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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Entrevista a Ana Correia, vice-presidente do Rancho Folclórico e Etnográfico de Cárquerere*

 O Rancho Folclórico e Etnográfico de Santa Maria de Cárquere (RFESMC) organizou, no dia 19 de agosto, o XXV Festival de Folclore, um evento que se repete anualmente no 3.º domingo de agosto. O Jornal de Resende (JR) aproveitou a comemoração desta data marcante de uma das principais coletividades do concelho, que se dedica a divulgar a cultura e as tradições populares das gentes de Resende, para entrevistar a sua vice-presidente, Ana da Conceição Correia (AC).

Entrevista conduzida por Paulo Sequeira

Jornal de Resende (JR): O Rancho Folclórico e Etnográfico de Santa Maria de Cárquere foi fundado em 1981, embora as pesquisas e recolhas etnográficas só se iniciassem em 1983. Quem esteve na sua origem?
Ana Correia (AC): A bandeira da Associação tem a data de 1975 mas a escritura pública é de 10 de março de 1981. Na sua fundação, esteve um conjunto de sócios liderado pelo Dr.º Albino Brito de Matos, que se manteve como Presidente da Direção até 2011.

JR: O Dr.º Albino Brito de Matos, sócio fundador e presidente de 1981 a 2011, teve um papel fundamental…
AC: O Dr.º Albino Brito de Matos é o grande responsável por tudo o que a Associação fez durante a sua existência. Foi e continuará a ser o pilar e a força que nos move para darmos continuidade à nossa missão de defender os valores, princípios e tradições de um povo cuja história queremos preservar.

JR: Como foram os primeiros tempos?
AC: A partir de 1983, entendeu-se que era necessário tratar o folclore duma forma mais séria. Iniciou-se, então, a pesquisa e recolha dos usos, costumes e tradições antigas, através de entrevistas às pessoas mais idosas, da recolha e do estudo de testemunhos que permitissem a reconstituição do modo de viver das pessoas da nossa terra, em finais do século XIX e princípios do século XX. Com esta base, e com o aval da Federação do Folclore Português, estudámos e selecionámos os nossos trajes, as nossas danças e cantigas, que nos identificam e que procuramos divulgar com todo o respeito e a dignidade que merecem.

JR: Quando organizaram o 1.º Festival de Folclore?
AC: O 1.º Festival realizou-se no dia 31 de julho de 1988. O 3.º domingo de agosto foi a data escolhida nos 24 anos que se sucederam até ao presente.

JR: Que razões levaram à sua organização?
AC: Foi sobretudo uma grande vontade em iniciar um percurso de apresentação e divulgação das tradições da nossa terra. Contámos com o incentivo e o apoio técnico da FFP, através do seu Presidente, o saudoso Sr. Augusto, e do Conselho Técnico, na pessoa da D. Cândida, responsável pelo Rancho das Pias (Cinfães), que foi o nosso Padrinho no 1.º Festival.

JR: Em 1989, o Rancho foi Federado. O que foi necessário para atingir esse estatuto?
AC: Ser um rancho federado significa obter um estatuto de qualidade, que passa pelo cumprimento e aceitação de um vasto conjunto de procedimentos e regras que a FFP propõe aos grupos filiados. Para um rancho atingir esse patamar, é necessário estar no folclore com muita seriedade e responsabilidade, com humildade, honestidade e muita força de vontade e trabalho. Foi o nosso caso.
O nosso 1.º Festival foi supervisionado pelo Presidente da FFP, que, no dia seguinte, nos convidou para viajar para França no prazo de uma semana para participar num Festival Mundial de Folclore. Isto significava que tínhamos passado no teste e ele estava a dar-nos um presente que pretendia, mais uma vez, pôr-nos à prova. Penso que também passamos neste teste e ao fim de um ano, em 1989, depois de realizarmos o 2.º Festival, fomos finalmente federados.

