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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Anselmo Borges em entrevista à Pública (06.02.2010): "A religião oprime quando impede a alegria a nível sexual"*

A Igreja Católica, como instituição de poder, tem muita dificuldade em lidar com o prazer e a sexualidade, diz Anselmo Borges, padre, teólogo e professor de Filosofia na Universidade de Coimbra. Autor de vários livros, este crítico de diversos aspectos da doutrina oficial católica explica ainda por que é que a Igreja recuperou causas da morte de Jesus, quando propaga a imagem de um Deus que aterroriza.

ABíblia e o cristianismo trouxeram ao mundo a ideia da dignidade divina de todos os seres humanos. Mas, apesar disso, a Igreja Católica lutou contra ideias como os direitos humanos, a secularização e a separação da Igreja e do Estado. O padre Anselmo Borges, membro da Sociedade Missionária da Boa Nova, admite que a religião tem sido e pode ser opressora, mas que só pode entender-se como força de liberdade e de libertação.
Nascido em 1944, em Resende, Anselmo Borges é uma das vozes singulares do catolicismo português. Dedicado há anos ao ensino da Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tem privilegiado a ética como área de reflexão. Mas a sua intervenção alarga-se ao campo mediático: colunista semanal do Diário de Notícias, publicou vários livros, entre os quais Janela do (In)visível, Religião: Opressão ou Libertação?, Morte e Esperança, Corpo e Transcendência, Janela do (In)finito. O último, Religião e Diálogo Inter-Religioso, publicado no final de 2010, fala do outro como fascínio e ameaça. "Talvez não seja por acaso que a primeira edição esgotou em três meses", comenta, porque "as pessoas andam preocupadas com a questão do outro, hoje mais sentido como ameaça".
Alimentando o gosto do pensar, Anselmo Borges diz que "a grande crise do nosso tempo é que já não há espaço para as grandes perguntas" Afirma que a Igreja precisa de assumir o valor da autonomia, confrontar-se com o pluralismo e com as neurociências, repensar a questão da sexualidade, da lei do celibato obrigatório e do lugar das mulheres. Organizador de dois congressos internacionais de teologia - sobre Deus no século XXI e o futuro do cristianismo (cujas actas estão publicadas) e, em Outubro, sobre Religião e (In)felicidade -, Anselmo Borges reflecte, aqui, sobre as razões da difícil relação do catolicismo com alguns temas da ética e da modernidade. E diz que a eutanásia é um problema em aberto...
Tomo o título de um dos seus livros para perguntar se a religião é opressão ou libertação.
A religião pode ser, tem sido e é, de facto, uma coisa e outra. Quando esmaga o ser humano, quando em nome de Deus se mata ou se impede a crítica ou o desenvolvimento das pessoas, quando em seu nome se cometem injustiças, aí a religião é opressora. E também oprimiu quando trouxe medos, com coisas como o inferno, com o impedimento da alegria a nível sexual, todo esse universo de pânico. Mas, pela sua própria dinâmica, ela é libertadora. Toda a religião arranca desta pergunta: o quê ou quem liberta e salva? Na sua raiz, ela só pode entender-se enquanto força de liberdade e libertação.
Um dos medos que refere é a sexualidade. O cristianismo tem medo dela?
É importante desfazer equívocos. Uma coisa é a Bíblia e a mensagem originária cristã, com Jesus Cristo. É interessante ver que Jesus, perante a sexualidade, mesmo confrontado com desvios, é tolerante e perdoa. A Igreja parece ter posto o acento no sexo e nos seus desvios, mas Jesus o que condenou de forma veemente foi fundamentalmente a ganância, a avareza, a opressão: "Não podeis servir a Deus e ao dinheiro." É necessário distinguir entre a Bíblia, onde se encontra um dos livros mais exaltantes do amor erótico, que é o Cântico dos Cânticos, e, depois, o mal-estar do cristianismo histórico em relação à sexualidade, que provém fundamentalmente dos gnósticos e de Santo Agostinho. Santo Agostinho é herdeiro de uma escola gnóstica, que é o maniqueísmo, que leva a gnose à radicalidade.
Então, Santo Agostinho trouxe também problemas...
Ele é um génio, mas trouxe ao Ocidente e ao cristianismo histórico verdadeiras tragédias do ponto de vista sexual. Ele era maniqueu e, a partir do maniqueísmo, tinha resolvido o problema do mal: há dois princípios, um do bem e outro do mal. Há uma questão que se coloca sobretudo aos crentes: se Deus é infinitamente bom e omnipotente, como se explica o mal? Através do maniqueísmo, ele tinha resolvido o problema. Mas, uma vez convertido, precisa de encontrar uma solução, pois o cristianismo diz que Deus, quando olhou para o mundo, viu que tudo era bom. Donde vem então o mal? Quando se converte ao cristianismo, Santo Agostinho tem de encontrar a origem do mal. Vai à Carta aos Romanos, de São Paulo, e lê: "Adão, no qual todos pecaram." Mas o grego (ele só conhecia o latim) diz: "Porque todos pecaram." Uma coisa é Adão ser o primeiro que peca, outra é dizer que, nele, todos pecaram. E de tal modo pecaram, que todos transportam esse pecado, que tem uma origem sexual e se transmite sexualmente. Este é o mal que vem ao Ocidente através da gnose, do maniqueísmo, de Santo Agostinho. Todos são concebidos em pecado e desse pecado original só o baptismo liberta. Assim, não hesitou em "enviar" para o Inferno as crianças não baptizadas, porque vinham com o pecado original...
Num dos seus textos, diz que a Igreja perdeu a credibilidade em termos de doutrina sexual. É assim?
A sexualidade também tem a ver com o prazer e este confronta-se com o poder. Na medida em que a Igreja se tornou numa instituição de poder, tem muita dificuldade em lidar com o prazer e a autonomia. Não sabe, por isso, como lidar com a sexualidade, com as pessoas que estão no mundo de modo autónomo. Essa é uma das questões fundamentais da Igreja.
Por isso surgem as questões relativas ao planeamento familiar, aborto, eutanásia...
A Igreja lutou contra a modernidade, embora, por outro lado, os grandes valores da modernidade venham, fundamentalmente, da Bíblia. Não é por acaso que é no Ocidente que se dá a modernidade, a secularização, a separação da Igreja e do Estado, que tem a ver com a autonomia, os direitos humanos... São valores que vêm da Bíblia, mas que os iluministas tiveram de impor contra a Igreja oficial.
Há um Papa que proibiu a leitura da Bíblia, outro refere-se à "detestável doutrina" dos direitos humanos. No entanto, são valores que vêm fundamentalmente da Bíblia. Afirmam-se a partir da ideia de um Deus transcendente, que cria por amor, livremente. Se Deus cria livremente, só pode criar criaturas autónomas, homens e mulheres livres, e as realidades terrestres seguem as suas leis, sem precisarem da tutela da Igreja. Por outro lado, o cristianismo trouxe ao mundo a ideia da dignidade divina de todos os seres humanos, independentemente da cor, etnia, sexo, posição social, nacionalidade ou religião.
A autonomia relaciona-se com os limites, que a sociedade também coloca, e com a ética, que foi sempre construída também com base religiosa. Hans Küng propõe uma nova ética mundial. Mas se a religião tem problemas com a modernidade, como se faz o equilíbrio entre os limites e o desejo de autonomia inerente ao ser humano?
Quando Hans Küng fala de uma ética mundial, refere-se mais a um ethos - aquela atitude radicalmente humana perante as grandes questões humanas, em que haja um consenso mínimo. Refere-se a um conjunto de bases éticas em que seja possível o acordo de todos os homens, crentes ou não-crentes: o compromisso com o princípio da humanitariedade, que obriga a respeitar a dignidade inviolável da pessoa humana, o compromisso com a não-violência e o respeito pela vida, o compromisso com a justiça e a solidariedade, o compromisso com a igualdade e companheirismo entre homens e mulheres. Não se pode basear a ética na religião, porque a ética é autónoma, isto é, não é antes de mais uma questão religiosa, mas humana. E é possível e imprescindível um consenso ético mínimo nas questões que hoje nos afligem, como a bioética, a justiça, a ecologia. É possível uma ética autónoma, também porque somos seres racionais e sociais. Sendo livres, somos capazes de nos darmos a nós próprios uma ética na responsabilidade. A liberdade implica a responsabilidade: somos capazes de nos darmos regras, somos capazes de responder por isso. A religião relaciona-se com a ética, mas vincula-se a ela devido a outros problemas, que têm a ver com a culpa, com as vítimas inocentes, com a esperança e com o sentido último...
Também há uma dimensão social da ética...
