Mostrar mensagens com a etiqueta Desporto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Desporto. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Entrevista do Jornal de Resende ao Presidente do CDRC de S. Martinho de Mouros, Jorge Pereira

 Duas afirmações que merecem destaque nesta entrevista conduzida por Paulo Sequeira: “Não temos um único jogador a receber dinheiro” e “O sucesso deve-se à força de vontade de pouca mas boa gente”.
Já é oficial. O CDRC S. Martinho de Mouros vai participar no Campeonato Nacional da 3.ª Divisão de Futsal, série B, na época de 2012/2013, depois de ter aceite o convite da Federação Portuguesa de Futebol, em virtude do 2.º lugar obtido no campeonato distrital de Viseu, da Divisão de Honra.
Em entrevista ao Jornal de Resende (JR), Jorge Pereira (JP), presidente da direção do CDRC S. Martinho de Mouros, explica as causas do sucesso deste clube singular, fundado em 1989, na vila de S. Martinho de Mouros, que a partir da próxima época divulgará, ao mais alto nível, o nome do concelho de Resende no Campeonato Nacional de Futsal.
Perfil
Nome: Jorge Paulo de Melo Pereira

Idade: 36 anos
Estado Civil: Solteiro
Profissão: Engenheiro Civil
Tempos livres: Conviver com os amigos, jogar futebol e praticar ski

Jornal de Resende (JR): O CDRC S. Martinho de Mouros vai participar no Campeonato Nacional da 3.ª Divisão de Futsal, série B, na época de 2012/2013. A subida acabou por ser uma surpresa?
Jorge Pereira (JP): Não. Já havia essa intenção embora nestas coisas não existam certezas absolutas. No entanto, o nosso principal objetivo passava pela conquista da Taça de Futsal da Associação Distrital de Viseu.

JR: Mas se calhar na época de 2011/2012 falou-se menos em subida de divisão do que em épocas anteriores...
JP: Em épocas anteriores tivemos equipas com muitos e bons jogadores do concelho, que falavam constantemente na subida pelos lugares públicos que frequentavam, logo, era mais divulgado. Nesta época foi criada uma nova mentalidade, sem grandes euforias com grande humildade o que contribuiu para que se falasse menos em subida de divisão. Tudo isto se deve ao grande trabalho desenvolvido pelo Ferro o nosso Treinador.

JR: O clube, fundado em 1989, teve como modalidade de eleição inicial o Futebol de 11 até 2004/2005, época em que apareceu o Futsal. A partir daí, participou por 7 vezes na Divisão de Honra do Campeonato Distrital de Futsal de Viseu, sempre com bons resultados, tendo obtido a sua melhor classificação na época passada, o que lhe permitiu a subida de divisão. É a concretização de um velho sonho?
JP: É o culminar de um sonho de muitas pessoas e de muitos anos. É, também, uma grande prenda para quem anda no clube há muito tempo, pois este é um trabalho que vem de longe, nomeadamente dos treinadores que deixaram aqui bons métodos de treino…

JR: A equipa do ano passado ficou em 2.º lugar, com 53 pontos, a 1 ponto do Rio de Moinhos, tendo obtido 16 vitórias, 5 empates e 5 derrotas (111 golos marcados e 63 sofridos). Como define essa equipa?
JP: Grandiosa Equipa!... Pessoalmente, penso que foi a melhor equipa que o clube teve e ficará para sempre ligada a este grande momento do clube.