JR: Quais são os trajes e utensílios típicos do Rancho?
AC: Os trajes e utensílios típicos retratam os usos e costumes da nossa terra em finais do século XIX e princípios do século XX.
As pessoas do rancho usam trajes de trabalho: de pastor, da malha, da rega, da ceifa, de vindimador do Douro, de inverno e outros. Todos estes trajes são pobres e simples e são confecionados em tecido de riscado, cotim, chitas, tal como era uso. Também há alguns trajes usados em dias de festa, de feira, ou romaria, domingueiro, os noivos e o lavrador abastado. Estes são mais ricos, mais coloridos e vistosos.
Os utensílios usados são alguns adereços que completam o traje e que se utilizavam nos trabalhos do campo, tais como a crossa, a breza, a enxada, o engaço de madeira e outros.

JR: Mais tarde, em 2009, o Rancho obteve a Declaração de Utilidade Pública…
AC: Esta foi uma aspiração que levou alguns anos a concretizar. Foi um processo moroso, pois tivemos que instruir o pedido de adesão por várias vezes. Para o efeito, beneficiámos dos pareceres favoráveis emitidos por várias entidades a nível local e nacional e, felizmente, atingimos esse patamar em 2009.

JR: Quantas atuações fizeram no estrangeiro?
AC: Três. Em França, em 1988, e em Itália, por duas vezes: na Sardenha (1991) e na Sicília (2006). As viagens dos ranchos ao estrangeiro são sempre recheadas de histórias inesquecíveis e originam momentos únicos de diversão, de camaradagem e de grande cumplicidade entre as pessoas.

JR: A nível nacional, para além da participação em inúmeros festivais, estiveram em programas de televisão e de rádio…
AC: A nível televisivo, estivemos em direto na RTP Internacional, aquando da nossa participação no Festival do Algarve, em setembro de 1994, bem como na “Praça da Alegria” (RTP1), num programa sobre a Festa da Cereja de Resende. Participámos, também, num programa para uma televisão holandesa, na Quinta das Carvalhas, em representação do folclore do Douro. A nível radiofónico, estivemos na Emissora Regional de Resende, na Rádio Renascença, na Antena 1 e na Rádio Montemuro, entre outras.

JR: Também participaram numa produção luso-brasileira, o “Rio do Ouro”…
AC: Essa experiência foi muito interessante, para além do privilégio de contracenar com o famoso ator brasileiro Lima Duarte. Alguns elementos do nosso Rancho foram escolhidos para participarem como figurantes em algumas cenas gravadas em S. Martinho de Mouros, em Mesão Frio e em Porto de Rei. No filme, há uma cena de um arraial popular em que se ouve a música da nossa dança “Se eu fosse ladrão roubava…”

JR: Destas vivências, no âmbito do folclore, há sempre histórias engraçadas…
AC: Recordo, com muito carinho, uma cena relacionada com uma pessoa muito especial, a nossa jovem de quase 70 anos, a senhora Mariana, no Festival do Algarve. Estávamos 18 grupos para dançar e como o festival era transmitido em direto pela televisão, o tempo de atuação dos ranchos era controlado com muito rigor. Quando chegou a nossa vez de dançar fomos empurrados para o palco com tanta pressa e foi tudo tão rápido que a Sra. Mariana nem teve tempo de calçar os tamancos e colocou-os sobre a cabeça e assim esteve, muito quieta, durante os três minutos e meio que durou a nossa apresentação. Foi muito divertido ver depois a gravação…

JR: A chula Rabela é a dança ex-libris do Douro e do Rancho Folclórico e Etnográfico de Santa Maria de Cárquere. O que a distingue das chulas de outros Ranchos, nomeadamente do Rancho Folclórico e Etnográfico de Paus?
AC: A chula rabela é a dança que melhor representa o Douro e era a única que, nesta região, se dançava em fila. Era acompanhada pela “rabeca chuleira” e cantada em jeito de desafio por um homem e uma mulher.
Há muitas variantes da chula e todas elas são especiais, apesar de diferentes. O Rancho de S. Pedro de Paus dança a sua chula tal como o fizeram, outrora, as pessoas que viveram na encosta por onde se estende a freguesia. A nossa chula é a chula rabela de outras gerações e tem o ritmo e a marcação do Douro.