A ética é fundamentalmente social, pois o ser humano só existe com outros seres humanos. Se só houvesse um, nunca despertaria para si mesmo enquanto tal. O homem só é homem com outros. Ser homem e ser em relação é a mesma coisa. Há sempre uma co-pertença de mim aos outros e dos outros a mim, e aos passados e aos futuros. Porque a identidade própria é sempre atravessada pela mediação do outro. Só tomo consciência de mim passando pelo outro, pela alteridade. A alteridade é constitutiva da identidade.
Fala-se de grandes questões do mundo como problemas éticos: pobreza, direitos humanos, desenvolvimento. De que modo isso se relaciona com o que referiu?
Hoje tomamos consciência de que há uma só humanidade. Se tomamos consciência de que cada pessoa só é pessoa em relação a cada um dos outros seres humanos, é uma vergonha que 20 por cento da humanidade controle 80 por cento da riqueza e que quase metade da humanidade tenha de viver com menos de dois euros por dia. Todos pertencemos a todos. Um homem só é homem na humanidade, no seu vínculo a todos os outros. Mas, se não formos solidários por uma questão ética, de humanidade, então sejamo-lo ao menos por egoísmo esclarecido. Porque vamos entrar numa conflitualidade sem limites: quem julga que nunca mais haverá revoluções anda enganado.
Esse seria também um modo de resolver o debate sobre se os direitos humanos são uma construção ocidental? Ou esta é uma falsa questão?
Sou contra o relativismo e proponho o perspectivismo, que é diferente. Há algo que transcende o relativismo cultural. Julgo que tem de haver algo de transcultural. Esse mínimo, o que seria? Pelo menos, o entendimento nesta pergunta: "O que é ser homem?" Porque, se não houver algo de comum, como podemos dialogar uns com os outros? Há esta universalidade: a dignidade do ser humano. A partir daqui, é possível e necessário avançar para um ethos mundial, o que se traduz nos direitos humanos, embora eu compreenda que haja quem critique - e não apenas por meros interesses políticos. A Declaração dos Direitos Humanos, tal qual está formulada, incide muito na dimensão individual. Talvez seja necessária também uma carta dos direitos humanos, incidindo mais nos direitos de grupos, das culturas, e também nos deveres...
No seu último livro, Religião e Diálogo Inter-Religioso, escreve que "o outro é vivido sempre como fascinante e ameaça". Não estamos hoje mais a viver o outro (o islão, o estrangeiro, o imigrante) como ameaça do que como fascínio?
As pessoas andam preocupadas com a questão do outro, hoje mais sentido como ameaça, como dizem as sondagens, concretamente na França e na Alemanha. Por um lado, há a crise económica; por outro, o diálogo não pode ser unidireccional.
Não se pode esquecer que o cristianismo é hoje a religião mais perseguida no mundo e, nomeadamente, no Médio Oriente, onde parece haver um plano para fazer desaparecer a presença dos cristãos. Julgo que há condições fundamentais para o diálogo: o fim da leitura literal dos textos sagrados e a separação da Igreja e do Estado. Os Estados não podem ser confessionais. Isso que custou tanto à Igreja Católica tem de ser aprendido também pelos muçulmanos. Depois, as religiões têm de dialogar, porque nenhuma possui a verdade toda sobre Deus e o sagrado. O fundamentalismo - há fundamentalismo religioso, económico, político, filosófico - tem a sua origem na ignorância e na estupidez, pois julga possuir o fundamento. Ora, quem é o ser humano, finito, para possuir o fundamento?
Também nos confrontamos com a crítica da hierarquia católica, a começar pelo actual Papa Bento XVI, ao relativismo ético, que aponta para muitas questões no âmbito da moral sexual...
É evidente que, quanto ao sexo, não vale tudo. Por outro lado, dá a impressão de que a Igreja vive obcecada com o sexo. Ora, o cristianismo é realmente uma religião do corpo. Porque, logo no livro do Génesis, se diz que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, "homem e mulher os criou" e achou que isso era muito bom. Deus mesmo, em Jesus Cristo, assumiu a corporeidade humana na sua fragilidade. E os cristãos têm como núcleo da sua fé a ressurreição de Jesus e a ressurreição dos mortos. Como é que uma religião do corpo se dá depois tão mal com o corpo, historicamente? É espantoso e é necessário investigar isso...
Dá-se mal e nega a dimensão transcendente do corpo, aludindo ao que trata no seu livro Corpo e Transcendência...
O corpo humano vivo é alguém, alguém que está aberto à transcendência. O cristianismo é a grande resposta a esta corporeidade, que se abre à transcendência do próprio Deus e que espera a ressurreição dos mortos. Mas a Igreja oficial deu-se muito mal com a matéria, com o corpo. Há o problema do poder e, voltando à moral, do celibato não assumido. O facto de a ética ter sido entregue a moralistas que eram padres, com um celibato obrigatório, por vezes não assumido, eventualmente infeliz, tudo isso envenenou o corpo e a sexualidade. E envenenou a mulher, porque a moral esteve entregue a homens, que talvez vivessem uma má relação com o corpo e que tinham de amaldiçoar a mulher como o fruto proibido.
Essa má relação com o corpo não explica também o mal-estar da nossa sociedade em relação à morte?
Quando falamos do corpo, falamos do ser humano, do corpo-pessoa, que é este enigma, esta exaltação, esta alegria, esta pergunta infinita, mas que se confronta com o limite. E é daqui que surge a pergunta religiosa, porque, quando nos damos conta do limite, perguntamos por aquilo que está para lá do limite, perguntamos pela transcendência. Surge aqui a questão da morte. Há realmente hoje um enorme mal-estar em relação à morte, também porque se não quer aceitar o limite. O que se faz para manter o corpo jovem!... Mas envelhecemos e morreremos. E é fundamental reconciliar-se com a mortalidade.
O mesmo mal-estar existe com a sexualidade.
A relação com a sexualidade, hoje, não é boa, não é sadia. Passou-se do tabu ao vale tudo. E as pessoas percebem que não vale tudo. Um grande teólogo, renovador da moral católica, do qual agora se fala pouco, Bernard Häring, disse-me uma vez: "A Igreja Católica também tem culpa disso. Fez tabu de tudo e as pessoas quiseram depois libertar-se, mas libertaram-se mal." Por isso, hoje, vivemos este mal-estar.
Há uma enorme crise de uma sociedade que apostou no espectáculo, voltada para o ter, para o consumir sem limites. A partir daí, a grande pergunta é a da morte. Da qual se fez tabu. Ora, uma sociedade que não sabe conviver com a morte também não sabe viver com a vida. Penso mesmo que, para perceber uma sociedade, mais importante do que saber como é que nela se vive é saber como é que nela se morre e nela se trata os mortos. Ora, na nossa sociedade, sobretudo por causa da desafeição em relação à religião, já não há esperança em relação ao além. Então, numa sociedade sem eternidade, só ficam instantes que não fazem tecido e, por isso, se devoram uns aos outros. A um agora segue-se outro agora... e assim sucessivamente. E é preciso viver sofregamente o instante, consumir, correr, afirmar-se na vertigem, porque, depois, não há mais nada. Este é hoje o nosso problema maior. Não sou a favor do pensamento mórbido sobre a morte - infelizmente, a própria Igreja também utilizou o medo da morte para exercer o poder -, mas penso que o pensamento sadio sobre a morte traz sabedoria ao viver.
O poder é uma questão-chave...
O poder é fundamental para perceber as grandes problemáticas na história da Igreja, concretamente na sua contradição com o cristianismo originário.
O cristianismo tem a ressurreição como resposta à morte, mas não sabe falar dela.
A ressurreição deve entender-se na dinâmica do corpo-pessoa aberto à transcendência. Uma vez que a Igreja não sabe lidar com o corpo, fala da alma. Mas hoje, no quadro da antropologia, não se pode pensar em dualismo de alma e corpo.
De qualquer forma, em relação ao para lá da morte, ficamos sem palavras. É o indizível. Porque nós estamos preparados para pensar no quadro do espaço e do tempo, e a morte retira-nos precisamente do espaço e do tempo. Mas a fé do cristianismo na ressurreição é essencial. Quem acredita em Deus que é amor crê que não será abandonado por Deus nem mesmo na morte. Na morte, em vez de cair no nada, o crente espera entrar na plenitude da vida em Deus.
Nesse seu livro, refere-se às respostas perante a morte: resignação face ao nada, integração no todo, reencarnação, ressurreição...
Julgo que dificilmente se consegue conviver com o nada. Então, como as pessoas não toleram o nada, é interessante observar que 25 por cento dos católicos franceses acreditam na reencarnação. Entendo isso, mas penso que a reencarnação é insustentável até do ponto de vista antropológico. A ressurreição é a proposta da fé cristã. Mas ela não pode ser entendida como a reanimação do cadáver. Só se pode dizer que a pessoa na sua identidade encontrará a plenitude da vida em Deus. É um mistério do qual apenas encontramos acenos no amor e na música.