JR: A que se deve(u) este sucesso?
JP: O sucesso deve-se à força de vontade de pouca mas boa gente. À união, à garra e ao bairrismo das gentes de S. Martinho de Mouros. À equipa de futsal, que é uma família, um grupo de amigos, grande parte deles naturais da terra. Queria realçar que não temos um único jogador a receber ordenado. Todos eles jogam porque gostam da modalidade, do clube e de S. Martinho de Mouros. Para mim são uns heróis…

JR: Esse “amor à camisola” é para manter na 3.ª Divisão?
JP: Sem dúvida. Vamos manter a estrutura da equipa, havendo apenas a saída de dois ou três jogadores que emigraram à procura de trabalho e de melhores condições de vida. Estamos, também, em conversações com dois atletas que jogaram na 1.ª Divisão Nacional e que gostavam de jogar na nossa equipa, apesar de saberem que não receberão ordenado…

JR: Quais são os grandes objetivos para a próxima época?
JP: A manutenção, apesar de sabermos que será extremamente difícil. Só para se ter uma ideia, vamos participar numa das séries mais difíceis da 3.ª Divisão, a série B, competindo com equipas como o Leça, o Lourosa, o Gondomar, o Lamas e o Alpendorada que ainda recentemente disputava a 1.ª Divisão.

JR: Para uma participação nos nacionais são necessários (mais) apoios...
JP: Em termos institucionais temos tido apenas o apoio da Câmara Municipal de Resende, quer em termos logísticos, quer em termos financeiros. Depois temos a ajuda de alguns patrocinadores, que, por incrível que pareça, são de fora do concelho. Esperamos reverter essa situação, até porque constituímos um bom veículo de promoção e de divulgação.

JR: Qual foi o orçamento da época anterior?
JP: Cerca de 15 mil euros.

JR: O apoio dos sócios e simpatizantes tem sido importante?
JP: Sim. Temos, atualmente, cerca de 200 sócios. Muitos deles estão fora e não têm oportunidade de nos acompanhar, depois resta-nos aqueles poucos mas bons que vão ver os nossos jogos... Vamos tentar levar mais gente aos jogos e esperar que as nossas mentes se apercebam do trabalho que este clube vem a fazer em nome da nossa terra.

JR: Como farão isso?
JP: Vamos tentar angariar mais sócios, até porque o podem ser por apenas 10 euros, e apostar, ainda mais, nas novas tecnologias de comunicação. Vamos desenvolver um novo site (http://smmfutsal.com.sapo.pt) para que os sócios e simpatizantes possam estar ao corrente de toda a atividade do clube, até porque há uma grande comunidade de São Martinhenses a trabalhar e residir no estrangeiro e que gostam de saber notícias do clube da sua terra.

JR: Porque é que acabou a formação no clube?
JP: Deixamos de ter camadas jovens por causa dos custos financeiros. O clube precisa de estar estável para estar bem. Se calhar foi esse o sucesso desta época.

JR: Entretanto apareceu em S. Martinho de Mouros a escola de futebol/futsal “Os Afonsinhos”…
JP: Achamos que “Os Afonsinhos”, que estão a trabalhar muito bem, deveriam estar unidos ao nosso clube. Se começamos a dividir as coisas os resultados nunca serão os melhores…

JR: Nos últimos três anos em que esteve à frente do CDRC S. Martinho de Mouros, o que ou quem gostaria de destacar pela positiva?
JP: Queria entre outras coisas destacar duas pessoas. O Pedro Carvalho, o nosso capitão da equipa e membro da direcção, é sem dúvida o motor deste clube e está presente em tudo o que é necessário. O Jorge Aníbal… grande jogador… o verdadeiro exemplo de um desportista, um talento do concelho, um grande admirador deste clube.
E claro um agradecimento muito especial a todo o grupo de trabalho que foi fantástico e que dedica este grande êxito ao amigo e antigo membro da direção Nelo Xavier.

JR: … e pela negativa?
JP: A nossa Junta de Freguesia que não nos apoiou em nada e que até hoje não teve uma palavra de reconhecimento pelo nosso bom trabalho.

JR: Que jogos de preparação estão previstos?
JP: A pré-época vai começar no dia 13 de agosto e, até ao primeiro jogo oficial da Taça de Portugal de Futsal, em outubro, vamos realizar 7 jogos de preparação: com o Freixieiro, no Torneio “Cidade de Baião” (dia 19), em Baião; com o Castro Daire (dia 25), em S. Martinho de Mouros; novamente com o Freixieiro na apresentação da equipa aos sócios (dia 2); com o Miramar (dia 15), em S. Martinho de Mouros; com o Viseu 2001 (dia 22), em Viseu; e com o Tabuaço (dia 29), em S. Martinho de Mouros.