JR: Presentemente, estão empenhados na conclusão da sede social e do Museu Etnográfico. Qual é o ponto da situação?
AC: A nossa casa, como gostamos de lhe chamar, é um sonho tornado realidade, embora os custos da sua construção sejam muito elevados. A parte da obra da sede social e salão de festas do rancho está quase concluída. Falta-nos, ainda, o mobiliário e o equipamento da cozinha. Estamos empenhados em tentar encontrar ajuda financeira para podermos continuar a obra e iniciar a construção do Museu Etnográfico. Este espaço é fundamental para podermos guardar e expor, em boas condições de conservação, muitos dos artefactos e peças antigas que recolhemos e que merecem ser divulgadas e preservadas para as gerações futuras.

JR: Com quantos elementos conta, atualmente, o rancho e quantas vezes se reúnem para os ensaios?
AC: Frequentam, mais assiduamente, o rancho cerca de 50 elementos, embora na totalidade dos componentes e dirigentes o número seja superior a 60. Todas as semanas, normalmente aos sábados, e nas vésperas das saídas, juntamos todos os elementos do rancho para fazer os ensaios.

JR: Têm outras atividades de cariz recreativo, para além do folclore e da etnografia?
AC: Organizámos várias atividades, ao longo do ano, como por exemplo os convívios e festas, magusto, ceia de Natal, baile de Carnaval, karaoke, torneios de malhas e de cartas, a festa das papas, entre outras.

JR: De que forma divulgam as atividades?
AC: Temos um site (ranchocarquere.com.sapo.pt) e também usamos o facebook como forma de dar a conhecer as nossas atividades.

JR: Na freguesia de Cárquere, há outra associação, o Grupo de Danças e Cantares “Os Moleiros” de Santa Maria de Cárquere, que tem por temática o folclore e a etnografia. Qual o tipo de relação entre este e outros Grupos existentes no concelho?
AC: Cada um dos grupos concelhios, à sua maneira e de formas diferentes, procura desenvolver a sua atividade como lhe é possível, atendendo a que muitas vezes enfrentam limitações e entraves de vária ordem que é necessário ultrapassar. Penso que todos procuram dar o seu melhor. O relacionamento entre os grupos de folclore existentes no concelho é muito limitado, pois raramente existem oportunidades a nível concelhio para que haja intercâmbio e convivência entre os grupos. Em Cárquere, o relacionamento com os nossos conterrâneos Moleiros é de maior proximidade devido à existência de laços de amizade e relações de parentesco que ligam os elementos de ambos os grupos.

JR: Como auguram o vosso futuro e o do Folclore nacional?
AC: O nosso rancho tem 31 anos de existência. Ao longo deste período, fomos construindo um historial que nos enriquece e nos dá vontade de seguir em frente, continuando a trabalhar para dignificar o folclore e divulgar a nossa terra. Temos, entre nós, gente empenhada e disposta a trabalhar e, por isso, o futuro só poderá ser melhor do que foi o nosso passado. Espero que este rancho cresça ainda mais e possa afirmar-se como um defensor acérrimo das raízes e das tradições populares.
*Publicada no Jornal de Resende, n.º de Setembro de 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ao almoço, no restaurante "Gentleman" com Luís Pinto, maestro do Grupo Coral de Resende*

“Ele é integralmente um gentleman”
Esta citação de Rebeca West, escrita na parede à direita, logo à entrada do restaurante, define e caracteriza o ambiente acolhedor, a arte de bem receber, o bom gosto e a qualidade da comida. Este novo Gentleman, capitaneado por Manuel Pedro Gomes, de decoração sóbria e de muito bom gosto, corporiza o conceito abrangente de restauração: pratos regionais, refeições para dias especiais, almoços muito económicos de preço fixo, pizas, massas e menus infantis, de entre outros destaques. Com bom tempo, poder-se-á desfrutar do espaço convidativo da esplanada. Algumas informações úteis encontram-se no site www.o-gentleman.pt
Luís Pinto, seguindo a sugestão do chefe, escolheu polvo à lagareiro. Foram assim pedidas duas doses. O polvo foi acompanhado de batatas a murro e grelos, uma delícia para desencadear uma boa conversa, em noite amena de Outono.