Por vezes diz que a Igreja esqueceu o essencial: a ressurreição, a proposta de liberdade, a autonomia e transcendência do ser humano...
Quase sou levado a dizer que, desgraçadamente, a Igreja pode ser acusada por alguns de ter recuperado grande parte das causas que levaram Jesus à morte.
Quais?
O que levou Jesus à morte foi a religião oficial dos sacrifícios, que explorava o povo. Jesus enfrentou-se fundamentalmente com o sacerdócio do Templo, pois Deus dizia: "Eu não quero sacrifícios, quero misericórdia." Jesus veio anunciar um Deus de amor, não precisa de sacrifícios. As religiões estão assentes no sacrifício. Jesus enfrentou o sacerdócio do Templo e essa foi uma das causas da sua morte. A outra foi que ele morreu como subversivo, como alguém que subleva a ordem social e política injusta. Encontramos aqui a mensagem nuclear de Jesus, que o leva à morte: um Deus de amor, que não precisa dos sacrifícios e que quer que todos os homens e mulheres se amem, que haja justiça e fraternidade no mundo. A Igreja recuperou, neste sentido, algumas das causas da morte de Jesus: um Deus que mete medo e aterroriza. E nem sempre dentro da Igreja reina a verdade limpa e honesta da transparência e da justiça: pense no Vaticano e na Cúria Romana.
É um Deus imoral que provoca o aparecimento do ateísmo, como sugere em vários dos textos do livro Janela do (In)visível?
Um deus que mete medo, que humilha as pessoas e impede a sua alegria, que leva à violência e à guerra, é um deus em relação ao qual só há uma atitude digna: ser ateu. O mesmo se diga da doutrina que diz que Deus precisou da morte do Filho para aplacar a sua ira. Este deus seria pior que eu, é imoral, porque mata a vida, quer o sangue do Filho, precisa de vítimas. Isso é absolutamente intolerável. Um Deus que exige o sangue das vítimas é o Deus da vingança. Ora, se Deus se vinga, nós também podemos vingar-nos, podemos ir para a guerra. O Deus que Jesus anunciou constituiu uma revolução. Jesus não veio anunciar que há Deus, porque Deus nesse tempo era uma evidência social. O núcleo da sua mensagem é que Deus é amor. Esta é que é a notícia boa e felicitante do Evangelho. Ora, o que a Igreja pregou muitas vezes, ao longo dos tempos, foi uma má notícia, o "disangelho", no dizer de Nietzsche.
O que explica uma parte do ateísmo. Mas, em muitos dos seus textos, tem uma visão positiva do ateísmo.
Sim. Ai de nós se não houvesse ateus que sabem o que isso quer dizer...
Ateus graças a Deus?
Não... Admiro os ateus que, quando ainda não havia liberdade religiosa e ser ateu significava o fogo da Inquisição e implicava, no quadro doutrinal da época, ir para o Inferno, ousaram, em nome da liberdade crítica, da razão e da própria dignidade de Deus e do homem, pôr a questão de Deus e ser ateus. Esses são santos da humanidade, porque foram eles que obrigaram a criticar imagens falsas e ignominiosas de Deus. Perante os ateus, é necessário perguntar em que Deus não acreditam. Os crentes, se também souberem o que isso quer dizer, talvez estejam de acordo com alguns ateus, dizendo: num Deus vingativo, guerreiro, em nome do qual a humanidade é explorada, nesse Deus também não acreditamos.
Tem um texto com o título Karl Marx actual. Vindo de um teólogo, soará estranho a algumas pessoas. Ainda mais hoje, em que o marxismo está fora de moda, mesmo apesar da crise... Como explica isso?
Karl Marx ensinou-nos, por exemplo, que ninguém fala a partir de um lugar neutro. Todos falamos a partir de um lugar social. A leitura que Marx faz em relação ao dinheiro enquanto mediador das relações humanas traduz a monetarização do humano. O dinheiro é o deus que tudo domina, ao qual homens e mulheres prestam culto. Estes aspectos mostram a actualidade de Marx. Tal como Galileu, que mostrou que o homem não era o centro do universo, Darwin, que ensinou que provimos da cadeia da evolução, ou Freud, que mostra que a razão não domina tudo, Marx também nos ensina a ver que nenhum de nós fala a partir de um lugar neutro. A palavra justiça não é neutra, como não há consensos neutros no domínio social, porque cada um fala a partir de um lugar próprio. O conceito de justiça não será o mesmo para um grande capitalista e para um pai ou uma mãe desempregados que têm de alimentar três ou quatro filhos. O chamado "socialismo real" morreu, felizmente, mas Marx tem muita actualidade, sobretudo nestas dimensões.
A religião continua a ser a busca de sentido?
Do sentido, do sentido último. Por isso é que nunca desaparecerá. E aqui reencontramos Marx. Ele tinha razão ao criticar a religião como ideologia. Mas ele não tinha razão ao pensar que, uma vez estabelecida a justiça social, a religião desapareceria. É que, mesmo que fosse possível uma sociedade transparente e sem conflitos sociais, a religião não desapareceria, porque há sempre o problema do sentido final, da morte, do tédio, como dizia Ernst Bloch.
Na prática e na disciplina da Igreja, quais são os aspectos mais importantes a mudar?
Tarefa fundamental é testemunhar, por palavras e obras, o Evangelho de Jesus e ajudar as pessoas a fazer a experiência de Deus. A Igreja precisa de assumir o valor da autonomia, em vários domínios, como a participação dos leigos, a liberdade de investigação e ensino, abrir-se a uma cosmovisão processual e não estática, confrontar-se com o pluralismo, com as novas ciências, nomeadamente as neurociências. A grande crise do nosso tempo é que já não há espaço para as grandes perguntas, sendo pois missão da Igreja manter acesa a pergunta. Para isso, ela própria tem de deixar-se interrogar. Tem de repensar a questão da sexualidade, nomeadamente, dos contraceptivos, da lei do celibato obrigatório. As mulheres não podem continuar a ser discriminadas. Não sou ingénuo: tem de haver alguma organização dentro da Igreja, mas uma coisa é o ministério e outra é o poder enquanto domínio e carreirismo.
A função clerical de hoje não tem mais a ver com o sacerdócio judaico do tempo de Jesus do que com os ministérios dos primeiros tempos do cristianismo?
A grande categoria religiosa é o sagrado, o mistério. O sagrado é o referente de todas as reli-giões. Se não houvesse experiência do sagrado, do mistério, as religiões não teriam lugar. Mas isso não implica a sacralização dos sacerdotes para oferecer sacrifícios. O Novo Testamento evitou a palavra "hiereus", que significa sacerdote. Na Igreja primitiva, fala-se em ministérios e não em sacerdotes.
Como deveria a Igreja encarar a questão do limite em casos como o aborto ou a eutanásia?
Sou contra o aborto, que é um mal, objectivamente. Deveria haver educação sexual séria, também para que o aborto fosse evitado e para que as pessoas pudessem exercer a sua autonomia sexual no amor, na alegria e na dignidade. Dito isto, a Igreja deveria estar muito atenta aos progressos científicos e distinguir entre vida, vida humana e pessoa humana. Assim, por exemplo, até à nidação, uma vez que pode haver ainda gémeos monozigóticos, não temos propriamente um indivíduo, de tal modo que a interrupção do processo não se pode chamar um homicídio.
Acrescento que a Igreja tem de saber argumentar, também do ponto de vista ético. Quando se diz que só se devem usar meios anticoncepcionais naturais, pergunto: o que são métodos naturais, se foi o homem que os descobriu? A Igreja torna o seu discurso não crível, porque, por vezes, a argumentação é frágil ou inexistente.
Indo à sua pergunta, julgo que um cristão não estava impedido de votar favoravelmente o projecto de lei da descriminalização do aborto. O que é inadmissível é que, depois, segundo a lei, a mulher que aborta não pague taxa moderadora e seja possível fazer dois ou mais abortos por ano.
E quanto à eutanásia?
A eutanásia é um problema em aberto, que não pode ser tabu. Se Deus deu a vida humana, deu-a mesmo. A argumentação que muitos cristãos apresentam de que não se pode intervir no fim da vida porque esta é dom de Deus não tem em conta a autonomia.
Dizia que a vida é um dom de Deus...
Se Deus deu a vida, a vida, para o ser humano, é um dom e não é um fardo. E, com autonomia, tem pelo menos o direito de pôr a questão da eutanásia. É uma questão em aberto. Claro que neste problema, como no aborto, estamos perante questões-limite, que devem ser tratadas com toda a responsabilidade. Ninguém pode acabar com a vida de modo irresponsável, porque nós também pertencemos aos outros. E é preciso sublinhar que só o próprio é que poderá dispor da sua vida, em determinadas circunstâncias e mediante um pedido de ajuda consciente e consistente. Exige-se imenso cuidado no debate, porque vivemos numa sociedade na qual predomina o poder do dinheiro e o economicismo, há pouco respeito pela vida e os velhos são menosprezados e até excluídos.
*Entrevista conduzida por António Marujo