JR: Quais são os primeiros jogos oficiais do CDRC S. Martinho de Mouros na época 2012/2013?
JP: Começamos a disputar a Taça de Portugal de Futsal, em casa, defrontando o Pinheirense, no dia 6 de outubro. Para o campeonato, na 1.ª jornada, vamos jogar novamente com o Pinheirense, no dia 13 de outubro, e recebemos na 2.ª jornada os Amigos Abeira Douro, da Régua, no dia 20 de outubro.
*Entrevista publicada no Jornal de Resende, número de Agosto de 2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Alexandre Bastos, Presidente do GDR, em entrevista ao JR: "Vamos continuar a crescer de forma sustentada.(…) Todos temos de estar à altura do novo estádio”

Entrevista conduzida por Paulo Sequeira

Alexandre Bastos foi reeleito no passado dia 6 de julho, presidente da direção do Grupo Desportivo de Resende (GDR), para o biénio 2012/2014. Em entrevista ao Jornal de Resende (JR), o dirigente desportivo aborda a atualidade do clube, recordando as dificuldades financeiras do primeiro ano de mandato, o sucesso desportivo da última época e, perspetivando um “crescimento sustentado do clube” na nova época desportiva.

Perfil

Nome: Manuel Alexandre Monteiro Almeida Bastos

Idade: 39 anos
Estado Civil: Casado, duas filhas
Profissão: Mediador de Seguros
Tempos livres: Futebol e jardinagem

Jornal de Resende (JR): O que o levou, em 2010, a candidatar-se à Direção do GDR?
Alexandre Bastos (AB): O gosto que tenho pelo GDR. Entendi, na época, que poderia ser uma mais valia, uma vez que, durante alguns anos, já tinha sido atleta e treinador do clube.

JR: Como encontrou o clube em termos financeiros?
AB: Encontrei um clube com um saldo negativo, a rondar os 20 mil euros.

JR: Isso condicionaria toda a época…
AB: Sim. O saneamento financeiro do clube foi prioritário em detrimento dos resultados desportivos. Por conseguinte, no final da época, os resultados desportivos não foram os melhores em contraponto aos resultados financeiros, que tiveram mesmo um saldo positivo.

JR: A equipa de futebol sénior, que disputou a 1.ª Divisão Distrital Zona Norte da Associação de Futebol de Viseu, ficou em último lugar, com apenas 1 vitória e 3 empates. A qualidade dos jogadores era assim tão fraca?
AB: A equipa não era tão má como indicam os resultados. Tínhamos um grupo muito jovem e inexperiente, com a agravante de andarmos com a casa às costas. O Estádio de Fornelos estava em obras e os jogos eram realizados em Miomães. Os próprios Diretores e Treinadores, que trabalhavam por carolice, suportavam as despesas das deslocações, que não eram tão poucas quanto isso, uma vez que estamos a falar em dois treinos por semana mais um jogo.

JR: Nessa altura, alguma vez pensou em desistir?
AB: Sim. Dei comigo, muitas vezes, a pensar onde me tinha metido, mas depois veio ao de cima o amor ao clube e os bons momentos vividos como atleta e treinador, que acabaram por ajudar a levar o barco a bom porto.

JR: A época seguinte foi completamente diferente…
AB: Começamos a época num Estádio novo, com um novo treinador e com novos jogadores. Os objetivos eram novos mas não passavam pela subida de divisão, face aos resultados da época anterior.

JR: O que é certo é que, no final, obtiveram o 3.º lugar (14 vitórias, 4 empates e apenas 6 derrotas) e ganharam a liguilha ao Santiago de Cassurrães, estando em aberto a subida à divisão de honra…
AB: Contrariamente às expectativas fizemos uma época muito boa. Tínhamos uma equipa mais forte e experiente e uma equipa técnica que fez um excelente trabalho, conseguindo transmitir as suas ideias, nomeadamente um modelo de jogo. A partir da quarta jornada, os resultados começaram a aparecer e, na segunda volta, fomos a equipa que obteve mais pontos, conseguindo depois vencer a liguilha.