Quem é Luís Pinto
Luís Manuel Almeida Matos Ferreira Pinto nasceu no Enxertado, a 28 de Agosto de 1960. Frequentou a escola primária desta povoação. Ainda hoje conserva boas recordações deste período, ressaltando o convívio e as brincadeiras com os colegas. Por influência dos pais, de fé convicta e católicos praticantes, ingressou no Seminário de Resende, que frequentou até perfazer o antigo 5.º ano (actual 9.º ano). Aqui foi seu professor de música o Cónego Manuel Esteves Alves, guardando dele a imagem de um formador de competências multifacetadas e exigente. De Resende transitou para o Seminário Maior de Lamego, de onde saiu no fim do antigo 7.º ano (actual 11.º ano). Como os estudos do seminário só davam equivalência à secção de letras do antigo 5.º ano, teve de frequentar o Externato D. Afonso Henriques, onde fez exame às disciplinas da secção de ciências. Terminado o 5.º ano (actual 9.º), ingressou no Liceu Latino Coelho, de Lamego, onde concluiu o 12.º ano, na área de científico-naturais.
Após terminar o ensino secundário, pensou seriamente em prosseguir estudos universitários, mas um amigo de Resende informou-o de um concurso para a Caixa Geral de Depósitos que estava a decorrer. Mandou um postal, manifestando interesse e referindo os dados das habilitações académicas. Passado algum tempo, foi convocado para fazer testes psicotécnicos, cujos resultados positivos levaram à sua admissão nos quadros desta instituição bancária. Assim, em 1982 entrou para a Agência de Resende, onde se manteve 22 anos. Em 2004, foi transferido para a Agência da Lixa, onde permaneceu dois anos. Em 2006, foi trabalhar para a Agência da Régua como sub-gerente. Por fim, em 2008 voltou para a Agência de Resende como sub-gerente, onde permanece actualmente.
Para além da suas actividades profissionais (onde teve cinco promoções por mérito) e musicais, cultivou ou cultiva outros interesses. Foi presidente da juventude social democrata, a nível concelhio, durante vários anos. Foi deputado na Assembleia Municipal de Resende durante 22 anos, tendo sido condecorado com a medalha de ouro do município. Fez parte da mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Resende durante dois mandatos. Foi presidente do Grupo Desportivo de Resende durante vários mandatos, designadamente entre 1989 e 1991, que foram as melhores épocas de sempre do Grupo. Foi presidente da Associação Social Desportiva Recreativa e Cultural Pró-Resende de 1999 a 2004. É membro do Rotary Clube de Resende desde 2007.
Tem uma irmã. É casado. Tem duas filhas e vive em Anreade.

Ligação à música
Luís Manuel Almeida Matos Ferreira Pinto vive e respira música desde que nasceu. Além do bandolim, que aprendeu com o pai e executa desde os 6 anos, toca também piano, viola, guitarra, acordeão, trompete, cavaquinho e flauta. Aprofundou os seus dotes musicais nos seminários de Resende e Lamego, que frequentou durante sete anos, onde teve grandes mestres, tendo pertencido à banda do seminário maior, onde tocava trompete.
Foi professor de música na então escola preparatória de Resende, onde ensinou piano e viola. Ministrou cinco cursos de iniciação musical no âmbito do ensino extra-escolar. Fundou e dirigiu o Grupo Cénico e Folclórico do Enxertado, entretanto extinto. Dirigiu também os coros litúrgicos do Enxertado e da igreja matriz de Resende.