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Padre José António parte em missão para o Brasil*

No próximo dia 29 de Setembro vou partir para o Brasil até Julho de 2011. Como foi possível?
Depois de 20 anos de pároco, por terras de Penedono, onde sempre fui bem acolhido e me sentia bem, partir para um ano sabático é uma loucura, porque sem ordenado, sem certezas do futuro, mandaria a sábia prudência que colhesse os frutos da sementeira realizada, da bela comunidade construída, e da casa, onde comodamente vivia.
A idade vai avançando e vamos perdendo forças e entusiasmo… Este novo desafio chegou na altura certa. Agradeço aos padres do arciprestado de Penedono e ao padre Samuel a amabilidade com que aceitaram outras paróquias e assim possibilitaram a minha partida. Não podemos viver sem esperança, alegria e entusiasmo. Um ano de estudo, descanso e distanciamento da realidade pode ajudar a crescer e a abrir novos horizontes.
Não seria altura da Assembleia do Clero e dos arciprestados aprofundarem estas realidades? Na obediência e fidelidade a nós próprios, saibamos lutar por aquilo que e a consciência nos dita.
Este ano sabático surge da experiência em Moçambique, onde desenvolvemos nove micro-projectos (como já pude partilhar neste jornal) e também após uma incursão na Amazónia – Brasil onde pude apoiar um padre holandês no seu trabalho com uma comunidade de trinta e cinco mil pessoas. Nesse tempo vivi na Mariápolis Glória, uma das 18 cidadelas (pequenas “cidades” espalhadas pelo mundo onde se procura viver o Evangelho, cuja lei é a do mandamento novo que o movimento dos Focolares criou pela mão da sua fundadora Chiara Lubich.
Esta experiência concreta de amar e ser amado na simplicidade de todos os dias fascinou-me. As grandes dificuldades dos padres, em viver o celibato num tempo em que o individualismo, relativismo e hedonismo reinam, perde sentido porque sem comunidades autênticas somos generais sem exército a lutar contra moinhos de vento, fazendo o papel de “palhaços”, como alerta o Papa Bento XVI num dos seus livros. Esta experiência deu-me esperança e tornou possível alargar os horizontes culturais e religiosos. E porque nem só de receber se fazem estas experiências, foi possível desenvolver alguns pequenos projectos apoiados pelo Centro Social Paroquial de Penedono (ajudar a construir duas igrejas, uma casa, duas instituições de toxicodependentes que vivem em casas muito pobres e duas bicicletas para possibilitar a deslocação de pessoas para o seu trabalho). Numa perspectiva de continuação do projecto estabeleceu-se um protocolo entre o Centro e a escola Fiore que acolhe crianças de um bairro pobre da cidade. Tantas vezes ouvi “primeiro nós depois os outros”, quando o Evangelho afirma precisamente o contrário.
Depois de tudo o que foi feito em Moçambique e no Brasil, a Segurança Social aumentou o protocolo do Centro Social em 33 por cento, depois de tantas dificuldades que pareciam inultrapassáveis. Podemos assim contratar uma nova funcionária e abrir o apoio a duas paróquias vizinhas. Para quem acredita, a revolução do Evangelho vai -se realizando e o “Dai e dar se-vos- à” torna-se concreto nas nossas comunidades fortalecendo a nossa vontade de ir contra a corrente, da mentalidade pouco cristã, que encontramos em alguns dos nossos colaboradores. Pequenas gotas, é certo, mas que ajudavam a reparar um oceano de injustiças que os nossos antepassados cometeram.
No último encontro de despedida, num jantar na Mêda, fiz o apelo aos sacerdotes para se encontrarem, como fazíamos semanalmente em Penedono, pois só assim nos sentiremos mais fortalecidos.
“Quem diz o que sente não peca nem mente”, mas pode estar errado. Espero não magoar ninguém com esta partilha. Quero partir em paz, continuar em comunhão com todos e regressar feliz e com mais entusiasmo.
Um abraço fraterno.
P. José António Rodrigues
*Testemunho transcrito do blogue da Diocese de Lamego (link)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Cinfães Homenageou o Cónego Acácio Soares*

Em 5 de Setembro a paróquia e o povo de Cinfães homenagearam o Sr. Cónego Acácio Soares em oportuna e justa iniciativa, pois além de se tratar dum notável homem da terra, dedicou a maior parte da sua vida à paroquia de Cinfães no seu múnus pastoral.
Nascido em Algereu da freguesia de S.Cristóvão em 1924, frequentou os seminários de Lamego para ser ordenado Presbítero em1950.
Antes de assumir a responsabilidade de Cinfães em Janeiro de 1969 que serviu até 2007,o Pe. Acácio foi pároco de Chavães e Vale de Figueira, Prefeito do Seminário, Director espiritual e Director da Obras Diocesana das Vocações (O.V.S).
A presente e louvável iniciativa deve-se ao dinamismo do actual Abade de Cinfães, Pe. Francisco Marques que juntou na homenagem os 86 de idade , os 60 de sacerdócio, os 37 de paroquialidade e a fez coincidir com a inauguração das obras de recuperação da residência, motivo por que aos actos religiosos presididos Pelo Snr. D. Jacinto, Bispo de Lamego com a presenças de muito clero e povo de Cinfães se juntou o poder civil com a presença e colaboração da Câmara, Governo Civil, Secretário de Estado e deputado do Distrito, unidos todos no acto religioso, sessão solene no salão e convívio acompanhado de lanche aberto à população.
Sem acaso ou distração deixei intencionalmente passar este tempo.
Amante da palavra, quase viciado na intervenção e com um quase imperativo interior, dei comigo e sem utilidade a quebrar a riqueza do silêncio.
Sem nada que valha e acrescente mais à valia, bondade e disponibilidade do homenageado já expressa noutros jornais deixei ao teclado do computador a liberdade e o dever:
-de lembrar à comunidade cinfanense e à diocese que dos 86 anos oferecidos à vida, 41 foram directamente dedicados a Cinfães numa constante intervenção e testemunho pastoral;
-de recordar ao povo que toda a população da freguesia com menos de 40 anos por ele foi batizado, com ele aprendeu a catequese, conviveu ou dele recebeu a bênção nupcial e o testemunho da sua decisão matrimonial;
-de mostrar a quem vive e quer ver que do silêncio dos seus conselhos saiu muito bálsamo para as agruras que a vida às vezes oferece quer aos jovens que estão a ser, aos adultos que o são ou aos irmãos que já foram e no além nos esperam;
-de agradecer todo o bem que fez e as condições que criou nas raízes que deixou para que outros ( O Snr. Pe Francisco), possam fazer ainda melhor a partir do que já está feito.
Muitos homens são uma referência, o Sn. Cónego Acácio foi um sinal. Um sinal mais nas vidas de quem com ele viveu e conviveu, um sinal com sinais de vida e espírito enviados à paróquia e à diocese, não só desde Cinfães onde está, como no tempo que em Lamego presidiu à O.V.S. (Obras das Vocações Sacerdotais) e Sinal era o jornal do contacto e da mensagem.
Nesta Homenagem, abarcante de uma trilogia de datas, a que compareceu, além do povo, muito clero, os seminários de Lamego e Resende com seu Reitor e Vice Reitores, tomaram a palavra (na Igreja ou no salão) o Snr. D. Jacinto, o Snr. Pe. Francisco, o Secretário de Estado e o Presidente da Câmara.
O homenageado não falou. Na sua tradicional humildade, junto ao altar no fim da missa apenas agradeceu a tudo e todos para dizer:
…« é possível, esquecendo as minhas fragilidades, descobrir em mim uma página de beleza divina escrita por Ele Deus, servindo-se de mim como mero instrumento».
…«a residência a inaugurar de seguida fez também parte das minhas preocupações, mas isso não passou de mero sonho e hoje é uma realidade graças à dinâmica do nosso Abade a quem felicito».
…« como é consolador ver agora esta paróquia confiada ao zelo dum pároco, o melhor entre os melhores, tal é o nosso Abade, Pe. Francisco Marques.»
Ao reconhecer que foi humilde instrumento na mão de Deus, que a ação do seu sucessor teve já mais brilho visível que o sonho do seu passado, que o novo pároco está no topo das qualidades entre o irmãos, demonstrou aos 86 anos e nestas três frases a beleza da humildade, do reconhecimento e da colaboração. E esta é a maior coroa do seu trabalho e o melhor testemunho da sua valia, porque só quem vale tem vida, ânimo e virtude para elogiar os outros.
Obrigado e ainda longo vida, Cónego Acácio Soares.

*Apontamento do Dr. Adão Sequeira

segunda-feira, 15 de março de 2010

Homenagem e entrevista a D. Manuel Linda*

Emoções ante a nomeação para Bispo e facetas de uma vida
Os colegas padres da diocese de Vila Real e alguns leigos brincavam com ele sobre a hipótese de ser bispo. “Eram brincadeiras, mas não passavam disso”, como referiu à Agência Ecclesia a propósito do relato da vivência dos dias passados entre o telefonema da Nunciatura Apostólica e a data da sua nomeação, que ocorreu a 27 de Junho passado. No domingo anterior, dia 21, o seu e-mail (datado das 07h43m) tinha um pedido expresso: “ligar para determinado número da Nunciatura Apostólica”. Visualizou a mensagem pelas 22horas, tendo interpretado o que se estava a passar, mas não ligou nesse dia. Como tinha um serviço na manhã do dia seguinte, colocou o telemóvel em modo silencioso, mas “estava continuamente a receber chamadas de um número de Lisboa”. Liberto dos seus compromissos, ligou para o respectivo número cerca das 12h quando caminhava na rua. Embora admita que tenha ficado branco quando recebeu a notícia, o facto de ter lido o e-mail na véspera deu-lhe alguma calma. Seguidamente, fez tudo o que era possível para que nada transparecesse junto dos seus colegas, o que se revelou uma tarefa difícil, pois estava menos falador, não conseguindo concentrar-se devidamente nas tarefas dessa tarde. Como quem advinha, na tarde do dia 23, recebeu um telefonema da sua mãe, que lhe perguntou: “É verdade que vais para bispo?” Finalmente, no dia 24, deslocou-se a Lisboa para falar com o Núncio Apostólico, que contra a sua vontade lhe concedeu pouco tempo para dar uma resposta.
Como padre sempre usou gravata, desconhecendo o que fazer à respectiva colecção, referindo sempre com ar bem disposto que está disponível para oferecer algumas, embora a sua casa de Moumiz tenha muito espaço para as guardar. Passando em revista os seus passatempos e predilecções, refere que gosta muito de corridas de automóveis e já apreciou corridas de motocrosse. Embora vibre pela selecção e tenha sofrido com o futebol na adolescência, prefere não dizer o clube da sua preferência. No domínio da literatura portuguesa, os seus autores preferidos são Miguel Torga e José Régio. Embora confesse “ser um desastre na arte de pintar”, é grande apreciador de pintura e de arte sacra. Gosta de viajar, deslumbrando-se com os monumentos de referência, e de visitar museus. Influenciado pelo ambiente rural de Resende, sente-se tranquilo na natureza e no meio do arvoredo, apreciando sobremaneira os castanheiros e pinheiros.