JR: A quem, particularmente, se deve(m) o(s) mérito(s) desses resultados?
AB: O mérito é de todos: jogadores, treinadores, direção, fisioterapeuta, roupeiro… Todos juntos fizemos um excelente grupo de trabalho.

JR: As infraestruturas também ajudaram…
AB: O novo Estádio Municipal de Fornelos trouxe novas responsabilidades. Aos dirigentes, aos técnicos, aos atletas... Todos temos de estar à altura das novas e boas condições de trabalho oferecidas pelo novo Estádio de Fornelos. No entanto, devo referir, também, que foi necessário apetrechá-lo com outros equipamentos que permitissem melhorar ainda mais as condições diárias de treino. Estou a falar, por exemplo, de uma lavandaria e de outros pequenos apetrechamentos que fomos realizando ao longo da época…

JR: E em termos de formação?
AB: Os resultados, na sua generalidade, foram razoáveis. Quando cheguei ao clube existiam três escalões de formação. Hoje temos cinco escalões de formação. Os jovens estão a adaptar-se a um novo ciclo, a novos treinadores, a novos métodos e à relva. Temos atualmente 172 atletas de quem muito nos orgulhamos. Tivemos a sorte, também, de contar com uma pessoa da casa que regressou ao clube e assumiu o cargo de treinador de três escalões de formação. Estou a falar do José Rabaça.

JR: O que o “surpreendeu” mais neste último ano?
AB: A integração do Pedro Lima no GDR. É o fisioterapeuta do clube, para quem não o conhece, que está sempre disponível para ajudar. É um excelente profissional e acima de tudo um amigo.

JR: No último jogo da liguilha estiveram cerca de 600 pessoas no Estádio Municipal de Fornelos. Os adeptos e simpatizantes têm correspondido aos anseios do clube?
AB: Na verdade, espero que na próxima época continuemos a ter o apoio dos sócios e simpatizantes e que os mesmos nos ajudem a conseguir mais vitórias para o clube. Sendo certo que há sempre os críticos e que para esses nem as vitórias os satisfazem.
Para estarmos mais próximos dos associados, criámos, na época passada, um site oficial (www.gdresende.pt) que será desenvolvido durante a nova época, para que todos os associados e simpatizantes saibam as últimas notícias e resultados do clube.

JR: Quantos sócios tem o GDR?
AB: Ainda temos muito a trabalhar na questão dos associados. Atualmente, temos cerca de 200, mas queremos, nos próximos dois anos, atingir os 400.

JR: Com que outros apoios conta o clube?
AB: O apoio da autarquia tem sido constante ao longo da época, quer em termos financeiros, quer em termos logísticos. Sem ele o clube não teria sustentabilidade. Depois contamos com o apoio do comércio local através dos patrocínios que disponibilizamos no Estádio Municipal de Fornelos.

JR: O que o levou a recandidatar-se?
AB: Continuar o trabalho iniciado há dois anos para que o GDR possa avançar e crescer de forma sustentada, mas sem entrar em loucuras.

JR: Quais são os objetivos imediatos que ainda não foram concretizados?
AB: Estruturar o clube em termos administrativos. Já compramos um sistema informático e um programa que permitirá emitir cartões de associados, entre outras funções. Depois pretendemos modificar os estatutos que se mantêm inalterados desde a fundação do clube em 1928.

JR: O que os adeptos podem esperar da nova época em termos desportivos?
AB: Ainda não sabemos se subimos à Divisão de Honra. Se isso não acontecer, o objetivo é, desde logo, a subida. Independentemente disso, a equipa técnica mantém-se. O Rui Rebelo é um jovem treinador, natural de Resende, com grande competência. O plantel, que será composto por 23/24 jogadores, manterá o núcleo duro da época passada, no que se refere aos jogadores da terra, teremos a subida de 3 juniores ao escalão principal e 8 novos jogadores reforçarão a equipa sénior.