20 anos à frente do Grupo Coral de Resende
Luís Pinto está na origem da criação do Grupo Coral de Resende, que dirige desde o seu início. Importa referir que foi a partir de um curso de iniciação musical lançado no âmbito da então coordenação concelhia da extensão educativa, que arrancou em Fevereiro de 1991, que o Grupo Coral foi constituído. A primeira actuação teve lugar a 21 de Setembro 1991 no salão dos bombeiros.
Em Resende, o Grupo Coral tem marcado presença nas comemorações do 25 de Abril e nas festas da Labareda, feiras e lançamento de livros, efemérides e eventos culturais. Tem sido ainda muito solicitado para actuações por parte de câmaras municipais, paróquias e outras instituições. A sua presença em casamentos é cada vez mais requisitada. Por sua vez, Os Encontros de Coros de Resende, por si organizados anualmente, têm trazido ao nosso concelho muitos grupos de grande qualidade.
Merecem realce especial as deslocações à Suíça e Canadá a convite das nossas comunidades de emigrantes, onde efectuou diversas actuações, com destaque neste último país, onde o Grupo não teve descanso durante uma semana. O mesmo aconteceu numa recente deslocação à Madeira, onde foi muito acarinhado.
É de referir ainda que este grupo coral efectuou uma gravação para a RDP e participou no CD da colectânea “Os melhores coros da região norte”. Espera lançar brevemente um CD.
A boa notícia no âmbito do seu 20.º aniversário está relacionada com a atribuição de sede própria, no r/c do edifício da antiga Delegação Escolar, mercê de um acordo de cedência por parte da Câmara Municipal.

Respostas breves

1. Onde passou as últimas férias?
Em Palma de Maiorca

2. Compra preferencialmente português?
Depende

3. Quais os seus passatempos?
Actividades ligadas à música e à realização em vídeo

4. Qual o momento mais feliz da vida?
O casamento e nascimento das filhas

5. E o mais triste?

A morte do meu pai

6. Que faz para ultrapassar as “neuras”?
Toco viola ou dedico-me ao restauro de mobílias

7. Qual o seu prato preferido?
Parrilhada de marisco

8. Qual a obra mais necessária para o futuro do concelho de Resende que falta fazer?
As ligações à A4 e A24

9. O que mais admira nos outros?
Espírito de iniciativa e lealdade

10. O que mais detesta nos outros?
Cobardia e falsidade

11. Qual é a festa que lhe dá mais gozo comemorar?
Natal e fim de ano por serem festas de família

12. Quais os locais do concelho para onde costuma ir passear?
Caldas de Aregos e Porto de Rei

13. Tem algum objecto que guarda com particular predilecção?
Alfinete de gravata, por ter sido oferecido por uma pessoa muito especial

14. De que mais se orgulha?
De ter contribuído para o êxito do Grupo Coral de Resende

15. Quais as três obras mais importantes para o concelho feitas após o 25 de Abril?
Ponte da Ermida, requalificação da vila, piscina coberta e auditório municipal, entre outras obras

16. Acredita que a construção da estrada Resende/Bigorne irá arrancar brevemente?
Tenho muitas dúvidas

17. Os resendenses têm acarinhado devidamente o Grupo Coral de Resende?
Têm. Nas actuações está sempre muita gente, que nos acompanha e acarinha

18. Associa a palavra Resende a..?
Cerejas, cavacas e Grupo Coral de Resende

19. Já foi multado por infracção ao código da estrada?
Sim

20. Já alguma vez deu uma prenda que lhe tinha sido previamente oferecida?
Não

21. Concorda que o Estado limpe as matas de quem não o fizer e mande a conta?
Acho que numa primeira fase as pessoas devem ser devidamente informadas e avisadas para limpar as matas de que são proprietárias. Caso não o façam, então sim.

22. Que áreas deverão ser privilegiadas para criar emprego em Resende?
Deve-se apostar no turismo e na criação de empresas, ocupando os lotes disponíveis na área empresarial de Anreade

23. Refira dois nomes que mais contribuíram para o desenvolvimento de Resende?
Eng. António Borges e Dr. Albino Brito de Matos

24. Acha que a Câmara Municipal de Resende tem apoiado devidamente o Grupo Coral de Resende
Sim, na vertente logística e financeira