Entrevista a D. Manuel Linda
Como nasceu o seu desejo de ser padre?
No meu caso, foi um processo lento e absolutamente normal. Aí por alturas da minha quarta classe, era dado assente na minha família que continuaria estudos depois da Escola Primária, como então se dizia. Só faltava saber onde: no Seminário, no Externato de Resende ou no Liceu de Lamego. Chegou-se a pensar nesta última hipótese, pois tinha duas primas no então muito célebre Colégio da Imaculada Conceição. E a ida para essa cidade sempre dava um certo «estatuto».
Curiosamente, as circunstâncias da vida haveriam de me encaminhar para o Seminário de Resende. E, uma vez aí, fui «seguindo». Via que, à medida que os estudos avançavam, alguns colegas desistiam. E quando se tratava de amigos mais chegados, isso «mexia» comigo. Mas nunca vi razão para eu também sair. Pelo contrário: gostava de estudar e sentia-me bem nesse ambiente. A partir da passagem para o Seminário de Lamego, naquilo que hoje seria a transição do Ensino Básico para o Secundário, aí sim, comecei, gradualmente, a colocar a hipótese sacerdotal, cada vez com maior seriedade.

Quem e que circunstâncias o influenciaram para entrar no Seminário?
Dois rapazes de Moumiz, irmãos, ligeiramente mais velhos que eu, frequentavam o Seminário Missionário de Felgueiras (Minho). Nas férias, eu brincava muito com eles. Achava-os diferentes, com um porte distinto. E, sem me dar conta, comecei a identificar-me com a maneira de ser deles. E decidi mesmo que haveria de ir estudar onde eles andavam. Só havia um problema: é que, com o nome de Felgueiras, eu só conhecia a freguesia vizinha, também deste Concelho de Resende. Donde, aliás, ainda me provinham algumas raízes por parte do meu pai.
Fui dizer à minha mãe que já tinha decidido ir com o Joaquim e com o Alfredo –tal era o nome desses colegas de brincadeira. Mas a minha mãe, de forma bem prosaica, sentenciou: “Se queres ir para o Seminário, tens um aqui na nossa terra. Não precisas de ir para tão longe”. E mandou-me falar com o saudoso Padre Manuel Vieira, meu padrinho de Crisma, nessa altura Pároco de Paus. Lá fui. Ele fez o requerimento ao Seminário, fui a estágio, admitiram-me e… e aí está a normalidade do meu percurso.
Como vê, perdeu-se uma vocação missionária e ganhou-se uma diocesana…

Que importância tem tido, no seu percurso de vida, Moumiz, Paus e Resende?
Posso afirmar-lhe que constitui a minha identificação, as minhas raízes, uma espécie de alma cultural ou fisionomia interior. Por isso, sinto-me bem aqui. Falo com quem me aparece à frente. E falo com as pessoas do povo com tanta – ou maior! - naturalidade como quando tenho de me relacionar com «gente importante»: Ministros, Cardeais, Governadores Civis, Professores, etc. E gosto de fazer o que elas fazem, mesmo nas colheitas e outros trabalhos do campo.
Em poucas palavras: este ambiente onde nasci concede-me naturalidade face a um estilo de vida, típico da actual cultura de massas, que corre o risco de se tornar meramente balofa, de ser puramente artificial. Onde está verdadeiramente a vida: num jantar de gala ou numa flor de cerejeira que desponta?

Costuma vir muitas vezes à nossa terra? Que mais o atrai?
Quase sempre semanalmente. Aliás, devo dizer-lhe que, não obstante ter o tempo mais ocupado, agora consigo vir cá mais vezes do que no passado. Será que o passar dos anos nos faz regressar às raízes? Talvez… Mas isso não será a prova de uma sensata sabedoria que nos leva a valorizar as coisas boas e simples da vida, sabedoria essa que faltava quando éramos novos?
Obviamente, para lá do encanto da terra, a grande razão de cá vir são os meus pais. De resto, a casa paterna continua a ser o local aglutinador dos encontros de toda a família: irmãos, cunhadas e sobrinhas. Graças a Deus.

Como avalia a homenagem de que foi alvo?
Como disse em Paus, as acções promovidas pela Paróquia e pela Câmara sensibilizaram-me muito e até me «confundiram». Eu já sabia que as pessoas eram amigas e que se sentiram felizes por um conterrâneo ser eleito bispo, função que, mesmo nos dias de hoje, ainda supõe bastante destaque social. Mas que me tratassem como estão a tratar… isso é que eu não esperava.
Mas há uma coisa que me gera um certo constrangimento interior: que se fale em «homenagem». Homenagem? A mim não. Se for à Igreja, em cujo seio todos nos acolhemos… isso já é outra coisa. Eu prefiro falar em confraternização ou alegria pelas novas funções que me são atribuídas.

Quer dirigir alguma mensagem aos leitores do Jornal de Resende?
Para além de agradecer as manifestações de júbilo e simpatia que me dedicam, três coisas. Quanto à ordenação, dizer que será a 20 de Setembro, na igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Real, às 16 horas. Se alguém quiser participar, seria uma alegria para mim.
Quanto ao aspecto religioso, apelar aos resendenses que tenham a coragem de manter a fé recebida. Mais que nunca, continua a ser verdade que o homem não vive só de tecnologias, mas precisa de sentido para a vida. Ou, como diria o mestre, que “nem só de pão vive o homem”.
Finalmente, um incentivo à criatividade económica e ao desenvolvimento integral. A nossa terra é mimosa, mas não é rica. Com excepção da cereja – e mesmo esta fica caríssima na apanha - não podemos competir em nada. Então, vamos lá ver se conseguimos criar investimento – pequenas indústrias ou turismo, por exemplo - que gere emprego e favoreça a fixação das populações, mormente os jovens. Se não, teremos cada vez mais uma terra… desertificada. Ou mesmo completamente deserta. A começar por Paus.
Aqui está uma espécie de desafio colectivo para sermos dignos da nossa história multissecular tão rica.

Homenagem pública da Paróquia de S. Pedro de Paus e da Câmara Municipal
D. Manuel Linda assumiu sempre que nada fez para ser homenageado e que via esta iniciativa como um momento de confraternização, de alegria e de acção de graças dos seus conterrâneos por um dos seus filhos ser elevado ao episcopado. A iniciativa partiu do Padre António Loureiro, pároco de Paus, tendo sido desenvolvida em parceria com a Câmara Municipal de Resende que a apoiou e comparticipou financeiramente, assim como a Junta de Freguesia de Paus.
O programa incluiu uma sessão no Auditório Municipal, no dia 22 de Agosto, que foi iniciada com a actuação da tocata do Rancho de Paus, e que teve como ponto alto uma palestra subordinada ao tema “O Bispo na Vida e na História da Igreja”, proferida pelo Cónego João António Pinheiro Teixeira. D. Manuel Linda agradeceu a presença de todos, referindo que a sua ligação a Resende é genética. “Nota-se pelo timbre de voz e pelo sibilar da pronúncia, que nunca fiz por alterar. É a voz de Resende; é a minha certidão de identidade”, afirmou. O Presidente da Câmara interveio também para manifestar a grande alegria e orgulho dos resendenses pela elevação de um dos seus filhos ao episcopado, tendo afirmado “ser este um momento de grande privilégio para a comunidade de Resende”.
No dia 23 de Agosto, domingo, pelas 17h, foi concelebrada uma missa solene no recinto da sede do Rancho de Paus, presidida pelo Bispo de Lamego, D. Jacinto Botelho, a que se associaram 20 sacerdotes, tendo sido abrilhantada por um coro litúrgico de 15 elementos. Foi uma tarde de grande emoção para todos os participantes na cerimónia e sobretudo para D. Manuel Linda, que disse estar confundido com tantas manifestações de carinho dos seus conterrâneos, tendo agradecido a oferta do anel episcopal em ouro maciço por parte da paróquia de Paus e da Câmara Municipal.
O júbilo e apreço dos seus conterrâneos ir-se-ão repetir em 20 de Setembro, dia da ordenação episcopal, que terá lugar na igreja de Nossa Senhora da Conceição (Vila Real), com início às 16h.
*Apontamento e entrevista conduzida por Marinho Borges, publicados no Jornal de Resende (número de Setembro de 2009)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Relato do Encontro Missionário nos Seminários de Resende e Lamego*