JR: Algum destaque nas contratações?
AB: Destaco o caso do Rogério, natural de Resende, que fez toda a sua carreira profissional nas divisões nacionais e que, nos últimos anos, fazia parte da equipa do Cinfães.

JR: Que estimativa tem para o orçamento da próxima época?
AB: Entre 50 a 60 mil euros.

JR: O GDR é a segunda filial do Futebol Clube do Porto? Que relação existe entre filiado e a filial?
AB: Não existe praticamente nenhuma relação, sendo certo que, num futuro próximo, tudo faremos para que isso se altere, até porque neste momento já temos instalações desportivas que nos permitem convidar a nossa filial para jogos particulares com as nossas equipas.

(Nota: na próxima edição será entrevistado o presidente da Direção do CDRC S. Martinho de Mouros)

Entrevista publicada no JORNAL DE RESENDE, n.º de Julho de 2012

segunda-feira, 15 de junho de 2009

CLUBE DESPORTIVO DE S. MARTINHO DE MOUROS APOSTA NO FUTSAL*

Origem do Clube Desportivo, Recreativo e Cultural

As gentes de S. Martinho de Mouros sempre tiveram grande apetência e paixão pelo futebol. Foi nesta vila que nasceu a primeira equipa estruturada do concelho, denominada “Football Club de S. Martinho de Mouros”, cuja apresentação ocorreu em 7 de Janeiro de 1923 em jogo disputado com o “ Lamego Football Club”. Faz parte da memória dos mais velhos o ambiente de grande animação que rodeava as tardes de domingo, durante os jogos de futebol, disputados pelos mais jovens no recinto defronte da escadaria da igreja do Senhor do Calvário e, mais tarde, no largo da Feira Nova. Antigos jogadores relatam com orgulho a forma como conseguiam apresentar o piso com condições mínimas para jogar em dias de chuva, revestindo-o de terra seca ou areia. Nos anos sessenta e setenta do século passado, S. Martinho de Mouros chegou a integrar os torneios organizados pela então FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho), afirmando-se como um dos melhores clubes da região. No início da década de oitenta, por falta de um campo de futebol com condições mínimas exigidas, não foi possível prosseguir os torneios nem sequer efectuar jogos com equipas das freguesias vizinhas.

Face a esta carência, o presidente da antiga Casa do Povo, Alípio Pereira de Faria, tomou a iniciativa de mandar fazer um campo de futebol em Vila Verde, cuja construção se iniciou em 1982, tendo ficado com condições mínimas para aí se jogar à bola um ano depois. Os balneários foram feitos a seguir com o contributo dos jogadores e adeptos do futebol local da altura. A fim de preencher os requisitos mínimos para a integração em torneios, outras obras tiveram de ser feitas, as quais só terminaram em 1988. Por isso, só nesse ano se procedeu à respectiva inauguração, tendo sido convidada uma equipa de prestígio, o Boavista Futebol Clube, patrocinada pelo Sr. Manuel Pereira, das Caves Cristal da Suíça, cujo resultado foi favorável à equipa visitante por 5-1. Este acontecimento despertou um enorme entusiasmo e teve grandes repercussões na freguesia, tendo despoletado a necessidade da formação de uma associação desportiva. E assim nasceu o Clube Desportivo, Recreativo e Cultural (CDRC) de S. Martinho de Mouros, cuja escritura foi efectuada em 26 de Outubro de 1989.

Victor Joaquim Cardoso Baptista encarregou-se da concepção e desenho do emblema identificativo do clube, tendo a respectiva bandeira sido paga pelos doze membros fundadores do mesmo. Os primeiros órgãos sociais da recém-formada associação foram constituídos a partir do núcleo fundador, tendo a direcção sido formada pelos seguintes elementos: António Pereira Lopes de Azevedo (presidente), Manuel da Silva (tesoureiro), Mário João Rebelo Osório de Faria (1.º secretário), Manuel Rodrigues Lourenço (2.º secretário) e José Pinto (3.º secretário).