25. Costuma cantar músicas quando está sozinho?
Sim. Até já toquei violino na casa de banho

26. De que mais gostou deste novo Gentleman?

É um espaço de excelência, com um serviço muito esmerado


*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, número de Dezembro de 2011

terça-feira, 27 de abril de 2010

A caça em Resende*

Notas soltas sobre a actividade da caça
A caça sempre exerceu um fascínio sobre muitas pessoas. Parece ser uma actividade desencadeada por mecanismos de base filogenética, que tem acompanhado a evolução da humanidade. Sabe-se que o homem subsistiu principalmente através da sua condição de predador/caçador, competindo com os animais selvagens e perseguindo-os para a obtenção da carne para alimento e, como produtos subsidiários, das peles para agasalho, das gorduras para tratamento e conservação de utensílios e, mais tarde, para iluminação e dos ossos e das fibras para a confecção de instrumentos e armas. Aliás, a história da caça está intimamente ligada à evolução e aperfeiçoamento das armas de que o homem se foi munindo e que lhe foram conferindo supremacia sobre os outros seres. O caminho foi longo na sofisticação dos meios de defesa e ataque, desde o uso da força física, das unhas, dentes, pedras, paus, gaiolas e armadilhas (armas silenciosas) até às armas de fogo, a partir dos séculos XV/ XVI.
A importância dos animais e da caça está bem patente nas gravuras e desenhos rupestres, como testemunho inspirador de arte e comunicação desde os primórdios da humanidade. De actividade de sobrevivência, foi-se transformando numa manifestação de lazer e convívio, abarcando as classes privilegiadas. Daí as coutadas para fruição de reis, de aristocratas e das gentes abastadas, que conflituavam com os interesses e necessidades de quem nelas vivia e dos moradores circundantes, cujo regime, após suspensões temporárias durante a monarquia liberal e a primeira república, persistiu até ao 25 de Abril, tendo sido extinto em 1975 pelo Decreto-Lei n.º 407-C/75, de 30 de Julho, já que a respectiva concessão “sob a capa de medidas de protecção e de fomento da caça, mais não constituía do que uma fonte de privilégios a que urgia pôr termo”.
Retomando uma concepção maioritariamente partilhada, o que subjaz actualmente ao enquadramento legal do exercício da caça é o princípio segundo o qual as espécies cinegéticas (aves e mamíferos terrestres que se encontrem em estado de liberdade) não pertencem a ninguém, não se podendo confundir o direito de caçar com o direito de propriedade sobre os terrenos onde os animais se encontram.

Zonas de caça
Actualmente, existem dois regimes cinegéticos: o regime especial que se exerce em zonas de caça ordenadas, obedecendo à circunscrição de áreas mínimas de gestão (viável para as respectivas espécies) e com planos de exploração, e regime livre, abrangendo zonas não ordenadas, onde não é preciso pagar para caçar, estando prevista a sua extinção, embora tenha a oposição de cerca de 100.000 caçadores. As zonas ordenadas, de regime especial, contemplam cerca de 80% do território e podem prosseguir os seguintes objectivos: i) de interesse nacional (constituídas por áreas com determinadas características físicas e biológicas essenciais à preservação de determinadas espécies ou por zonas sensíveis à segurança do Estado, cuja gestão pode ser transferida para associações e autarquias); ii) de interesse municipal (para proporcionar o exercício organizado de caça a um número maximizado de caçadores em condições acessíveis); iii) de interesse turístico (que conciliam o aproveitamento económico dos recursos cinegéticos com a prestação de serviços turístico); e iv) de interesse associativo (que privilegiam o incremento do associativismo dos caçadores e o respectivo exercício de gestão).