Nos passados dias 02 e 03 de Dezembro, à tardinha, os missionários da Boa Nova, PP. Francisco Leitão e Tomás Borges, estiveram nos Seminários de Lamego e de Resende para um contacto missionário, constando de um tempo de comunicação aos jovens seminaristas e de uma projecção de testemunhos vindos dos nossos campos de trabalho em Moçambique e de um outro tempo forte vivido na Eucaristia.
Fomos extremamente bem acolhidos, quer no Seminário Maior, pelo aluno de Teologia Soares e, de imediato, pelo Vice – Reitor, P. José Fernando (o Reitor, P. Paulo Alves, a quem tinha dirigido a solicitação, estava ausente), quer no Seminário de Resende, pelo Vice – Reitor, P. António José e pelo P. José Manuel.
Dia 02, encontrámos no Seminário de Lamego 12 alunos de Teologia, que nos pareceram jovens determinados a seguir a vocação sacerdotal e missionária – já que todo o sacerdote é missionário – vindo a saber que havia mais cinco Diáconos a estagiar em várias paróquias da Diocese e também um, o Diácono André, no Seminário de Resende, onde está a realizar um belo trabalho na formação dos mais pequenos. Dei graças a Deus e congratulo – me com os seus formadores pelo elevado número de seminaristas maiores numa Diocese geograficamente pequena. A explicação que encontro é que a nossa Diocese é das mais antigas do país com uma forte tradição cristã (basta lembrar a igreja de S. Pedro de Balsemão, do século VI, uma das mais antigas, se não a mais antiga igreja de toda a Peninsula Ibérica); tem sido assistida por padres piedosos e dedicados; rezava – se muito e, porventura, ainda se reza bastante; o secularismo não tem penetrado; e, finalmente, os dois Seminários têm sido orientados por equipas idóneas e bem preparadas. Os seminaristas mostraram – se abertos e colaborantes, embora o tempo fosse escasso, e alguns deles tivessem de apresentar provas académicas no dia seguinte.
Dia 03, no Seminário de Resende, fomos encontrar 39 adolescentes e jovens do 7º ao 12º ano, com a alegria e vivacidade próprias destas idades. Remeti – me imediatamente para os meus tenros anos de seminarista, em que enchíamos a capela, o salão de estudo e o refeitório. O esquema que usámos em Lamego, adequámo – lo a esta situação um pouco diferente. Aqui, a mensagem teria que se revestir de uma tónica mais alegre e comunicativa. Até fomos capazes de tocar e cantar melodias moçambicanas, levando – os a serem activos connosco; e o mais curioso é que até dançámos ao jeito africano. Foi mesmo festa. E a festa continuou, a um outro nível, na Eucaristia que se lhe seguiu. Foi belo ouvir todos aqueles jovens cantarem os louvores de Deus acompanhados por um excelente organista. Tentámos semear neles a sensibilidade e o entusiasmo missionários que, como cristãos e futuros padres, devem viver e testemunhar. Que o Senhor da messe os abençoe e ajude.
Como missionário pertencente à Diocese de Lamego, partilhei em ambos os seminários as excelentes relações que sempre houve entre os missionários da Boa Nova (em tempos idos, missionários de Cucujães) e a nossa Diocese, na área da espiritualidade. Recordo perfeitamente de ter ido, como seminarista, ao Seminário de Resende, visitar dois superiores meus que, em anos diferentes, se encontravam a orientar um retiro espiritual. Mas havia reciprocidade. Lembro – me de ter participado num retiro, no nosso seminário de Cucujães, pregado por D. Alberto Cosme do Amaral, ao tempo Director Espiritual. Há pouquíssimos anos, o P. Jerónimo Nunes, então Superior Geral da Sociedade, orientou um retiro aos seminaristas de Lamego. Estou convencido, embora não possa afirmar, que o nosso santo Director Espiritual do Seminário de Cucujães, P. Manuel Moreira Campos, cuja biografia descrevi num pequeno livro com o titulo “Um Homem de Deus” e que recomendo neste Ano Sacerdotal, deve também ter ido a Lamego ou Resende orientar algum retiro.
Mormente nos últimos anos, tenho assistido com muita satisfação a uma grande abertura e vivência missionárias por parte da nossa Diocese. Além do P. José Guedes, nosso missionário actualmente na Zâmbia, saído do Seminário de Lamego directamente para a Sociedade Missionária, recordo as experiências missionárias efectuadas com os nossos missionários pelo P. Luciano em Angola e Moçambique, e pelo Padre José António Rodrigues, meu vizinho na paróquia de S. Pedro de Paus e pároco de Penedono, o ano passado, 2008, na periferia de Maputo, capital moçambicana. Sei que o P. José Fernando, Vice – Reitor de Lamego, passou também um mês em Moçambique. O Director Espiritual de Resende e Secretário diocesano das Missões, Cón. Manuel Leal, desejava, enquanto seminarista, seguir a vida missionária, mas depois deparou – se com algumas dificuldades para poder avançar. O Vice – Reitor de Resende, P. António José, contou – me que ele e outros seminaristas participavam com o saudoso P. Manuel Vieira Pinto, meu antigo pároco em Paus, nas Jornadas Missionárias em Fátima. Obviamente, este clima missionário não poderia acontecer sem a anuência e o impulso dados pelos nossos Bispos, nomeadamente, D. Jacinto Botelho.
Dou graças a Deus pela Diocese a que pertenço e peço ao Senhor da messe que continue a reavivar a sensibilidade missionária e a chamar os que Ele quer.
*P. Tomás Borges, SMBN

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Notícia relativa à homenagem a Monsenhor Carlos Resende*

Eram apenas passadas 24 horas da data em que Monsenhor Reitor Carlos Resende completaria o seu centésimo aniversário e mais um sonho de alguém, concretizado com esforço e alguma dedicação: Homenagear seu antigo Reitor - porque não também Amigo!
Aos organizadores, tão bem «orquestrados» pelo nosso Dr. Adão Sequeira, desde já os meus sinceros Parabéns não só pela ideia, como também por toda uma organização que se prezou por uma abordagem completa sobre a vida do homenageado testemunhada não só pelos responsáveis, Sr. D. António Francisco dos Santos – Bispo de Aveiro e pelo Dr. Adão Sequeira da Fonseca, mas também, em gesto de grande Amizade e respeito, por Suas Excelências Reverendíssimas: Sr. D. Jacinto Botelho - Bispo de Lamego e Sr. D. António Rafael – Bispo Emérito de Bragança/Miranda, por vários sacerdotes da nossa Diocese, grande representação de Antigos Alunos dos Seminários de Lamego e nossos presentes Seminaristas de Teologia. Mas, não só elementos ligados aos Seminários se fizeram presentes. Os principais responsáveis políticos da região, tiveram o propósito de também prestarem homenagem ao seu conterrâneo Cinfanense; assim, desde o Sr. Presidente da Câmara, Prof. José Manuel Pereira Pinto ao Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Sr. Mário Luís Correia da Silva, foram muitos os Cinfanenses que também marcaram presença no Sala Magna da Câmara Municipal, onde começou o programa de Homenagem.
Como não podia deixar de ser, o Seminário Maior de Lamego representado por toda a sua equipa directiva e seus estudantes, na pessoa do seu Reitor, Pd. Prof. Dr. Paulo Alves quiseram prestar a sua homenagem entoando o Hino do Seminário, dirigidos pelo Sr. Pd. Marcos Alvim. Surpreendentemente, o Sr. Reitor acumulou uma outra simples homenagem, chamando o Grande Mestre Dr. Rui Botelho e solicitou-lhe que também ele, num gesto de Amizade e gratidão, dirige-se os seminaristas e a plateia na repetição do mesmo Hino que ele no passado tantas vezes dirigira. Lindo gesto também, a este Grande Homem da nossa Diocese…
Finda esta homenagem pelo Seminário de Lamego, onde o homenageado passara a maioria dos seus anos, coube ao Sr. Presidente da Câmara. Abriu a sessão saudando os presentes e tecendo demasiados pormenores pessoais, familiares e demais que o ligaram e ligam ao homenageado. Foi agradável ver a grande inter-acção existente entre Mons. Resende e os Cinfanenses, embora quase metade da sua vida tenha sido passada entre os muros daquela grande casa que é o Seminário Maior de Lamego.
Em seguida, tomou a palavra o Dr. Adão Sequeira que no computo geral trouxe a todos os que enchiam a sala (e muitos ficaram de pé…) um testemunho pessoal de como conheceu, conviveu, opinou e recorda Mons. Carlos Resende, seu Perfeito, seu Professor, seu Reitor e por fim seu Amigo.
Tal como eu, fomos muitos os que num silencio total ouvimos este testemunho que, confirmou tudo o que já ouvira falar de Mons. C. Resende que não conheci directamente como seminarista por não ter passado pelo Seminário Maior. O Dr. Adão deixou transparecer a qualidade de um Homem, de um Amigo e de um Grande Orientador de jovens preparando-os não só para o Sacerdócio ou, como no seu caso pessoal, para uma vida laical.
Mas, se este testemunho nos silenciou e muito em especial aos que de algum modo estivemos ligados ao Seminário, ao tomar a palavra, o Sr. D. António Francisco debruçou-se mais no mencionar toda uma Família a que Mons. Carlos Resende pertencia. Desde seus Pais e seus Irmãos, em todos D. António Francisco ao mencionar, encontrou um grande valor humano, cristão e enraizados à sua terra. O orador pormenorizou alguns aspectos íntimos e espirituais que houvera tido com o Homenageado, sensibilizando todos os que o escutávamos.
Como sempre, a eloquência nas suas palavras, pareciam-nos transportar ao tempo e ao momento. Seria talvez difícil encontrar melhores oradores, todos eles também filhos da terra, para recordar Mons. Reitor Carlos Resende… E como colmatar de uma sincera gratidão, o Grupo Coral de Cinfães, entoou duas ou três peças tipicamente regionais, dando por terminada a primeira parte deste reconhecimento.
A Homenagem teve o seu seguimento com o descerrar de uma lápide, na sua própria moradia, frontal à Igreja Paroquial, em que ficou gravada toda a gratidão que a ASEL-Assoc. dos Antigos Alunos dos Seminários de Lamego querem perpetuar com o seu ex-Reitor. A Direcção da Associação, representada pelo seu Presidente, Avelino Pereira e muitos outros Antigos Alunos chamaram a si a total responsabilidade desta oferta e contribuição nesta Homenagem.
Atravessando a rua, dirigimo-nos para a Eucaristia presidida pelo nosso Bispo, D. Jacinto Botelho e coadjuvado pelos dois Bispos mencionados, por vários sacerdotes e diáconos. A Igreja Paroquial estava repleta. O grupo coral local com a colaboração dos nossos Seminaristas e dirigidos pelo Sr. Pd. Marcos Alvim alegraram este novo momento de Homenagem onde o Sr. D. Jacinto Botelho, no momento próprio, recordou Mons. Carlos Resende com quem havia colaborado também na Direcção do Seminário e de quem guarda grandes valores como Homem, como colega sacerdote, como Superior e como Amigo. A todos convidou para em comunhão elevar-mos as nossas preces e dar-mos graças ao Bom Pastor pela Felicidade de um Homem como Mons. Carlos Resende ter nascido na nossa Diocese, ter sido Seminarista e posteriormente Grande Responsável em um dos nossos Seminários: a Diocese apenas saiu valorizada com todo o seu trabalho, dedicação, competência e devoção.
Foi, sem dúvida, uma tarde de Sábado plena de sentimentos, de gratidão e de reconhecimento. Cada um partiu de regresso aos mais diversos pontos de destino, mais rico humana e cristãmente pelo exemplo deste Homem que deixou marcas não só nos que orientou, mas também em todos os seus conterrâneos cinfanenses.
Na companhia de todos os Anjos e Santos goze a sua alma o Eterno Descanso; será sem dúvida o desejo de todos os que o homenagearam e recordaram.
*Notícia elaborada por A. Cândido Teixeira (Aselista) a propósito da homenagem prestada a Mons. Carlos Resende, em 13-02-2010, em Cinfães, por ocasião do centenário do seu nascimento