O clube começou por participar no campeonato do Inatel na época desportiva de 1990/91, tendo ficado no 2.º lugar. Em 1991/92, entrou para a 3.ª divisão distrital e, no ano seguinte, ascendeu à 2.ª divisão distrital, onde militaram várias anos, tendo constituído um clube de referência do concelho e onde se formaram e passaram muitos atletas. Nesta década, foram realizados vários melhoramentos no campo de futebol, tendo o mesmo sido alargado e efectuadas obras de requalificação nas bancadas e nos balneários.


Equipa de futsal

Tendo em conta as exigências e os custos associados à manutenção do futebol federado para uma equipa inserida em meio rural, o CDRC de S. Martinho de Mouros desistiu desta modalidade, preferindo apostar na formação de uma equipa de futsal, o que aconteceu em 2004. E foi uma opção acertada, pois os bons resultados obtidos são disso uma demonstração. Na época de 2004/05, disputou o campeonato distrital da 1.º divisão (série única) de Futsal da Associação de Futebol de Viseu, integrando 16 clubes, tendo ficado em 3.º lugar. Na época seguinte 2005/06, obteve o 7.º lugar do mesmo campeonato da Série Norte, que integrou 11 clubes, tendo a Série Sul sido constituída por 12 equipas. Nesse ano, veio a obter o 1.º lugar na Liguilha, disputada por 4 clubes. Em 2006/07, o CDRC ascendeu à divisão de honra de Futsal da AF de Viseu, tendo obtido o 5.º lugar, de entre 12 equipas. Na época transacta (2007/08), ficou na 5.ª posição da mesma divisão, de entre 12 equipas. Na presente época, com 9 jogos disputados por igual número de equipas da época passada, o clube de S. Martinho de Mouros encontra-se a meio da tabela. Em juniores, participou no respectivo campeonato nas épocas de 2005/06 e 2006/07, tendo obtido, respectivamente o 2.º e 3.º lugares.


Dinâmica e festa do jogo

As dimensões do campo (40m de comprimento por 20m de largura), o menor peso e tamanho da bola, o reduzido número de jogadores por equipa (cinco, incluindo o guarda redes), o número livre de substituições e a ausência de foras de jogo, entre outras características, transformam esta modalidade num espectáculo de emoções fortes. Concretizando melhor algumas destas especificidades em relação ao futebol, importa salientar as seguintes: um jogador substituído pode voltar ao campo para substituir qualquer outro jogador; uma substituição pode efectuar-se sempre, esteja ou não a bola em jogo, devendo apenas o atleta que entra ou sai fazê-lo pelo sector especifico; a partida compreende dois períodos de 20 (vinte) minutos cada um, sendo o jogo cronometrado, de forma a contabilizar o tempo da bola em jogo; o intervalo tem a duração de 10 minutos; e cada equipa pode pedir um minuto de “tempo morto” em cada um dos intervalos para descansar ou receber instruções.

A elevada velocidade e agilidade de movimentos, a rápida aceleração e mudança de direcção em espaço reduzido, compartilhado por adversários e colegas de equipa, a capacidade de concentração, a rapidez de percepção das movimentações em campo e o talento de previsão para a adequada decisão constituem factores mais que suficientes para levar as pessoas ao Pavilhão de S. Martinho de Mouros, sábados à tarde.

Logo que o actual treinador, Prof. José Fernando de Almeida, me informou que o lema do futsal era “ataque e contra-ataque” resolvi fazer-me sócio do clube, prometendo reservar muitos sábados para assistir a este espectáculo recheado de imprevisibilidade, dinamismo e alegria, desenvolvido por uma equipa jovem e empenhada.


