comissão de Melhoramentos. Nestas localidades, as populações dispõem de fontanário, tanque e lavadouro.
Até final do mandato irá colocar a sinalética dos nomes das ruas da freguesia com placas em granito.

RESPOSTAS BREVES

1. Onde passou as últimas férias?
Em Nazaré.

2. Compra preferencialmente português?
Sim, tenho essa preocupação.

3. Quais os seus passatempos?
Antes de estar reformado não tinha muito tempo livre. Agora já posso passear à vontade, ver os programas da televisão de que mais gosto ou pesquisar na Net.

4. Qual o momento mais feliz da vida?
A minha vida tem corrido bem, mas de entre todos os momentos felizes assinalo o casamento.

5. E o mais triste?
A morte da minha madrinha, que chamava mãe.

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Os ares destas bandas não permitem ter neuras.

7. Qual o seu prato preferido?
Cozido à portuguesa.

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
É levar água potável a todas as povoações de Ovadas, diria mesmo, do concelho.

9. O que mais admira nos outros?
O sentido da solidariedade e da amizade.

10. O que mais detesta nos outros?
A mesquinhez e o dizer mal de tudo.

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
Nossa Senhora dos Remédios, da Granja, de que sou mordomo.

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Gosto muito da serra de Montemuro.

13. Tem algum objeto que guarda com particular predileção?
Um Cristo em marfim, cujo valor afetivo e artístico para mim não tem preço.

14. De que mais se orgulha?
Do meu percurso pessoal e da obra feita como Presidente da Junta.

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
A ponte da Ermida, a oferta das novas valências e serviços da Santa Casa da Misericórdia e o Centro de Saúde.

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Como não se fez em tempos de vacas gordas, teremos de esperar agora muitos anos.

17. O que é que acha que o Eng. António Borges irá fazer após a saída da Câmara Municipal?
Tenho a convicção que irá integrar um futuro governo.

18. Associa a palavra Resende a...?
Cerejas e cavacas.

19. Chegou a levar reguadas na escola?
Apanhei algumas, mas não guardo rancor.

20. Já foi multado por infração ao código da estrada?
Uma vez, por estacionamento.

21. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não.

22. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Concordo, embora não veja o Estado a dar o exemplo.

23. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Penso que há atividades ligadas à agricultura que podem ser exploradas com sucesso no nosso concelho.

24. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges e Dr. Brito de Matos.

25. É favorável à redução de autarquias, designadamente de freguesias?
Sim, devido à diminuição das populações.

26. Tem argumentos para fixar os mais novos na freguesia de Ovadas?
Sim. Como lhe disse, olho a agricultura e os negócios ligados aos campos com esperança. Há projetos que os jovens podem agarrar nesta área.

27. De que mais gostou deste “novo” Gentleman?
Da qualidade do serviço e do design.

*Apontamento de autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, n.º de Fevereiro de 2013
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