Associações de caçadores do concelho de Resende
Actualmente, no nosso concelho, encontram-se constituídas três associações ligadas à caça: i) o Clube de Caça e Pesca de S. Cristóvão, com sede em Felgueiras; ii) a Associação de Caçadores e Pescadores de S. Cipriano, com sede na antiga escola de Covelinhas e iii) a Associação de Caçadores das Quelhas, com sede na antiga escola de Quelhas/Barrô.
O Clube de Caça e Pesca de S. Cristóvão foi constituído em 17.06.1998, tendo como presidente Francisco Rodrigues Rocha. Tem à volta de 80 sócios e abarca as freguesias de Felgueiras, Feirão, Panchorra e Ovadas. Constitui a zona de caça associativa de S. Cristóvão (Proc. N.º 851-DGRF/Direcção Geral dos Recursos Florestais). De acordo com os procedimentos obrigatórios, há placas identificativas de 100 em 100 metros ao longo dos limites da zona e das estradas. Para a constituição do processo foi obtida a autorização dos proprietários ou usufrutuários e arrendatários dos terrenos que constituem a zona de caça. Ninguém se opôs, embora esteja prevista tal faculdade. Caso fosse exercida, os interessados (que não poderiam ser titulares de carta de caçador) deveriam comunicar tal propósito à Direcção Geral dos Recursos Florestais, comprometendo-se a sinalizar o respectivo terreno.
A Associação de Caçadores e Pescadores de S. Cipriano foi constituída em 10.01.2002, tendo como presidente Jorge Manuel Teixeira Pinto. Tem 230 sócios e gere a zona de caça municipal do Penedo de S. João (Proc. 3350-DGRF), tendo aumentado a área de influência com a extinção da Associação de Caçadores e Pescadores da Cerca (Anreade). Abrange terrenos das freguesias de Freigil, S. Cipriano, Miomães, Anreade, Resende, S. Romão, Cárquere e Ovadas, totalizando 4 500 hectares. Além da caça às espécies habituais, tem efectuado várias batidas à raposa e montarias ao javali. Contudo, a grande obra, orgulho da actual direcção, é o cercado de 2 500m2, edificado há dois anos em Freigil, destinado ao fomento da criação de coelhos, cujos frutos já são visíveis no repovoamento da zona.
A Associação de Caçadores das Quelhas foi constituída em 17.10.1991, tendo como presidente Arlindo Manuel Pinto. Tem cerca de 190 sócios e gere a zona de caça associativa de Mesquitela (Proc. 2054-DGRF), abarcando terrenos de S. Martinho de Mouros, Barrô e Penajóia, e duas zonas de caça municipal, respectivamente a do Castro da Mogueira (Proc. 3209-DGRF), abarcando Barrô, S. João de Fontoura, Paus e S. Martinho de Mouros, e a de Fraga do Lobo e Santo Maroto (Proc. 4551-DGRF), englobando Samodães e Penajóia. Candidatou-se ainda à gestão de uma nova zona de caça municipal, de 105 hectares, com fortes probabilidades de concessão, onde predomina uma grande população de tordos, com garantias de crescimento. Convém salientar que foi com a actual direcção que esta associação ganhou um novo dinamismo, com reflexos visíveis, entre outras áreas, nas obras de requalificação da sede (ex-escola), na gestão informatizada, na implementação de um cercado de 5 000m2 com as infra-estruturas necessárias tendo em vista a criação e repovoamento de coelhos, na aposta em actividades de pesca com a concessão da gestão da ribeira de S. Martinho/rio Bestança e no fomento da criação de trutas.

Zonas de caça associativa e municipal: algumas características distintivas
Ambas são zonas criadas por portaria do Ministro da Agricultura, que define a área abrangida e estabelece o prazo de constituição/concessão, que na zonas municipais é de seis anos, podendo ir, no caso das zonas de caça associativa, de seis a doze anos, renováveis. No caso das zonas de caça municipal, são também definidas as percentagens de acesso de caçadores de acordo com prioridades estabelecidas legalmente (desde proprietários de terrenos nelas inseridos e membros das associações gestoras da zona até caçadores residentes e não residentes no respectivo município), já que às zonas de caça associativa têm acesso os sócios e convidados.
Com vista ao ordenamento dos recursos cinegéticos, o Estado pode transferir para associações de caçadores e organizações do sector da agricultura, da floresta e do ambiente e para as autarquias locais, incluindo Juntas de Freguesia, a gestão de terrenos cinegéticos ainda não ordenados, com vista à constituição de zonas de caça municipal. É do interesse do Estado promover esta transferência, pois só assim se tenderá ao ordenamento do território nesta matéria, assegurando-se assim a conservação, fomento e povoamento equilibrado das espécies cinegéticas. A transferência pode ocorrer por iniciativa do Ministério da Agricultura ou por candidatura das instituições atrás referidas. Estão nesta última situação a Associação de Caçadores e Pescadores de S. Cipriano e a Associação de Caçadores das Quelhas.
As entidades gestoras das zonas de caça municipal têm de apresentar anualmente à Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF) um plano anual de exploração, propondo, nomeadamente, o número de exemplares de cada espécie a abater, que deverá corresponder à previsão do somatório da respectiva distribuição dos mesmos exemplares pelas jornadas de caça estabelecidas. Terá ainda de promover a divulgação das condições de candidatura e de acesso dos caçadores às jornadas de caça. Refira-se que, embora da candidatura à zona de caça municipal não faça parte a apresentação de um dossiê com a descrição do assentimento dos proprietários dos terrenos, estes podem sempre manifestar o direito à não caça nos mesmos. Por sua vez, as entidades gestoras das zonas de caça associativa têm de comunicar à DGRF os resultados anuais de exploração da época venatória anterior para verificação do cumprimento do plano de ordenamento e exploração cinegética, aprovado aquando da concessão da respectiva zona. Para isso, anualmente, no início da época venatória, a direcção da associação estabelece um limite de cada espécie a abater por jornada de caça.
Não é feita a caracterização de zonas de caça turísticas, já que as mesmas se cingem quase exclusivamente ao Alentejo, podendo ser geridas por entidades públicas e privadas, sendo consideradas por muitos como verdadeiras coutadas.