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Homenagem a Monsenhor Carlos Resende*

-1 -Do Santo Cura d´Ars, exemplo grande de humildade e santidade, escreveu o papa, Bento XVI - «com exemplar obediência ficou sempre no seu lugar porque o consumia a salvação das almas», santo este que dizia «para mim sacerdócio é amar a Jesus».

Estas duas frases fazem-me pensar que é uma feliz coincidência a celebração do ano sacerdotal em honra do santo Cura d´Ars, o Pe João Maria Vianey, conter no seu âmbito temporal o centenário do nascimento de Monsenhor Carlos Alberto Pinto Resende, homem e sacerdote exemplar para quem a obediência foi bandeira que sempre assumiu e para quem o sacerdócio foi também amar a Deus e os que lhe estavam entregues.


Filho ilustre da nossa terra, Carlos Resende, Monsenhor de título, Reitor de função e homem de actos e vida, dedicou aos alunos, ao seminário, à diocese e a Deus a sua vida.

Sem ruído, sem barulho, sem ostentação e sem vaidade, honrou e dignificou a sua terra, o seu povo, a sua família, o seminário e seus alunos.

Homem bom nos seus actos, recto nas intenções, edificante na apresentação, elevado na intenção, despido de maldade e intenções secundárias, vendia gratuitamente do seu rosto e oferecia em abundância espontânea um sorriso que irradiava serenidade, bem-estar e bondade.


A celebração e homenagem que hoje aqui fazemos é um dever imperioso de seus antigos alunos consubstanciados à volta da sigla ASEL que em boa e justa verdade não podiam deixar passar a data centenária do seu nascimento sem de modo singelo mas vivo e expressivo dizer aos presentes (e para memória futura aos vindouros) que é nosso dever enaltecer os actos e acontecimentos, os nomes e as pessoas que nos antecederam no tempo e marcaram o passado com exemplo profundo de valor futuro, guardando e resguardando deste modo a herança moral dos antepassados.

Esta homenagem é, além do mais, o grito afirmativo de que homenagear o passado é semear, fertilizar e defender sementes de futuro.

Ai do povo, país, ou instituições que desprezam os valores do seu passado e menorizem as virtudes e valores dele recebidas.

E o passado é feito de homens, pelos homens e para os homens, isto é, o passado é memória para se recordar e viver no futuro, na hora exacta em que o futuro começa a deixar de o ser.


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Não sou a pessoa mais indicada para falar do valor, das virtudes, do projecto, da alma, da sabedoria ou da santidade do nosso homenageado; a minha incumbência é de vos deixar um testemunho singelo de antigo aluno que ao fim de 11 anos, mudou de rumo e enfrentou novas realidades.

Eu queria, antes de iniciar, regozijar-me por ver aqui, entre nós:

- a diocese no seu melhor espírito;

- os seminários de Lamego e Resende na sua mais alta e expressiva representatividade;

- a autarquia e o poder local , na sua melhor expressão, autoridade e importância.

Se eu pudesse avisar Mons Carlos Resende que estamos aqui reunidos na sua terra…ou se ele pudesse fazer-nos um sinal lá do alto onde se encontra, como sorriria abertamente e à sua maneira ao ver à sua volta:

-um bispo,-Snr D.Jacinto Botelho- que foi seu aluno e colega de formação no seminário;

-outro bispo,-Snr. D.António Francisco-que foi seu aluno e esperança querida dos seus olhos;

-outro bispo também, Snr. D.António Rafael, emérito de Bragança/Miranda, seu antigo aluno e colega de ensino.

-um leigo e antigo aluno, a falar das suas virtudes e valores;

-outro leigo e aluno notável, a gerir os sons e melodiosos acordes musicais em sua honra e louvor;

-tantos outros (dele queridos),antigos alunos, sacerdotes ou leigos que aqui significam toda a juventude que passou pelas suas mãos debaixo dos seus olhares;

-os seus virtuais pupilos e actuais alunos do nosso Seminário;

-os seus familiares queridos que em acto colectivo acorreram hoje a saudá-lo de modo mais aberto e expressivo;

-os cinfanenses, filhos da sua e nossa terra que em reconhecimento devido se associaram a esta iniciativa tão justa como oportuna.


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Era mais agradável para mim deixar o coração falar e a alma exprimir-se ao sabor do sentimento real e verdadeiro, em devaneios de considerações e deduções mas vamos ao que fui incumbido, a factos, realidades e referências através das quais objectivamente se possa deduzir e em parte entender a essência e a causa desta homenagem centenária.


2-Quem era Mons Carlos Carlos Resende do meu tempo?

Era só o venerável reitor, nobre de aspecto, respeitável de apresentação, bondoso de gestos, afável de convívio, ou superior por função?

Assim muitos o viram, assim muitos o entenderam, assim muitos o respeitaram.

De simplicidade linear, envolvia dentro de si uma sabedoria que atraía e uma respeitabilidade que encantava. Deixava a disciplina viva aos seus pares na formação e enchia o seminário com a imagem alta da sua função.

Sem vara nem bastão, sem ferrete nem humilhação, sem opróbrio nem grosseria, deixou um rasto de mensagem que marcou passos, entusiasmou destinos e sedimentou futuros.

As fronteiras deste testemunho têm o limite das minhas limitações e o âmbito da minha experiência. Fica portanto de fora toda a riqueza anterior à minha vivência no seminário, toda a acção posterior à minha saída e toda a mensagem da qual não possuía dados em memória nem documentos ao meu alcance.


Vejamos um pouco do que existe e leiam, (estimados amigos), aquilo que eu não consegui escrever para vos ler, porque a sua valia e virtude vão além, muito além do que eu disse ou vou dizer.

Do homem de quem vos falo:

-a quem nunca ninguém viu uma nódoa na batina, uma engelha na sobrepeliz, um sapato menos limpo, a barba por fazer ou cabelo em desalinho;

-a quem nunca ninguém ouviu uma ofensa, uma repreensão ou censura indevida;

-a quem nenhum antigo aluno refere como injusto, inoportuno ou excessivo, a não ser na bondade e compreensão

;…deste homem eu vou referir alguns passos da sua pedagogia e acção sempre dados e feitos a coberto de uma simplicidade e bondade que enchiam espaços e resultavam em frutos.

Deste homem, reitor, mestre e professor, eu, simples aluno, distante do seu melhor círculo de proximidade, tenho em meu poder fotografias que historiam e descrevem a sua estratégia de relação:

-a dar o ponta pé na bola,com os jogadores no campo dos Remédios-(junto dos seus);

-sentado no meio na nossa banda a ouvir atentamente os sons saídos dos nossos instrumentos - (no meio dos seus);

-nas ordenações sacerdotais a apoiar o futuro -(ao lado dos seus);

-nas missas novas a beijar as mãos dos novos sacerdotes -( a acompanhar os seus);

-no meio da sua equipa formativa com os finalistas do ano-(a dar garantia aos seus);

-no comando de todos os alunos na escadaria do seminário,-(a sorrir com os seus);

-em cortejo musical no meio da nossa banda,- (a conviver com os seus );

-no campo de jogos a ver os alunos na disputa da vitória-(a bater palmas com os seus);

…Sempre nos seus e com os seus, e sempre com o mesmo sorriso contido na forma espontânea de quem está bem e se sente bem onde está e com quem está.


-3- Deste homem que falava mais com o que fazia do que com o que dizia, eu tenho escrito, nós temos citações, mensagens e afirmações que escritas e parte delas guardadas agora na Antologia Estrela Polar continuam pelos tempos fora a nortear quem as quiser ler, ouvir e seguir.

E eu vou referir algumas para que todos nos apercebamos da mensagem expressa, ou do espírito intencional existente em cada um dos escritos.

-Em 1951, no lançamento da Estrela Polar, acto grande e momento alto da nossa vida estudantil, escrevia à guisa de editorial ou mensagem:

«jovens rapazes, que ousais entregar-vos às lides da imprensa, felicito-vos com toda a sinceridade (…) não esmoreçais, erguendo e projectando mais longe a luz da Estrela que há-de rasgar horizontes e iluminar inteligências».