Intendência do clube

A “mística” da equipa, baseada no desportivismo, amizade e combatividade, é o combustível que a todos move. Ninguém ganha dinheiro nem há quaisquer gratificações. O clube apenas paga as refeições e lanches aquando dos jogos, ajuda os atletas na aquisição das sapatilhas e concede um subsídio para as deslocações para os treinos e jogos em S. Martinho de Mouros. Em jogos fora de casa, o transporte é efectuado numa carrinha do clube, cuja aquisição foi possível graças à comparticipação da Câmara Municipal de Resende e da Junta de Freguesia de S. Martinho de Mouros.

A gestão tem de ser rigorosa, pois, apesar de tudo, as despesas são muitas (filiação do clube e inscrição dos jogadores na AF de Viseu, exames médicos, policiamento, taxas de jogo…).

A Câmara Municipal tem concedido anualmente um subsídio de 6.000 euros e a Junta de Freguesia um outro no valor de 1.000 euros. O resto das receitas advém das quotas dos sócios (10 euros anuais), da exploração do bar da sede no pavilhão municipal, das angariações no cantar dos Reis/Janeiras, da venda de galhardetes, bonés e cachecóis, de fundos obtidos com um stand de comes e bebes montado na festa do Senhor do Calvário e de patrocínios de algumas empresas locais, designadamente a de Emídio Horácio que fornece gratuitamente os kispos, fatos de treino e equipamentos dos jogos.


Perguntas e respostas


Por quem é constituída a direcção do CDRC?

A direcção é constituída pelos seguintes elementos: José Manuel Xavier (presidente), Jorge Manuel Almeida Fonseca (vice-presidente), Manuel Fernando Rodrigues Xavier (secretário), José Manuel Castro António (tesoureiro) e Pedro Miguel Rodrigues Carvalho (vogal), que é o capitão da equipa.

O grande objectivo desta direcção é lutar pela classificação da equipa em lugar acima do meio da tabela e conseguir que a associação atinja cem sócios com as quotas em dia.


Quantos elementos integram o plantel e a equipa técnica?

O plantel é actualmente constituído por quinze jogadores, dos quais quatro vieram dos juniores, integrando a equipa principal pela primeira vez na presente época.

São provenientes de diferentes freguesias do concelho, com predominância de S. Martinho de Mouros e de Resende, havendo dois que vivem no concelho de Baião e um no concelho de Mesão Frio.

Treinam duas vezes por semana (às terças e quintas feiras) das 20 às 22 horas, sob o comando do Prof. José Fernando Rodrigues de Almeida, coadjuvado pelos treinadores adjuntos Nelson Almeida e Vitorino Ferro (antigo jogador).

O Enf. Ricardo Quintino dá o apoio possível, garantindo a boa forma física dos jogadores.


Tem havido transferências?

A equipa tem vivido sempre com a prata da casa, investindo na formação dos mais novos. Devido ao seu valor, tem havido jogadores aliciados por outros clubes O caso mais conhecido foi a transferência do guarda redes Ronaldo para a equipa de Futsal do Boavista. Desde o final da época passada, são quatro os jogadores da equipa de futsal de S. Martinho de Mouros que se encontram actualmente noutros clubes. Assim, o Marcos, o Samuel e o Prof. Rui Rebelo (ex-treinador e jogador) foram para o Grupo Desportivo de Resende. Por sua vez, o Serginho integra actualmente a equipa de Futsal de Balsa-Nova, que disputa a 3.º divisão nacional.


O que fazer para assistir aos jogos?

Os jogos em casa (Pavilhão Municipal de S. Martinho de Mouros) do campeonato e da taça disputam-se aos sábados com início às 16h. Os interessados apenas têm de desembolsar a módica quantia de um euro, o que constitui um valor simbólico. Costumam assistir à volta de oitenta pessoas. O clube tem uma página na internet sempre actualizada, com a história e dados relevantes, onde os interessados poderão consultar o calendário e os resultados dos jogos (http://smmfutsal.com.sapo.pt)

*Texto de autoria de Marinho Borges, publicado no Jornal de Resende, no número de Janeiro de 2009

Site Meter