Caçar é caro
Mesmo que o exercício de caça se restrinja a zonas não ordenadas, os caçadores têm de cumprir um conjunto de requisitos: serem titulares de carta de caçador, terem licença de caça, possuírem licença dos cães que os acompanham, serem portadores de licença de uso e porte de armas e ainda livrete de manifesto, no caso de armas de fogo, e seguro de caça. Para ter acesso a zonas de caça é necessário pagar as quotas e as taxas respectivas. Mas as entidades gestoras têm um conjunto de obrigações que implicam muitas despesas, desde o pagamento de rendas e taxas à DGRF, a organização e actualização dos processos até iniciativas para a conservação e fomento de espécies cinegéticas.
No que respeita às três associações do concelho de Resende, as mesmas têm desenvolvido várias acções concretas nesta matéria, preparando e semeando centeio e outros cereais em vários terrenos e leiras e distribuindo comida apropriada por locais estratégicos e em determinados períodos do ano, destinada às várias espécies cinegéticas.
De referir ainda que o Clube de Caça e Pesca de S. Cristóvão tem ao seu serviço um guarda florestal auxiliar para policiar e fiscalizar a respectiva zona concessionada.
Montaria de caça ao javali
A montaria é um processo de caça em que o caçador aguarda em local previamente definido (portas) para capturar exemplares de caça maior (como javalis, veados e corços), levantados por matilhas de caça cujos cães são devidamente treinados e conduzidos por matilheiros. No nosso concelho, são organizadas anualmente diversas montarias, justificadas pelo aumento de javalis, a última das quais foi levada a efeito no passado dia 5 de Dezembro pela Associação de Caçadores das Quelhas. O programa, que teve início às 08h00 com a concentração na sede e terminou com um almoço, integrou um pequeno-almoço recheado (“Taco”), uma palestra e o sorteio das portas, com a saída das armadas, comandadas por um postor, que distribuiu os monteiros pelos locais correspondentes devidamente numerados. A montaria teve a participação de 51 caçadores, tendo contado com a mobilização de 4 matilhas (constituída cada uma por cerca de 30 cães), duas das quais vieram, respectivamente, de Idanha- a- Nova e Alcobaça. O resultado saldou-se na caça de 7 javalis e sobretudo por muito convívio. Uma nova montaria, organizada por esta Associação, está prevista para 16 de Janeiro do próximo ano.

Endereços
1. Clube de Caça e Pesca de S. Cristóvão
Felgueiras 4660 – 080 Resende Telef. 254 877 058 e 963 980 325

2. Associação de Pescadores e Caçadores de S. Cipriano
Covelinhas/S. Cipriano 4660-306 Resende Telef. 254 875 145 e 917 922 403

3. Associação de Caçadores das Quelhas
Lugar do Crucial/Barrô 4660 – 037 Resende Telef. 918 775 302 e 939 320 734
*Apontamento da autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende (número de Dezembro de 2009)
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