-Em 1952, numa despedida de 4 alunos que se ordenaram e iam para a vinha do Senhor, escrevia no nº 7 do nosso jornal:

«ides partir, e partir significa sentir saudade da casa que se deixou, e daqueles com quem se vive (…) que esse sentimento jamais se extinga, (…)amai sempre o seminário que é também vosso e atraí a ele a simpatia, o afecto, a compreensão e os benefícios dos nossos fiés».

Nos anos seguintes e no mês de Dezembro, lá o encontramos no jornal escrito em boa letra de forma, com frases de vida e marcas de futuro afirmando e afirmando-se:

-No 1º aniversário, ainda em 1952 -«faz 1 ano o querido jornal, ele é o ambão onde os mestres da verdade ensaiam as 1ªs lições».

-Ou então ainda no ano seguinte, em 1953:

-«a arte de bem escrever, a cumplicidade e a elegância não se improvisam».

-Algum tempo depois incentiva os seus alunos, dizendo -«eu rendo a minha homenagem àqueles que acolhem o nosso jornal e lhe facilitam ambiente e simpatia ou prestam o auxílio necessário».

-Ao 10º ano, em 1961, afirma -«faz 10 anos (…) deveis deixar aos vindouros este facho de luz, ou não lhe désseis o nome de estrela (…) ide em frente, norteados por um nobre ideal e na ânsia de sempre mais e melhor».

-E depois (ainda e também) em 1967 -«que esta Estrela não veja ocaso, mas continue sempre na rota de espargir luz e que a abundância das bênçãos do Senhor desça sobre todos os que a dirigem, são votos do vosso amigo neste 16º aniversário da Estrela Polar».

-E nas bodas de ouro sacerdotais dos Snr. D. João da Silva Campos Neves, em Maio de 1962, deixa um sinal de vida, ainda hoje e sempre actual, que deve orientar pela vida os jovens alunos em formação ou os sacerdotes em acção operando na vinha do Senhor : -« entre os sentimentos que devem encher a alma dos seminaristas e incendiar a sua vida está a devoção, o afecto e a submissão ao seu bispo.»

Frases, pensamentos, mensagens, orientações, ânimo e estímulo, era este o posicionamento do nosso Reitor, dando força e vida à vocação sem que ninguém quase desse conta donde soprava esse ar de estabilidade, firmeza e acção.

…Assim falava e falou por escrito o homem, o mestre, o Reitor!


-4- e que dizem ou diziam os alunos que ele era?

Que pensavam os alunos a seu respeito?

Que escreviam e escreveram esses jovens alunos sobre o seu Reitor ao longo desses anos?

Eu vou citar extractos do nosso jornal, acerca do homem que todos os anos festejava no dia 12 de Fevereiro o seu dia aniversário.


-Ao saber da sua nomeação para Reitor, assim falou a Estrela Polar pela voz e pena dos seus alunos:

-«Em Outubro de 1954 foi elevado ao cargo de Reitor do nosso seminário o Snr. Cónego Dr. Carlos Alberto Resende.

Bem merece esta distinção.

Regozijamo-nos com esta decisão ».

-Em diferentes datas e na rubrica mensal -Entre Nós ,do nosso jornal encontramos: o nosso reconhecimento, a sua preocupação, o nosso regozijo, a sua referência e o marco futuro.

-Em 1955, o reconhecimento de que -«é justo que rendamos homenagem a quem a merece, e a festa do dia 12 foi homenagem merecida por quem há tantos anos serve o seminário, gastando nele as melhores energias».

-Em 1958 a sua preocupação « para que nada falte aos seus seminaristas».

-Em 1959 o seu regozijo, escrevendo -«a 12 de Fevereiro o nosso seminário vestiu-se de gala,(...) num imperativo do nosso reconhecimento».

E nessa envolvência vivida há um aluno, hoje aqui presente, o nosso Maestro Pereira Pinto, que no remate de uma espontânea e belíssima poesia que escreveu, declamou, (e da qual só encontrei os 3 versos finais), dizia:

«Oh Deus, que não seja em vão

Que se dá de coração,

O Snr Reitor, a vós somente».

-Em 1962 é reconhecido como referência, porque: -«há longos anos que o dia 12 de Fevereiro é um marco referencial na vida do nosso seminário».

-Em 1963, elegem a data como ícone de agradecimento pois aguardamos com esperança este dia, desejamos-lhe um aniversário feliz, pleno de bênçãos para que possamos cantar por muitos anos um solene Te Deum» e dizem que «a parte musical esteve a cuidado do nosso orfeão, que pela 1ª vez cantou a missa de S.Pio X, de Bartoluccci», imponente composição a 4 vozes cujos acordes enchem de vida uma Sé e elevam a Deus as almas dedicadas.

-Em 1965 reconhecem que -«a simplicidade tem o condão de agigantar as íntimas coisas desde que elas levem o rótulo do amor». E por isso fui encontrar que -«durante o recreio a banda espontaneamente se organizou e procedeu a uma arruada através dos corredores» em honra do Snr.Reitor

-Em 1966 surge escrita a síntese dos opostos aos dizer-se que -«a homena-gem de aniversário que todos os anos dedicamos a Mons Reitor é sempre emoldurada pela singeleza da nossa pequenês, realçada e engrandecida pela humildade do aniversariante». Afirmando-se ainda que -«não é fácil exprimir quanto Mons é…», isto é, quanto Mons Vale; e nesse mesmo ano, o pedagogo, o intelectual e o superior é reconhecido como amigo do desporto pois lê-se nos arquivos que na tarde desse dia - -«se disputou no ginásio a finalíssima do campeonato de Ping Pong, tendo o vencedor recebido a Taça Mons Carlos Resende.»

-Em 1968,marcou-se definitivamente a primeira fase de um novo futuro nesse dia iniciado, ao escrever-se alegremente no nº 192 da Estrela Polar, que -«para ultimar a nossa satisfação o Snr. Reitor anunciou que íamos a casa nos feriados do carnaval…(arrancando) um espontâneo F.R.A, símbolo da nossa alegria …(rematando que) o dia passou, mas a amizade que nos liga a Mons Reitor não passará jamais».

…E não passou.

E por isso estamos agora aqui, os jovens de hoje e os jovens de há 50 anos.


5- E tu Adão, que dizes do Reitor?

Eu faço minhas todas as palavras que já disse, e gostaria muito de ser autor de tudo o que de belo, bem dito e escrito, ainda hoje aqui se vai dizer, mas especialmente dele eu, e só eu, guardo em arquivo sentimental e físico alguns documentos dele, assinados e em original guardados que marcam a relação: superior/aluno:

-a sua carta de 27 de Dezembro de 1968 a indicar-me o caminho do laicado e o fim da minha vida no seminário, dizendo a findar: «esforce-se por levar também a sua família a aceitar esta situação, que o Senhor o abençoe nestes momentos difíceis em que tem de dar novo rumo à sua vida».

-a certidão de habilitações e média final do curso, que permitiram alguns anos mais tarde, aquando da lei da equivalência, entrar na faculdade de Letras isento de exame de admissão à Universidade.

-a declaração em que abona o meu bom comportamento moral durante o meu tempo de seminário e que se supunha necessário e útil para na vida militar vestir a farda ou manejar uma arma na função oficial de oficial.

-a sua conversa íntima e última, ele eu e minha esposa, suas mãos nas minhas, no seu leito de esperada recuperação na cidade do Porto cujos termos e sentido guardo para sempre sem revelação verbal ou exposição escrita.

Mons Carlos Resende mostrou pelos seus actos e honrou com o seu valor a casa que estava à sua responsabilidade.

E se a vida andante não existe sempre porque a morte lhe dá fim, aqui estamos nós hoje em simbologia de continuidade a dizer que a morte não é o fim mas a portagem para outra existência bem real e diferente desta certamente.

Nesta época, caracterizada pelo domínio do egoísmo, as celebrações desta natureza têm um significado especial e obedecem à nobre intenção de guardar e resguardar a herança moral e intelectual do nossos anteriores, porque é nosso dever enaltecer as pessoas e os acontecimentos que fizeram o passado que chegou até ao nosso presente e que nós devemos deixar com valia acrescida para os nossos futuros.

E finalizo dizendo ao presente e ao futuro, aos professores e alunos, aos leigos e sacerdotes, ao povo da sua terra e familiares da sua família que Mons Carlos Resende foi e é:

-a expressão rigorosa da modéstia;

-um sinal vivo do saber dedicado;

-uma luz acesa no caminho;

-uma docilidade que encanta;

-uma voz actuante sem ruído;

-uma autoridade sem imposição;

-um respeitador das ideias alheias;

-…e o titular de uma alegria esfusiante

… que alimentou vidas e segurou vocações .


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Snr. Presidente da Câmara e estimado amigo, depois disto agora ouvido, do melhor que vai ainda ser dito, e do que todos sabemos e reconhecemos, deveria a autarquia orgulhar-se deste munícipe, assumir a diferença e honrar esta Vila com um espaço –(largo, rua ou avenida)- em honra do homem a quem hoje orgulhosamente todos homenageamos – Monsenhor Carlos Alberto Pinto Resende.


*Discurso proferido pelo Dr. Adão Pereira Sequeira da Fonseca, em 13 de Fevereiro de 2010, em Cinfães, na sessão de homenagem a Mons. Carlos Alberto Pinto Resende, no centenário do seu nascimento

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